Politeia em Berlim: pesquisadora da Udesc Esag conta como foi o doutorado sanduíche na prestigiada universidade alemã Humboldt 

Por Marcelo Barcelos

Doutoranda do PPGA e integrante do grupo Politeia, Larice Petersen compartilha os desafios, as descobertas e as conexões que marcaram seu período de pesquisa em uma das mais reconhecidas universidades da Alemanha

ESPECIAL INTERNACIONALIZAÇÃO – Uma conversa durante um encontro acadêmico pode abrir caminhos inesperados. Foi assim que começou a trajetória que levou Larice Steffen Peters, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Udesc Esag e professora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), a realizar parte de sua pesquisa de doutorado na Humboldt-Universität zu Berlin, na Alemanha.

Pesquisadora teve financiamento do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) da Capes

O primeiro passo aconteceu em outubro de 2024, durante o Encontro Internacional Equigov, quando uma aproximação acadêmica abriu possibilidades de colaboração que, meses depois, se concretizariam em uma experiência de pesquisa no exterior. Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, Larice esteve vinculada ao grupo de pesquisa do professor Peter Feindt, referência internacional em políticas agrícolas e ambientais, e contou com a supervisão acadêmica do professor Frank Fischer, um dos principais nomes mundiais da análise interpretativa e crítica de políticas públicas.

Financiada pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a experiência foi além da oportunidade de estudar em uma universidade internacionalmente reconhecida. Representou um período de aprofundamento teórico, ampliação de redes de colaboração e revisão de perspectivas que contribuíram diretamente para os rumos de sua tese.

Universidade fundada em 18010 criou o Modelo Humboldtiano, pioneiro ao unir ensino e pesquisa

Nesta entrevista ao blog do Politeia, Larice compartilha os bastidores desse percurso, desde os primeiros contatos com pesquisadores estrangeiros até os desafios de adaptação à vida e à cultura acadêmica alemã.

O caminho até Berlim envolveu planejamento, articulação institucional e uma série de etapas acadêmicas e administrativas. Entre elas, a elaboração de um plano de trabalho alinhado aos objetivos da tese, a obtenção da carta de aceite, a comprovação de proficiência em língua estrangeira e os processos de seleção e homologação institucional na Udesc Esag e na Capes.

Para ela, as redes de cooperação científica ajudaram ao cumprimento do plano de trabalho

Orientada pela professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, e coorientada pela professora Rosana Boullosa, da Universidade de Brasília (UnB), a pesquisadora destaca que a internacionalização não se constrói individualmente. Ela depende de redes de colaboração, da disponibilidade de pesquisadores para estabelecer diálogos e de estruturas institucionais capazes de apoiar cada etapa do processo.

Larice também chama atenção para os custos não cobertos pela bolsa, incluindo traduções juramentadas e despesas com visto.  Nesse percurso, ressalta a importância do suporte oferecido pela secretaria de pós-graduação e pela coordenação do PPGA, tanto na preparação da candidatura quanto nos procedimentos posteriores ao retorno.

Uma experiência que transforma a pesquisa

Se os desafios administrativos fazem parte do caminho, é na dimensão científica que a experiência internacional revela alguns de seus resultados mais significativos.

O período em Berlim proporcionou o aprofundamento em abordagens críticas e interpretativas das políticas públicas, especialmente nas discussões sobre sua coconstrução e sobre os sentidos atribuídos a conceitos como governança climática, agricultura familiar, mulheres na agricultura, sustentabilidade e meio ambiente.

Ampliação da rede de contatos e conexões acadêmicas conquistadas seguem em curso pora novos projetos e cooperações internacionais

Essas reflexões contribuíram para redefinir e delimitar com maior precisão o objeto de sua tese, cujas atividades de campo, realizadas no Brasil após o retorno, já foram concluídas.

As conexões acadêmicas estabelecidas também permanecem ativas. A colaboração com pesquisadores brasileiros e estrangeiros segue contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa, e a pesquisadora segue em diálogo com o Professor Frank Fischer e com colegas do grupo de pesquisa da Alemanha.

Ao compartilhar sua trajetória, Larice apresenta ainda recomendações para estudantes que desejam realizar parte da pós-graduação no exterior: buscar antecipadamente os setores de internacionalização, planejar os recursos financeiros, estabelecer contatos com potenciais supervisores e estar aberto a diferentes ritmos, práticas e culturas acadêmicas.

A experiência se soma às iniciativas de internacionalização do grupo Politeia e da Udesc Esag, que vêm ampliando sua presença em congressos, publicações e redes internacionais de pesquisa.

Mais do que uma etapa na formação de uma pesquisadora, a trajetória evidencia como encontros, parcerias e oportunidades institucionais podem atravessar fronteiras, produzir novos conhecimentos e fortalecer redes de colaboração acadêmica.

Larice participou de diversos eventos e agendas no período sanduíche
Na entrevista a seguir, conheça os caminhos, os desafios e os aprendizados dessa experiência.

1 ) Politeia: conte-nos um pouco sobre sua pesquisa nesta experiência internacional e a fase em que ela se encontra para que nosso leitor compreenda. Como foi, por exemplo, a decisão de fazer o doutorado sanduíche e o processo de viabilização, além das liberações e apoios (no trabalho e na família) para que tudo pudesse dar certo?

Antes de tratar do processo de ida à Alemanha, é importante destacar que meu doutorado conta com o apoio do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), onde atuo como docente de Administração. A licença concedida pela instituição permite diversas experiências ao longo do curso, entre elas o período sanduíche. Sem a liberação do IFSC, esta entrevista não existiria. Também contribuiu para o doutorado, e para o sanduíche, o apoio da minha família. Em todos os projetos nos quais me envolvo, posso contar com meu esposo e com meus familiares: tudo fica mais fácil de gerenciar quando não se está só.

Especificamente sobre o sanduíche, desde o ingresso no doutorado eu tinha a intenção de realizá-lo em 2025. Durante algum tempo, não surgiu uma perspectiva alinhada ao que eu buscava, pois os estudos dos professores estrangeiros com quem o grupo de pesquisa Politeia, ao qual estou vinculada,  dialogava tinham outras abordagens. 

Em outubro de 2024, durante as visitas do Equigov a São Paulo e Brasília, conversei com a professora Rosana Boullosa (UnB), amiga pessoal da minha orientadora, a professora Paula Schommer. Ao conhecer meus interesses de pesquisa, sugeriu que eu aprofundasse meus estudos com o professor Frank Fischer, em Berlim.

De outubro de 2024 a janeiro de 2025, foi praticamente uma maratona para reunir toda a documentação dentro do prazo do edital da Capes. O processo se divide em etapas: seleção interna pelo programa da Esag, homologação pela Udesc e, por fim, submissão da proposta à Capes, seguida da análise e da homologação.

São muitos os detalhes, tanto na submissão interna quanto na externa, e o mais indicado é ter bastante atenção às exigências de cada etapa, descritas no edital. É preciso apresentar um projeto que especifique exatamente o que se pretende fazer durante o sanduíche, a aprovação da orientadora no Brasil, o aceite do orientador no exterior e a comprovação de proficiência no idioma exigido pelo país de destino, a comprovação também pode ser através de uma declaração de fluência assinada pelos professores no exterior e no Brasil. 

O financiamento veio do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Capes, que custeia passagens, seguro-saúde, bolsa e, em alguns destinos, auxílio-moradia. Os valores, porém, não cobrem todos os custos, como traduções juramentadas e demais despesas com a emissão do visto. Algumas universidades estrangeiras também cobram taxas, o que não foi o meu caso. Esses valores não são pagos pela Capes e ficam sob responsabilidade do candidato, assim como quaisquer custos não previstos no edital.

