Evento ofereceu variada programação voltada às metodologias, resultados e divulgação da produção científica da universidade, da graduação à pós-graduação, junto ao Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências da Administração e Socioeconômicas (V SPPG 2026)

Depois de três dias de apresentação de trabalhos científicos, oficinas e debates, chegou ao fim, na última sexta-feira, 11, dois eventos de debates sobre pesquisas em curso e difusão e divulgação científica da Udesc Esag: o V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) e o 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC), encontros que incluíram a apresentação de resumos expandidos pelos estudantes e mediação crítica de professores, professoras e convidados externos.
Do grupo de pesquisa Politeia, na quinta-feira, 10, participaram da 36ª SIC e apresentaram trabalho científico os graduandos e graduandos de administração pública da Udesc Esag, Davi da Rosa Pizzolatti, Caroline Fraga Leimann e Maria Clara Borges Alegri, sob orientação da professora Paula Chies Schommer, acompanhados pela professora Karin Vieira da Silva, e Gustavo Schiphorst, coorientado pelo professor da Felipe César Marques.
Temas e problemáticas dos trabalhos de IC apresentados

Davi Pizzolatti apresentou a pesquisa “Justiça Climática e Tecnologias Sociais no Recife: a Comunidade Como Protagonista”.
RESUMO – No texto, o pesquisador em iniciação científica apresenta como a crise climática afeta diferentes grupos populacionais de maneira desigual e como grupos e organizações comunitárias desenvolvem tecnologias sociais para lidar com os desafios e construir soluções.
Na Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, o cenário é agravado pela localização no litoral e pela frequência de eventos extremos. Em áreas vulneráveis, como a bacia do Rio Beberibe, na qual a maioria da população é negra, problemas históricos de falta de moradia digna e infraestrutura precária (saneamento, mobilidade, segurança pública) deixam os moradores expostos aos efeitos de alagamentos, enchentes e desmoronamentos, configurando quadros de injustiça ambiental.
Diante da falta de apoio público e dos riscos ambientais severos, diversas organizações e grupos comunitários de Recife e região têm desenvolvido tecnologias sociais – formas singulares de se organizar, comunicar, engajar, demandar ação e informação do poder público e de se proteger contra desastres. A partir desse tipo de iniciativa, grupos e coletivos resistem e combatem o racismo ambiental, além de conscientizar os moradores e fortalecer a resistência dos territórios.
Caroline Fraga Leimann compartilhou a pesquisa “Meios de Comunicação para Mobilização Social: o caso do Coletivo Redes do Beberibe”.
RESUMO – A estudante contextualiza o fato de que a internet se consolidou como a principal ferramenta para conectar pessoas em rede. No Brasil, as conexões alcançam 88% da população. Hoje, estima-se que 70% dos brasileiros usam ativamente redes sociais como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. Nesse cenário, as plataformas digitais se tornaram o canal principal para a troca de informações, mobilização digital e a interação social por meio de plataformas de comunicação.
É dentro dessa dinâmica digital que atua o Redes do Beberibe, um coletivo de mídia independente do Recife, Pernambuco. O grupo adota a comunicação popular para visibilizar informações e demandas dos moradores da Bacia do Rio Beberibe, em pautas que denunciam moradia em risco, problemas ambientais e o descaso do poder público na região. A partir desta atuação, o estudo analisa a experiência do coletivo para compreender como as mídias independentes e a produção comunitária ajudam a promover engajamento em causas públicas e sociais hiperlocais.
A acadêmica Maria Clara Borges Alegri partilhou o trabalho “Ocupação Urbana, Infraestrutura e Injustiça Ambiental em Recife e Olinda”.
RESUMO – O trabalho apresenta dados sobre a história da ocupação urbana e a infraestrutura na bacia do Rio Beberibe, em Recife e Olinda, sob a ótica da justiça ambiental. Embora o Rio tenha relevância histórica para Pernambuco, o crescimento urbano no seu entorno escancara desigualdades sociais: sem opções de moradia, famílias pobres e majoritariamente negras passaram a ocupar e residir em áreas de risco.
A falta de planejamento urbano adequado expõe essas populações a desastres ambientais frequentes e evitáveis. O trabalho aponta que a omissão do poder público e a demora na aplicação de políticas sociais perpetuam o sofrimento de quem vive na beira do rio, ao mesmo tempo em que destaca a força das mobilizações comunitárias na busca por mudanças.
O acadêmico Gustavo Schiphorst desenvolveu a pesquisa “Finanças Públicas Municipais: Uma Análise da Autonomia Fiscal das Capitais Brasileiras”.
RESUMO – Schiphorst e Marques partem do princípio que a autonomia financeira dos municípios é um dos pilares do modelo político brasileiro. É este sistema que confere às cidades o poder de arrecadar impostos próprios, a exemplo do IPTU, ISS e ITBI. No entanto, na prática, a maior parte do dinheiro arrecadado no país continua concentrada no governo federal.
Com isso, os repasses de recursos vindos da União e dos estados, a exemplo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), tornaram-se a principal fonte de renda para o funcionamento e operação das cidades. Para entender o cenário, os pesquisadores analisaram até que ponto as 26 capitais do Brasil dependem dessas verbas externas para financiar serviços e obras públicas. A investigação científica acompanhou a evolução das finanças municipais ao longo de uma década, entre os anos de 2015 e 2024, para checar se essa dependência diminuiu ou aumentou com o passar do tempo.
36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)

