Diálogos sobre Guerreiro Ramos: diferentes olhares debateram o autor e como ele nos ajuda a compreender e a agir na atualidade

Painel realizado antes na abertura do VIII CLAG, reuniu pesquisadores, coletivo e convidado internacional para debater o pensamento do sociólogo e os desafios e perspectivas do país As gravações serão publicadas em breve no canal do projeto no YouTube 

Na terça-feira, 27, o auditório da Udesc Esag, em Florianópolis, foi palco da Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”, promovido pelo grupo de pesquisa  Politeia e parceiros acadêmicos da Udesc Esag e diversas universidades. 

Gratuito e aberto ao público, o painel (veja detalhes aqui) reuniu pesquisadoras e pesquisadores de diversas universidades do país, com participação de convidado internacional por vídeo e de grupos de pesquisa para debater a contemporaneidade, a relevância e a singularidade da obra do sociólogo, escritor e pensador brasoleiro, Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982). 

A sessão abriu a programação do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública, o VIII CLAG, que ocorreu até ontem, 29 de outubro, nas dependências da Udesc Esag, com a participação de mais de 300 congressistas pessoas do Brasil e de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau. 

Perspectivas e possibilidades com as ideias do “Velho Guerreiro”, como era chamado por alguns alunos e amigos

Uma das características do encontro sobre a vida e obra de Guerreiro Ramos foi a diversidade de olhares, múltiplas abordagens teóricas, perspectivas conceituais, teorias tensionadas e conectadas para dialogar a respeito dos desafios contemporâneos em diversos contextos.

Sobre o Brasil, em particular, foi debatido como o contexto político em que Guerreiro Ramos viveu influenciou sua obra e sua trajetória acadêmica, pessoal e política. E foram tecidos paralelos entre acontecimentos de décadas atrás, quando ele viveu, e o momento atual. Uma vez que o evento aconteceu dois dias após o 2° turno das eleições presidenciais, as características e legados desse processo permearam as reflexões. 

Ao longo do dia de trabalhos, que começou pela manhã com gravação de entrevistas, conforme os diálogos aconteciam entre os participantes, na plateia ou palco, depoimentos reflexivos e emocionados eram proferidos. Eram os relatos de alunos, leitores, cientistas e professores, gente que teve a carreira e a visão de mundo influenciada e transformada pelas ideias, provocações e pensamentos do autor. 

Mediado pelaprofessora de administração pública da Udesc Esag Laís Silveira Santos e liderado na coorganização pela professora Paula Chies Schommer, o painel da tarde iniciou  com a fala do reitor equatoriano Francisco Salgado Arteaga, da Universidad del Azuay, no Equador. Ele foi o convidado internacional, que participou por vídeo.

Em seguida, o debate iniciou com a fala da convidada professora Ana Paula Paes de Paula (UFMG), seguida por Fernando Tenório (UFSC, UFT e UFRRJ) e Genauto França Filho (UFBA) . Os painelistas apresentaram suas trajetórias, conexões com Guerreiro Ramos e vivências científicas e em projetos de extensão para explicar como as ideias do sociólogo nos permitem fazer pesquisa e gestão de modos plurais, considerando a multidimensionalidade humana, a delimitação dos sistemas sociais e as características do contexto em que vivemos.

Na segunda parte do painel, os comentários sobre Guerreiro Ramos e sua teorização reuniram Ariston Azevedo (UFRGS), Elaine Menezes, Francisco G. Heidemann (docente aposentado da Udesc e da UFSC, fundador do Politeia e do Callipolis), José Francisco Salm (docente aposentado da Udesc e da UFSC, fundador do Politeia), Karina Francine Marcelino (doutora egressa da Udesc Esag),  Sergio Luis Boeira (UFSC/ORD) e Vinicius Aguiar, o Rudá (Coletivo Negro Guerreiro Ramos). 

Cada participante compartilhou como sua trajetória pessoal, acadêmica e política se conecta ao pensamento do autor, o que leram de mais significativo, os tensionamentos entre os diferentes campos em que a obra do autor atravessa e seu brilhantismo em livros como A Redução Sociológica (1958), Administração e Contexto Brasileiro: Esboço de uma Teoria Geral da Administração (1966 e 1983) e A Nova Ciência das Organizações: uma Reconceitualização da Riqueza das Nações (1981) entre outras obras. 

Depoimentos revelam a qualidade do debate

Para a professora mediadora do diálogo, Laís Silveira Santos, o tema da sessão, o diverso e especialista grupo de pesquisadoras e pesquisadores presentes e a participação ativa dos alunos e colegas confirmou que a sessão representou o que se falava ao final do evento: foi um “grande encontro”. 

“O sentimento depois de sair desse evento foi que tudo que planejamos deu certo. Superou expectativas. Foi um dia cheio, uma manhã inteira de gravações com os nossos convidados e, depois, uma tarde riquíssima com ainda mais convidados. O sentimento é que a gente fez a escolha acertada de pensar e produzir o encontro aproveitando os participantes do VIII CLAG, já que Guerreiro Ramos, em sua obra, trata da razão, a dimensão humana no centro das suas teorias, no centro de tudo que ele acreditava. Foi muito acertado a gente construir essa agenda junto a um congresso lusófono que discute gestão de pessoas na administração pública. E foi ainda mais especial a gente ter esse evento com a presença de gerações diferentes de pesquisadores sobre Guerreiro Ramos, em diferentes áreas do conhecimento”, destacou a professora. 

Ainda segundo Laís, a diversidade temática debatida ao longo do painel foi outro ponto de destaque. “Foi incrível ver diferentes abordagens e a complementariedade dos estudos; identificar como as nossas pesquisas se conectam e estão pautadas e atuais em Guerreiro Ramos, que faleceu na década de 1980, autor que teve a sua obra desenvolvida décadas atrás. Aqui vimos que a gente consegue, hoje ainda, aplicar suas teorias para debates de temas tão atuais e necessários, como discussões raciais, a democracia participativa, a necessidade de abertura para o diálogo em um momento de polarização política, outras formas de comunicação… ou seja, toda uma racionalidade que ainda está presente nessas discussões”, comenta. 

Por fim, a professora reflete sobre a promoção do painel e o futuro das teorias e ideias do sociólogo: “a partir do evento que a gente organizou e que foi tão bonito, com tantos registros e tantas pessoas saindo felizes e encantadas por esse encontro, vejo que conseguimos fazer realmente um “grande encontro” sobre Guerreiro Ramos. Saímos de lá com mais energia para manter as pesquisas em andamento, com base nele e em sua obra atemporal; pesquisas vivas e com novos olhares, novas perspectivas, mas sem deixar de lado as ideias e os estudos dele que nos guiam e orientam o que a gente está produzindo agora”, concluiu a mediadora. 


Os professores e organizadores, Ariston Azevedo e Paula Schommer (Udesc Esag e Politeia) foram responsáveis por apresentar o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos e o significado dessa sessão especial para o andamentos dos estudos e produções em torno dos conceitos e dilemas teóricos enfrentados por Guerreiro Ramos. 

A professora Paula Schommer destacou que o encontro foi um momento muito especial na trajetória do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade, que vem sendo construído colaborativamente desde 2021, a partir de uma proposta do Professor José Francisco Salm. 