Destaco também a excelência da equipe de pós-graduação da Udesc Esag. O apoio das profissionais da secretaria e da coordenação do programa, à época sob a responsabilidade do professor Tezza, foi fundamental ao longo de todo o processo. Todas as minhas dúvidas foram esclarecidas com atenção e disponibilidade, e tive sempre a tranquilidade de saber que, mesmo durante minha permanência na Alemanha, poderia contar com esse suporte diante de qualquer necessidade. Essa segurança fez toda a diferença, tornando o percurso mais leve e permitindo que eu me concentrasse na experiência acadêmica e na pesquisa. 

2) Politeia – Como foi a busca por um coorientador estrangeiro e quais práticas resultaram dessa relação, sobretudo em um intervalo de tempo curto e totalmente objetivo? Conte-nos como se deram a rotina e as entregas.

Não sei se minha experiência representa o caminho mais comum para um doutorado sanduíche, mas tive a sorte de estar em Brasília justamente quando o professor Frank Fischer também estava na cidade. Por intermédio da professora Rosana Boullosa, responsável pela organização do evento, fui convidada a acompanhar, como ouvinte, um workshop ministrado por ele. Essa oportunidade de aproximação foi o ponto de partida para uma conexão acadêmica que, mais tarde, se transformaria na possibilidade de realizar parte do meu doutorado em Berlim.

Minha trajetória é marcada por relações de amizade e cumplicidade em uma rede de conexões. Ao longo do doutorado, construí com a professora Paula uma relação que vai além da orientação: somos amigas e compartilhamos muito mais do que a pesquisa.

Essa rede se amplia pela amizade da professora Paula com a professora Rosana e, depois, pela amizade da professora Rosana com o professor Frank Fischer.

Acredito que a relação acadêmica entre as professoras Paula Chies Schommer e Rosana Boullosa tenha sido fundamental para essa aproximação. Foi a professora Rosana quem me apresentou ao professor Frank Fischer e, a partir de sua indicação, ele abriu as portas do grupo de pesquisa ao qual está vinculado na Humboldt para que eu pudesse desenvolver meu doutorado sanduíche. A formalização da minha vinculação à universidade ocorreu por meio do aceite e da assinatura do professor Peter Feindt, coordenador do grupo de pesquisa na Humboldt, que mantém uma relação de reconhecimento e admiração acadêmica pelo professor Frank.

Destaco a forma como fui acolhida pelo professor Frank. Todos que estudam Administração Pública sabem quem ele é, e eu pensava com frequência no tamanho da minha responsabilidade, preocupada em não decepcionar nenhuma das pessoas da rede que me levou até ele. Ele, no entanto, foi extremamente gentil, paciente e acolhedor. Foi um privilégio ser orientada por ele, que segue acompanhando os passos da minha pesquisa no Brasil..

3) Nesse percurso, quais novas referências, conceitos, práticas e metodologias foram relevantes para a continuidade da sua pesquisa de doutorado?

Um passo muito importante foi a melhor delimitação da tese. Na qualificação, alguns pontos ainda não estavam bem articulados, e havia dúvidas sobre o campo e sobre algumas abordagens. Acompanhando os colegas nas reuniões semanais do grupo e com a orientação do professor Frank, o enfoque da tese foi ficando mais claro. Ele foi reforçado e validado por minha orientadora e pela professora Rosana, que se tornou minha coorientadora.

Aprendi muito sobre estudos críticos e interpretativos e sobre como utilizá-los na coconstrução, na análise e na discussão compartilhada de políticas públicas. Sigo me aprimorando nessas frentes. As discussões conceituais foram longas e não sei se já fechei algum dos conceitos: olhar criticamente para eles e entender a tese como uma construção compartilhada exige refinar muitas questões que eu julgava compreendidas e que hoje vejo ainda em construção.

Um exemplo são as longas conversas com o professor Frank sobre usar ou não termos ligados à governança climática e sobre o que exatamente eles indicavam para a minha tese. Os caminhos estariam mais próximos das discussões sobre sustentabilidade ou meio ambiente? E, sobretudo, esse conceito é de fato o mais relevante, ou uma perspectiva sociocentrada mudaria o enfoque? 

Estou respondendo a essas perguntas agora no aprofundamento das análises dos dados trazidos pela pesquisa de campo, ainda há um longo caminho pela frente. Cheguei a Berlim com caminhos que julgava delineados e descobri que inverter o sentido da caminhada pode render resultados mais interessantes para o que estou estudando. 

4) A preparação acadêmica para o estágio na Alemanha exigiu muito foco e aproveitamento ágil do processo. Ao iniciar o estágio, você sentiu que essa preparação foi suficiente? Alguma habilidade ou competência precisou ser adquirida para aproveitar melhor a experiência acadêmica, como conhecer melhor a universidade ou treinar o idioma para ampliar a comunicação?

Estudei bastante para me preparar. Embora o idioma exigido fosse o inglês, fiz aulas de alemão: dois semestres, iniciados antes da aprovação da Capes, complementados com aulas particulares. A preparação foi importante e me ajudou em situações cotidianas fora dos portões da universidade.

Em termos acadêmicos, não posso dizer que o desempenho exigido tenha sido mais intenso do que no Brasil; foi exatamente o oposto. Meu ritmo de trabalho aqui sempre foi, e continua sendo, mais intenso. No instituto, meus colegas trabalhavam menos horas e parecia que isso lhes fazia bem: tinham tempo para os afazeres pessoais e para a família e, quando estavam no instituto, conseguiam concentrar-se na atividade em questão.

Uma das coisas de que mais gostei foi a forma como nos comunicávamos no grupo de pesquisa. Usávamos principalmente o e-mail e o Zoom, com grupos bem direcionados, como o de escrita e o de almoço, já que normalmente almoçávamos juntos. Tínhamos até um grupo de memes, embora fosse pouco utilizado. Confesso que gostaria que adotássemos algo semelhante por aqui. Eu não tinha aquela sensação de estar sendo cobrada o tempo todo ou de ter sempre alguma pendência para resolver. Talvez essa não seja a experiência de todos, mas percebi o quanto essa organização fez diferença para mim. Quando recebo uma mensagem no WhatsApp, por exemplo, imediatamente me lembro de tudo o que ainda preciso responder ou resolver, mesmo fora do horário de trabalho. Já com canais mais formais, sentia que conseguia separar melhor as coisas: havia um momento para trabalhar, responder às mensagens e acompanhar as atividades, mas também havia espaço para realmente me desconectar. Foi uma experiência que me fez refletir bastante sobre a nossa relação com o trabalho e sobre como pequenas mudanças na forma de nos comunicarmos podem contribuir para uma rotina mais leve e equilibrada.

Mesmo com essas diferenças no ritmo de trabalho e na forma de comunicação, a experiência também foi bastante cansativa, especialmente no início. Era a primeira vez que eu morava fora do Brasil e precisava me comunicar diariamente em outros idiomas, principalmente em inglês e alemão. No primeiro mês, chegava em casa exausta! Além das atividades acadêmicas, havia todo o desafio de descobrir a cidade, aprender a me locomover, entender como as coisas funcionavam e decifrar os rótulos em alemão nos supermercados. Eram pequenas situações do cotidiano que exigiam muito mais energia do que eu imaginava. Mas tudo é uma questão de adaptação. Aos poucos, fui me sentindo mais à vontade e, além do inglês e de um pouco de alemão, passei a conversar também em espanhol com Miguel, meu colega peruano. Apesar de ter sido um pouco cansativo, eu faria tudo novamente e estou pronta para novas experiências internacionais na minha carreira. 

Por ter sido minha primeira experiência morando fora, quero compartilhar o sentimento que me acompanhou durante e ao final do processo: “eu consegui”. Muita gente que me conhece já sabia disso, mas esse sentimento é muito individual, e só eu sei o que ele significa para a minha vida. Valeu a pena cada dia. Consegui lidar com todos os imprevistos (que não foram poucos), encontrei pessoas geniais, fiz novas amizades, descobri que me comunico bem em inglês (sempre achei que não) e que dou um jeito de resolver o que for preciso. A Alemanha era um sonho de infância que eu havia abandonado por causa de outros caminhos da vida e que voltou exatamente quando eu não o procurava. Cada dia lá valeu a pena.

