2ª edição do “Café Decolonial”, em disciplina da graduação na Udesc Esag, conecta identidades, territórios e cultura alimentar em uma mesa de aprendizagem 

Mais do que saciar a fome, comer é um ato carregado sentimentos, histórias, afetos e identidades que conectam as pessoas aos seus territórios. Foi com essa ideia que a Udesc Esag realizou, nesta quinta-feira (22), a 2ª edição do “Café Decolonial”, atividade da disciplina “Desenvolvimento Territorial Sustentável”, organizada pela professora Maria Letícia Xavier, pesquisadora do grupo Politeia, com apoio da Direção de Extensão (DEX/Esag) e do Programa de Extensão Assessorem. 

A alimentação, reforça a docente, é muito mais do que uma necessidade biológica: carrega signos e modos de vida de pertencimento, senso de comunidade e permite sociabilidades comunitárias. Segundo a docente, o objetivo pedagógico da atividade foi valorizar esse rico patrimônio alimentar como expressão e extensão da cultura e como recurso para o desenvolvimento e produção de memória dos territórios. 

Na prática, o convite pedia para que cada aluno e aluna participassem do momento de partilha com um prato afetivo que remetesse às origens territoriais, memórias da infância, tradições familiares e à experiência significativa de trajetória pessoal com aquele alimento-símbolo. “Mais do que compartilhar, a ideia foi estimular relações culturais e alimentares, sociais e territoriais”, sintetizou a docente. 

Ao todo, 23 alunos e alunas e trouxeram seus pratos, entre eles: 1) bolo de macaxeira, tradicional de Sergipe, região de origem da aluna Maria Isabel; 2) caldo-de-cana para representar a cultura sucro alcooleira do interior paulista, trazido pelo estudante Pedro Brossi, natural de Piracicaba e 3) até o chimarrão tão tradicional da cultura gaúcha. 

Não faltou também o clássico doce de brigadeiro, paçoca e os tradicionais refrigerantes regionais como Guaraná Pureza, Cini e Laranjinha da marca catarinense Água da Serra, fundada em Braço do Norte, em 1943.

No cardápio, o café, bebida tradicional nas casas brasileiras foi especial: para esta edição, a bebida foi preparada pelo paí da aluna Vitória, repetindo o gesto que ele realizada todo dia: passar o café no bule antes de todo mundo acordar. 

Completando os pratos, o salame remeteu à forte presença dos planteis de suíno do Sul de Santa Catarina e as cucas de banana e goiabada fizeram referência à presença germânica no estado.


Debate sobre segurança alimentar e nutricional

Para ampliar a reflexão, após o café, a turma também assistiu ao documentário Muito Além do Peso [veja aqui]. Em seguida, o grupo fez um debate sobre alimentação, consumo, indústria alimentar, desigualdades e os desafios para a construção de sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e justos. 

“Queremos que o Café Decolonial seja um espaço de encontro, diálogo e aprendizagem coletiva, no qual nossas experiências cotidianas se conectam às discussões sobre patrimônio alimentar e cultural, desenvolvimento territorial e segurança alimentar e nutricional. Pensar o desenvolvimento dos territórios também é reconhecer as histórias que cabem em um prato e os saberes que se compartilham ao redor de uma boa, farta e democrática mesa”, detalhou a professora da disciplina. 

Diversidade alimentar para reconhecer territórios

Para o aluno Michel Orival, a aula de sobre patrimônio alimentar surpreendeu. “Foi experiência maravilhosa. Aceitei a proposta da professora Maria Letícia de falar sobre o prato de oferenda que é dado a orixá Yemanjá divindade da umbanda. Foi muito bom compartilhar essa experiência criada pela nossa professora”, comentou o participante. 

Já para a acadêmica Sabrina Louise, a aula, os sabores e as trocas sociais durante o “Café Decolonial” proporcionaram conhecer um pouco da cultura dos colegas e ampliar repertórios, paladares e percepções cultuais. 

“Conheci meus amigos por meio da comida. Também pude compartilhar um pouco da minha história assim. Como nordestina, o cuscuz representa nossa identidade e herança familiar, além de ter um papel importante no sustento de muitas famílias. Poder compartilhar isso com a turma e ver tantas pessoas experimentando e gostando do cuscuz foi muito gratificante”. 

A arte gráfica do convite foi criada pelos acadêmicos Felipe Solonca e Amanda Garcia.