“Desde então, temos reunido pessoas e conhecimentos sobre Guerreiro Ramos, em uma jornada de descobertas compartilhadas sobre esse intelectual fascinante. A cada encontro, a gente vê ainda mais sentido nesse projeto e fica mais motivado a ler e reler suas obras e a observar suas decorrências em várias disciplinas científicas e nas relações sociais, produtivas e políticas. É uma base que nos permite ver a nossa realidade de modo mais abrangente e mais profundo”.  

De acordo com o coorganizador da Sessão Pré-CLAG, professor Ariston Azevedo o projeto foi pensado e dedicado às ideia de um dos grandes sociólogos brasileiros, “que nos deixou como legado não apenas um importante corpo teórico, mas também uma centelha, uma esperança e, sobretudo, eu diria, um desafio, qual seja, o desafio de levar adiante o projeto de um Brasil capaz de proporcionar a seus cidadãos uma sociedade que corresponda aos nossos anseios de liberdade, nossos anseios de justiça e, por que não dizer, aquele bem viver anelado por todos os brasileiros”, explica. “Eu quero, primeiramente, agradecer à professora Paula Schommer, obviamente, e a todas as pessoas que dão forma ao grupo de pesquisa Politeia. A professora, com dedicação e êxito, e essas pessoas reunidas em torno dela conseguiram levar adiante aquela centelha de desafio lançado pelo professor Francisco Salm, que era o de registrar o legado teórico de nosso sociólogo. Professor Salm, professor Heidemann, dois ex-alunos de Guerreiro Ramos, nos colocaram esse desafio, e eu estou certo de que conseguimos realizar à altura das expectativas, sem sombra de dúvidas”, comemora o coorganizador. 

Ao longo desses cinco anos, e particularmente nesses últimos dois anos, muitas pessoas, recorda Ariston, entre as quais ele próprio se inclui, dedicaram tempo, empenho e estudo para transformar aquela ideia em realidade. “Tínhamos pela frente um desafio considerável, né? Dialogar com pesquisadores da envergadura de Christian Lynch, Ana Paula Paes de Paula, Fernando Tenório, Genauto França Filho, Francisco Salm, pessoas que não apenas estudaram a obra do velho guerreiro, mas também se empenharam em avançar a partir dele, né? Acrescentando novas perspectivas e elementos teóricos ao legado deste grande pensador, comenta. Sem sombra de dúvidas, eu quero dizer aos integrantes do grupo Politeia e às pessoas colaboradoras que foi uma experiência muito gratificante. Nosso painel, realizado diante de um auditório cheio, há que se destacar, foi uma bela maneira de coroar todo esse esforço coletivo. Diria também que foi uma demonstração de que o pensamento de Guerreiro Ramos continua suscitando interesse, diálogo e muita reflexão”.

Ao concluir, o professor fez um balanço, agradecendo à colaboração e o trabalho coletivo do grupo, o coleguismo acadêmico e o objetivo em comum que reuniu tantos pesquisadores e pesquisadoras nestes anos, em torno da vida e obra de Guerreiro Ramos. “Encerro com um sentimento de profunda gratidão pela oportunidade de fazer parte dessa equipe e dessa iniciativa. Fico com agradecimento a todos e todas que contribuíram para torná-la possível e, principalmente, a certeza de que nosso trabalho não termina aqui. Afinal, se há algo que o legado de Guerreiro Ramos nos ensina, eu diria, é que não basta interpretar o Brasil, sabe? É preciso continuar pensando e trabalhando para transformá-lo. É neste fio condutor que todo esse trabalho se insere”, contextualizar o professor e especialista em Guerreiro Ramos, Ariston Azevedo. 


Resumo do projeto e parcerias

A sessão integra o projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade”, realizado em  parceria entre os grupos de pesquisa Politeia (Udesc Esag), Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (ORD/UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). O projeto tem financiamento da Fapesc e da Udesc, por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (PAP). A sessão deste 27 de outubro  contou ainda com o apoio do Prapeg da Udesc Esag e do Coletivo Negro Guerreiro Ramos.

Vídeos desta etapa do projeto: lançamento será nas próximas semanas  

As gravações desta etapa dos Diálogos já estão sendo editadas e, em breve, serão publicadas e divulgadas no canal do projeto no YouTube, que reúne uma série temática de vídeos de divulgação científica sobre as ideias do sociólogo. A data de publicação será anunciada pelos canais da Udesc Esag e do Politeia.

Politeia em Berlim: pesquisadora da Udesc Esag conta como foi o doutorado sanduíche na prestigiada universidade alemã Humboldt 

Por Marcelo Barcelos

Doutoranda do PPGA e integrante do grupo Politeia, Larice Steffen Peters compartilha os desafios, as descobertas e as conexões que marcaram seu período de pesquisa em uma das mais reconhecidas universidades da Alemanha

ESPECIAL INTERNACIONALIZAÇÃO – Uma conversa durante um encontro acadêmico pode abrir caminhos inesperados. Foi assim que começou a trajetória que levou Larice Steffen Peters, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Udesc Esag e professora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), a realizar parte de sua pesquisa de doutorado na Humboldt-Universität zu Berlin, na Alemanha.

Pesquisadora teve financiamento do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) da Capes

O primeiro passo aconteceu em outubro de 2024, durante o Encontro Internacional Equigov, quando uma aproximação acadêmica abriu possibilidades de colaboração que, meses depois, se concretizariam em uma experiência de pesquisa no exterior. Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, Larice esteve vinculada ao grupo de pesquisa do professor Peter Feindt, referência internacional em políticas agrícolas e ambientais, e contou com a supervisão acadêmica do professor Frank Fischer, um dos principais nomes mundiais da análise interpretativa e crítica de políticas públicas.

Financiada pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a experiência foi além da oportunidade de estudar em uma universidade internacionalmente reconhecida. Representou um período de aprofundamento teórico, ampliação de redes de colaboração e revisão de perspectivas que contribuíram diretamente para os rumos de sua tese.

Universidade fundada em 18010 criou o Modelo Humboldtiano, pioneiro ao unir ensino e pesquisa

Nesta entrevista ao blog do Politeia, Larice compartilha os bastidores desse percurso, desde os primeiros contatos com pesquisadores estrangeiros até os desafios de adaptação à vida e à cultura acadêmica alemã.

O caminho até Berlim envolveu planejamento, articulação institucional e uma série de etapas acadêmicas e administrativas. Entre elas, a elaboração de um plano de trabalho alinhado aos objetivos da tese, a obtenção da carta de aceite, a comprovação de proficiência em língua estrangeira e os processos de seleção e homologação institucional na Udesc Esag e na Capes.

Para ela, as redes de cooperação científica ajudaram ao cumprimento do plano de trabalho

Orientada pela professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, e coorientada pela professora Rosana Boullosa, da Universidade de Brasília (UnB), a pesquisadora destaca que a internacionalização não se constrói individualmente. Ela depende de redes de colaboração, da disponibilidade de pesquisadores para estabelecer diálogos e de estruturas institucionais capazes de apoiar cada etapa do processo.

