Painel “Rumo ao Estado Aberto” na Open Gov Week SC debateu avanços e desafios da abertura institucional

O Politeia promoveu, na manhã de terça-feira, 19 de maio, o debate “Rumo ao Estado Aberto!”, realizado no Plenarinho da Udesc Esag, com transmissão online pelo Teams (assista aqui ao vídeo completo do evento). O painel integrou a programação catarinense da Open Gov Week, a Semana Internacional de Governo Aberto, iniciativa anual da Parceria para o Governo Aberto (OGP) que mobiliza governos, organizações da sociedade civil e universidades de mais de 70 países em torno de temas como transparência, participação social, integridade pública e governança.

Professora e pesquisdora Karin Vieira da Silva (em pé, no púlpito) conduziu as apresentações e conexões entre os convidados e plateia que lotou o plenarinho da Udesc Esag

O debate reuniu representantes da Escola do Parlamento Catarinense, Defensoria Pública de Santa Catarina, Colab-USP, Procuradoria-Geral de Contagem (MG), Prunart/UFMG e Secretaria do Planejamento de Santa Catarina (Seplan). Participaram os convidados e convidadas Alexandre Fagundes, Maria Aparecida Lucca Caovilla, Gisele Craveiro, Sarah Campos, Edgar Maturana e Arão Josino. 

Responsável pela organização do painel, a professora da Udesc Esag e pesquisadora-líder do Politeia, Karin Vieira da Silva, destacou os avanços relacionados à agenda de governo aberto em Santa Catarina, como o recém-lançado Plano de Ação Estado Aberto SC 2026 (assista ao vídeo do lançamento na Alesc) um dia depois do evento na Udesc. 

Debates trouxeram relatos de projetos e reflexão crítica dos temas de abertura institucional e governamental 

Mesa de debates trouxe casos, políticas de abertura, modelos de colaboração e transparência pública

Logo em seguida, na abertura dos trabalhos, o professor e diretor-geral da Udesc Esag, Leonardo Secchi, saudou os convidados e convidadas e destacou o papel do grupo de pesquisa Politeia na liderança de eventos científicos, publicações nessas temáticas e em processos de aprendizagem sobre temas emergentes da administração pública.

“É bom ver os olhinhos brilhando, sedentos por novas ferramentas e perspectivas. Temos gente de todo Brasil aqui, especialmente nossos alunos e alunas”. 

Alexandre Fagundes, da Escola do Legislativo, destacou a produção e colaboração do Politeia na realização de pesquisas, encontros, produções e cocriações junto ao parlamento catarinense.

“Entre 2023 e 2024, elaboramos as bancadas regionais e, depois, o Alesc Itinerante, programa que descentralizou as o trabalho legislativo. E agora, virou política pública. As pessoas conseguem ver o trabalho legislativo em sua essência”, comentou o diretor da Escola do Legislativo. 

Maria Aparecida Lucca Caovilla, Ouvidora-Geral Externa da Defensoria Pública de Santa Catarina (DPSC), relembrou a conexão e parceria em projetos e ações com a Udesc e, em especial, na colaboração e coprodução junto aos pesquisadores e pesquisadoras do Politeia. 

“Começamos pela palavra ‘aberto’… De que aberto estamos falando? Nada melhor do que ilustrar com essa sala. Que espaço nos encontramos? Estamos em um espaço da academia, onde buscamos ter acesso ao conhecimento livre, aos dados e informações. Uma das visões que definem o governo aberto é a inovação democrática. E um dos elementos estruturantes é a colaboração. Aqui neste evento vemos a materialização da colaboração”, refletiu a pesquisadora e professora. 

Em sua fala, a convidada Gisele Craveiro, professora da Universidade de São Paulo e Coordenadora do grupo de pesquisa Colaboratório de Desenvolvimento e Participação (Colab USP) questionou sobre que tipo de estado aberto estamos projetando e construindo na atualidade. Ela também é docente do Programa de Pós em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP

“Começamos pela palavra ‘aberto’… De que aberto estamos falando? Nada melhor do que ilustrar com essa sala. Que espaço nos encontramos? Estamos em um espaço da academia, onde buscamos ter acesso ao conhecimento livre, aos dados e informações. Uma das visões que definem o governo aberto é a inovação democrática. E um dos elementos estruturantes é a colaboração. Aqui neste evento vemos a materialização da colaboração”, refletiu a pesquisadora e professora. 

Procuradora-Geral do município de Contagem, da Região Metropolitana de Minas Gerais, a convidada Sarah Campos, também pesquisadora dos temas que interessam ao Politeia, falou sobre dos desafios de tornar a agenda de estado e governo aberto uma prioridade da gestão pública. 

“Nossa pauta não é palpável. Para prefeitos e prefeitas e governadores e governadoras, vejam, não é uma entrega de uma ponte, uma escola, uma avenida ou de um hospital. É uma entrega de participação social, de democracia ou transparência. Então os gestores muitos vezes é difícil, mas a gente consegue resultados gratificantes a longo prazo. Agora, estou na Comissão de Justiça Aberta da OAB de Minas Gerais. Vamos começar a discutir o que é Justiça Aberta e como incluir este tema nos sistemas de justiça como a segurança pública que é um dos ambientes mais fechados e herméticos. Temos que conversar mais”, defendeu Sarah Campos. 

