Pesquisadoras e pesquisadores do Politeia debatem investigações de graduação durante o 36ª Seminário de Iniciação Científica (SIC) da Udesc Esag  

Evento ofereceu variada programação voltada às metodologias, resultados e divulgação da produção científica da universidade, da graduação à pós-graduação, junto ao Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências da Administração e Socioeconômicas (V SPPG 2026)

Cientistas de iniciação científica do Politeia apresentaram pesquisas em curso sobre comunicação independente, injustiça ambiental e tecnologias sociais para mobilização comunitária

Depois de três dias de apresentação de trabalhos científicos, oficinas e debates, chegou ao fim, na última sexta-feira, 11, dois eventos de debates sobre pesquisas em curso e difusão e divulgação científica da Udesc Esag: o V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) e o 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC), encontros que incluíram a apresentação de resumos expandidos pelos estudantes  e mediação crítica de professores, professoras e convidados externos. 

Do grupo de pesquisa Politeia, na quinta-feira, 10, participaram da 36ª SIC e apresentaram trabalho científico os graduandos e graduandos de administração pública da Udesc Esag, Davi da Rosa Pizzolatti, Caroline Fraga Leimann e Maria Clara Borges Alegri, sob orientação da professora Paula Chies Schommer, acompanhados pela professora Karin Vieira da Silva, e Gustavo Schiphorst, coorientado pelo professor da Felipe César Marques. 


Temas e problemáticas dos trabalhos de IC apresentados 

Davi Pizzolatti apresentou a pesquisa “Justiça Climática e Tecnologias Sociais no Recife: a Comunidade Como Protagonista”.

RESUMO – No texto, o pesquisador em iniciação científica apresenta como a crise climática afeta diferentes grupos populacionais de maneira desigual e como grupos e organizações comunitárias desenvolvem tecnologias sociais para lidar com os desafios e construir soluções. 

Na  Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, o cenário é agravado pela localização no litoral e pela frequência de eventos extremos. Em áreas vulneráveis, como a bacia do Rio Beberibe, na qual a maioria da população é negra, problemas históricos de falta de moradia digna e infraestrutura precária (saneamento, mobilidade, segurança pública) deixam os moradores expostos aos efeitos de alagamentos, enchentes e desmoronamentos, configurando quadros de injustiça ambiental. 

Diante da falta de apoio público e dos riscos ambientais severos, diversas organizações e grupos comunitários de Recife e região têm desenvolvido tecnologias sociais – formas singulares de se organizar, comunicar, engajar, demandar ação e informação do poder público e de se proteger contra desastres. A partir desse tipo de iniciativa, grupos e coletivos resistem e combatem o racismo ambiental, além de conscientizar os moradores e fortalecer a resistência dos territórios. 


Caroline Fraga Leimann compartilhou a pesquisa “Meios de Comunicação para Mobilização Social: o caso do Coletivo Redes do Beberibe”.  

    RESUMO – A estudante contextualiza o fato de que a internet se consolidou como a principal ferramenta para conectar pessoas em rede. No Brasil, as conexões alcançam 88% da população. Hoje, estima-se que 70% dos brasileiros usam ativamente redes sociais como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. Nesse cenário, as plataformas digitais se tornaram o canal principal para a troca de informações, mobilização digital e a interação social por meio de plataformas de comunicação. 

    É dentro dessa dinâmica digital que atua o Redes do Beberibe, um coletivo de mídia independente do Recife, Pernambuco. O grupo adota a comunicação popular para visibilizar informações e demandas dos moradores da Bacia do Rio Beberibe, em pautas que denunciam moradia em risco, problemas ambientais e o descaso do poder público na região. A partir desta atuação, o estudo analisa a experiência do coletivo para compreender como as mídias independentes e a produção comunitária ajudam a promover engajamento em causas públicas e sociais hiperlocais. 


    A acadêmica Maria Clara Borges Alegri partilhou o trabalho “Ocupação Urbana, Infraestrutura e Injustiça Ambiental em Recife e Olinda”. 

      RESUMO – O trabalho apresenta dados sobre  a história da ocupação urbana e a infraestrutura na bacia do Rio Beberibe, em Recife e Olinda, sob a ótica da justiça ambiental. Embora o Rio tenha relevância histórica para Pernambuco, o crescimento urbano no seu entorno escancara desigualdades sociais: sem opções de moradia, famílias pobres e majoritariamente negras passaram a ocupar e residir em áreas de risco.

      A falta de planejamento urbano adequado expõe essas populações a desastres ambientais frequentes e evitáveis. O trabalho aponta que a omissão do poder público e a demora na aplicação de políticas sociais perpetuam o sofrimento de quem vive na beira do rio, ao mesmo tempo em que destaca a força das mobilizações comunitárias na busca por mudanças.


      O acadêmico Gustavo Schiphorst desenvolveu a pesquisa “Finanças Públicas Municipais: Uma Análise da Autonomia Fiscal das Capitais Brasileiras”.  

        RESUMO – Schiphorst e Marques partem do princípio que a autonomia financeira dos municípios é um dos pilares do modelo político brasileiro. É este sistema que confere às cidades o poder de arrecadar impostos próprios, a exemplo do IPTU, ISS e ITBI. No entanto, na prática, a maior parte do dinheiro arrecadado no país continua concentrada no governo federal. 

        Com isso, os repasses de recursos vindos da União e dos estados, a exemplo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), tornaram-se a principal fonte de renda para o funcionamento e operação das cidades. Para entender o cenário, os pesquisadores analisaram até que ponto as 26 capitais do Brasil dependem dessas verbas externas para financiar serviços e obras públicas. A investigação científica acompanhou a evolução das finanças municipais ao longo de uma década, entre os anos de 2015 e 2024, para checar se essa dependência diminuiu ou aumentou com o passar do tempo.


        36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)

        O SIC é a primeira experiência de muitos estudantes na construção do conhecimento acadêmico por meio de comunicações orais e apresentação de trabalhos científicos. A programação contou com a presença de avaliadores externos, medida que amplia a visibilidade dos trabalhos desenvolvidos na Udesc Esag e possibilita debates que contribuem para o aprimoramento das pesquisas. 