Larice também chama atenção para os custos não cobertos pela bolsa, incluindo traduções juramentadas e despesas com visto.  Nesse percurso, ressalta a importância do suporte oferecido pela secretaria de pós-graduação e pela coordenação do PPGA, tanto na preparação da candidatura quanto nos procedimentos posteriores ao retorno.

Uma experiência que transforma a pesquisa

Se os desafios administrativos fazem parte do caminho, é na dimensão científica que a experiência internacional revela alguns de seus resultados mais significativos.

O período em Berlim proporcionou o aprofundamento em abordagens críticas e interpretativas das políticas públicas, especialmente nas discussões sobre sua coconstrução e sobre os sentidos atribuídos a conceitos como governança climática, agricultura familiar, mulheres na agricultura, sustentabilidade e meio ambiente.

Ampliação da rede de contatos e conexões acadêmicas conquistadas seguem em curso pora novos projetos e cooperações internacionais

Essas reflexões contribuíram para redefinir e delimitar com maior precisão o objeto de sua tese, cujas atividades de campo, realizadas no Brasil após o retorno, já foram concluídas.

As conexões acadêmicas estabelecidas também permanecem ativas. A colaboração com pesquisadores brasileiros e estrangeiros segue contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa, e a pesquisadora segue em diálogo com o Professor Frank Fischer e com colegas do grupo de pesquisa da Alemanha.

Ao compartilhar sua trajetória, Larice apresenta ainda recomendações para estudantes que desejam realizar parte da pós-graduação no exterior: buscar antecipadamente os setores de internacionalização, planejar os recursos financeiros, estabelecer contatos com potenciais supervisores e estar aberto a diferentes ritmos, práticas e culturas acadêmicas.

A experiência se soma às iniciativas de internacionalização do grupo Politeia e da Udesc Esag, que vêm ampliando sua presença em congressos, publicações e redes internacionais de pesquisa.

Mais do que uma etapa na formação de uma pesquisadora, a trajetória evidencia como encontros, parcerias e oportunidades institucionais podem atravessar fronteiras, produzir novos conhecimentos e fortalecer redes de colaboração acadêmica.

Larice participou de diversos eventos e agendas no período sanduíche
Na entrevista a seguir, conheça os caminhos, os desafios e os aprendizados dessa experiência.

1 ) Politeia: conte-nos um pouco sobre sua pesquisa nesta experiência internacional e a fase em que ela se encontra para que nosso leitor compreenda. Como foi, por exemplo, a decisão de fazer o doutorado sanduíche e o processo de viabilização, além das liberações e apoios (no trabalho e na família) para que tudo pudesse dar certo?

Antes de tratar do processo de ida à Alemanha, é importante destacar que meu doutorado conta com o apoio do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), onde atuo como docente de Administração. A licença concedida pela instituição permite diversas experiências ao longo do curso, entre elas o período sanduíche. Sem a liberação do IFSC, esta entrevista não existiria. Também contribuiu para o doutorado, e para o sanduíche, o apoio da minha família. Em todos os projetos nos quais me envolvo, posso contar com meu esposo e com meus familiares: tudo fica mais fácil de gerenciar quando não se está só.

Especificamente sobre o sanduíche, desde o ingresso no doutorado eu tinha a intenção de realizá-lo em 2025. Durante algum tempo, não surgiu uma perspectiva alinhada ao que eu buscava, pois os estudos dos professores estrangeiros com quem o grupo de pesquisa Politeia, ao qual estou vinculada,  dialogava tinham outras abordagens. 

Em outubro de 2024, durante as visitas do Equigov a São Paulo e Brasília, conversei com a professora Rosana Boullosa (UnB), amiga pessoal da minha orientadora, a professora Paula Schommer. Ao conhecer meus interesses de pesquisa, sugeriu que eu aprofundasse meus estudos com o professor Frank Fischer, em Berlim.

De outubro de 2024 a janeiro de 2025, foi praticamente uma maratona para reunir toda a documentação dentro do prazo do edital da Capes. O processo se divide em etapas: seleção interna pelo programa da Esag, homologação pela Udesc e, por fim, submissão da proposta à Capes, seguida da análise e da homologação.

São muitos os detalhes, tanto na submissão interna quanto na externa, e o mais indicado é ter bastante atenção às exigências de cada etapa, descritas no edital. É preciso apresentar um projeto que especifique exatamente o que se pretende fazer durante o sanduíche, a aprovação da orientadora no Brasil, o aceite do orientador no exterior e a comprovação de proficiência no idioma exigido pelo país de destino, a comprovação também pode ser através de uma declaração de fluência assinada pelos professores no exterior e no Brasil. 

O financiamento veio do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Capes, que custeia passagens, seguro-saúde, bolsa e, em alguns destinos, auxílio-moradia. Os valores, porém, não cobrem todos os custos, como traduções juramentadas e demais despesas com a emissão do visto. Algumas universidades estrangeiras também cobram taxas, o que não foi o meu caso. Esses valores não são pagos pela Capes e ficam sob responsabilidade do candidato, assim como quaisquer custos não previstos no edital.

Destaco também a excelência da equipe de pós-graduação da Udesc Esag. O apoio das profissionais da secretaria e da coordenação do programa, à época sob a responsabilidade do professor Tezza, foi fundamental ao longo de todo o processo. Todas as minhas dúvidas foram esclarecidas com atenção e disponibilidade, e tive sempre a tranquilidade de saber que, mesmo durante minha permanência na Alemanha, poderia contar com esse suporte diante de qualquer necessidade. Essa segurança fez toda a diferença, tornando o percurso mais leve e permitindo que eu me concentrasse na experiência acadêmica e na pesquisa. 

2) Politeia – Como foi a busca por um coorientador estrangeiro e quais práticas resultaram dessa relação, sobretudo em um intervalo de tempo curto e totalmente objetivo? Conte-nos como se deram a rotina e as entregas.

Não sei se minha experiência representa o caminho mais comum para um doutorado sanduíche, mas tive a sorte de estar em Brasília justamente quando o professor Frank Fischer também estava na cidade. Por intermédio da professora Rosana Boullosa, responsável pela organização do evento, fui convidada a acompanhar, como ouvinte, um workshop ministrado por ele. Essa oportunidade de aproximação foi o ponto de partida para uma conexão acadêmica que, mais tarde, se transformaria na possibilidade de realizar parte do meu doutorado em Berlim.

Minha trajetória é marcada por relações de amizade e cumplicidade em uma rede de conexões. Ao longo do doutorado, construí com a professora Paula uma relação que vai além da orientação: somos amigas e compartilhamos muito mais do que a pesquisa.

Essa rede se amplia pela amizade da professora Paula com a professora Rosana e, depois, pela amizade da professora Rosana com o professor Frank Fischer.

Acredito que a relação acadêmica entre as professoras Paula Chies Schommer e Rosana Boullosa tenha sido fundamental para essa aproximação. Foi a professora Rosana quem me apresentou ao professor Frank Fischer e, a partir de sua indicação, ele abriu as portas do grupo de pesquisa ao qual está vinculado na Humboldt para que eu pudesse desenvolver meu doutorado sanduíche. A formalização da minha vinculação à universidade ocorreu por meio do aceite e da assinatura do professor Peter Feindt, coordenador do grupo de pesquisa na Humboldt, que mantém uma relação de reconhecimento e admiração acadêmica pelo professor Frank.

