Por Marcelo Barcelos
Doutoranda do PPGA e integrante do grupo Politeia, Larice Petersen compartilha os desafios, as descobertas e as conexões que marcaram seu período de pesquisa em uma das mais reconhecidas universidades da Alemanha

ESPECIAL INTERNACIONALIZAÇÃO – Uma conversa durante um encontro acadêmico pode abrir caminhos inesperados. Foi assim que começou a trajetória que levou Larice Steffen Peters, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Udesc Esag e professora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), a realizar parte de sua pesquisa de doutorado na Humboldt-Universität zu Berlin, na Alemanha.

O primeiro passo aconteceu em outubro de 2024, durante o Encontro Internacional Equigov, quando uma aproximação acadêmica abriu possibilidades de colaboração que, meses depois, se concretizariam em uma experiência de pesquisa no exterior. Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, Larice esteve vinculada ao grupo de pesquisa do professor Peter Feindt, referência internacional em políticas agrícolas e ambientais, e contou com a supervisão acadêmica do professor Frank Fischer, um dos principais nomes mundiais da análise interpretativa e crítica de políticas públicas.
Financiada pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a experiência foi além da oportunidade de estudar em uma universidade internacionalmente reconhecida. Representou um período de aprofundamento teórico, ampliação de redes de colaboração e revisão de perspectivas que contribuíram diretamente para os rumos de sua tese.

Nesta entrevista ao blog do Politeia, Larice compartilha os bastidores desse percurso, desde os primeiros contatos com pesquisadores estrangeiros até os desafios de adaptação à vida e à cultura acadêmica alemã.
O caminho até Berlim envolveu planejamento, articulação institucional e uma série de etapas acadêmicas e administrativas. Entre elas, a elaboração de um plano de trabalho alinhado aos objetivos da tese, a obtenção da carta de aceite, a comprovação de proficiência em língua estrangeira e os processos de seleção e homologação institucional na Udesc Esag e na Capes.

Orientada pela professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, e coorientada pela professora Rosana Boullosa, da Universidade de Brasília (UnB), a pesquisadora destaca que a internacionalização não se constrói individualmente. Ela depende de redes de colaboração, da disponibilidade de pesquisadores para estabelecer diálogos e de estruturas institucionais capazes de apoiar cada etapa do processo.
Larice também chama atenção para os custos não cobertos pela bolsa, incluindo traduções juramentadas e despesas com visto. Nesse percurso, ressalta a importância do suporte oferecido pela secretaria de pós-graduação e pela coordenação do PPGA, tanto na preparação da candidatura quanto nos procedimentos posteriores ao retorno.
Uma experiência que transforma a pesquisa
Se os desafios administrativos fazem parte do caminho, é na dimensão científica que a experiência internacional revela alguns de seus resultados mais significativos.
O período em Berlim proporcionou o aprofundamento em abordagens críticas e interpretativas das políticas públicas, especialmente nas discussões sobre sua coconstrução e sobre os sentidos atribuídos a conceitos como governança climática, agricultura familiar, mulheres na agricultura, sustentabilidade e meio ambiente.

Essas reflexões contribuíram para redefinir e delimitar com maior precisão o objeto de sua tese, cujas atividades de campo, realizadas no Brasil após o retorno, já foram concluídas.
As conexões acadêmicas estabelecidas também permanecem ativas. A colaboração com pesquisadores brasileiros e estrangeiros segue contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa, e a pesquisadora segue em diálogo com o Professor Frank Fischer e com colegas do grupo de pesquisa da Alemanha.
Ao compartilhar sua trajetória, Larice apresenta ainda recomendações para estudantes que desejam realizar parte da pós-graduação no exterior: buscar antecipadamente os setores de internacionalização, planejar os recursos financeiros, estabelecer contatos com potenciais supervisores e estar aberto a diferentes ritmos, práticas e culturas acadêmicas.
A experiência se soma às iniciativas de internacionalização do grupo Politeia e da Udesc Esag, que vêm ampliando sua presença em congressos, publicações e redes internacionais de pesquisa.
Mais do que uma etapa na formação de uma pesquisadora, a trajetória evidencia como encontros, parcerias e oportunidades institucionais podem atravessar fronteiras, produzir novos conhecimentos e fortalecer redes de colaboração acadêmica.