Junto com esse sentimento de “eu consegui”, há também uma gratidão imensa. Eu vivi muitas coisas boas durante esse período. Sinto-me profundamente privilegiada por ter tido a oportunidade de aprender e conviver com o professor Frank Fischer. Mais do que uma referência acadêmica que eu admirava, ele se tornou alguém que marcou a minha trajetória. Posso dizer, sem exagero, que a convivência com ele mudou a minha vida. 

5 ) Para finalizar, que dicas ou recomendações você daria a quem deseja se preparar para um estágio de estudos e pesquisa semelhante? O que não pode falhar sob nenhuma hipótese e comprometer o sucesso da empreitada acadêmica?

A primeira dica é: vá! Mas vá com consciência, planejamento e os pés no chão. A experiência pode ser maravilhosa, mas isso não significa que será livre de dificuldades.

Compartilho algumas recomendações, sobretudo práticas, que fizeram diferença para mim:

  1. Tenha clareza sobre seus objetivos acadêmicos, mas esteja aberto ao inesperado. Antes de viajar, converse com seus orientadores, alinhe expectativas e procure identificar quais atividades, disciplinas, grupos de pesquisa e pesquisadores podem contribuir para o seu trabalho. Mas não fique preso apenas ao planejamento inicial. Algumas das melhores oportunidades surgem de conversas informais, encontros e atividades que você nem imaginava realizar. Participe da vida acadêmica da universidade, faça perguntas e aproveite a oportunidade de conhecer outras formas de pensar e produzir conhecimento.
  2. Entre em contato com o setor de internacionalização da universidade no exterior. Pergunte sobre restaurante universitário, transporte com tarifas reduzidas e outros benefícios disponíveis. Algumas instituições exigem matrícula para conceder determinados benefícios, e essa matrícula pode envolver taxas. Coloque tudo no papel e avalie o que realmente vale a pena.
  3. Verifique se a universidade oferece academia ou atividades esportivas. Os valores costumam ser mais acessíveis do que os de estabelecimentos privados. Além disso, quando estamos em outro país, especialmente sozinhos, a atividade física pode ser uma excelente companhia e ajudar muito na adaptação.
  4. Respeite o ritmo e a cultura de convivência do grupo de pesquisa. Não estranhe se, dependendo do país, os colegas demorarem a combinar um barzinho ou alguma atividade fora da universidade. Isso não significa falta de acolhimento, mas uma forma diferente de organizar as relações e o tempo.
  5. Não tenha receio de fazer amizade com brasileiros. Muita gente recomenda evitar o contato com brasileiros para aproveitar melhor a experiência internacional e desenvolver o idioma. Eu discordo completamente! Antes mesmo de viajar, já participava de um grupo de brasileiros na Alemanha e, quando cheguei, tomei a iniciativa de convidar algumas pessoas para sair. Foi ótimo! Fiz amizades, conheci pessoas muito interessantes e tive boas companhias em vários fins de semana. Além disso, poder falar português, compartilhar referências culturais e rir de coisas que só fazem sentido para nós também ajuda a descansar o cérebro. E isso não me impediu de conviver com pessoas de outras nacionalidades ou de praticar outros idiomas.
  6. Aproveite a vida cultural da cidade. Museus, exposições, concertos, bibliotecas, parques e atividades culturais podem proporcionar experiências incríveis. Em muitos países, há uma programação gratuita ou com descontos para estudantes. Não deixe que a rotina de pesquisa faça você esquecer que conhecer o lugar onde está vivendo também faz parte do aprendizado.
  7. Mantenha uma planilha de gastos desde o primeiro dia. A Capes deposita mais de uma mensalidade da bolsa de uma só vez, e isso exige bastante organização. É importante distribuir os recursos ao longo de toda a permanência, considerando aluguel, alimentação, transporte e despesas imprevistas. Um controle financeiro detalhado evita muitos apertos e permite aproveitar a experiência com mais tranquilidade.
  8. Se for enfrentar um inverno rigoroso, compre roupas pensando na funcionalidade. Minha dica é procurar brechós antes de investir em peças caras. Nem sempre o casaco mais bonito é o que realmente protege do frio! Um bom casaco que bloqueie o vento e a chuva pode salvar muitos dias. Invista também em roupas térmicas de qualidade, priorizando a qualidade em vez da quantidade. Com a calefação, as peças costumam secar rapidamente, então não é necessário ter tantas.
  9. Procure grupos de WhatsApp e outras redes de apoio antes de viajar. Existem grupos de bolsistas do PDSE, brasileiros que vivem no exterior, estrangeiros na cidade e pessoas que já passaram pela mesma experiência. Essas redes ajudam muito a esclarecer dúvidas burocráticas, encontrar informações sobre moradia e transporte e, claro, fazer novas amizades. Eu mesma resolvi várias questões a partir das experiências compartilhadas nesses grupos.
  10. Esteja preparado para os perrengues e não tenha vergonha de pedir ajuda. Por mais que você se organize, algumas coisas vão sair do planejado. Faz parte! Procure conversar com quem já realizou o PDSE, reúna informações, esclareça suas dúvidas e construa uma rede de pessoas com quem possa contar. Nem tudo precisa ser resolvido sozinho. Aprender a pedir ajuda também faz parte da experiência.

E, para finalizar, deixo uma recomendação que considero tão importante quanto todas as outras: não espere ter absoluta certeza de que está pronto para viver essa experiência. Eu mesma descobri muitas capacidades que não sabia que tinha justamente porque me permiti enfrentar situações novas. 

Boa sorte! E aproveite, porque essa experiência pode transformar muito mais do que a sua pesquisa.

Doutoranda Udesc Esag e pesquisadora do Politeia apresentou sua pesquisa na Berlin Science Week 2026

Novos vídeos do projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos” trazem entrevista com Christian Lynch e as fundações do pensamento político brasileiro

Episódios com o pesquisador do IESP-UERJ, a convite do grupo de pesquisa Politeia e seus parceiros, estão disponíveis no canal do YouTube 

O projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade” divulga, nesta sexta-feira, 23 de outubro, quatro novos vídeos da série de entrevistas, agora com participação do professor e pesquisador Christian Lynch, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). A sessão foi gravada em 2025 na Udesc Esag, a convite do grupo de pesquisa Politeia e seus parceiros no projeto, e já pode ser acessada no canal do projeto no YouTube, na playlist Diálogos sobre Guerreiro Ramos.

Nos vídeos, o pesquisador participa do projeto a partir de sua obra Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil (Topbooks, 2024). A tese do livro é que o pensamento político brasileiro não é mera imitação do modelo europeu, mas uma formulação original e singular. Guerreiro Ramos é um dos pensadores que contribuíram para essa construção.

Os temas abordados em cada parte dessa série são:

  1. A construção de uma tradição do pensamento social e político brasileiro e a interpretação de Guerreiro Ramos, na qual Christian Lynch dialoga com o professor Ariston Azevedo, da UFRGS.
  2. O fio condutor que orienta o pensamento de Guerreiro Ramos, na qual o professor José Francisco Salm interroga Christian Lynch sobre essa conexão e orientação.
  3. Categorias da obra de Guerreiro Ramos como base de uma teoria social do Brasil, com Christian Lynch e o professor Sérgio Luís Boeira, da UFSC.
  4. Como as ideias de Guerreiro Ramos nos ajudam a pensar o Brasil de hoje? Pergunta que a professora Paula Schommer apresenta e Christian Lynch responde.

O projeto

As produções do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade abordam diferentes categorias de análise e suas aplicações à administração pública, com linguagem acessível, caráter formativo e pedagógico, além de produzir uma memória a respeito da obra e as influências do legado de Guerreiro Ramos na contemporaneidade. 