Até a próxima!

Novos vídeos do projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos” trazem entrevista com Christian Lynch e as fundações do pensamento político brasileiro

Episódios com o pesquisador do IESP-UERJ, a convite do grupo de pesquisa Politeia e seus parceiros, estão disponíveis no canal do YouTube 

O projeto “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade” divulga, nesta sexta-feira, 23 de outubro, quatro novos vídeos da série de entrevistas, agora com participação do professor e pesquisador Christian Lynch, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). A sessão foi gravada em 2025 na Udesc Esag, a convite do grupo de pesquisa Politeia e seus parceiros no projeto, e já pode ser acessada no canal do projeto no YouTube, na playlist Diálogos sobre Guerreiro Ramos.

Nos vídeos, o pesquisador participa do projeto a partir de sua obra Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil (Topbooks, 2024). A tese do livro é que o pensamento político brasileiro não é mera imitação do modelo europeu, mas uma formulação original e singular. Guerreiro Ramos é um dos pensadores que contribuíram para essa construção.

Os temas abordados em cada parte dessa série são:

  1. A construção de uma tradição do pensamento social e político brasileiro e a interpretação de Guerreiro Ramos, na qual Christian Lynch dialoga com o professor Ariston Azevedo, da UFRGS.
  2. O fio condutor que orienta o pensamento de Guerreiro Ramos, na qual o professor José Francisco Salm interroga Christian Lynch sobre essa conexão e orientação.
  3. Categorias da obra de Guerreiro Ramos como base de uma teoria social do Brasil, com Christian Lynch e o professor Sérgio Luís Boeira, da UFSC.
  4. Como as ideias de Guerreiro Ramos nos ajudam a pensar o Brasil de hoje? Pergunta que a professora Paula Schommer apresenta e Christian Lynch responde.

O projeto

As produções do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade abordam diferentes categorias de análise e suas aplicações à administração pública, com linguagem acessível, caráter formativo e pedagógico, além de produzir uma memória a respeito da obra e as influências do legado de Guerreiro Ramos na contemporaneidade. 

A iniciativa é resultado da colaboração entre três grupos de pesquisa: o Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade (Udesc Esag); Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (ORD/UFSC); e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). Mais detalhes sobre o projeto aqui.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e pela Udesc. 

Sessão Especial Pré-CLAG 

A divulgação dos novos vídeos se somam a outra ação do projeto neste mês: a Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”, na terça-feira, 27, das 14h30 às 17h30, no auditório da Udesc Esag. A atividade é gratuita, aberta ao público, sem necessidade inscrição. 

O painel antecede a programação do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre na Udesc Esag de 27 a 29 de outubro. Participam Ana Paula Paes de Paula (UFMG), Genauto França Filho (UFBA), Fernando Tenório (FGV EBAPE) e Ariston Azevedo (UFRGS), com mediação da professora Laís Silveira Santos (Udesc Esag). O professor Francisco Salgado Arteaga, da Universidad del Azuay (Equador), participa por vídeo.

“Diálogos sobre Guerreiro Ramos” entrevista Christian Lynch 

O quê: 4 novos vídeos do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, com Christian Lynch
Quando: quinta-feira, 22 de outubro
Onde: canal do projeto no YouTube: [llink da playlist]
Mais informações sobre o projeto:https://www.udesc.br/esag/dialogosguerreiroramos

Sessão Especial Pré-CLAG

Quando: terça-feira, 27, das 14h30 às 17h30
Onde: auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis), bairro Itacorubi
Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição
Programação: https://www.udesc.br/esag/clag/programação

Politeia participa do videocast “Diálogos com TCU”, na edição que debateu transparência pública e os 15 anos da Lei de Acesso à Informação

Novo episódio reúne especialistas para discutir acesso à informação pública, controle social, qualidade das informações e os desafios da comunicação pública 

O videocast “Diálogos com TCU” estreou novo episódio dedicado à transparência pública e aos 15 anos da Lei de Acesso à Informação (LAI), com participação da pesquisadora do Politeia, Paula Schommer, professora de Administração Pública da Udesc Esag e integrante do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção (CTICC) da Controladoria-Geral da União (CGU). 

Professora Paula Schommer viajou a Brasília para gravar a entrevista no TCU

No programa que foi ar pela TV Senado na semana passada e que agora está disponível em plataformas de aúdio e vídeo como YouTube e Spotify, também foi entrevistada a secretária-geral adjunta de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), Tânia Chioato.  