Na entrevista a seguir, conheça os caminhos, os desafios e os aprendizados dessa experiência.
1 ) Politeia: conte-nos um pouco sobre sua pesquisa nesta experiência internacional e a fase em que ela se encontra para que nosso leitor compreenda. Como foi, por exemplo, a decisão de fazer o doutorado sanduíche e o processo de viabilização, além das liberações e apoios (no trabalho e na família) para que tudo pudesse dar certo?
Antes de tratar do processo de ida à Alemanha, é importante destacar que meu doutorado conta com o apoio do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), onde atuo como docente de Administração. A licença concedida pela instituição permite diversas experiências ao longo do curso, entre elas o período sanduíche. Sem a liberação do IFSC, esta entrevista não existiria. Também contribuiu para o doutorado, e para o sanduíche, o apoio da minha família. Em todos os projetos nos quais me envolvo, posso contar com meu esposo e com meus familiares: tudo fica mais fácil de gerenciar quando não se está só.
Especificamente sobre o sanduíche, desde o ingresso no doutorado eu tinha a intenção de realizá-lo em 2025. Durante algum tempo, não surgiu uma perspectiva alinhada ao que eu buscava, pois os estudos dos professores estrangeiros com quem o grupo de pesquisa Politeia, ao qual estou vinculada, dialogava tinham outras abordagens.
Em outubro de 2024, durante as visitas do Equigov a São Paulo e Brasília, conversei com a professora Rosana Boullosa (UnB), amiga pessoal da minha orientadora, a professora Paula Schommer. Ao conhecer meus interesses de pesquisa, sugeriu que eu aprofundasse meus estudos com o professor Frank Fischer, em Berlim.
De outubro de 2024 a janeiro de 2025, foi praticamente uma maratona para reunir toda a documentação dentro do prazo do edital da Capes. O processo se divide em etapas: seleção interna pelo programa da Esag, homologação pela Udesc e, por fim, submissão da proposta à Capes, seguida da análise e da homologação.
São muitos os detalhes, tanto na submissão interna quanto na externa, e o mais indicado é ter bastante atenção às exigências de cada etapa, descritas no edital. É preciso apresentar um projeto que especifique exatamente o que se pretende fazer durante o sanduíche, a aprovação da orientadora no Brasil, o aceite do orientador no exterior e a comprovação de proficiência no idioma exigido pelo país de destino, a comprovação também pode ser através de uma declaração de fluência assinada pelos professores no exterior e no Brasil.
O financiamento veio do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Capes, que custeia passagens, seguro-saúde, bolsa e, em alguns destinos, auxílio-moradia. Os valores, porém, não cobrem todos os custos, como traduções juramentadas e demais despesas com a emissão do visto. Algumas universidades estrangeiras também cobram taxas, o que não foi o meu caso. Esses valores não são pagos pela Capes e ficam sob responsabilidade do candidato, assim como quaisquer custos não previstos no edital.
Destaco também a excelência da equipe de pós-graduação da Udesc Esag. O apoio das profissionais da secretaria e da coordenação do programa, à época sob a responsabilidade do professor Tezza, foi fundamental ao longo de todo o processo. Todas as minhas dúvidas foram esclarecidas com atenção e disponibilidade, e tive sempre a tranquilidade de saber que, mesmo durante minha permanência na Alemanha, poderia contar com esse suporte diante de qualquer necessidade. Essa segurança fez toda a diferença, tornando o percurso mais leve e permitindo que eu me concentrasse na experiência acadêmica e na pesquisa.
2) Politeia – Como foi a busca por um coorientador estrangeiro e quais práticas resultaram dessa relação, sobretudo em um intervalo de tempo curto e totalmente objetivo? Conte-nos como se deram a rotina e as entregas.
Não sei se minha experiência representa o caminho mais comum para um doutorado sanduíche, mas tive a sorte de estar em Brasília justamente quando o professor Frank Fischer também estava na cidade. Por intermédio da professora Rosana Boullosa, responsável pela organização do evento, fui convidada a acompanhar, como ouvinte, um workshop ministrado por ele. Essa oportunidade de aproximação foi o ponto de partida para uma conexão acadêmica que, mais tarde, se transformaria na possibilidade de realizar parte do meu doutorado em Berlim.