A iniciativa é resultado da colaboração entre três grupos de pesquisa: o Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade (Udesc Esag); Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (ORD/UFSC); e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). Mais detalhes sobre o projeto aqui.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e pela Udesc. 

Sessão Especial Pré-CLAG 

A divulgação dos novos vídeos se somam a outra ação do projeto neste mês: a Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”, na terça-feira, 27, das 14h30 às 17h30, no auditório da Udesc Esag. A atividade é gratuita, aberta ao público, sem necessidade inscrição. 

O painel antecede a programação do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre na Udesc Esag de 27 a 29 de outubro. Participam Ana Paula Paes de Paula (UFMG), Genauto França Filho (UFBA), Fernando Tenório (FGV EBAPE) e Ariston Azevedo (UFRGS), com mediação da professora Laís Silveira Santos (Udesc Esag). O professor Francisco Salgado Arteaga, da Universidad del Azuay (Equador), participa por vídeo.

“Diálogos sobre Guerreiro Ramos” entrevista Christian Lynch 

O quê: 4 novos vídeos do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, com Christian Lynch
Quando: quinta-feira, 22 de outubro
Onde: canal do projeto no YouTube: [llink da playlist]
Mais informações sobre o projeto:https://www.udesc.br/esag/dialogosguerreiroramos

Sessão Especial Pré-CLAG

Quando: terça-feira, 27, das 14h30 às 17h30
Onde: auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis), bairro Itacorubi
Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição
Programação: https://www.udesc.br/esag/clag/programação

Na Espanha, pesquisadoras e pesquisadores do Politeia participam do 13° Congresso Internacional GIGAPP 2026, com trabalhos sobre governança, transparência e Estado aberto 

Professora da Udesc Esag, Elaine Cristina de Oliveira Menezes, liderou a agenda internacional com colegas e alunos e alunas, totalizando dez dias de debates, artigos apresentados, encontros com autoridades e aprendizados teóricos para potencializar ensino, pesquisa e extensão na universidade 

Professora Elaine Cristina de Oliveira Menezes no Gigapp 2026, em Marid

Durante dez dias na Espanha, a professora da Udesc Esag e pesquisadora do Politeia, Elaine Cristina de Oliveira Menezes, encarou uma maratona de compromissos acadêmicos seguidos.  A agenda internacional incluiu apresentação presencial e híbrida de pesquisas com colegas, a participação em mesas de debates sobre os principais desafios da Administração Pública na atualidade, reuniões com parceiros e parceiras de pesquisas e aprendizado com cientistas referenciais nos temas que o grupo de pesquisa Politeia estuda e investiga. 

O primeiro evento foi o XIII Congresso Internacional da Asociación Iberoamericana para la Gobernanza y las Políticas Públicas, o GIGAPP 2026, é um dos principais espaços globais de reflexão, produção de conhecimento e socialização das técnicas sobre a administração pública, com foco em ações de pesquisa, temas e esforços científicos para o fortalecimento institucional e democrático na Ibero-América. 

Registro da sessão híbrida em que foi apresentado o trabalho sobre transparência das universidades publicas

Foram apresentados os seguintes trabalhos: 

  1. “Transparência em universidades públicas brasileiras: Uma Análise de Conteúdo da Produção Científica à Luz dos Marcos Legais (2008–2025), de autoria de Rodrigo Diego Piva, Dayane Dornelles e Elaine Cristina de Oliveira Menezes.
  1. “Governança nas contratações públicas municipais: análise dos regulamentos da Lei no 14.133/2021 em pequenos municípios da Grande Florianópolis”, de autoria de Leonardo Ulisses Moraes e Elaine Cristina de Oliveira Menezes; 
  1. “Estado aberto, parlamento aberto e controle aberto no Brasil: de que participação estamos falando?”, de Paula Chies Schommer. 
  1. “A democratização do acesso à justiça no Brasil por meio das Defensorias Públicas e suas Ouvidorias-Gerais Externas”, de autoria de Maria Aparecida Lucca Caovilla, professoras Karin da Udesc Esag Karin Vieira da Silva e Paula Chies Schommer e acadêmicos de Administração Pública, Davi da Rosa Pizzolatti e Caroline Fraga Leimann. 

Na bagagem acadêmica: inovação, parcerias e novidades para os projetos de pesquisa

Para a professora Elaine, a agenda internacional nestes congressos e nos bastidores trouxe inúmeras possibilidades de inovar em temas, objetos, conceitos e costurar cooperações globais em problemas de pesquisas. Foi ainda uma oportunidade de debater pautas em transição, projetos e futuros acadêmicos para alunas e alunos, discutir a internacionalização do Politeia e visibilizar, institucionalmente, o nome da Udesc, inclusive em conversas com figuras-chave dos temas como Clorinda Romo, responsável pela gestão de Programas da OGP Local (Program Officer for OGP Local), na Open Government Partnership (OGP).

Almoço de trabalho, em Madrid, Clorinda Romo, responsável pela gestão de Programas da OGP Local da OGP e a professora Elaine

“Nestes eventos estivemos em contato com temas e especialistas relacionados às áreas da transparência, accountability e governo aberto. Temas relevantes para a administração pública brasileira e também para inspirarmos inovações no campo da administração pública catarinense, na sala de aula, nas reuniões com nossos cientistas. Muitas das teses e dissertações do grupo de pesquisa Politeia se ancoram em temas que foram apresentados no Gigapp e no CIT. Dessa forma, poderemos trazer para Florianópolis novas lentes analíticas, novas propostas de pesquisa e  para pensarmos inovações em transparência, accountability e governo aberto em Santa Catarina”, declara a professora Elaine Cristina de Oliveira Menezes que já está de volta ao país, com a bagagem acadêmica renovada para partilhar com as turmas, colegas e grupos de pesquisa nos próximos dias.  

Professora Elaine com colegas e parceiras de pesquisas da UFBA e FGV, em Madrid

O Congresso de 2026 e repercussões atuais

Ao todo, foram cinco dias de atividades acadêmicas no Gigapp 2026, sendo 127 horas de programação, das quais mais de 100 horas foram destinadas a apresentações presenciais e 27 virtuais. Os trabalhos foram divididos em 36 grupos de trabalho temáticos, totalizando 54 sessões científicas no total: 41 presenciais e 13 virtuais, com a participação de cerca de 250 autores coautores. 

Entrada da Universidade de Alcalá de Henares

O tema deste ano foi voltado para a Administração Aberta, Gestão do Conhecimento e Inovação Pública. A edição de 2026 estruturou seus debates em grupos de trabalho, abordando problemáticas importantes para a agenda contemporânea: Transformação Digital e Inteligência Artificial, Resiliência Democrática e Desinformação e Governança Colaborativa e Gestão Local, apresentando trabalhos sobre inovação democrática, redes de cooperação e o fortalecimento do poder local e do desenvolvimento territorial.

As apresentações online foram realizadas nos dias 16, 17 e 23 de setembro, enquanto as sessões presenciais ocorreram nos dias 21 e 22. As sessões centrais aconteceram no histórico Colegio de San Ildefonso, sede da Reitoria da Universidade de Alcalá, em Alcalá de Henares, em Madrid.

Veja a programação e os trabalhos apresentados na lista definitiva das pesquisas, com autoras e autores: GIGAPP2026. 

Dentro da agenda internacional, integrantes do Politeia também participaram Congresso Internacional de Transparência e Governo Aberto, o CIT, na Galícia 

Congresso ocorreu na histórica Universidade de Santiago de Compostela

O segundo evento internacional com presença dos professores e pesquisadores da Udesc Esag e Politeia foi na Galícia, na Universidade de Santiago de Compostela, esta semana. Foi lá onde ocorreu o XI Congreso Internacional de Transparencia y Gobierno Abierto, na Facultad de Derecho de la Universidade de Santiago de Compostela , o CIT. No evento, por três dias, estiveram reunidos especialistas, instituições, governos e profissionais da administração para promover e buscar novas alternativas para a transparência, a integridade pública e a  democracia aberta.