        “Foi muito interessante ter apresentado o trabalho pela primeira vez, sobretudo para avaliadores que nos dão feedback contributivo ali na hora, entre comentários, devolutivas e colaborações. Outra questão valiosa foi a oportunidade de integração que tivemos, já que nosso trio de pesquisa apresentou três recortes temáticos de pesquisa a partir de um objeto: justiça climática e tecnologia social, ocupação urbana e infraestrutura e comunicação”, sintetizou o pesquisador de IC e bolsista do Politeia, Davi da Rosa Pizzolatti. 

        Os estudos apresentados pelos estudantes são parte de pesquisas em curso no âmbito do curso de administração pública da Udesc Esag e do grupo de pesquisa Politeia. Cada estudante focalizou no evento um aspecto específico, conforme seu interesse e buscando contribuir para o conhecimento mais amplo sobre o tema, de diferentes perspectivas. 


        V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG)

        Integração acadêmica e divulgação da produção científica – O V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) da Udesc Esag encerrou sua programação na sexta-feira, 11, reunindo estudantes, professores e pesquisadores. O evento promoveu a integração e a visibilidade da produção acadêmica por meio de palestras, oficinas, debates e apresentações de trabalhos. Haverá publicação nos anais do evento, com possibilidade de fast track para revistas científicas. 

        Com o tema “Ciência para a Sociedade: pesquisas em Administração, Administração Pública e Economia”, a edição tratou de debater transformações institucionais, avanços tecnológicos e novas formas de governança. Como em outros anos, a proposta do encontro é promover a disseminação de conhecimento prático e teórico voltado à resolução dos desafios atuais das organizações e da comunidade.

        36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)

        Apresentação dos resultados de pesquisas acadêmicas – O 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC) reúne alunos e professores dos cursos de Administração, Administração Pública e Ciências Econômicas para expor os resultados de seus projetos. O evento serve como vitrine para a produção científica da instituição, promovendo a troca de experiências entre bolsistas, orientadores e órgãos financiadores. 


        Ao lado de lideranças globais, em Paris, pesquisadora do Politeia apresenta práticas brasileiras em governança para contratações públicas sustentáveis

        Giselle (ao centro) apresentando pesquisa na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), em Paris, na Franca, esta semana.

        A doutoranda do programa de Doutorado Profissional em Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do grupo Politeia, Giselle Floriano Coelho, participou nesta segunda-feira, 8, como painelista  no “Fórum de Compras Públicas Sustentáveis dos Líderes de Contratações de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento”, realizado em Paris, na França. Giselle é também servidora pública e atua como Coordenadora de Projetos na Diretoria de Estratégias em Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, vinculada à Secretaria de Gestão e Inovação do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. 

        O evento ocorreu na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB) e reuniu representantes de diferentes países para apresentação de práticas e projetos na área de contratações públicas sustentáveis. Durante o fórum, Giselle apresentou o trabalho“Designing an Integrated Governance Model for Sustainable Public Procurement: Lessons from Brazil’s National Strategy (ENCP)” ou em portugues “Concebendo um Modelo de Governança Integrada para Compras Públicas Sustentáveis: Lições da Estratégia Nacional do Brasil”.  

        No trabalho, a autora mostrou experiências e dados do cenário brasileiro em formato de policy brief, um modelo de produção científica produzido para subsidiar decisões de gestores públicos. Segundo ela, que já retornou ao Brasil, a participação no fórum permitiu acompanhar discussões internacionais sobre temas de ponta na área das compras públicas verdes, dialogar com lideranças de contratações públicas de outros países e submeter aspectos de pesquisa a contribuições de especialistas estrangeiros.

        O trabalho foi selecionado pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis (SusPP Resource Hub) na área temática de governança, junto a outros cinco policy briefs de autoras e autores da Espanha, Índia, Uganda, Itália e Reino Unido.

        O que foi debatido no fórum 

        Segundo a painelista, o fórum teve programação integralmente dedicada à temática das compras públicas, com pesquisadores e gestores de diferentes países e instituições de representação multilateral. Dentre elas, representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Mundial, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), do Banco Europeu de Investimento (EIB) e do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD). 

        Pesquisadora e servidora pública, Giselle destacou que o principal ponto do Fórum foi estabelecer planejamento e políticas para médio e longo prazo na mitigação da crise climática e suas consequências a todos os povos e nações

        Na mesa temática, Giselle teve a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

        Para a doutoranda, a qualidade e relevância dos temas globais debatidos e as medidas estabelecidas como urgentes são um chamado para ação em rede, com financiamento e planejamento a médio e longo prazos para temas de agora, em múltiplas políticas para mitigação dos efeitos da crise climática. 

        “Foi um evento de muita maturidade e com profissionais extremamente experientes, destinado a compartilhar boas práticas sobre o que de melhor é feito em cada país e iniciativas. Discutimos problemas comuns para projetos de sustentabilidade não de curto prazo. O recado do evento é que os países é esse: abandonar a versão de curto prazo e entender que para promover a sustentabilidade precisamos ter um custo a ser partilhado. E é com toda sociedade, caso contrário viveremos problemas ainda mais sérios pela frente”, alertou Giselle. 

        Trabalhos serão publicados

        Na mesa temática, Giselle teve a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

        Após a apresentação, o trabalho recebeu a contribuição dos participantes do Fórum e de revisores da Argentina, Suíça e Dinamarca. Logo em seguida, com os eventuais ajustes e edição concluídos, os policy briefs serão publicados pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis do SusPP Resource Hub e pelas demais plataformas parceiras. 

        Novas pontes e internacionalização na pesquisa e na gestão pública 
        Evento internacional permitiu estabelecer contatos com pesquisadoras que são referência no tema de Giselle aqui grupo Politeia

        Entre as vivências resultantes dos debates, trocas e conversas, a pesquisadora do Politeia destacou novas pontes e contatos para futuras colaborações na temática de compras públicas, em especial com a professora Ximena Lazo Vitoria, que coordena o grupo de Investigação de Compras Verdes na Universidade de Alcalá de Henares, na Espanha, e a pesquisadora e professora, Sabrina Comotto, da Universidade Austral, da Argentina. 

        Segundo a professora e orientadora de Giselle, Paula Chies Schommer, a participação da doutoranda nesse Fórum traz boas perspectivas de diálogo e colaboração internacional com outras universidades, governos e instituições especialistas em temas  de pesquisa que interessam ao Politeia e ao Programa de Pós-Graduação da Udesc Esag, fortalecendo a pesquisa científica e sua conexão com a atuação da acadêmica como servidora pública. 