Destaco a forma como fui acolhida pelo professor Frank. Todos que estudam Administração Pública sabem quem ele é, e eu pensava com frequência no tamanho da minha responsabilidade, preocupada em não decepcionar nenhuma das pessoas da rede que me levou até ele. Ele, no entanto, foi extremamente gentil, paciente e acolhedor. Foi um privilégio ser orientada por ele, que segue acompanhando os passos da minha pesquisa no Brasil..

3) Nesse percurso, quais novas referências, conceitos, práticas e metodologias foram relevantes para a continuidade da sua pesquisa de doutorado?

Um passo muito importante foi a melhor delimitação da tese. Na qualificação, alguns pontos ainda não estavam bem articulados, e havia dúvidas sobre o campo e sobre algumas abordagens. Acompanhando os colegas nas reuniões semanais do grupo e com a orientação do professor Frank, o enfoque da tese foi ficando mais claro. Ele foi reforçado e validado por minha orientadora e pela professora Rosana, que se tornou minha coorientadora.

Aprendi muito sobre estudos críticos e interpretativos e sobre como utilizá-los na coconstrução, na análise e na discussão compartilhada de políticas públicas. Sigo me aprimorando nessas frentes. As discussões conceituais foram longas e não sei se já fechei algum dos conceitos: olhar criticamente para eles e entender a tese como uma construção compartilhada exige refinar muitas questões que eu julgava compreendidas e que hoje vejo ainda em construção.

Um exemplo são as longas conversas com o professor Frank sobre usar ou não termos ligados à governança climática e sobre o que exatamente eles indicavam para a minha tese. Os caminhos estariam mais próximos das discussões sobre sustentabilidade ou meio ambiente? E, sobretudo, esse conceito é de fato o mais relevante, ou uma perspectiva sociocentrada mudaria o enfoque? 

Estou respondendo a essas perguntas agora no aprofundamento das análises dos dados trazidos pela pesquisa de campo, ainda há um longo caminho pela frente. Cheguei a Berlim com caminhos que julgava delineados e descobri que inverter o sentido da caminhada pode render resultados mais interessantes para o que estou estudando. 

4) A preparação acadêmica para o estágio na Alemanha exigiu muito foco e aproveitamento ágil do processo. Ao iniciar o estágio, você sentiu que essa preparação foi suficiente? Alguma habilidade ou competência precisou ser adquirida para aproveitar melhor a experiência acadêmica, como conhecer melhor a universidade ou treinar o idioma para ampliar a comunicação?

Estudei bastante para me preparar. Embora o idioma exigido fosse o inglês, fiz aulas de alemão: dois semestres, iniciados antes da aprovação da Capes, complementados com aulas particulares. A preparação foi importante e me ajudou em situações cotidianas fora dos portões da universidade.

Em termos acadêmicos, não posso dizer que o desempenho exigido tenha sido mais intenso do que no Brasil; foi exatamente o oposto. Meu ritmo de trabalho aqui sempre foi, e continua sendo, mais intenso. No instituto, meus colegas trabalhavam menos horas e parecia que isso lhes fazia bem: tinham tempo para os afazeres pessoais e para a família e, quando estavam no instituto, conseguiam concentrar-se na atividade em questão.

Uma das coisas de que mais gostei foi a forma como nos comunicávamos no grupo de pesquisa. Usávamos principalmente o e-mail e o Zoom, com grupos bem direcionados, como o de escrita e o de almoço, já que normalmente almoçávamos juntos. Tínhamos até um grupo de memes, embora fosse pouco utilizado. Confesso que gostaria que adotássemos algo semelhante por aqui. Eu não tinha aquela sensação de estar sendo cobrada o tempo todo ou de ter sempre alguma pendência para resolver. Talvez essa não seja a experiência de todos, mas percebi o quanto essa organização fez diferença para mim. Quando recebo uma mensagem no WhatsApp, por exemplo, imediatamente me lembro de tudo o que ainda preciso responder ou resolver, mesmo fora do horário de trabalho. Já com canais mais formais, sentia que conseguia separar melhor as coisas: havia um momento para trabalhar, responder às mensagens e acompanhar as atividades, mas também havia espaço para realmente me desconectar. Foi uma experiência que me fez refletir bastante sobre a nossa relação com o trabalho e sobre como pequenas mudanças na forma de nos comunicarmos podem contribuir para uma rotina mais leve e equilibrada.

Mesmo com essas diferenças no ritmo de trabalho e na forma de comunicação, a experiência também foi bastante cansativa, especialmente no início. Era a primeira vez que eu morava fora do Brasil e precisava me comunicar diariamente em outros idiomas, principalmente em inglês e alemão. No primeiro mês, chegava em casa exausta! Além das atividades acadêmicas, havia todo o desafio de descobrir a cidade, aprender a me locomover, entender como as coisas funcionavam e decifrar os rótulos em alemão nos supermercados. Eram pequenas situações do cotidiano que exigiam muito mais energia do que eu imaginava. Mas tudo é uma questão de adaptação. Aos poucos, fui me sentindo mais à vontade e, além do inglês e de um pouco de alemão, passei a conversar também em espanhol com Miguel, meu colega peruano. Apesar de ter sido um pouco cansativo, eu faria tudo novamente e estou pronta para novas experiências internacionais na minha carreira. 

Por ter sido minha primeira experiência morando fora, quero compartilhar o sentimento que me acompanhou durante e ao final do processo: “eu consegui”. Muita gente que me conhece já sabia disso, mas esse sentimento é muito individual, e só eu sei o que ele significa para a minha vida. Valeu a pena cada dia. Consegui lidar com todos os imprevistos (que não foram poucos), encontrei pessoas geniais, fiz novas amizades, descobri que me comunico bem em inglês (sempre achei que não) e que dou um jeito de resolver o que for preciso. A Alemanha era um sonho de infância que eu havia abandonado por causa de outros caminhos da vida e que voltou exatamente quando eu não o procurava. Cada dia lá valeu a pena.

Junto com esse sentimento de “eu consegui”, há também uma gratidão imensa. Eu vivi muitas coisas boas durante esse período. Sinto-me profundamente privilegiada por ter tido a oportunidade de aprender e conviver com o professor Frank Fischer. Mais do que uma referência acadêmica que eu admirava, ele se tornou alguém que marcou a minha trajetória. Posso dizer, sem exagero, que a convivência com ele mudou a minha vida. 

5 ) Para finalizar, que dicas ou recomendações você daria a quem deseja se preparar para um estágio de estudos e pesquisa semelhante? O que não pode falhar sob nenhuma hipótese e comprometer o sucesso da empreitada acadêmica?

A primeira dica é: vá! Mas vá com consciência, planejamento e os pés no chão. A experiência pode ser maravilhosa, mas isso não significa que será livre de dificuldades.