Equipe e entrevistadas do “Diálogos com TCU” desta edição

Na conversa, as convidadas analisam e debatem de que forma o acesso à informação pode fortalecer a participação da sociedade e o controle sobre a administração pública. 

Sancionada em 2011, a Lei 12.527 (Lei de Acesso à Informação), conhecida como LAI, consolidou o princípio de que o acesso à informação pública passa a ser a regra nas instituições públicas, e o sigilo, a exceção. A LAI é um marco para a consolidação do direito de acesso à informação pública no país e é uma peça importante da Política de Transparência e Acesso à Informação brasileira.  

Especialistas debateram as principais mudanças que a LAI trouxe nestes 15 anos

Avanços e desafios da LAI 

Os avanços trazidos pela lei também ampliaram o uso dos dados públicos para além de jornalistas e pesquisadores, aproximando o cidadão do Estado. O episódio explora ainda a distinção entre transparência ativa, quando o governo divulga informações por iniciativa própria, e transparência passiva, quando o cidadão pede dados específicos e obtém as respostas dos órgãos públicos. 

Entre os obstáculos a serem vencidos, estão informações incompletas, linguagem excessivamente técnica, dificuldade de localizar dados e excesso de conteúdo espalhado em diferentes sistemas com baixa interoperabilidade. A transformação digital do acesso à informação é outro ponto em debate. Em 2026, a CGU relançou o Informa.BR – Plataforma de Transparência e Acesso à Informação, que facilita encontrar dados e informações nos principais canais de transparência do governo federal, como o Portal da Transparência, o Portal de Dados Abertos e os sites oficiais.l 

O videocast também aborda os desafios e potenciais do uso da inteligência artificial e a complementaridade  entre transparência e proteção de dados pessoais, especialmente após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

Contribuição do Politeia com pesquisas e o Radar LAI

 A transparência pública é um dos temas de pesquisa transversais que o Politeia trabalha a partir de suas diferentes linhas de pesquisa, da Iniciação Científica (IC) às pesquisas de mestrado e doutorado. Dentre as contribuições das pesquisadoras e pesquisadores está a plataforma Radar LAI. 

Lançado em dezembro de 2025, durante reunião do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção (CTICC), o painel interativo foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa Politeia, em parceria com a CGU, a Fiquem Sabendo e o Sebrae. 

O Radar LAI sistematizou trabalhos científicos sobre acesso à informação e transparência pública entre 2011 e 2024. Ao todo, o painel reúne 180 trabalhos acadêmicos e 75 relatórios técnicos, com análises sobre desafios institucionais, práticas, qualidade das informações, acessibilidade, colaboração federativa e inclusão de grupos vulnerabilizados. 

Para a professora Paula, o acesso à informação pública e a Lei de Acesso à Informação são conquistas da sociedade brasileira. “Conquistas construídas por muitas pessoas. Servidores públicos em diferentes órgãos e níveis de governo, cidadãos e integrantes de organizações da sociedade civil, jornalistas, pesquisadores de várias áreas do conhecimento e também políticos que valorizam a transparência e a cidadania. A transparência nos ajuda a melhorar os serviços públicos, a entender os problemas e buscar soluções viáveis, a exercer a cidadania e a controlar o uso do poder pelos agentes públicos. Por meio do acesso à informação e da transparência, cidadãos e agentes públicos podem dialogar e colaborar, para que o poder seja usado em favor dos cidadãos”, destaca. 

Já para Tânia Chioato, disponibilizar a informação não é suficiente se o cidadão não consegue encontrá-la, compreendê-la ou utilizá-la de maneira acessível e facilitada. A secretária-geral adjunta destaca que o TCU tem intensificado a agenda de participação cidadã e procura ampliar o envolvimento da sociedade no controle. O Tribunal mantém iniciativas próprias de transparência, com dados sobre pedidos de acesso, orçamento, contratos, licitações, pessoal e governança institucional, e regulamenta internamente a aplicação da LAI por meio da Resolução TCU 249/2012.  Outra iniciativa abordada no debate foi o Programa Nacional de Transparência Pública, PNTP, que envolve todo o sistema de controle e vários órgãos públicos, e tem produzido efeitos relevantes na transparência pública no Brasil.O videocast é apresentado pelos jornalistas e auditores do TCU Vanessa Amaral e Emerson Douglas.