        “Com essa participação de caráter tanto profissional como científico, Giselle pôde apresentar e debater a pesquisa e sua experiência como servidora pública, já que atua na área da temática do fórum global, em um ministério brasileiro. Na França, a acadêmica esteve lado a lado com especialistas e gestores de vários países e s organizações globais, compartilhando avanços, desafios e aprendizagens que vem sendo construídas no Brasil na área de compras públicas sustentáveis. São novas conexões em rede que abrem e se formam, outras possibilidades de cooperação e melhorias em compras públicas sustentáveis, em várias partes do mundo. É pesquisa e prática como estimulamos aqui no doutorado profissional da Udesc Esag”, reforça Paula Schommer.  

        Giselle iniciou o doutorado no segundo semestre de 2025 para desenvolver sua tese sobre o uso do poder de compra estatal na promoção de impactos sociais, ambientais e econômicos sustentáveis, tendo como um dos focos a construção da Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Nacional Sustentável. A Estratégia é liderada pelo Ministério da Gestão e Inovação do Governo Federal brasileiro, envolvendo diversos órgãos e níveis de governo e parceiros nos setores público, privado e na sociedade civil.

        Sessão Especial Pré-CLAG, em outubro na Udesc, destaca a obra de Guerreiro Ramos e as pessoas no contexto da administração pública

        O auditório do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas, Esag, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) será palco, no dia 27 de outubro, da Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”. 

        O evento, gratuito e aberto ao público, será das 14h30 às 17h30, como atividade pré VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre na Udesc Esag de 27 a 29 de outubro (confira a programação), com a presença de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros e de outros países lusófonos.

        O painel integra o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade, que tem o objetivo de promover o diálogo sobre conceitos e categorias da obra de Alberto Guerreiro Ramos que servem de base para a ação na atualidade. O projeto, idealizado pelo Professor José Francisco Salm, é resultado de uma parceria entre os grupos de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento, ORD, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

        A iniciativa promove difusão e divulgação científica das ideias de Guerreiro Ramos por meio da Série Temática de Vídeos no YouTube. Conta com financiamento da Fapesc e da Udesc, no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa, PAP.  A sessão especial Pré-CLAG conta, também, com o apoio do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (PRAPEG) da Udesc Esag e o Coletivo Negro Guerreiro Ramos. 

        Ideias de Guerreiro Ramos em debate 

        O evento reunirá diversos pesquisadores para discutir a contemporaneidade do pensamento de Guerreiro Ramos para os desafios da administração pública atual, da gestão social, da economia solidária e da coprodução do bem público. Trata-se de um encontro inédito que debate o atual momento da sociedade brasileira e os seus desafios, antigos e novos.

        Para a professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, o encontro será um momento especial dentro de um percurso de pesquisas e debates que vêm ocorrendo no projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, realizado pelo grupo Politeia e parceiros pesquisadores da UFRGS e UFSC

        “Guerreiro Ramos é um pensador que nos inspira e instiga. Suas ideias são fundamento de pesquisas, cursos e disciplinas de pós-graduação e graduação em administração pública na Udesc Esag e em diversas instituições e disciplinas. Será uma honra para nós sediarmos esse debate, reunindo em Florianópolis colegas de várias partes, dedicados a compreender e desenvolver ideias e categorias de análise desse grande intelectual e cientista brasileiro, o qual segue iluminando nossas reflexões e ações diante dos desafios da atualidade”, comenta Paula.  

        O professor Ariston Azevedo, da UFRGS, também envolvido no projeto e na organização da sessão especial, está animado com a realização do encontro. 

        “Estou com excelentes expectativas – e até um pouco ansioso, confesso – quanto à realização desse Painel. Dele participarão alguns dos pesquisadores mais reconhecidos quando o assunto são as ideias de Guerreiro Ramos. Será uma oportunidade ímpar de ouvi-los, pois, desde 2015, quando comemoramos, em um evento no Rio de Janeiro, o centenário de nascimento daquele sociólogo, Ana Paula Paes, Genauto França, Fernando Tenório e Francisco Salgado não se reúnem para abordar a influência de Guerreiro Ramos em suas trajetórias acadêmicas e em suas construções teóricas. Será imperdível”, declara o pesquisador e colaborador do projeto. 

        Mediadora do painel, a professora da Udesc Esag, Laís Silveira Santos, a Sessão Especial Pré-CLAG será um momento especial para reunir pesquisadores, estudantes, praticantes e gestores para discutir as pessoas, no contexto da administração pública, sob a lente da obra de Alberto Guerreiro Ramos. 

        “Vamos aproveitar a presença de um público qualificado e comprometido em discutir e melhorar o contexto nas pessoas na Administração Pública para realizar uma Sessão Especial ‘Diálogos sobre Guerreiro Ramos’, unindo as teorias e aplicações dos ensinamentos de Guerreiro ao evento internacional “Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública”. Mais do que discutirmos as obras de Guerreiros, iremos refletir sobre seus desdobramentos nos dias de hoje e como podemos, por meio das pessoas e das práticas de gestão de e com pessoas, lidar com os desafios que a sociedade e as organizações impõem nos países lusófonos. Acredito que será um painel muito rico e sairemos com ainda mais inquietações”, convida Laís. 

        Painelistas da Sessão Especial

        Ana Paula Paes de Paula (UFMG) I Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem produção acadêmica voltada à teoria das organizações, gestão social e abordagens críticas na administração pública, fundamentadas também no referencial epistemológico de Guerreiro Ramos. Conheça mais sobre a convidada aqui

        Genauto França Filho (UFBA) I Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Pesquisador especialista em economia solidária, gestão social e desenvolvimento territorial, mobilizando categorias analíticas de Guerreiro Ramos para o exame de enclaves socioeconômicos periféricos. Leia sobre a produção do convidado aqui. 