“A coincidência de datas nos levou também a um evento sobre transparência e direito à informação na Galícia, onde estavam presentes professores que foram precursores da temática na Espanha. Além disso, o país está promovendo alterações em sua lei de acesso à informação em função da inteligência artificial, o que nos leva a acompanhar de perto essas transformações em curso no mundo”, conclui a professora Elaine. 

Colegas celebraram encontros, parcerias e olhares sobre as pesquisas apresentadas



Plano de Ação Estado Aberto SC avança com primeiros resultados apresentados durante reunião de trabalho na Udesc Esag 

Encontro permitiu debater as primeiras entregas e planejar os próximos passos acordados no documento

Ampliação das práticas de transparência, inovação em canais de comunicação e de prestação de contas e mais oportunidades de participação social e controle, tanto das instituições públicas como da sociedade. Estes foram alguns dos temas debatidos na última quinta-feira, 24, na Udesc Esag, durante reunião de trabalho sobre oPlano de Ação de Estado Aberto Santa Catarina 2026, construído em parceria entre integrantes do Executivo, Legislativo e Judiciário,  sociedade civil e academia, incluindo o grupo de pesquisa Politeia. 

A iniciativa é resultado da articulação entre instituições públicas, universidade e sociedade civil, orientada por princípios como transparência, participação cidadã, colaboração, prestação de contas, integridade e inovação pública, segundo as premissas da Open Government Partnership (OGP), a Parceria para Governo Aberto.

O encontro teve como objetivo avaliar o andamento da implementação dos compromissos assumidos pelo estado de Santa Catarina no Plano de Ação e compartilhar aprendizagens entre os responsáveis pelas ações, nos diferentes órgãos, e definir os próximos passos. Os responsáveis pela execução das ações em cada órgão participante apresentaram o andamento do que foi previsto em cada compromisso, as adaptações e aprendizagens e o que será feito até novembro deste ano. Em dezembro, conclui-se a implementação desta ciclo e se inicia a preparação para o próximo.


A reunião começou com a divulgação de que o Plano de Ação Estado Aberto de Santa Catarina 2026 está publicado no site (baixe o documento aqui) da Open Government Partnership (OGP). Em seguida, discutiu-se sobre  as possibilidades de monitoramento e avaliação do plano junto à própria organização, avaliação externa e sociedade civil. 

Plano já pode ser lido e baixado por qualquer pessoa aqui

Compromissos acordados no Plano em execução e acompanhamento

Entre os participantes, estiveram a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, Diretoria de Tecnologia e Inovação (DTI) da Coordenadoria de Orçamento Estadual e da Secretaria Geral, integrantes da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), da Defensoria Pública do Estado (DPE-SC) e sua Ouvidoria-Geral Externa, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC) e da Udesc Esag – grupo de pesquisa Politeia.

Segundo a professora e pesquisadora do Politeia, Paula Chies Schommer, o encontro permitiu alinhar as ações, conferir progressos e desafios e ainda partilhar novos conhecimentos e aprendizagens. 

“O encontro foi muito bom para acompanharmos a implementação de cada compromisso do Plano de Ação de Estado Aberto Santa Catarina 2026 e sobretudo para aprendermos uns com os outros. Temos pessoas experientes e dedicadas em projetos e ações por mais transparência, participação e colaboração na Alesc, no Tribunal de Justiça, na Defensoria Pública, na Secretaria do Planejamento do governo estadual, na OAB e na Udesc. São muitos os resultados já alcançados, algumas adaptações no caminho e muito por vir até o final deste ano e nos próximos planos de ação de Estado Aberto. Nesta tarde fiquei impressionada, mais uma vez, com o que é possível alcançar quando nos abrimos para dialogar, colaborar e aprender. Assim é possível melhorar a administração pública e a vida das pessoas”, comemorou a professora que é uma das representantes da Udesc no Plano de Ação de Estado Aberto Santa Catarina 2026 ao lado da colega Karin Vieira da Silva, coordenadora do projeto de extensão Estado Aberto (veja mais aqui).

Para os representantes da Escola do Legislativo (leia mais aqui), a proximidade com a Udesc Esag e com o Politeia propicia desenvolver pesquisas aplicadas com o propósito de promover a Educação Legislativa, fortalecer a articulação interinstitucional e viabilizar a coprodução de conhecimento entre o Poder Legislativo, universidade e os demais atores do Estado Aberto.

Abertura institucional é estimulada em projetos de pesquisa e debates do Politeia 

Um dos momentos decisivos para a elaboração do plano ocorreu em novembro de 2025, durante o evento promovido pelo Politeia, o Trilhas Equigov Justiça Aberta, em parceria com a Alesc e diversas instituições. O encontro resultou na criação de um grupo de trabalho interinstitucional responsável pela elaboração do primeiro Plano de Ação Estado Aberto SC 2026. 

Trilhas Equigov Justiça aberta, promovido pelo Politeia, em novembro de 2025, resultou em grupo de trabalho que oficializou o projeto.

Na ocasião, a Reitoria da Udesc indicou as professoras da Esag Karin Vieira da Silva e Paula Chies Schommer, institucionalmente, para integrar o grupo, representando a universidade no processo de construção do documento e no desenvolvimento das estratégias. 

O Plano de Ação Estado Aberto SC 2026

O documento elege quatro princípios de Estado Aberto para desenvolvimento conjunto: 1) Transparência, com ampliação do acesso público e proativo de dados governamentais; 2) Participação Social, com a criação de espaços de diálogo para que a sociedade colabore com a gestão; 3) Accountability, por meio da prestação de contas contínua, responsabilização e responsividade às demandas públicas e 4) Inovação e Tecnologia, que deve adotar novas ferramentas digitais diversificar métodos e processos para a interação com o cidadão. 

Equipes interinstitucionais vão manter agenda de entregas e acompanhamentos como este que ocorreu na Udesc Esag

NO EXECUTIVO – Entre os compromissos assumidos, no caso do Poder Executivo, as ações incluem soluções voltadas à qualificação da gestão pública e ao fortalecimento dos canais de diálogo com a população. O objetivo aqui é ampliar a divulgação de dados e informações de interesse público, em formatos acessíveis e de fácil compreensão. 

Segundo o documento, os compromissos do Executivo buscam “Qualificar a gestão por meio da aproximação ao cidadão ampliando canais de escuta, promovendo a interlocução com a sociedade civil para melhorar serviços públicos e compartilhando informações para regionalização do desenvolvimento”. São parte desse compromisso três projetos realizados pela Seplan: 1) a Conferência Estadual das Cidades de Santa Catarina, 2) o Avança SC e a 3) Melhoria Colaborativa de Serviços Públicos.

NO PARLAMENTO – No Legislativo Estadual, as prioridades envolvem a ampliação da participação social e da transparência orçamentária, incluindo a continuidade do programa Alesc Itinerante e o desenvolvimento do Portal de Emendas Parlamentares, para facilitar o acompanhamento dos recursos públicos. 

Os dois projetos fazem parte dos compromissos de abertura legislativa, com o objetivo de “Aproximar o Poder Legislativo Estadual da população por meio da atuação da Assembleia em diferentes regiões e da modernização digital do repasse de emendas parlamentares, fortalecendo a participação cidadã, a articulação com os municípios, a transparência e a eficiência na gestão pública”, conforme descrito no documento. 

NA JUSTIÇA – No sistema de Justiça, as ações priorizam a transparência ativa e novas formas de comunicação com a sociedade, por meio de ações como a consolidação de boletins informativos em Linguagem Simples e a criação de um Portal da Transparência unificado para facilitar o acesso da população às informações públicas. 