Minha trajetória é marcada por relações de amizade e cumplicidade em uma rede de conexões. Ao longo do doutorado, construí com a professora Paula uma relação que vai além da orientação: somos amigas e compartilhamos muito mais do que a pesquisa.
Essa rede se amplia pela amizade da professora Paula com a professora Rosana e, depois, pela amizade da professora Rosana com o professor Frank Fischer.
Acredito que a relação acadêmica entre as professoras Paula Chies Schommer e Rosana Boullosa tenha sido fundamental para essa aproximação. Foi a professora Rosana quem me apresentou ao professor Frank Fischer e, a partir de sua indicação, ele abriu as portas do grupo de pesquisa ao qual está vinculado na Humboldt para que eu pudesse desenvolver meu doutorado sanduíche. A formalização da minha vinculação à universidade ocorreu por meio do aceite e da assinatura do professor Peter Feindt, coordenador do grupo de pesquisa na Humboldt, que mantém uma relação de reconhecimento e admiração acadêmica pelo professor Frank.
Destaco a forma como fui acolhida pelo professor Frank. Todos que estudam Administração Pública sabem quem ele é, e eu pensava com frequência no tamanho da minha responsabilidade, preocupada em não decepcionar nenhuma das pessoas da rede que me levou até ele. Ele, no entanto, foi extremamente gentil, paciente e acolhedor. Foi um privilégio ser orientada por ele, que segue acompanhando os passos da minha pesquisa no Brasil..
3) Nesse percurso, quais novas referências, conceitos, práticas e metodologias foram relevantes para a continuidade da sua pesquisa de doutorado?
Um passo muito importante foi a melhor delimitação da tese. Na qualificação, alguns pontos ainda não estavam bem articulados, e havia dúvidas sobre o campo e sobre algumas abordagens. Acompanhando os colegas nas reuniões semanais do grupo e com a orientação do professor Frank, o enfoque da tese foi ficando mais claro. Ele foi reforçado e validado por minha orientadora e pela professora Rosana, que se tornou minha coorientadora.
Aprendi muito sobre estudos críticos e interpretativos e sobre como utilizá-los na coconstrução, na análise e na discussão compartilhada de políticas públicas. Sigo me aprimorando nessas frentes. As discussões conceituais foram longas e não sei se já fechei algum dos conceitos: olhar criticamente para eles e entender a tese como uma construção compartilhada exige refinar muitas questões que eu julgava compreendidas e que hoje vejo ainda em construção.
Um exemplo são as longas conversas com o professor Frank sobre usar ou não termos ligados à governança climática e sobre o que exatamente eles indicavam para a minha tese. Os caminhos estariam mais próximos das discussões sobre sustentabilidade ou meio ambiente? E, sobretudo, esse conceito é de fato o mais relevante, ou uma perspectiva sociocentrada mudaria o enfoque?
Estou respondendo a essas perguntas agora no aprofundamento das análises dos dados trazidos pela pesquisa de campo, ainda há um longo caminho pela frente. Cheguei a Berlim com caminhos que julgava delineados e descobri que inverter o sentido da caminhada pode render resultados mais interessantes para o que estou estudando.
4) A preparação acadêmica para o estágio na Alemanha exigiu muito foco e aproveitamento ágil do processo. Ao iniciar o estágio, você sentiu que essa preparação foi suficiente? Alguma habilidade ou competência precisou ser adquirida para aproveitar melhor a experiência acadêmica, como conhecer melhor a universidade ou treinar o idioma para ampliar a comunicação?
Estudei bastante para me preparar. Embora o idioma exigido fosse o inglês, fiz aulas de alemão: dois semestres, iniciados antes da aprovação da Capes, complementados com aulas particulares. A preparação foi importante e me ajudou em situações cotidianas fora dos portões da universidade.
Em termos acadêmicos, não posso dizer que o desempenho exigido tenha sido mais intenso do que no Brasil; foi exatamente o oposto. Meu ritmo de trabalho aqui sempre foi, e continua sendo, mais intenso. No instituto, meus colegas trabalhavam menos horas e parecia que isso lhes fazia bem: tinham tempo para os afazeres pessoais e para a família e, quando estavam no instituto, conseguiam concentrar-se na atividade em questão.