        Fernando Tenório (FGV EBAPE) – Professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE). É um dos principais precursores do debate sobre cidadania deliberativa e gestão social no Brasil, com extensa trajetória dedicada à releitura crítica e à difusão da sociologia e da obra de Guerreiro Ramos. Conheça mais sobre o convidado aqui

        Mediadora I Laís Silveira Santos (Udesc Esag) I Professora do Departamento de Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do Grupo Politeia. Atua na coordenação de frentes de pesquisa do grupo aplicadas ao contexto governamental catarinense. Conheça o trabalho e a trajetória aqui

        Ariston Azevêdo – Professor Titular da Escola de Administração da UFRGS. Graduado em Engenharia Mecânica e doutor em Sociologia Política pela UFSC, destaca-se como um dos principais especialistas da obra de Alberto Guerreiro Ramos. O convidado investiga temas como o Pensamento Social Brasileiro, Filosofia da Administração, Ética e Teoria das Organizações. Conheça a produção e ideias do convidado aqui. 

        Coletivo Negro Guerreiro Ramos – Fundado em 2022, o Coletivo Negro Guerreiro Ramos é uma iniciativa de luta e articulação de estudantes da Udesc Esag. Oferece um espaço de diálogo, reflexão, desenvolvimento educacional e acolhimento dos discentes da universidade e da comunidade em geral, especialmente dos estudantes pretos e pardos. Leia mais aqui

        CONVIDADO INTERNACIONAL (participação em vídeo) – Francisco Salgado Arteaga I Professor, reitor e pesquisador da Universidade de Azuay, no Equador. Ele vai apresentar suas conexões teóricas, o pensamento andino (Sumaq Kawsay) e as possibilidades de cocriação teórica com a redução sociológica de Guerreiro Ramos. Leia mais sobre ele neste link. 


        AGENDE-SE 

        O quê: Sessão Especial Pré-CLAG “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública” 

        Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição 

        Quando: terça-feira, 27 de outubro, das 14h30 às 17h30min

        Onde: Auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis) – bairro Itacorubi

        Informações: https://www.udesc.br/esag/clag/programa%C3%A7%C3%A3o  

        Aprendendo em conjunto entre Tribunais de Contas e sociedade civil para um controle público mais efetivo

        Síntese de webinário #6, realizado em 18 de agosto de 2026

        Por Marcos Mendiburu, Fernando Maccari e Paula Chies Schommer

        Organizado pelo grupo de pesquisa Politeia da Universidade do Estado de Santa Catarina, Udesc, em conjunto com o Tribunal de Contas da União, TCU, e o Instituto Serzedello Corrêa, ISC, neste último webinário de uma série de seis, refletiu-se sobre as aprendizagens e mensagens-chave (take-aways) que mais ressoaram nesse ciclo de debates. Além disso, foram identificados temas que requerem atenção no futuro, de modo a continuar gerando conhecimento e promovendo aprendizagem sobre participação cidadã em Entidades Fiscalizadoras Superiores, EFS, ou Tribunais de Contas, TCs, no Brasil, envolvendo as diferentes partes interessadas, incluindo a academia. 

        Com moderação da Professora Paula Chies Schommer, da Udesc, buscou-se promover um diálogo interativo entre os painelistas, em vez de realizar apresentações individuais. O painel foi composto por Aurelio Toaldo Neto, auditor do TCU e chefe do serviço de participação cidadã na Secretaria de Relações Institucionais do TCU, Luiz Gustavo Gomes Andrioli, auditor sênior do TCU e que liderou a elaboração do Referencial de Participação Cidadã do TCU, Roni Enara, diretora executiva do Observatório Social do Brasil, e Marcos Mendiburu, especialista em participação cidadã em controle público e transparência.

        Na primeira parte do webinário, foram destacados aspectos abordados nos cinco primeiros debates da série. Marcos Mendiburu destacou que os painelistas do webinário #1 reconheceram a importância da participação cidadã como um componente estratégico da fiscalização externa; ainda que, paradoxalmente, falte – na maioria dos Tribunais de Contas ou EFS – uma estratégia específica sobre participação cidadã, em formato escrito, que estabeleça o horizonte para onde se deseja orientar os esforços no curto, médio e longo prazo. A elaboração dessa estratégia é destacada na recente publicação “Strengthening Public Oversight: Good Practices for Partnerships between Civil Society and Supreme Audit Institutions”, da Transparência Internacional e do IDI da INTOSAI (2026), bem como na publicação “Engagement with Civil Society. A Framework for SAIs”, do INTOSAI Capacity Building Committee (2021). 

        Além disso, ressaltou-se a importância de que essa estratégia seja co-criada entre atores da sociedade civil e a EFS, e esteja disponível ao público no site institucional, para depois ser monitorada e avaliada conjuntamente. Ademais, Marcos comentou que essa estratégia contribuiria para que os diversos servidores de um TC que promovem a participação cidadã compartilhem uma mesma visão sobre onde direcionar seus esforços. Essa estratégia precisa conter indicadores e metas e determinar qual será a evidência para demonstrar os resultados alcançados. Essa é uma tarefa pendente na maioria das EFS em nível global. Por sua vez, Aurelio Toaldo Neto reconheceu que, embora o TCU esteja implementando diversas atividades de participação cidadã, elas não estão sendo guiadas por uma estratégia específica. No entanto, o TCU possui um plano de trabalho para o biênio 2025-2026 com objetivos e metas quantificáveis sobre participação cidadã em ações de controle do TCU.

        Posteriormente, Luiz Gustavo Gomes Andrioli ressaltou que esse ciclo de webinários foi um convite da academia ao TCU, enfatizando que a iniciativa partiu de fora do Tribunal, e contou com o patrocínio da alta gestão do TCU para cooperar com a Udesc nesses debates. Além disso, Luiz Gustavo sublinhou que é importante que o trabalho de um TC para/em direção à sociedade seja realizado com essa mesma sociedade. Nesse sentido, lembrou que foi realizado um painel com a sociedade civil durante a elaboração do Referencial de Participação Cidadã do TCU e uma consulta pública on-line para receber comentários da cidadania. Luiz Gustavo também mencionou o trabalho em torno da diretriz “Cidadão no Foco” na atuação do TCU e levantou o questionamento sobre qual seria a perspectiva externa sobre o trabalho do TCU em relação à participação cidadã e ao cidadão no foco. 