Foram cinco os compromissos assumidos: dois sob a responsabilidade do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), que tratam de Informação à Sociedade em Linguagem Simples e Unificação Portal da Transparência e Ranking e três sob a liderança da Defensoria Pública de Santa Catarina (DPE-SC), abordando eleição do Ouvidor-Geral por Movimentos Sociais e Linguagem Simples e Transparência, Conferências Regionais Itinerantes – Cidadania Ativa e Acesso à Justiça. Este último, realizado por meio da Ouvidoria-Geral Externa da Defensoria. A OAB-SC também participa do Plano com uma ação relativa à utilização da linguagem simples pelos advogados. 

Temática emergente em eventos locais na Udesc Esag e globais, na Espanha e México 

Outro destaque do encontro foi a participação de integrantes do Comitê Interinstitucional do Plano de Estado Aberto em eventos internacionais na Espanha e no México. Foi anunciado, também, que em novembro, na Udesc Esag, ocorre mais um evento do tema, como parte da Semana Global de Abertura Legislativa, Global Legislative Openness Week (GLOW), iniciativa em rede promovida pela Open Parliament e-Network (OPeN). 

CONVITE – Será nos dias 18 e 19 de novembro, quando ocorrerá o “Trilhas EquiGov – Parlamento Aberto: práticas e ideias em debate”, que também promove, em paralelo, a 1ª A Mostra Parlamento Aberto, um espaço dedicado ao compartilhamento sobre práticas de abertura institucional, transparência e ações de participação social nos parlamentos. 

A chamada para submissão de trabalhos, em diferentes formatos,já está no ar, por meio da página do evento, e será lançada, oficialmente, nos próximos dias. O evento convida interessados e interessadas para compartilhar experiências de câmaras municipais, assembleias legislativas, mandatos, casos de prefeituras, práticas de órgãos de controle, projetos do sistema de justiça, pesquisas de universidades e organizações da sociedade civil. 

Santa Catarina no mapa global das iniciativas de Estado Aberto 

No âmbito internacional, a agenda de Estado aberto é coordenada pela Open Government Partnership (OGP), organização internacional que reúne governos e sociedade civil fomentando ações para criar governos mais transparentes, responsáveis, eficientes e inclusivos. O Brasil é um dos países fundadores da OGP e já desenvolveu seis planos de ação nacionais de governo aberto. Mais detalhes sobre a trajetória brasileira no tema e cada Plano de Ação em https://www.gov.br/cgu/pt-br/governo-aberto 

O estado de Santa Catarina passou a integrar a OGP Local em 2020. Elaborou e executou seu 1o Plano de Ação de Governo Aberto entre 2020 e 2022. Entre 2023 e 2025, desenvolveu um projeto de Parlamento Aberto (veja aqui materiais produzidos ao longo da pesquisa). Em 2025, passou a construir um Plano de Estado Aberto, que foi lançado e está em execução em 2026.

Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), também parceira do tema, colabora com os países participantes com orientações e recomendações para apoiar estratégias de governo aberto no setor público, fortalecimento da democracia, confiança pública e maior inclusão das pessoas nos processos decisórios da gestão pública.

Pesquisadoras e pesquisadores do Politeia debatem investigações de graduação durante o 36ª Seminário de Iniciação Científica (SIC) da Udesc Esag  

Evento ofereceu variada programação voltada às metodologias, resultados e divulgação da produção científica da universidade, da graduação à pós-graduação, junto ao Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências da Administração e Socioeconômicas (V SPPG 2026)

Cientistas de iniciação científica do Politeia apresentaram pesquisas em curso sobre comunicação independente, injustiça ambiental e tecnologias sociais para mobilização comunitária

Depois de três dias de apresentação de trabalhos científicos, oficinas e debates, chegou ao fim, na última sexta-feira, 11, dois eventos de debates sobre pesquisas em curso e difusão e divulgação científica da Udesc Esag: o V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) e o 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC), encontros que incluíram a apresentação de resumos expandidos pelos estudantes  e mediação crítica de professores, professoras e convidados externos. 

Do grupo de pesquisa Politeia, na quinta-feira, 10, participaram da 36ª SIC e apresentaram trabalho científico os graduandos e graduandos de administração pública da Udesc Esag, Davi da Rosa Pizzolatti, Caroline Fraga Leimann e Maria Clara Borges Alegri, sob orientação da professora Paula Chies Schommer, acompanhados pela professora Karin Vieira da Silva, e Gustavo Schiphorst, coorientado pelo professor da Felipe César Marques. 


Temas e problemáticas dos trabalhos de IC apresentados 

Davi Pizzolatti apresentou a pesquisa “Justiça Climática e Tecnologias Sociais no Recife: a Comunidade Como Protagonista”.

RESUMO – No texto, o pesquisador em iniciação científica apresenta como a crise climática afeta diferentes grupos populacionais de maneira desigual e como grupos e organizações comunitárias desenvolvem tecnologias sociais para lidar com os desafios e construir soluções. 

Na  Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, o cenário é agravado pela localização no litoral e pela frequência de eventos extremos. Em áreas vulneráveis, como a bacia do Rio Beberibe, na qual a maioria da população é negra, problemas históricos de falta de moradia digna e infraestrutura precária (saneamento, mobilidade, segurança pública) deixam os moradores expostos aos efeitos de alagamentos, enchentes e desmoronamentos, configurando quadros de injustiça ambiental. 

Diante da falta de apoio público e dos riscos ambientais severos, diversas organizações e grupos comunitários de Recife e região têm desenvolvido tecnologias sociais – formas singulares de se organizar, comunicar, engajar, demandar ação e informação do poder público e de se proteger contra desastres. A partir desse tipo de iniciativa, grupos e coletivos resistem e combatem o racismo ambiental, além de conscientizar os moradores e fortalecer a resistência dos territórios. 


Caroline Fraga Leimann compartilhou a pesquisa “Meios de Comunicação para Mobilização Social: o caso do Coletivo Redes do Beberibe”.  

    RESUMO – A estudante contextualiza o fato de que a internet se consolidou como a principal ferramenta para conectar pessoas em rede. No Brasil, as conexões alcançam 88% da população. Hoje, estima-se que 70% dos brasileiros usam ativamente redes sociais como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. Nesse cenário, as plataformas digitais se tornaram o canal principal para a troca de informações, mobilização digital e a interação social por meio de plataformas de comunicação. 

    É dentro dessa dinâmica digital que atua o Redes do Beberibe, um coletivo de mídia independente do Recife, Pernambuco. O grupo adota a comunicação popular para visibilizar informações e demandas dos moradores da Bacia do Rio Beberibe, em pautas que denunciam moradia em risco, problemas ambientais e o descaso do poder público na região. A partir desta atuação, o estudo analisa a experiência do coletivo para compreender como as mídias independentes e a produção comunitária ajudam a promover engajamento em causas públicas e sociais hiperlocais. 


    A acadêmica Maria Clara Borges Alegri partilhou o trabalho “Ocupação Urbana, Infraestrutura e Injustiça Ambiental em Recife e Olinda”. 

      RESUMO – O trabalho apresenta dados sobre  a história da ocupação urbana e a infraestrutura na bacia do Rio Beberibe, em Recife e Olinda, sob a ótica da justiça ambiental. Embora o Rio tenha relevância histórica para Pernambuco, o crescimento urbano no seu entorno escancara desigualdades sociais: sem opções de moradia, famílias pobres e majoritariamente negras passaram a ocupar e residir em áreas de risco.

      A falta de planejamento urbano adequado expõe essas populações a desastres ambientais frequentes e evitáveis. O trabalho aponta que a omissão do poder público e a demora na aplicação de políticas sociais perpetuam o sofrimento de quem vive na beira do rio, ao mesmo tempo em que destaca a força das mobilizações comunitárias na busca por mudanças.


      O acadêmico Gustavo Schiphorst desenvolveu a pesquisa “Finanças Públicas Municipais: Uma Análise da Autonomia Fiscal das Capitais Brasileiras”.  