Compartilho algumas recomendações, sobretudo práticas, que fizeram diferença para mim:

  1. Tenha clareza sobre seus objetivos acadêmicos, mas esteja aberto ao inesperado. Antes de viajar, converse com seus orientadores, alinhe expectativas e procure identificar quais atividades, disciplinas, grupos de pesquisa e pesquisadores podem contribuir para o seu trabalho. Mas não fique preso apenas ao planejamento inicial. Algumas das melhores oportunidades surgem de conversas informais, encontros e atividades que você nem imaginava realizar. Participe da vida acadêmica da universidade, faça perguntas e aproveite a oportunidade de conhecer outras formas de pensar e produzir conhecimento.
  2. Entre em contato com o setor de internacionalização da universidade no exterior. Pergunte sobre restaurante universitário, transporte com tarifas reduzidas e outros benefícios disponíveis. Algumas instituições exigem matrícula para conceder determinados benefícios, e essa matrícula pode envolver taxas. Coloque tudo no papel e avalie o que realmente vale a pena.
  3. Verifique se a universidade oferece academia ou atividades esportivas. Os valores costumam ser mais acessíveis do que os de estabelecimentos privados. Além disso, quando estamos em outro país, especialmente sozinhos, a atividade física pode ser uma excelente companhia e ajudar muito na adaptação.
  4. Respeite o ritmo e a cultura de convivência do grupo de pesquisa. Não estranhe se, dependendo do país, os colegas demorarem a combinar um barzinho ou alguma atividade fora da universidade. Isso não significa falta de acolhimento, mas uma forma diferente de organizar as relações e o tempo.
  5. Não tenha receio de fazer amizade com brasileiros. Muita gente recomenda evitar o contato com brasileiros para aproveitar melhor a experiência internacional e desenvolver o idioma. Eu discordo completamente! Antes mesmo de viajar, já participava de um grupo de brasileiros na Alemanha e, quando cheguei, tomei a iniciativa de convidar algumas pessoas para sair. Foi ótimo! Fiz amizades, conheci pessoas muito interessantes e tive boas companhias em vários fins de semana. Além disso, poder falar português, compartilhar referências culturais e rir de coisas que só fazem sentido para nós também ajuda a descansar o cérebro. E isso não me impediu de conviver com pessoas de outras nacionalidades ou de praticar outros idiomas.
  6. Aproveite a vida cultural da cidade. Museus, exposições, concertos, bibliotecas, parques e atividades culturais podem proporcionar experiências incríveis. Em muitos países, há uma programação gratuita ou com descontos para estudantes. Não deixe que a rotina de pesquisa faça você esquecer que conhecer o lugar onde está vivendo também faz parte do aprendizado.
  7. Mantenha uma planilha de gastos desde o primeiro dia. A Capes deposita mais de uma mensalidade da bolsa de uma só vez, e isso exige bastante organização. É importante distribuir os recursos ao longo de toda a permanência, considerando aluguel, alimentação, transporte e despesas imprevistas. Um controle financeiro detalhado evita muitos apertos e permite aproveitar a experiência com mais tranquilidade.
  8. Se for enfrentar um inverno rigoroso, compre roupas pensando na funcionalidade. Minha dica é procurar brechós antes de investir em peças caras. Nem sempre o casaco mais bonito é o que realmente protege do frio! Um bom casaco que bloqueie o vento e a chuva pode salvar muitos dias. Invista também em roupas térmicas de qualidade, priorizando a qualidade em vez da quantidade. Com a calefação, as peças costumam secar rapidamente, então não é necessário ter tantas.
  9. Procure grupos de WhatsApp e outras redes de apoio antes de viajar. Existem grupos de bolsistas do PDSE, brasileiros que vivem no exterior, estrangeiros na cidade e pessoas que já passaram pela mesma experiência. Essas redes ajudam muito a esclarecer dúvidas burocráticas, encontrar informações sobre moradia e transporte e, claro, fazer novas amizades. Eu mesma resolvi várias questões a partir das experiências compartilhadas nesses grupos.
  10. Esteja preparado para os perrengues e não tenha vergonha de pedir ajuda. Por mais que você se organize, algumas coisas vão sair do planejado. Faz parte! Procure conversar com quem já realizou o PDSE, reúna informações, esclareça suas dúvidas e construa uma rede de pessoas com quem possa contar. Nem tudo precisa ser resolvido sozinho. Aprender a pedir ajuda também faz parte da experiência.

E, para finalizar, deixo uma recomendação que considero tão importante quanto todas as outras: não espere ter absoluta certeza de que está pronto para viver essa experiência. Eu mesma descobri muitas capacidades que não sabia que tinha justamente porque me permiti enfrentar situações novas. 

Boa sorte! E aproveite, porque essa experiência pode transformar muito mais do que a sua pesquisa.

Doutoranda Udesc Esag e pesquisadora do Politeia participou da Berlin Science Week 2026

2ª edição do “Café Decolonial”, em disciplina da graduação na Udesc Esag, conecta identidades, territórios e cultura alimentar em uma mesa de aprendizagem 

Mais do que saciar a fome, comer é um ato carregado sentimentos, histórias, afetos e identidades que conectam as pessoas aos seus territórios. Foi com essa ideia que a Udesc Esag realizou, nesta quinta-feira (22), a 2ª edição do “Café Decolonial”, atividade da disciplina “Desenvolvimento Territorial Sustentável”, organizada pela professora Maria Letícia Xavier, pesquisadora do grupo Politeia, com apoio da Direção de Extensão (DEX/Esag) e do Programa de Extensão Assessorem. 

A alimentação, reforça a docente, é muito mais do que uma necessidade biológica: carrega signos e modos de vida de pertencimento, senso de comunidade e permite sociabilidades comunitárias. Segundo a docente, o objetivo pedagógico da atividade foi valorizar esse rico patrimônio alimentar como expressão e extensão da cultura e como recurso para o desenvolvimento e produção de memória dos territórios. 

Na prática, o convite pedia para que cada aluno e aluna participassem do momento de partilha com um prato afetivo que remetesse às origens territoriais, memórias da infância, tradições familiares e à experiência significativa de trajetória pessoal com aquele alimento-símbolo. “Mais do que compartilhar, a ideia foi estimular relações culturais e alimentares, sociais e territoriais”, sintetizou a docente. 

Ao todo, 23 alunos e alunas e trouxeram seus pratos, entre eles: 1) bolo de macaxeira, tradicional de Sergipe, região de origem da aluna Maria Isabel; 2) caldo-de-cana para representar a cultura sucro alcooleira do interior paulista, trazido pelo estudante Pedro Brossi, natural de Piracicaba e 3) até o chimarrão tão tradicional da cultura gaúcha. 

Não faltou também o clássico doce de brigadeiro, paçoca e os tradicionais refrigerantes regionais como Guaraná Pureza, Cini e Laranjinha da marca catarinense Água da Serra, fundada em Braço do Norte, em 1943.

No cardápio, o café, bebida tradicional nas casas brasileiras foi especial: para esta edição, a bebida foi preparada pelo paí da aluna Vitória, repetindo o gesto que ele realizada todo dia: passar o café no bule antes de todo mundo acordar. 

Completando os pratos, o salame remeteu à forte presença dos planteis de suíno do Sul de Santa Catarina e as cucas de banana e goiabada fizeram referência à presença germânica no estado.


Debate sobre segurança alimentar e nutricional

Para ampliar a reflexão, após o café, a turma também assistiu ao documentário Muito Além do Peso [veja aqui]. Em seguida, o grupo fez um debate sobre alimentação, consumo, indústria alimentar, desigualdades e os desafios para a construção de sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e justos. 