        A esse respeito, Roni Enara reconheceu a abertura do TCU nos últimos tempos, percebendo-se avanços para promover uma maior aproximação com a cidadania. Nesse sentido, apontou que o TCU se posicionou na liderança na promoção da participação cidadã entre os TCs, mas ainda é preciso construir uma cultura de participação cidadã. Nesse sentido, observou que é necessário tempo e que é preciso entender isso como um caminho sem volta. Até o momento, segundo Roni, esse tema é percebido como uma ação relevante em alguns momentos, em alguns Tribunais, incluindo o TCU. Roni também destacou a existência de uma equipe específica sobre participação cidadã na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) para facilitar esse trabalho, mas essa temática precisa permear as diversas unidades da instituição, como, por exemplo, a área de comunicação, e como isso se reflete nas organizações parceiras no trabalho conjunto com os TCs.

        Por sua vez, Marcos Mendiburu lembrou que alguns painelistas em webinários anteriores fizeram alusão a uma falta de cultura de participação cidadã no Brasil, o que chamou sua atenção, pois o Brasil é reconhecido mundialmente como uma referência em participação cidadã, por exemplo, por meio do orçamento participativo, embora não tanto pela participação cidadã em TCs. Por isso, Marcos enfatizou que é fundamental que os TCs realizem um diagnóstico inicial sobre a participação cidadã, examinando forças e fraquezas, bem como oportunidades e desafios, tanto dentro quanto fora de um Tribunal. 

        Nesse sentido, Marcos colocou que talvez aqui se evidencie a necessidade de fortalecer a capacitação de servidores dos TCs, pois a falta de participação cidadã diante de uma convocatória de um TC pode se dever a diversas razões: 1) planejamento e convite para participar frágeis, incluindo falta de objetivos claros; 2) divergência de expectativas entre as partes sobre os benefícios dessa participação; 3) falta de credibilidade da população na instituição que convoca a participar, por essa instituição não possuir autonomia suficiente; 4) redução do espaço cívico que desestimula a participação social; 5) os recursos limitados das OSC, que, devido aos recentes cortes financeiros da cooperação internacional, obrigam a estabelecer prioridades, entre outros. Mais especificamente, Marcos questionou qual seria a reação de um TC diante de um cenário hipotético em que uma atividade de participação social gerasse certo “ruído”: reagiria colocando a culpa na população e afirmando que não se deveria realizar participação cidadã naquele TC, ou buscaria realizar uma autorreflexão para ver o que não funcionou bem e se foi feito um diagnóstico e um planejamento adequados? 

        Nesses casos, pode ser mais fácil colocar a responsabilidade no outro, mas é preciso olhar para dentro e ver o que deve ser corrigido e melhorado. E o diagnóstico é fundamental para ver quais são as capacidades dos TC para promover a participação cidadã. Uma forma de fortalecer as capacidades poderia ser por meio de capacitação, mas Marcos ressaltou que não se trata apenas de aprender questões técnicas vinculadas à participação cidadã, mas também de adquirir as chamadas “habilidades interpessoais”, por exemplo, mais empatia com a população por parte dos servidores dos TCs.

        Em relação ao comentário de que a comunicação mudou drasticamente no mundo e, portanto, as instituições públicas precisam se adaptar a essas mudanças para interagir com seus públicos, Roni Enara lembrou uma frase que diz “A cidade que escuta é uma cidade que aprende”. Isso vale para cidades, para qualquer instituição pública e para o setor privado. Roni acrescentou que essa escuta deve ser ativa e receber retorno sobre como as contribuições foram ou não consideradas, e o que vai ser devolvido para aquela comunidade. Além disso, apontou que é importante compreender o perfil dos potenciais participantes, o contexto em que estão inseridos e suas potenciais contribuições no momento de participar. Roni ilustrou esse ponto em mais detalhes por meio de um exemplo: quando se consulta um cidadão individualmente, essa pessoa costuma pensar em suas próprias necessidades, por exemplo, uma mãe vai precisar de uma vaga para os filhos. Porém, se essa mesma mãe, que ao mesmo tempo faz parte de um conselho municipal ou associação de bairro, for consultada, ela possui uma perspectiva mais coletiva ou geral, e poderia responder considerando as necessidades desse grupo ou coletivo. Ainda, se ela fizesse parte de uma organização voltada ao controle social, ela teria uma visão ainda mais abrangente, e responderia considerando a luta por uma causa que beneficie um grupo ainda maior de pessoas. Assim, é fundamental que a instituição pública que convoca a participação compreenda o público que vai envolver.

        Em seguida, Luiz Gustavo Gomes Andrioli reagiu a observações compartilhadas anteriormente. Luiz Gustavo compartilhou outra frase que se aplicaria ao TCU: “servir para ser visto”. Ou seja, como instituição, o TCU deve aprender a servir à cidadania e, assim, naturalmente será visto e reconhecido. Por outro lado, Gustavo reconheceu o trabalho da equipe de comunicação do TCU durante a gestão atual no uso das redes sociais para se comunicar com o público. Sobre isso, Aurelio acrescentou, como exemplo, o concurso de vídeos sobre controle social pelo TikTok lançado pelo TCU. 

        Luiz Gustavo relembrou outra frase, dita pela ouvidora de Brumadinho em um evento: “Ouvir sem transformar é uma forma silenciosa de ignorar”. Além disso, retomando a questão da capacitação, Gustavo concordou com Marcos sobre a importância de capacitar os servidores. Embora seja importante capacitar o público externo, é ainda mais importante capacitar internamente os servidores dos TCs, além das capacitações sobre controle social que já são oferecidas por universidades e OSC para a cidadania.

        Posteriormente, dado o alcance das competências do TCU e dada a dimensão ou tamanho do estado federal no Brasil, Aurelio Toaldo Neto perguntou se seria pertinente priorizar ações de participação cidadã em torno de temas específicos e conforme quais critérios. Nessa linha, Marcos Mendiburu concordou com a necessidade de priorizar a participação cidadã em torno de certas ações de um Tribunal, por diversas razões, entre elas: 1) é necessário trabalho para planejar e implementar iniciativas de participação cidadã; e 2) as pessoas não estão disponíveis para participar de todas as atividades para as quais são convocadas. Por isso, Marcos enfatizou que não se trata de mais participação cidadã, e sim de melhor participação cidadã; ou seja, que as iniciativas atuais de participação cidadã sejam mais efetivas. Quanto maior o alcance, a participação tende a ser menos profunda. Por isso, Marcos reiterou que é fundamental elaborar uma estratégia para um período de 3 a 5 anos e um plano de trabalho anual que especifiquem quais níveis ou graus de participação e em que momento e a quem se busca envolver.