        RESUMO – Schiphorst e Marques partem do princípio que a autonomia financeira dos municípios é um dos pilares do modelo político brasileiro. É este sistema que confere às cidades o poder de arrecadar impostos próprios, a exemplo do IPTU, ISS e ITBI. No entanto, na prática, a maior parte do dinheiro arrecadado no país continua concentrada no governo federal. 

        Com isso, os repasses de recursos vindos da União e dos estados, a exemplo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), tornaram-se a principal fonte de renda para o funcionamento e operação das cidades. Para entender o cenário, os pesquisadores analisaram até que ponto as 26 capitais do Brasil dependem dessas verbas externas para financiar serviços e obras públicas. A investigação científica acompanhou a evolução das finanças municipais ao longo de uma década, entre os anos de 2015 e 2024, para checar se essa dependência diminuiu ou aumentou com o passar do tempo.


        36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)

        O SIC é a primeira experiência de muitos estudantes na construção do conhecimento acadêmico por meio de comunicações orais e apresentação de trabalhos científicos. A programação contou com a presença de avaliadores externos, medida que amplia a visibilidade dos trabalhos desenvolvidos na Udesc Esag e possibilita debates que contribuem para o aprimoramento das pesquisas. 

        “Foi muito interessante ter apresentado o trabalho pela primeira vez, sobretudo para avaliadores que nos dão feedback contributivo ali na hora, entre comentários, devolutivas e colaborações. Outra questão valiosa foi a oportunidade de integração que tivemos, já que nosso trio de pesquisa apresentou três recortes temáticos de pesquisa a partir de um objeto: justiça climática e tecnologia social, ocupação urbana e infraestrutura e comunicação”, sintetizou o pesquisador de IC e bolsista do Politeia, Davi da Rosa Pizzolatti. 

        Os estudos apresentados pelos estudantes são parte de pesquisas em curso no âmbito do curso de administração pública da Udesc Esag e do grupo de pesquisa Politeia. Cada estudante focalizou no evento um aspecto específico, conforme seu interesse e buscando contribuir para o conhecimento mais amplo sobre o tema, de diferentes perspectivas. 


        V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG)

        Integração acadêmica e divulgação da produção científica – O V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) da Udesc Esag encerrou sua programação na sexta-feira, 11, reunindo estudantes, professores e pesquisadores. O evento promoveu a integração e a visibilidade da produção acadêmica por meio de palestras, oficinas, debates e apresentações de trabalhos. Haverá publicação nos anais do evento, com possibilidade de fast track para revistas científicas. 

        Com o tema “Ciência para a Sociedade: pesquisas em Administração, Administração Pública e Economia”, a edição tratou de debater transformações institucionais, avanços tecnológicos e novas formas de governança. Como em outros anos, a proposta do encontro é promover a disseminação de conhecimento prático e teórico voltado à resolução dos desafios atuais das organizações e da comunidade.

        36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)

        Apresentação dos resultados de pesquisas acadêmicas – O 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC) reúne alunos e professores dos cursos de Administração, Administração Pública e Ciências Econômicas para expor os resultados de seus projetos. O evento serve como vitrine para a produção científica da instituição, promovendo a troca de experiências entre bolsistas, orientadores e órgãos financiadores. 


        Ao lado de lideranças globais, em Paris, pesquisadora do Politeia apresenta práticas brasileiras em governança para contratações públicas sustentáveis

        Giselle (ao centro) apresentando pesquisa na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), em Paris, na Franca, esta semana.

        A doutoranda do programa de Doutorado Profissional em Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do grupo Politeia, Giselle Floriano Coelho, participou nesta segunda-feira, 8, como painelista  no “Fórum de Compras Públicas Sustentáveis dos Líderes de Contratações de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento”, realizado em Paris, na França. Giselle é também servidora pública e atua como Coordenadora de Projetos na Diretoria de Estratégias em Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, vinculada à Secretaria de Gestão e Inovação do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. 

        O evento ocorreu na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB) e reuniu representantes de diferentes países para apresentação de práticas e projetos na área de contratações públicas sustentáveis. Durante o fórum, Giselle apresentou o trabalho“Designing an Integrated Governance Model for Sustainable Public Procurement: Lessons from Brazil’s National Strategy (ENCP)” ou em portugues “Concebendo um Modelo de Governança Integrada para Compras Públicas Sustentáveis: Lições da Estratégia Nacional do Brasil”.  

        No trabalho, a autora mostrou experiências e dados do cenário brasileiro em formato de policy brief, um modelo de produção científica produzido para subsidiar decisões de gestores públicos. Segundo ela, que já retornou ao Brasil, a participação no fórum permitiu acompanhar discussões internacionais sobre temas de ponta na área das compras públicas verdes, dialogar com lideranças de contratações públicas de outros países e submeter aspectos de pesquisa a contribuições de especialistas estrangeiros.

        O trabalho foi selecionado pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis (SusPP Resource Hub) na área temática de governança, junto a outros cinco policy briefs de autoras e autores da Espanha, Índia, Uganda, Itália e Reino Unido.

        O que foi debatido no fórum 

        Segundo a painelista, o fórum teve programação integralmente dedicada à temática das compras públicas, com pesquisadores e gestores de diferentes países e instituições de representação multilateral. Dentre elas, representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Mundial, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), do Banco Europeu de Investimento (EIB) e do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD). 

        Pesquisadora e servidora pública, Giselle destacou que o principal ponto do Fórum foi estabelecer planejamento e políticas para médio e longo prazo na mitigação da crise climática e suas consequências a todos os povos e nações

        Na mesa temática, Giselle teve a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

        Para a doutoranda, a qualidade e relevância dos temas globais debatidos e as medidas estabelecidas como urgentes são um chamado para ação em rede, com financiamento e planejamento a médio e longo prazos para temas de agora, em múltiplas políticas para mitigação dos efeitos da crise climática. 

        “Foi um evento de muita maturidade e com profissionais extremamente experientes, destinado a compartilhar boas práticas sobre o que de melhor é feito em cada país e iniciativas. Discutimos problemas comuns para projetos de sustentabilidade não de curto prazo. O recado do evento é que os países é esse: abandonar a versão de curto prazo e entender que para promover a sustentabilidade precisamos ter um custo a ser partilhado. E é com toda sociedade, caso contrário viveremos problemas ainda mais sérios pela frente”, alertou Giselle. 

        Trabalhos serão publicados

        Na mesa temática, Giselle teve a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

        Após a apresentação, o trabalho recebeu a contribuição dos participantes do Fórum e de revisores da Argentina, Suíça e Dinamarca. Logo em seguida, com os eventuais ajustes e edição concluídos, os policy briefs serão publicados pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis do SusPP Resource Hub e pelas demais plataformas parceiras. 

        Novas pontes e internacionalização na pesquisa e na gestão pública 
        Evento internacional permitiu estabelecer contatos com pesquisadoras que são referência no tema de Giselle aqui grupo Politeia

        Entre as vivências resultantes dos debates, trocas e conversas, a pesquisadora do Politeia destacou novas pontes e contatos para futuras colaborações na temática de compras públicas, em especial com a professora Ximena Lazo Vitoria, que coordena o grupo de Investigação de Compras Verdes na Universidade de Alcalá de Henares, na Espanha, e a pesquisadora e professora, Sabrina Comotto, da Universidade Austral, da Argentina. 

        Segundo a professora e orientadora de Giselle, Paula Chies Schommer, a participação da doutoranda nesse Fórum traz boas perspectivas de diálogo e colaboração internacional com outras universidades, governos e instituições especialistas em temas  de pesquisa que interessam ao Politeia e ao Programa de Pós-Graduação da Udesc Esag, fortalecendo a pesquisa científica e sua conexão com a atuação da acadêmica como servidora pública. 