“Queremos que o Café Decolonial seja um espaço de encontro, diálogo e aprendizagem coletiva, no qual nossas experiências cotidianas se conectam às discussões sobre patrimônio alimentar e cultural, desenvolvimento territorial e segurança alimentar e nutricional. Pensar o desenvolvimento dos territórios também é reconhecer as histórias que cabem em um prato e os saberes que se compartilham ao redor de uma boa, farta e democrática mesa”, detalhou a professora da disciplina. 

Diversidade alimentar para reconhecer territórios

Para o aluno Michel Orival, a aula de sobre patrimônio alimentar surpreendeu. “Foi experiência maravilhosa. Aceitei a proposta da professora Maria Letícia de falar sobre o prato de oferenda que é dado a orixá Yemanjá divindade da umbanda. Foi muito bom compartilhar essa experiência criada pela nossa professora”, comentou o participante. 

Já para a acadêmica Sabrina Louise, a aula, os sabores e as trocas sociais durante o “Café Decolonial” proporcionaram conhecer um pouco da cultura dos colegas e ampliar repertórios, paladares e percepções cultuais. 

“Conheci meus amigos por meio da comida. Também pude compartilhar um pouco da minha história assim. Como nordestina, o cuscuz representa nossa identidade e herança familiar, além de ter um papel importante no sustento de muitas famílias. Poder compartilhar isso com a turma e ver tantas pessoas experimentando e gostando do cuscuz foi muito gratificante”. 

A arte gráfica do convite foi criada pelos acadêmicos Felipe Solonca e Amanda Garcia.

Até a próxima!

Novos vídeos do projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos” trazem entrevista com Christian Lynch e as fundações do pensamento político brasileiro

Episódios com o pesquisador do IESP-UERJ, a convite do grupo de pesquisa Politeia e seus parceiros, estão disponíveis no canal do YouTube 

O projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade” divulga, nesta sexta-feira, 23 de outubro, quatro novos vídeos da série de entrevistas, agora com participação do professor e pesquisador Christian Lynch, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). A sessão foi gravada em 2025 na Udesc Esag, a convite do grupo de pesquisa Politeia e seus parceiros no projeto, e já pode ser acessada no canal do projeto no YouTube, na playlist Diálogos sobre Guerreiro Ramos.

Nos vídeos, o pesquisador participa do projeto a partir de sua obra Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil (Topbooks, 2024). A tese do livro é que o pensamento político brasileiro não é mera imitação do modelo europeu, mas uma formulação original e singular. Guerreiro Ramos é um dos pensadores que contribuíram para essa construção.

Os temas abordados em cada parte dessa série são:

  1. A construção de uma tradição do pensamento social e político brasileiro e a interpretação de Guerreiro Ramos, na qual Christian Lynch dialoga com o professor Ariston Azevedo, da UFRGS.
  2. O fio condutor que orienta o pensamento de Guerreiro Ramos, na qual o professor José Francisco Salm interroga Christian Lynch sobre essa conexão e orientação.
  3. Categorias da obra de Guerreiro Ramos como base de uma teoria social do Brasil, com Christian Lynch e o professor Sérgio Luís Boeira, da UFSC.
  4. Como as ideias de Guerreiro Ramos nos ajudam a pensar o Brasil de hoje? Pergunta que a professora Paula Schommer apresenta e Christian Lynch responde.

O projeto

As produções do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade abordam diferentes categorias de análise e suas aplicações à administração pública, com linguagem acessível, caráter formativo e pedagógico, além de produzir uma memória a respeito da obra e as influências do legado de Guerreiro Ramos na contemporaneidade. 

A iniciativa é resultado da colaboração entre três grupos de pesquisa: o Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade (Udesc Esag); Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (ORD/UFSC); e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). Mais detalhes sobre o projeto aqui.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e pela Udesc. 

Sessão Especial Pré-CLAG 

A divulgação dos novos vídeos se somam a outra ação do projeto neste mês: a Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”, na terça-feira, 27, das 14h30 às 17h30, no auditório da Udesc Esag. A atividade é gratuita, aberta ao público, sem necessidade inscrição. 

O painel antecede a programação do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre na Udesc Esag de 27 a 29 de outubro. Participam Ana Paula Paes de Paula (UFMG), Genauto França Filho (UFBA), Fernando Tenório (FGV EBAPE) e Ariston Azevedo (UFRGS), com mediação da professora Laís Silveira Santos (Udesc Esag). O professor Francisco Salgado Arteaga, da Universidad del Azuay (Equador), participa por vídeo.

“Diálogos sobre Guerreiro Ramos” entrevista Christian Lynch 

O quê: 4 novos vídeos do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, com Christian Lynch
Quando: quinta-feira, 22 de outubro
Onde: canal do projeto no YouTube: [llink da playlist]
Mais informações sobre o projeto:https://www.udesc.br/esag/dialogosguerreiroramos

Sessão Especial Pré-CLAG

Quando: terça-feira, 27, das 14h30 às 17h30
Onde: auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis), bairro Itacorubi
Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição
Programação: https://www.udesc.br/esag/clag/programação

Sessão Especial Pré-CLAG “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública” é na próxima terça, 27

Evento gratuito e sem necessidade de inscrição, das 14h30 às 17h30, antecede a programação do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), na Udesc Esag

Na próxima terça-feira, 27, a Udesc Esag sedia a Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”, que ocorre das 14h30 às 17h30, no auditório do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis. A atividade é gratuita, aberta ao público e não precisa inscrição. Saiba mais aqui, na página do evento. 

Promovido pelo grupo de pesquisa Politeia e parceiros acadêmicos de diversas universidades e grupos de pesquisa, o painel integra a programação de abertura do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre também na Udesc Esag, de 27 a 29 de outubro, com a participação de pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e de outros países lusófonos.

Acadêmicos de várias gerações e escolas debaterão a obra de Guerreiro Ramos


a) Programação da 1ª parte: painelistas, 14h30min às 16h

Ana Paula Paes de Paula (UFMG);


Genauto França Filho (UFBA);

Fernando Tenório (UFSC, UFT e UFFRJ);

Francisco Salgado Arteaga (Universidad del Azuay, Equador), convidado internacional, por vídeo;


Laís Silveira Santos, mediadora do painel (Udesc Esag)

b) Apresentação sobre o projeto e o significado desta sessão especial

Ariston Azevedo (UFRGS)

Paula Schommer (Udesc Esag e Politeia)

c) Programação da 2ª parte: comentários sobre Alberto Guerreiro Ramos e sua teorização, das 16h às 17h30min

Ariston Azevedo (UFRGS);

Coletivo Negro Guerreiro Ramos;


Elaine Cristina de Oliveira Menezes (Udesc Esag e pesquisadora do Politeia);

Francisco Gabriel Heidemann (Docente aposentado da Udesc e da UFSC, fundador dos grupos Politeia e Callipolis):


José Francisco Salm (Docente aposentado da Udesc e da UFSC, fundador do Politeia);

Karina Francine Marcelino (Egressa Udesc Esag, UniSENAI e Coletivo Negro Guerreiro Ramos);


Sergio Luis Boeira (UFSC/ORD);

Tânia Fischer (UFBA).