        Em resposta a uma pergunta de um participante do webinário, feita pelo chat do YouTube, sobre se o Brasil deveria realizar mais pesquisas científicas sobre participação cidadã em fiscalização ou auditorias, Marcos Mendiburu destacou que existe uma extensa pesquisa acadêmica sobre participação cidadã no Brasil, embora não necessariamente voltada aos TC, o que chama a atenção. Aqui cabe perguntar aos Tribunais e à academia por que isso ocorre. No entanto, existe um interesse crescente nessa temática, e ele citou como exemplos uma dissertação de mestrado sobre esse tema na Universidade de Brasília, do início de 2026, e o trabalho acadêmico de um doutorando da Udesc que está em curso e estará disponível futuramente. 

        Além disso, Marcos destacou que a pesquisa acadêmica é fundamental para avançar o debate e a prática sobre participação cidadã na fiscalização externa e evitar ficar girando em círculos, nos quais são realizados mapeamentos básicos de experiências que depois são identificadas como boas práticas pelas próprias instituições que as implementam, sem nenhuma análise ou revisão externa. Nesse sentido, a professora Paula Chies Schommer mencionou um projeto do grupo de pesquisa Politeia, na Udesc, que estabelece um repositório de materiais sobre esse tema que estará disponível ao público on-line futuramente, e para o qual será importante contar com a cooperação de associações e redes envolvendo TCs, como a Atricon e a Rede Integrar ou grupos de pesquisa do Instituto Serzedello Corrêa, e pesquisadores de diversas universidades. 

        Nesse sentido, Marcos Mendiburu mencionou que é fundamental a cooperação dos TC e da sociedade civil com a academia para documentar o trabalho realizado por ambos em torno desse tema. No entanto, há um desafio para realizar pesquisa acadêmica sobre participação cidadã: a limitada documentação e publicação de materiais a respeito por parte das EFS. Outro desafio é preservar a independência dos pesquisadores acadêmicos que documentam o trabalho sobre participação cidadã nos TCs, para que não sejam influenciados por estes últimos. A esse respeito, Roni Enara mencionou que o site do OSB possui mais de 20 trabalhos de conclusão de curso ou dissertações que consideraram a experiência dos observatórios e que, embora não tenham sido suficientemente aproveitados até o momento, estão à disposição para serem incorporados ao repositório mencionado pela Profa. Schommer. Por outro lado, Roni comentou sobre a necessidade de divulgar as gravações desses webinários para além do site do TCU, em diferentes formatos. Por sua vez, devido à proximidade do último semestre para o encerramento desta gestão no TCU, Aurelio Toaldo Neto compartilhou que está realizando um levantamento de dados internamente para elaborar um relatório de gestão com indicadores vinculados à participação cidadã, e antecipou que já foram registradas mais de 100 ações de controle no TCU que incorporaram a participação cidadã de alguma forma. Além disso, Aurelio afirmou que é necessário fazer um balanço, identificar lições aprendidas e ver o que poderia ser melhorado no futuro.

        Em seguida, o diálogo entre os painelistas se concentrou em oportunidades a serem exploradas no futuro em torno desse tema. Nessa linha, Marcos Mendiburu ressaltou a importância de examinar a utilidade social da informação gerada pelos TCs — quem, para quê e como essa informação é utilizada externamente. Com o propósito de que o relacionamento entre os TCs e a sociedade civil seja mais equilibrado, Marcos frisou que é preciso reconsiderar a abordagem atual predominante em diversas EFS e partir de como o TC pode ajudar a sociedade civil, e não apenas como a sociedade pode apoiar o Tribunal de Contas. Isso é fundamental para explorar como as pessoas e organizações da sociedade civil, OSCs, que realizam incidência em políticas públicas podem utilizar e aproveitar a informação gerada pelos Tribunais de Contas — pois são uma das instituições que mais possuem dados e informações sobre o funcionamento do Estado — para seu próprio trabalho. 

        Isso, por sua vez, é fundamental para buscar medir os impactos (outcomes) do trabalho de fiscalização externa, ou seja, as mudanças na vida das pessoas a partir da implementação das recomendações para a melhoria dos serviços públicos ou programas de governo. Este é um tema pendente que precisa ser examinado com mais detalhes no futuro. Além disso, como exemplo de outra área de oportunidade a ser aprofundada futuramente pelos Tribunais de Contas, Marcos mencionou a necessidade de gerar conhecimento, ao mesmo tempo em que se promove aprendizagem interna e com parceiros externos sobre esse tema. Esses conceitos estão vinculados, mas não são sinônimos. E, para isso, é preciso realizar e divulgar avaliações sobre o trabalho de participação cidadã. Por fim, Marcos destacou a necessidade de reconsiderar a abordagem para a capacitação sobre esse tema, pois não se aprende apenas lendo livros e/ou fazendo cursos, aprende-se participando, com as práticas.

        Por sua vez, Roni Enara relembrou a Conferência Nacional de Transparência e Controle Social, Consocial, de 2012, e a importância de dar um retorno aos participantes sobre como suas contribuições foram ou não aproveitadas e por quê, mesmo quando não haja uma resposta para solucionar imediatamente o problema apresentado. Em seguida, Aurelio Toaldo Neto esclareceu que um desafio para esse retorno dos TC à cidadania é o tempo necessário se considerarmos o ciclo de uma auditoria, pois, desde o início até a aprovação do acórdão pelos Ministros do TCU, pode levar entre 6 e 12 meses. Por isso, a cidadania pode se sentir frustrada por não receber nenhum retorno durante esse período. Além disso, Aurelio ressaltou a importância de promover a avaliação do trabalho sobre participação cidadã não apenas para demonstrar os resultados à sociedade, mas também internamente para os Ministros e o corpo técnico.