        “Com essa participação de caráter tanto profissional como científico, Giselle pôde apresentar e debater a pesquisa e sua experiência como servidora pública, já que atua na área da temática do fórum global, em um ministério brasileiro. Na França, a acadêmica esteve lado a lado com especialistas e gestores de vários países e s organizações globais, compartilhando avanços, desafios e aprendizagens que vem sendo construídas no Brasil na área de compras públicas sustentáveis. São novas conexões em rede que abrem e se formam, outras possibilidades de cooperação e melhorias em compras públicas sustentáveis, em várias partes do mundo. É pesquisa e prática como estimulamos aqui no doutorado profissional da Udesc Esag”, reforça Paula Schommer.  

        Giselle iniciou o doutorado no segundo semestre de 2025 para desenvolver sua tese sobre o uso do poder de compra estatal na promoção de impactos sociais, ambientais e econômicos sustentáveis, tendo como um dos focos a construção da Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Nacional Sustentável. A Estratégia é liderada pelo Ministério da Gestão e Inovação do Governo Federal brasileiro, envolvendo diversos órgãos e níveis de governo e parceiros nos setores público, privado e na sociedade civil.

        Sessão Especial Pré-CLAG, em outubro na Udesc, destaca a obra de Guerreiro Ramos e as pessoas no contexto da administração pública

        O auditório do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas, Esag, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) será palco, no dia 27 de outubro, da Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”. 

        O evento, gratuito e aberto ao público, será das 14h30 às 17h30, como atividade pré VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre na Udesc Esag de 27 a 29 de outubro (confira a programação), com a presença de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros e de outros países lusófonos.

        O painel integra o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade, que tem o objetivo de promover o diálogo sobre conceitos e categorias da obra de Alberto Guerreiro Ramos que servem de base para a ação na atualidade. O projeto, idealizado pelo Professor José Francisco Salm, é resultado de uma parceria entre os grupos de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento, ORD, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

        A iniciativa promove difusão e divulgação científica das ideias de Guerreiro Ramos por meio da Série Temática de Vídeos no YouTube. Conta com financiamento da Fapesc e da Udesc, no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa, PAP.  A sessão especial Pré-CLAG conta, também, com o apoio do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (PRAPEG) da Udesc Esag e o Coletivo Negro Guerreiro Ramos. 

        Ideias de Guerreiro Ramos em debate 

        O evento reunirá diversos pesquisadores para discutir a contemporaneidade do pensamento de Guerreiro Ramos para os desafios da administração pública atual, da gestão social, da economia solidária e da coprodução do bem público. Trata-se de um encontro inédito que debate o atual momento da sociedade brasileira e os seus desafios, antigos e novos.

        Para a professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, o encontro será um momento especial dentro de um percurso de pesquisas e debates que vêm ocorrendo no projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, realizado pelo grupo Politeia e parceiros pesquisadores da UFRGS e UFSC. 

        “Guerreiro Ramos é um pensador que nos inspira e instiga. Suas ideias são fundamento de pesquisas, cursos e disciplinas de pós-graduação e graduação em administração pública na Udesc Esag e em diversas instituições e disciplinas. Será uma honra para nós sediarmos esse debate, reunindo em Florianópolis colegas de várias partes, dedicados a compreender e desenvolver ideias e categorias de análise desse grande intelectual e cientista brasileiro, o qual segue iluminando nossas reflexões e ações diante dos desafios da atualidade”, comenta Paula.  

        O professor Ariston Azevedo, da UFRGS, também envolvido no projeto e na organização da sessão especial, está animado com a realização do encontro. 

        “Estou com excelentes expectativas – e até um pouco ansioso, confesso – quanto à realização desse Painel. Dele participarão alguns dos pesquisadores mais reconhecidos quando o assunto são as ideias de Guerreiro Ramos. Será uma oportunidade ímpar de ouvi-los, pois, desde 2015, quando comemoramos, em um evento no Rio de Janeiro, o centenário de nascimento daquele sociólogo, Ana Paula Paes, Genauto França, Fernando Tenório e Francisco Salgado não se reúnem para abordar a influência de Guerreiro Ramos em suas trajetórias acadêmicas e em suas construções teóricas. Será imperdível”, declara o pesquisador e colaborador do projeto. 

        Mediadora do painel, a professora da Udesc Esag, Laís Silveira Santos, a Sessão Especial Pré-CLAG será um momento especial para reunir pesquisadores, estudantes, praticantes e gestores para discutir as pessoas, no contexto da administração pública, sob a lente da obra de Alberto Guerreiro Ramos. 

        “Vamos aproveitar a presença de um público qualificado e comprometido em discutir e melhorar o contexto nas pessoas na Administração Pública para realizar uma Sessão Especial ‘Diálogos sobre Guerreiro Ramos’, unindo as teorias e aplicações dos ensinamentos de Guerreiro ao evento internacional “Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública”. Mais do que discutirmos as obras de Guerreiros, iremos refletir sobre seus desdobramentos nos dias de hoje e como podemos, por meio das pessoas e das práticas de gestão de e com pessoas, lidar com os desafios que a sociedade e as organizações impõem nos países lusófonos. Acredito que será um painel muito rico e sairemos com ainda mais inquietações”, convida Laís. 

        Painelistas da Sessão Especial

        Ana Paula Paes de Paula (UFMG) I Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem produção acadêmica voltada à teoria das organizações, gestão social e abordagens críticas na administração pública, fundamentadas também no referencial epistemológico de Guerreiro Ramos. Conheça mais sobre a convidada aqui. 

        Genauto França Filho (UFBA) I Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Pesquisador especialista em economia solidária, gestão social e desenvolvimento territorial, mobilizando categorias analíticas de Guerreiro Ramos para o exame de enclaves socioeconômicos periféricos. Leia sobre a produção do convidado aqui. 

        Fernando Tenório (FGV EBAPE) – Professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE). É um dos principais precursores do debate sobre cidadania deliberativa e gestão social no Brasil, com extensa trajetória dedicada à releitura crítica e à difusão da sociologia e da obra de Guerreiro Ramos. Conheça mais sobre o convidado aqui. 

        Mediadora I Laís Silveira Santos (Udesc Esag) I Professora do Departamento de Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do Grupo Politeia. Atua na coordenação de frentes de pesquisa do grupo aplicadas ao contexto governamental catarinense. Conheça o trabalho e a trajetória aqui. 

        Ariston Azevêdo – Professor Titular da Escola de Administração da UFRGS. Graduado em Engenharia Mecânica e doutor em Sociologia Política pela UFSC, destaca-se como um dos principais especialistas da obra de Alberto Guerreiro Ramos. O convidado investiga temas como o Pensamento Social Brasileiro, Filosofia da Administração, Ética e Teoria das Organizações. Conheça a produção e ideias do convidado aqui. 

        Coletivo Negro Guerreiro Ramos – Fundado em 2022, o Coletivo Negro Guerreiro Ramos é uma iniciativa de luta e articulação de estudantes da Udesc Esag. Oferece um espaço de diálogo, reflexão, desenvolvimento educacional e acolhimento dos discentes da universidade e da comunidade em geral, especialmente dos estudantes pretos e pardos. Leia mais aqui. 

        CONVIDADO INTERNACIONAL (participação em vídeo) – Francisco Salgado Arteaga I Professor, reitor e pesquisador da Universidade de Azuay, no Equador. Ele vai apresentar suas conexões teóricas, o pensamento andino (Sumaq Kawsay) e as possibilidades de cocriação teórica com a redução sociológica de Guerreiro Ramos. Leia mais sobre ele neste link. 


        AGENDE-SE 

        O quê: Sessão Especial Pré-CLAG “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública” 

        Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição 

        Quando: terça-feira, 27 de outubro, das 14h30 às 17h30min

        Onde: Auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis) – bairro Itacorubi

        Informações: https://www.udesc.br/esag/clag/programa%C3%A7%C3%A3o