A contemporaneidade do pensamento de Guerreiro Ramos

A sessão reunirá especialistas para discutir a atualidade da obra do sociólogo Alberto Guerreiro Ramos diante dos desafios da administração pública, da gestão social, da economia solidária e da coprodução do bem público. O encontro é inédito e propõe uma reflexão sobre o momento atual da sociedade brasileira, seus desafios antigos e atuais. 

Para a professora e pesquisadora do Politeia, Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, o evento ocupa lugar especial no percurso de pesquisas e debates do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na realidade (saiba mais aqui). “Guerreiro Ramos é um pensador que nos inspira e instiga. Suas ideias são fundamento de pesquisas, cursos e disciplinas de pós-graduação e graduação em administração pública na Udesc Esag e em diversas instituições”, afirma.

Mediadora do painel, a professora Laís Silveira Santos, da Udesc Esag, afirma que a sessão buscará relacionar as ideias de Guerreiro Ramos aos desafios atuais da gestão de e com pessoas nos países lusófonos. “Mais do que discutirmos as obras de Guerreiro, iremos refletir sobre seus desdobramentos nos dias de hoje”, declara.

Projeto e parcerias ampliam impacto das teorias do autor

A sessão integra o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade, idealizado pelo professor José Francisco Salm. A iniciativa resulta de parceria entre os grupos de pesquisa Politeia (Udesc Esag), Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (ORD/UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). O projeto promove a divulgação científica das ideias do sociólogo por meio de uma série temática de vídeos no YouTube. 

O projeto conta com financiamento da Fapesc e da Udesc, por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (PAP). A sessão especial pré-Clag também tem o apoio do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (Prapeg) da Udesc Esag e do Coletivo Negro Guerreiro Ramos.

VIII CLAG: congresso terá dez eixos temáticos em três dias 

Com foco nos desafios contemporâneos do setor público no espaço lusófono, o congresso ocorre de 27 a 29 de outubro de 2026, no campus da Udesc Esag, no bairro Itacorubi (baixe a programação completa aqui). A conferência de abertura será na noite do dia 27, logo após a sessão especial sobre Guerreiro Ramos, com a professora Maria Alexandra Cunha (FGV EAESP) e a presença dos professores Ricardo Ramos Pinto (ISCSP), Leonardo Secchi (diretor-geral da Esag) e da professora Ivoneti da Silva Ramos, presidenta da comissão organizadora e professora Elaine Menezes, presidenta da comissão científica do VIII GLAG. 

O congresso terá mesas e apresentações de trabalhos em dez eixos temáticos: liderança e gestão de pessoas; governança e reformas das instituições do Estado; inovação, tecnologia e inteligência artificial; desafios da governança e finanças públicas; accountability, coprodução e transparência; desafios do desenvolvimento sustentável; processos colaborativos e novos arranjos organizacionais e institucionais; políticas públicas; Estado, administração pública e direito; e temas emergentes.

Agende-se!

Evento: Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”
Data e horário: terça-feira, 27 de outubro, das 14h30 às 17h30
Local: auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis), bairro Itacorubi
Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição
Programação completa: página oficial do evento aqui



Mostra Parlamento Aberto vai reunir experiências de transparência e participação em evento na Udesc Esag e Alesc; chamada de trabalhos vai até 31 de outubro

Propostas podem ser enviadas por câmaras, assembleias, mandatos, universidades e sociedade civil em cinco eixos temáticos. Os trabalhos aprovados serão apresentados durante o Trilhas EquiGov Parlamento Aberto: práticas e ideias em debate, em 18 e 19 de novembro e publicados em e-book gratuito 

Quem já criou projetos para melhorar a transparência pública de uma câmara de vereadores, levou a sessão para o bairro, em busca de mais participação social ou desenvolveu um modelo de parlamento jovem, por exemplo, tem até 31 de outubro para contar essa experiência, em uma oportunidade acadêmica inédita, em Florianópolis. 

Este é o prazo da chamada da Mostra Parlamento Aberto: Transparência, Participação e Colaboração, agenda do Trilhas EquiGov Parlamento Aberto: práticas e ideias em debate, nos dias 18 e 19 de novembro de 2026. No dia 18, as atividades são na Udesc Esag. No dia 19, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). 

De acordo com a organização, o encontro reunirá pesquisadores, parlamentares, servidores legislativos, gestores públicos e sociedade civil para debater como as casas legislativas podem ser mais transparentes, participativas, colaborativas e comprometidas com a equidade no serviço público. Inovação, coprodução de políticas públicas, práticas e novas metodologias também estarão em pauta e discussão no evento. 

> Inscrição para o evento: forms.gle/z2gTD84GFAC7Rb2PA

Como participar Mostra Parlamento Aberto: Transparência, Participação e Colaboração

Chamada está aberta até dia 31 de outubro

A proposta da Mostra Parlamento Aberto: Transparência, Participação e Colaboração surge de uma constatação interessante: muita gente já faz parlamento aberto sem chamar assim. Por isso, a chamada convoca experiências de câmaras municipais, assembleias legislativas, mandatos, prefeituras, órgãos de controle, sistema de justiça, universidades e organizações da sociedade civil. Interessam as práticas que deram certo e também as que enfrentaram desafios ou tiveram os resultados esperados.

Não é preciso conhecer o conceito, usar o termo e nem trabalhar no Legislativo. Para participar, basta que a experiência tenha relação com o tema. Para participar, é preciso enviar um resumo de até 400 palavras (confira a chamada completa aqui). As experiências selecionadas serão apresentadas durante o evento e reunidas em um e-book de acesso aberto. 

Para o professor de Admistração Pública da Udesc Esag e pesquisador o Politeia, Jorge Braun Neto, o formato do evento também reflete o momento da agenda de abertura que as instituições vêm ampliando e chegando a todos os poderes. 

“A agenda de abertura chegou também ao Legislativo. Os parlamentos são muito importantes para o Estado democrático de direito porque são o espaço de representação e participação por natureza”, afirma. Segundo ele, o evento foi pensando para promover o diálogo e o compartilhamento de aprendizados nos parlamentos. “O Trilhas EquiGov Parlamento Aberto quer reunir no mesmo espaço universidade, parlamentos dos diferentes níveis, órgãos de controle e sociedade civil. Não é um evento sobre o parlamento, é um evento com o parlamento”, destaca. 

Eventos integram a Semana Global de Abertura Legislativa, a GLOW 2026

O encontro integra a Semana Global de Abertura Legislativa (GLOW 2026), promovida pela Open Parliament e-Network (OPeN), rede internacional de organizações dedicadas à abertura parlamentar. Durante a semana, parlamentos, universidades e organizações da sociedade civil de dezenas de países realizam atividades simultâneas sobre o tema. As discussões de Florianópolis passam a fazer parte desse movimento.

“Nosso evento ocorre dentro da Semana Global de Abertura Legislativa, iniciativa que acontece, simultaneamente, em dezenas de países. Diferentes experiências câmaras do interior catarinense que participarem estarão integrando esse importante movimento de abertura que ocupa parlamentos de todos os continentes naqueles dias”, destaca Braun Neto. O professor ainda esclarece que o convite se estende a quem não tem total clareza sobre o conceito ou, na prática, também não percebeu que desenvolve alguma ação simples, mas eficaz, de parlamento aberto. 