Uma das coisas de que mais gostei foi a forma como nos comunicávamos no grupo de pesquisa. Usávamos principalmente o e-mail e o Zoom, com grupos bem direcionados, como o de escrita e o de almoço, já que normalmente almoçávamos juntos. Tínhamos até um grupo de memes, embora fosse pouco utilizado. Confesso que gostaria que adotássemos algo semelhante por aqui. Eu não tinha aquela sensação de estar sendo cobrada o tempo todo ou de ter sempre alguma pendência para resolver. Talvez essa não seja a experiência de todos, mas percebi o quanto essa organização fez diferença para mim. Quando recebo uma mensagem no WhatsApp, por exemplo, imediatamente me lembro de tudo o que ainda preciso responder ou resolver, mesmo fora do horário de trabalho. Já com canais mais formais, sentia que conseguia separar melhor as coisas: havia um momento para trabalhar, responder às mensagens e acompanhar as atividades, mas também havia espaço para realmente me desconectar. Foi uma experiência que me fez refletir bastante sobre a nossa relação com o trabalho e sobre como pequenas mudanças na forma de nos comunicarmos podem contribuir para uma rotina mais leve e equilibrada.
Mesmo com essas diferenças no ritmo de trabalho e na forma de comunicação, a experiência também foi bastante cansativa, especialmente no início. Era a primeira vez que eu morava fora do Brasil e precisava me comunicar diariamente em outros idiomas, principalmente em inglês e alemão. No primeiro mês, chegava em casa exausta! Além das atividades acadêmicas, havia todo o desafio de descobrir a cidade, aprender a me locomover, entender como as coisas funcionavam e decifrar os rótulos em alemão nos supermercados. Eram pequenas situações do cotidiano que exigiam muito mais energia do que eu imaginava. Mas tudo é uma questão de adaptação. Aos poucos, fui me sentindo mais à vontade e, além do inglês e de um pouco de alemão, passei a conversar também em espanhol com Miguel, meu colega peruano. Apesar de ter sido um pouco cansativo, eu faria tudo novamente e estou pronta para novas experiências internacionais na minha carreira.
Por ter sido minha primeira experiência morando fora, quero compartilhar o sentimento que me acompanhou durante e ao final do processo: “eu consegui”. Muita gente que me conhece já sabia disso, mas esse sentimento é muito individual, e só eu sei o que ele significa para a minha vida. Valeu a pena cada dia. Consegui lidar com todos os imprevistos (que não foram poucos), encontrei pessoas geniais, fiz novas amizades, descobri que me comunico bem em inglês (sempre achei que não) e que dou um jeito de resolver o que for preciso. A Alemanha era um sonho de infância que eu havia abandonado por causa de outros caminhos da vida e que voltou exatamente quando eu não o procurava. Cada dia lá valeu a pena.
Junto com esse sentimento de “eu consegui”, há também uma gratidão imensa. Eu vivi muitas coisas boas durante esse período. Sinto-me profundamente privilegiada por ter tido a oportunidade de aprender e conviver com o professor Frank Fischer. Mais do que uma referência acadêmica que eu admirava, ele se tornou alguém que marcou a minha trajetória. Posso dizer, sem exagero, que a convivência com ele mudou a minha vida.
5 ) Para finalizar, que dicas ou recomendações você daria a quem deseja se preparar para um estágio de estudos e pesquisa semelhante? O que não pode falhar sob nenhuma hipótese e comprometer o sucesso da empreitada acadêmica?
A primeira dica é: vá! Mas vá com consciência, planejamento e os pés no chão. A experiência pode ser maravilhosa, mas isso não significa que será livre de dificuldades.
Compartilho algumas recomendações, sobretudo práticas, que fizeram diferença para mim:
- Tenha clareza sobre seus objetivos acadêmicos, mas esteja aberto ao inesperado. Antes de viajar, converse com seus orientadores, alinhe expectativas e procure identificar quais atividades, disciplinas, grupos de pesquisa e pesquisadores podem contribuir para o seu trabalho. Mas não fique preso apenas ao planejamento inicial. Algumas das melhores oportunidades surgem de conversas informais, encontros e atividades que você nem imaginava realizar. Participe da vida acadêmica da universidade, faça perguntas e aproveite a oportunidade de conhecer outras formas de pensar e produzir conhecimento.