Representante do Programa de Apoio às Relações de Trabalho e à Administração da Justiça (Prunart) da Universidade Federal de Minas Gerais, o sociólogo E Edgar Maturana reforçou a relevância da agenda do dia, em busca de um estado mais justo política e juridicamente e menos desigual, incluindo o enfoque de acesso a direitos básicos e entendimento pleno sobre cidadania.  

 “Temos que entender o poder do Estado. E quando falamos de justiça aberta enquanto sistema podemos sintetizar em três palavrinhas: o sistema tem que ter regras que promovem algum tipo de ação como promoção de direitos; a segunda palavra é a própria justiça que representa um valor e um poder e para entender esse sistema que promove justiça e valor temos a última palavra que é aberto. Este aberto ao qual me refiro é o ver, participar e colaborar”, disse Maturana. 

Fechando os debates da manhã, o secretário de Planejamento do Santa Catarina, Arão Josino, comentou a respeito do papel da Udesc na produção de conhecimento, circulação e acesso ao ensino de excelência, além de oportunidades de pesquisa, extensão e inovação. 

Convidados, professores, pesquisadores e parceiros celebraram a participação catarinense na Open Gov Week

“A Udesc é uma grande parceria para que possamos fortalecer as políticas públicas. Ao longo da minha caminhada, tive muita sorte. Encontrei-me com servidores públicos que me ensinaram o caminho. Nós, políticos e gestores, precisamos estar ao lado dos técnicos para saber o que é melhor para o desenvolvimento. E agora temos mais esse momento em que Santa Catarina sai na frente e lança o Plano de Ação Estado Aberto SC 2026”, comemorou o secretário estadual, mencionando a contribuição da servidora Carolina Kichler, coordenadora do plano e pesquisadora parceira do Politeia. 

Cenário promissor para a agenda de governo aberto 

O painel “Rumo ao Estado Aberto!” aconteceu em um momento de avanços importantes para Santa Catarina, primeiro estado do Brasil a integrar a OGP. Um dia depois do evento na Esag Udesc, em 20 de maio, foi lançado o Plano de Ação Estado Aberto de Santa Catarina 2026 (leia reportagem completa aqui), documento que reúne compromissos do Executivo, Legislativo e o sistema de justiça em uma agenda comum de abertura institucional, com diversas tarefas de implementação como linguagem simples, conferências regionais, eleição de ouvidor, novos canais de comunicação e acesso simplificado aos direitos tanto presencialmente quanto nas plataformas digitais. 

Para a professora Karin Vieira da Silva, o evento reforçou a relevância desse processo.

O diálogo entre governo, universidades, órgãos de controle e sociedade civil é crucial para políticas públicas mais responsivas. E estamos em um ótimo momento para acelerar aplicações e desenvolver novas pesquisas e propostas de melhorias para tornar a gestão pública mais aberta, próxima e inclusiva”, destacou a pesquisadora que foi responsável pela organização do evento. 

Professora da Udesc e pesquisadora líder do Politeia

Presença especial

Professor aposentado e um dos fundadores da Esag, Francisco G. Heidemann foi o convidado de honra e uma surpresa no evento. Ele acaba de lançar a tradução de obra clássica do campo, pela editora Annablume, sob o título “O Novo Serviço Público: Servir, em Vez de Dirigir”, disponível aqui para compra online. Ao final do evento, o professor celebrou o avanço dos temas que ensinou e estudou em décadas de docência na Udesc Esag. 

“Fico aqui maravilhado que aquilo que começamos lá em 2004. Elaboramos um projeto com a inspiração do nosso grande professor e mestre Alberto Guerreiro Ramos, lá da Califórnia (EUA) e numa língua estrangeira, para entendermos os desafios teóricos que estávamos enfrentando naquela época”, relembrou o docente que, em seguida, distribuiu autógrafos e abraços aos -ex-colegas, colegas e leitores. 

Nova obra do professor aposentado e um dos fundadores da Esag, Francismo G. Heidemann

Politeia cumpre agenda nacional em Brasília nesta semana 

A edição 2026 da Open Gov Week marca também os 15 anos da OGP, da qual o Brasil é país fundador. Em Brasília, a programação nacional (confira a programação completa aqui) será coordenada pela Controladoria-Geral da União (CGU), entre os dias 26 e 29 de maio, com tema “Transparência e Participação na Gestão Pública”.

O Politeia estará presente no segundo dia, com a professora Paula Schommer participando do painel de abertura “Política de Transparência e Acesso à Informação: trajetória e perspectivas”, além de um encontro acadêmico aberto ao público sobre “Transparência: Radar LAI e as novas fronteiras da pesquisa acadêmica e aplicada” que tará a presença de pesquisadoras e pesquisadores do Politeia como a professora Karen Vieira da Silva e José Fogolari que irá apresentar as novidades do projeto Radar LAI junto a pesquisadores, gestores públicos e autoridades. 