“Muita gente já faz parlamento aberto sem chamar assim, ou seja, cria ferramentas de transparência, inovação, abre dados, promove a sessão no bairro, cria um parlamento jovem ou se articula com a prefeitura para resolver um problema da cidade. É isso que queremos conhecer! O convite é aberto, e não é preciso trabalhar no Legislativo para participar”, convida o docente da Udesc Esag. 

Pesquisa e articulação lideradas pelo Politeia e parceiros

O foco no Poder Legislativo em temas de abertura e transparência dá continuidade a pesquisas, projetos e ações do grupo de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, e de seus parceiros acadêmico-profissionais. Entre elas está o projeto Parlamento Aberto: Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores Catarinenses, realizado entre 2023 e 2025 em parceria com a Escola do Legislativo da Alesc e associações de câmaras municipais.

O evento também se conecta ao projeto Accountability e Equidade, ao Plano de Ação Estado Aberto SC 2026 e às edições anteriores das Trilhas EquiGov, desdobramentos do Encontro Internacional EquiGov, realizado em outubro de 2024. Já foram realizadas pela série as trilhas de Resiliência Climática, Justiça Aberta e Controle Aberto.


Programe-se e não perca as datas! 

  • O quê: Trilhas EquiGov Parlamento Aberto: práticas e ideias em debate
    Quando: 18 e 19 de novembro de 2026
    Onde: dia 18/11 (Udesc Esag); 19/11, na Alesc 
  • Mostra Parlamento Aberto: até 31 de outubro (data final para envio de propostas)
  • Como: com resumo de até 400 palavras (confira a chamada completa neste link)
  • Inscrição no evento: forms.gle/z2gTD84GFAC7Rb2PA

Realização: Udesc Esag, Grupo de Pesquisa Politeia, Programa de Extensão Estado Aberto, CIGAT, LISS, Prapeg/Departamento de Administração Pública, Alesc e Escola do Legislativo da Alesc Deputado Lício Mauro da Silveira.



Politeia participa do videocast “Diálogos com TCU”, na edição que debateu transparência pública e os 15 anos da Lei de Acesso à Informação

Novo episódio reúne especialistas para discutir acesso à informação pública, controle social, qualidade das informações e os desafios da comunicação pública 

O videocast “Diálogos com TCU” estreou novo episódio dedicado à transparência pública e aos 15 anos da Lei de Acesso à Informação (LAI), com participação da pesquisadora do Politeia, Paula Schommer, professora de Administração Pública da Udesc Esag e integrante do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção (CTICC) da Controladoria-Geral da União (CGU). 

Professora Paula Schommer viajou a Brasília para gravar a entrevista no TCU

No programa que foi ar pela TV Senado na semana passada e que agora está disponível em plataformas de aúdio e vídeo como YouTube e Spotify, também foi entrevistada a secretária-geral adjunta de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), Tânia Chioato.  

Equipe e entrevistadas do “Diálogos com TCU” desta edição

Na conversa, as convidadas analisam e debatem de que forma o acesso à informação pode fortalecer a participação da sociedade e o controle sobre a administração pública. 

Sancionada em 2011, a Lei 12.527 (Lei de Acesso à Informação), conhecida como LAI, consolidou o princípio de que o acesso à informação pública passa a ser a regra nas instituições públicas, e o sigilo, a exceção. A LAI é um marco para a consolidação do direito de acesso à informação pública no país e é uma peça importante da Política de Transparência e Acesso à Informação brasileira.  

Especialistas debateram as principais mudanças que a LAI trouxe nestes 15 anos

Avanços e desafios da LAI 

Os avanços trazidos pela lei também ampliaram o uso dos dados públicos para além de jornalistas e pesquisadores, aproximando o cidadão do Estado. O episódio explora ainda a distinção entre transparência ativa, quando o governo divulga informações por iniciativa própria, e transparência passiva, quando o cidadão pede dados específicos e obtém as respostas dos órgãos públicos. 

Entre os obstáculos a serem vencidos, estão informações incompletas, linguagem excessivamente técnica, dificuldade de localizar dados e excesso de conteúdo espalhado em diferentes sistemas com baixa interoperabilidade. A transformação digital do acesso à informação é outro ponto em debate. Em 2026, a CGU relançou o Informa.BR – Plataforma de Transparência e Acesso à Informação, que facilita encontrar dados e informações nos principais canais de transparência do governo federal, como o Portal da Transparência, o Portal de Dados Abertos e os sites oficiais.l 

O videocast também aborda os desafios e potenciais do uso da inteligência artificial e a complementaridade  entre transparência e proteção de dados pessoais, especialmente após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

Contribuição do Politeia com pesquisas e o Radar LAI

 A transparência pública é um dos temas de pesquisa transversais que o Politeia trabalha a partir de suas diferentes linhas de pesquisa, da Iniciação Científica (IC) às pesquisas de mestrado e doutorado. Dentre as contribuições das pesquisadoras e pesquisadores está a plataforma Radar LAI. 

Lançado em dezembro de 2025, durante reunião do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção (CTICC), o painel interativo foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa Politeia, em parceria com a CGU, a Fiquem Sabendo e o Sebrae. 

O Radar LAI sistematizou trabalhos científicos sobre acesso à informação e transparência pública entre 2011 e 2024. Ao todo, o painel reúne 180 trabalhos acadêmicos e 75 relatórios técnicos, com análises sobre desafios institucionais, práticas, qualidade das informações, acessibilidade, colaboração federativa e inclusão de grupos vulnerabilizados. 

Para a professora Paula, o acesso à informação pública e a Lei de Acesso à Informação são conquistas da sociedade brasileira. “Conquistas construídas por muitas pessoas. Servidores públicos em diferentes órgãos e níveis de governo, cidadãos e integrantes de organizações da sociedade civil, jornalistas, pesquisadores de várias áreas do conhecimento e também políticos que valorizam a transparência e a cidadania. A transparência nos ajuda a melhorar os serviços públicos, a entender os problemas e buscar soluções viáveis, a exercer a cidadania e a controlar o uso do poder pelos agentes públicos. Por meio do acesso à informação e da transparência, cidadãos e agentes públicos podem dialogar e colaborar, para que o poder seja usado em favor dos cidadãos”, destaca. 

Já para Tânia Chioato, disponibilizar a informação não é suficiente se o cidadão não consegue encontrá-la, compreendê-la ou utilizá-la de maneira acessível e facilitada. A secretária-geral adjunta destaca que o TCU tem intensificado a agenda de participação cidadã e procura ampliar o envolvimento da sociedade no controle. O Tribunal mantém iniciativas próprias de transparência, com dados sobre pedidos de acesso, orçamento, contratos, licitações, pessoal e governança institucional, e regulamenta internamente a aplicação da LAI por meio da Resolução TCU 249/2012.  Outra iniciativa abordada no debate foi o Programa Nacional de Transparência Pública, PNTP, que envolve todo o sistema de controle e vários órgãos públicos, e tem produzido efeitos relevantes na transparência pública no Brasil.O videocast é apresentado pelos jornalistas e auditores do TCU Vanessa Amaral e Emerson Douglas.


Onde assistir

> YouTube do TCU aqui 

> Spotify aqui