O SIC é a primeira experiência de muitos estudantes na construção do conhecimento acadêmico por meio de comunicações orais e apresentação de trabalhos científicos. A programação contou com a presença de avaliadores externos, medida que amplia a visibilidade dos trabalhos desenvolvidos na Udesc Esag e possibilita debates que contribuem para o aprimoramento das pesquisas.
“Foi muito interessante ter apresentado o trabalho pela primeira vez, sobretudo para avaliadores que nos dão feedback contributivo ali na hora, entre comentários, devolutivas e colaborações. Outra questão valiosa foi a oportunidade de integração que tivemos, já que nosso trio de pesquisa apresentou três recortes temáticos de pesquisa a partir de um objeto: justiça climática e tecnologia social, ocupação urbana e infraestrutura e comunicação”, sintetizou o pesquisador de IC e bolsista do Politeia, Davi da Rosa Pizzolatti.
Os estudos apresentados pelos estudantes são parte de pesquisas em curso no âmbito do curso de administração pública da Udesc Esag e do grupo de pesquisa Politeia. Cada estudante focalizou no evento um aspecto específico, conforme seu interesse e buscando contribuir para o conhecimento mais amplo sobre o tema, de diferentes perspectivas.
V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG)
Integração acadêmica e divulgação da produção científica – O V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) da Udesc Esag encerrou sua programação na sexta-feira, 11, reunindo estudantes, professores e pesquisadores. O evento promoveu a integração e a visibilidade da produção acadêmica por meio de palestras, oficinas, debates e apresentações de trabalhos. Haverá publicação nos anais do evento, com possibilidade de fast track para revistas científicas.

Com o tema “Ciência para a Sociedade: pesquisas em Administração, Administração Pública e Economia”, a edição tratou de debater transformações institucionais, avanços tecnológicos e novas formas de governança. Como em outros anos, a proposta do encontro é promover a disseminação de conhecimento prático e teórico voltado à resolução dos desafios atuais das organizações e da comunidade.
36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)
Apresentação dos resultados de pesquisas acadêmicas – O 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC) reúne alunos e professores dos cursos de Administração, Administração Pública e Ciências Econômicas para expor os resultados de seus projetos. O evento serve como vitrine para a produção científica da instituição, promovendo a troca de experiências entre bolsistas, orientadores e órgãos financiadores.