        Por fim, Luiz Gustavo Gomes Andrioli concordou com Marcos que a abordagem predominante nos TC tem sido como a sociedade civil e a cidadania podem ajudar o TCU a realizar o controle externo. Para isso, é necessário que a população conheça o mandato dos Tribunais, o que nem sempre é o caso, mas isso vem mudando gradualmente. Como parte da iniciativa Cidadão no Foco do TCU, Gustavo compartilhou a iniciativa de compromisso cidadão, na qual o TCU, os gestores públicos responsáveis por implementar uma determinada política pública e a cidadania dialogam para realizar um diagnóstico conjunto, identificar soluções e estabelecer compromissos que serão monitorados conjuntamente.

        O debate foi encerrado com agradecimentos pelas aprendizagens compartilhadas nesse ciclo de webinários e a expectativa de seguirmos em interação, aprofundando os pontos levantados até aqui e abertos a novas aprendizagens associadas a nossas práticas, parcerias e reflexões compartilhadas.

        Para acessar a gravação em vídeo do #6 webinário, clique aqui

        Para ver as sínteses dos primeiros webinários, clique #1 aqui, #2 aqui, #3 aqui. e #4 aqui, #5 aqui

        As gravações dos webinários, também permanecem disponíveis ao público, para acessá-las clique #1 aqui, #2 aqui, #3 aqui, #4 aqui e #5 aqui



        Pesquisadora do Politeia vai a Paris apresentar pesquisa sobre governança em contratações públicas sustentáveis

        Aluna da turma 2025.2 do Doutorado Profissional em Administração Pública da Udesc Esag, Giselle Floriano Coelho, estará no evento na próxima terça, dia 8

        Participar de discussões globais sobre temas emergentes, aprender com lideranças de outras nações e abrir questões de sua pesquisa para receber contribuições internacionais. Estas são algumas das finalidades que a doutoranda da Udesc Esag e pesquisadora do Politeia, Giselle Floriano Coelho, pretende alcançar durante sua participação em fórum de líderes, na França, na próxima semana.  

        Giselle também é servidora pública. Atua como Coordenadora de Projetos na Diretoria de Estratégias em Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, Secretaria de Gestão e Inovação, Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos

        Aluna do programa de Doutorado Profissional em Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do grupo de pesquisa Politeia, Giselle participará do Fórum de Compras Públicas Sustentáveis dos Líderes de Contratações de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, em Paris, dia 8. 

        Ela apresentará um policy brief, trabalho científico pautado por urgências cotidianas de tomadores/as de decisão. A pesquisadora também é servidora pública e Coordenadora de Projetos na Diretoria de Estratégias em Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, Secretaria de Gestão e Inovação, Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. 

        No encontro que ocorre na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), em Paris, Giselle apresentará o artigo intitulado “Designing an Integrated Governance Model for Sustainable Public Procurement: Lessons from Brazil’s National Strategy (ENCP)” ou“Concebendo um Modelo de Governança Integrada para Compras Públicas Sustentáveis: Lições da Estratégia Nacional do Brasil (ENCP)”. O trabalho foi selecionado pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis (SusPP Resource Hub) na área temática de governança, junto a outros cinco policy briefs de autoras e autores da Espanha, Índia, Uganda, Itália e Reino Unido. 

        Para a doutoranda e pesquisadora do Politeia, essa oportunidade articula teoria e prática e projeta no mundo os avanços e desafios brasileiros.

        “Participar desse fórum representa a oportunidade de colocar a experiência brasileira lado a lado com a de outros países que também aplicam o uso do poder de compra estatal em prol do desenvolvimento sustentável; ainda, vou levar as perguntas que me movem como pesquisadora e volto com isso direto para a minha tese, que discute justamente essa temática em um sistema tão complexo quanto o das contratações públicas do Brasil”, declara Giselle. 

        Temas globais em debate 

        Na mesa temática, Giselle terá a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

        Carta-convite do evento que ocorre na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), em Paris

        Após a apresentação, o trabalho receberá a contribuição dos participantes do Fórum e de revisores da Argentina, Suíça e Dinamarca. Logo em seguida, com os eventuais ajustes e edição concluídos, os policy briefs serão encaminhados para publicação pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis do SusPP Resource Hub e pelas demais plataformas parceiras. 

        Para a orientadora de Giselle, professora Paula Chies Schommer, a experiência internacional, multicultural e contributiva vai ampliar o horizonte do tema de pesquisa e fortalecer a atuação  da acadêmica no seu  trabalho como servidora pública. 

        “A participação da doutoranda e servidora Giselle nesse evento, apresentando e debatendo seu trabalho com especialistas e gestores de várias organizações e países, é uma oportunidade incrível de conexão para o aprimoramento da gestão pública e das compras públicas sustentáveis. Essa proximidade entre pesquisa e prática está na essência da proposta do doutorado profissional da Udesc Esag”. 

        Giselle ingressou no doutorado em 2025.2. Sua tese se concentra do uso do poder de compra estatal para promover impactos sociais, ambientais e econômicos, sobretudo na experiência da Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Nacional Sustentável.

        Quem participa

        A programação do Fórum de Compras Públicas Sustentáveis dos Líderes de Contratações de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento conta com a participação de representantes de instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o Banco Europeu de Investimento (EIB) e o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD). 

        Pesquisa “Parlamento Aberto” em debate na Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação, em Itajaí

        Compartilhar resultados das pesquisas do Politeia e de parceiros de ação é uma principais das formas de circular conhecimento novo produzido por pesquisadoras e pesquisadores do grupo, ampliar redes e parcerias e estimular a coprodução de soluções inovadoras para a gestão pública. 

        Evento durou três dias e reuniu legisladores, pesquisadores e sociedade civil (fotos: Assessoria da Câmara de Itajaí)

        Foi com esse propósito que a pesquisa aplicada Parlamento Aberto foi apresentada durante a Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação, de 10 e 12 de agosto, na sede da Câmara de Vereadores de Itajaí.  

        Professora e pesquisadora Karin Vieira da Silva, uma das líderes do Politeia, trouxe bastidores da pesquisa e detalhou relevância do tema para pensar o futuro do legislativo

        Promovido pela Escola do Legislativo da cidade, Maria Rosa Heleno Schulte, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPGPP) da Univali, o evento acadêmico teve palestras e sessões temáticas para presentação de artigos, além da apresentação estudos de casos. Assista aqui às apresentações dos artigos e cases no último dia de evento, dia 12, quarta-feira. 