Veja a programação completa neste link. 

Grupo de pesquisa Politeia promove bate-papo sobre ciência aberta

Na próxima terça-feira, dia 2 de dezembro, entre 15h e 17h, os pesquisadores Marcelo Barcelos e Gisiela Klein participam de um bate-papo online sobre ciência aberta, comunicação de ciência e o uso da Inteligência Artificial no ambiente acadêmico. O evento será online e aberto a todos e todas. Basta acessar o link para participar https://bit.ly/4p0Hk2q.

A Ciência Aberta é um movimento global que busca tornar todo o ciclo da pesquisa — desde o planejamento até a publicação dos resultados — acessível, transparente e participativo. Trata-se de um compromisso dos pesquisadores e das instituições com o público, baseado na partilha livre e compreensível dos resultados e produtos da atividade científica. O tema integra os estudos do grupo Politeia que procura compreender a coprodução do bem público e a inovação no setor público, envolvendo a accountability, transparência, governo aberto e coprodução do controle; finanças, orçamento público e política alocativa; ética e transparência em sistemas sociotécnicos; e a governança territorial.

Durante o bate-papo, a jornalista e pesquisadora Gisiela Klein vai focar nas questões relacionadas à comunicação de ciência, um dos primeiros passos para garantir que a ciência feita nas universidades seja conhecida, compreendida e, até mesmo, coproduzida pela sociedade. Já o professor Dr. Marcelo Barcelos vai destacar o relacionamento das universidades com audiências ativas, a multiplicidade de meios de comunicação para se ampliar o alcance da informação científica, os desafios da desinformação e os modelos de comunicação científica inovadores. 

O evento é promovido pelo grupo de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, com apoio do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (PRAPEG).

O quê: bate-papo online sobre Ciência Aberta e comunicação de ciência
Onde: Plataforma Teams por meio do link >>> https://bit.ly/4p0Hk2q
Quando: Terça-feira, dia 2 de dezembro, das 15h às 17h

Mais detalhes sobre os debatedores

GISIELA KLEIN

Doutoranda em Ciências da Comunicação na Universidade de Coimbra, Gisiela investiga como a emergência climática desafia os valores centrais do jornalismo e exige uma reconfiguração normativa da profissão, analisando os impactos dessas transformações na prática jornalística e na esfera pública.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Administração pela UDESC, realizou intercâmbio acadêmico na Universidade de Bolonha (Itália), aprofundando estudos sobre sistemas de mídia e comunicação democrática em perspectiva europeia.

Com mais de 20 anos de experiência profissional, atuou no jornalismo local brasileiro, na defesa da comunicação pública, em estratégias de conteúdo digital e em comunicação governamental na China. Sua trajetória combina prática e pesquisa voltadas às interseções entre jornalismo, democracia, comunicação climática e desinformação.

Atualmente reside em Portugal e acredita no papel transformador do jornalismo e da comunicação para sociedades mais justas e sustentáveis, com especial interesse em projetos interdisciplinares e colaborativos que aproximem academia, mídia e sociedade civil, promovendo transparência, sustentabilidade e debate público informado.

MARCELO BARCELOS

É jornalista, mestre e doutor em Jornalismo (UFSC), com pós-doutorado em IA Generativa junto ao Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPGEGC), centrada em Humanos Soma 20 anos de experiência em docência laboratorial em projetos de comunicação digital, científica e pública. No mercado, tem sólida experiência em comunicação multiplataforma e em marketing digital, atuando na dianteira de projetos de transformação digital, inovação ágil e na definição/estratégica de conteúdo rico, de alta performance. 

Coordenou setores de Comunicação, Relacionamento, Marca, Assessoria de Imprensa e Digital de empresas e instituições públicas de referência, nos segmentos da educação, serviço, turismo, inovação, segurança pública e tecnologia. Cientista prático, está habilitado a repensar o mundo hoje com as lentes do amanhã. Entre suas trilhas de pesquisa , estão alguns objetivos como: 

1) prospectar novos problemas de pesquisa para disseminar, nas instituições de ensino e ciência (e junto à comunidade brasileira, em geral), questões preditivas que orbitam a evolução da IA, os limites de desenvolvimento dos sistemas especialistas (sobretudo os de IA Generativa e IA Forte);

2) articular redes de pesquisa e de cooperação técnico-científica para a para modelagem, tipificação e segmentação de modelos de IA, Estado Aberto e Jornalismo Aberto, em busca de protagonismo científico nacional e internacional, intercâmbios na área, parcerias público-privadas e na gestão de hubs temáticos acadêmicos na área da prospecção. es e software); Social-Comunidade (redução de desigualdades e violências); Cultura e Letramento Digital (conteúdos formativos); Futuro do Jornalismo com IA (MVP’s, materiais formativos e de cultura hacker).