- Entre em contato com o setor de internacionalização da universidade no exterior. Pergunte sobre restaurante universitário, transporte com tarifas reduzidas e outros benefícios disponíveis. Algumas instituições exigem matrícula para conceder determinados benefícios, e essa matrícula pode envolver taxas. Coloque tudo no papel e avalie o que realmente vale a pena.
- Verifique se a universidade oferece academia ou atividades esportivas. Os valores costumam ser mais acessíveis do que os de estabelecimentos privados. Além disso, quando estamos em outro país, especialmente sozinhos, a atividade física pode ser uma excelente companhia e ajudar muito na adaptação.
- Respeite o ritmo e a cultura de convivência do grupo de pesquisa. Não estranhe se, dependendo do país, os colegas demorarem a combinar um barzinho ou alguma atividade fora da universidade. Isso não significa falta de acolhimento, mas uma forma diferente de organizar as relações e o tempo.
- Não tenha receio de fazer amizade com brasileiros. Muita gente recomenda evitar o contato com brasileiros para aproveitar melhor a experiência internacional e desenvolver o idioma. Eu discordo completamente! Antes mesmo de viajar, já participava de um grupo de brasileiros na Alemanha e, quando cheguei, tomei a iniciativa de convidar algumas pessoas para sair. Foi ótimo! Fiz amizades, conheci pessoas muito interessantes e tive boas companhias em vários fins de semana. Além disso, poder falar português, compartilhar referências culturais e rir de coisas que só fazem sentido para nós também ajuda a descansar o cérebro. E isso não me impediu de conviver com pessoas de outras nacionalidades ou de praticar outros idiomas.
- Aproveite a vida cultural da cidade. Museus, exposições, concertos, bibliotecas, parques e atividades culturais podem proporcionar experiências incríveis. Em muitos países, há uma programação gratuita ou com descontos para estudantes. Não deixe que a rotina de pesquisa faça você esquecer que conhecer o lugar onde está vivendo também faz parte do aprendizado.
- Mantenha uma planilha de gastos desde o primeiro dia. A Capes deposita mais de uma mensalidade da bolsa de uma só vez, e isso exige bastante organização. É importante distribuir os recursos ao longo de toda a permanência, considerando aluguel, alimentação, transporte e despesas imprevistas. Um controle financeiro detalhado evita muitos apertos e permite aproveitar a experiência com mais tranquilidade.
- Se for enfrentar um inverno rigoroso, compre roupas pensando na funcionalidade. Minha dica é procurar brechós antes de investir em peças caras. Nem sempre o casaco mais bonito é o que realmente protege do frio! Um bom casaco que bloqueie o vento e a chuva pode salvar muitos dias. Invista também em roupas térmicas de qualidade, priorizando a qualidade em vez da quantidade. Com a calefação, as peças costumam secar rapidamente, então não é necessário ter tantas.
- Procure grupos de WhatsApp e outras redes de apoio antes de viajar. Existem grupos de bolsistas do PDSE, brasileiros que vivem no exterior, estrangeiros na cidade e pessoas que já passaram pela mesma experiência. Essas redes ajudam muito a esclarecer dúvidas burocráticas, encontrar informações sobre moradia e transporte e, claro, fazer novas amizades. Eu mesma resolvi várias questões a partir das experiências compartilhadas nesses grupos.
- Esteja preparado para os perrengues e não tenha vergonha de pedir ajuda. Por mais que você se organize, algumas coisas vão sair do planejado. Faz parte! Procure conversar com quem já realizou o PDSE, reúna informações, esclareça suas dúvidas e construa uma rede de pessoas com quem possa contar. Nem tudo precisa ser resolvido sozinho. Aprender a pedir ajuda também faz parte da experiência.
E, para finalizar, deixo uma recomendação que considero tão importante quanto todas as outras: não espere ter absoluta certeza de que está pronto para viver essa experiência. Eu mesma descobri muitas capacidades que não sabia que tinha justamente porque me permiti enfrentar situações novas.
Boa sorte! E aproveite, porque essa experiência pode transformar muito mais do que a sua pesquisa.














