        Pesquisadores e servidores da Alesc e da Escola do Legislativo em parceria no evento

        O evento reuniu agentes públicos, políticos, pesquisadores e estudantes da Região da Foz do Rio Itajaí, com o objetivo de fomentar a discussão sobre políticas públicas e promover espaços de diálogo e construção coletiva entre prefeituras, acadêmicos, câmaras de vereadores e sociedade civil. 

        O grupo de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, esteve presente no evento por meio da professora Karin Vieira da Silva, uma das lideranças do grupo. Em parceria com o Politeia, foi apresentado o trabalho “Educação legislativa, políticas públicas e parlamento aberto: a experiência da Escola do Legislativo da Alesc em Câmaras Municipais Catarinenses”, de autoria de Laura Josani Andrade Correa, da Escola do Legislativo da Alesc.

        “A participação em espaços como a Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação é uma oportunidade importante para aproximar a produção acadêmica das experiências concretas da gestão pública. No caso do Parlamento Aberto, esse diálogo permite compartilhar resultados de pesquisa, conhecer diferentes realidades e construir coletivamente alternativas para fortalecer a participação, a transparência e a inovação nas instituições públicas”, comentou a pesquisadora do Politeia e professora da Esag.

        Pesquisadora e servidora da Escola do Legislativo, Laura Josani Andrade Correa

        De cultura da inovação a projetos territoriais 

        No primeiro dia, segunda-feira (10), a programação trouxe experiências de integração municipal, com apresentações da AMFRI e do CIM-AMFRI, além de palestras sobre mobilidade urbana regional e sobre a integração dos poderes legislativos, com participação da Federação das Câmaras de Vereadores de Santa Catarina (UVESC).

        Público pôde interagir com autores e autoras sobre as produções científicas em debate

        No dia seguinte, as discussões tiveram foco em debates técnicos sobre captação de recursos para projetos territoriais, estratégicas na gestão de pessoas e formas de promover a cultura de inovação no setor público, incluindo temas especiais como reflexos de decisões do STF na legislação municipal.

        O último dia foi dedicado às pesquisas científicas, com abertura dos trabalhos a partir da palestra “Políticas Públicas e Ciência” e a apresentação dos 17 cases e artigos científicos aprovados. 


        Udesc e Tribunal de Contas da União convidam para último webinário da série sobre Participação Cidadã e Controle 

        Evento online que ocorre na terça-feira, 18, às 15h, discutirá aprendizados, principais desafios e novas perspectivas de atuação social e participativa junto aos tribunais de contas no Brasil

        Estão abertas as inscrições para o 6º e último webinário da série “Participação Cidadã e Controle”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em parceria com Udesc e o Grupo de Pesquisa Politeia e Instituto Instituto Serzedello Corrêa (ISC). 

        O evento de fechamento de ciclo terá o tema “Aprendendo conjuntamente entre Tribunais de Contas e Sociedade Civil para um controle público mais efetivo” e será realizado no dia 18 de agosto, próxima terça-feira, às 15h. Clique aqui para se inscrever. 

        O webinário debaterá as principais ações apresentadas ao longo dos eventos anteriores, incluindo casos, diagnósticos e projetos especiais. Haverá, ainda, discussão sobre os desafios organizacionais dessa abertura institucional nos tribunais de contas do país.

        Entre os painelistas estão Aurelio Toaldo, auditor federal de Controle Externo do TCU e Chefe do Serviço de Participação Cidadã da Secretaria de Relações Institucionais (SRI); Luiz Gustavo Andrioli, auditor e especialista sênior do TCU. Ele colaborou na elaboração do “Referencial de Participação Cidadã”, do “Guia fiscalizando com o Cidadão no Foco” e “Orientações para formalização de um Compromisso Cidadão”; Marcos Mendiburu, especialista em participação cidadã no controle público e em transparência e Roni Enara, diretora-executiva do Observatório Social do Brasil (OSB). 

        Segundo Andrioli, o 6º webinário Participação e Cidadã e Controle encerrará a série sobre participação cidadã com uma reflexão sobre os principais aprendizados, desafios e perspectivas para fortalecer essa agenda no campo dos tribunais de contas do Brasil. 

        “Debateremos como consolidar o cidadão no centro do controle, ampliar a cooperação com a academia e a sociedade e transformar experiências em práticas institucionais permanentes”, explicou.

        A mediação será feita novamente pela professora Paula Chies Schommer, docente do curso de Administração Pública Udesc Esag e uma das líderes do grupo de pesquisa Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade. 

        “Essa série de eventos foi um marco. Ela trouxe ao público a perspectiva das variadas práticas de participação cidadã que são realizadas junto aos tribunais de contas, mostrou como se faz, os resultados já alcançados e o que ainda pode ser melhorado e ampliado”, finalizou Paula.

        Veja, abaixo, como foram edições anteriores em vídeo e texto de cada webinário:

        1º WebinárioA participação cidadã como dimensão estratégica para o controle externo 

        Artigo – A participação cidadã como dimensão estratégica para o controle externo

        2º Webinário Cidadãos e auditores juntos no acompanhamento de obras públicas  

        Artigo – Cidadãos e auditores juntos no acompanhamento de obras públicas 

        3º WebinárioParticipação cidadã no planejamento anual das auditorias nos Tribunais de Contas brasileiros: uma perspectiva comparada  

        Artigo Participação cidadã no planejamento anual das auditorias nos Tribunais de Contas brasileiros: uma perspectiva comparada

        4º WebinárioIncorporando a participação cidadã no ciclo de uma auditoria: a experiência do TCU na auditoria “Pessoa idosa mais segura: proteção contra golpes digitais” 

        Artigo – Incorporando a participação cidadã no ciclo de uma auditoria: a experiência do TCU na auditoria “Pessoa idosa mais segura: proteção contra golpes digitais”

        5º WebinárioInovação no Controle: experiências de Tribunais de Contas e suas interações

        Artigo – Participação Cidadã e Inovação no Controle Externo: experiências de Tribunais de Contas e suas interações     

        AGENDE-SE 

        Evento: 6º Webinário Participação Cidadã e Inovação no Controle “Aprendendo conjuntamente entre Tribunais de Contas e Sociedade Civil para um controle público mais efetivo” 

        Data: 18 de agosto de 2026

        Horário: das 15h às 16h30m

        Inscrições e programação: https://ir.tcu.gov.br/dg8