Onde assistir

> YouTube do TCU aqui 

> Spotify aqui


Projeto feito em parceria por governo e universidade promove mais transparência e aproxima Câmaras de Vereadores da população em Santa Catarina

Depois de dois anos de trabalho colaborativo, o projeto “Parlamento Aberto” concluiu uma metodologia prática para apoiar vereadores e vereadoras a ouvir melhor a população, organizar informações e construir soluções coletivas. Desenvolvido pela Udesc, por meio do grupo de pesquisa Politeia, em parceria com a Alesc, por meio da Escola do Legislativo, além das câmaras municipais do Oeste e do Vale do Itapocu, Seplan, CGE e Act4delivery, o projeto fortalece a transparência, a participação e a colaboração no dia a dia do Legislativo municipal.

Aprovado no edital Fapesc nº 04/2023, no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa Aplicada em Ciência, Tecnologia e Inovação da Udesc (Termo de Outorga nº 2023TR001342), o projeto “Coprodução do conhecimento em governo aberto e transparência: construção de metodologia com os poderes legislativos catarinenses”, também chamado de “Parlamento Aberto: Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores de Santa Catarina” foi desenvolvido entre novembro de 2023 e dezembro de 2025, com apoio financeiro da Fapesc e contrapartidas da Udesc e da Alesc.

Entre os exemplos trabalhados estão propostas para melhorar o acompanhamento das filas em creches, no Vale do Itapocu, e o desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica para apoiar o trabalho dos vereadores no Oeste do Estado. 

“A experiência mostrou que a prática dos princípios de governo aberto no dia a dia das câmaras municipais pode ajudar a resolver problemas concretos, desde que haja compromisso com a abertura e colaboração entre diferentes órgãos e profissionais e com os cidadãos”, destaca a professora e coordenadora do projeto, Paula Chies Schommer, da Udesc Esag.

Segundo a professora, o processo também revelou desafios importantes: “Nem sempre é simples conciliar a urgência das demandas sociais com os tempos institucionais. Além disso, a comunicação é chave: usar linguagem simples, respeitar diferentes saberes e garantir troca aberta de informações são condições para que o parlamento aberto aconteça na prática”, destacou.

A pesquisa reuniu uma equipe multidisciplinar formada por integrantes da Udesc, Alesc, CGE-SC, Seplan-SC e Act4Delivery, além da participação ativa de vereadoras e vereadores, servidores do Legislativo e do Executivo, organizações da sociedade civil, pesquisadores, cidadãos e representantes de associações de municípios de duas regiões catarinenses – Oeste e Vale do Itapocu. 

Aprender fazendo: metodologia construída na prática

A proposta central foi “aprender fazendo”: ouvir os atores locais, dialogar com diferentes setores e construir soluções de forma coletiva. Dois problemas públicos locais foram escolhidos de maneira participativa, e, para cada um deles, foi elaborada uma proposta de solução fundamentada em princípios de governo aberto, como transparência, participação e colaboração.

O principal resultado do projeto é uma metodologia prática, desenvolvida a partir da escuta, do diálogo e do trabalho coletivo, pensada para apoiar câmaras municipais na implementação cotidiana dos princípios de governo e parlamento abertos.

Para explicar esse percurso, a equipe utilizou a metáfora da cozinha: assim como em uma receita, diferentes ideias, experiências e conhecimentos foram reunidos, combinados, testados e ajustados em conjunto até chegar a soluções viáveis para cada realidade local.

A metodologia foi desenvolvida por meio de entrevistas, reuniões e oficinas presenciais e online. A experiência evidenciou que a cooperação entre parlamentos, instituições públicas, academia e comunidades pode gerar inovação prática e fortalecer o serviço público.

O que entendemos por Parlamento Aberto

Após dois anos de trabalho, o grupo considera parlamento aberto como um modelo de gestão e inovação baseado na cooperação e na cocriação entre legisladores, equipes parlamentares, sociedade civil organizada e cidadãos. Esse modelo busca fortalecer as funções do parlamento por meio da transparência, do acesso à informação, da prestação de contas, da inovação e da participação cidadã.

Nesse contexto, vereadoras e vereadores atuam como articuladores, conectando demandas da população a diferentes atores institucionais, promovendo o diálogo, reunindo informações e construindo soluções de forma colaborativa.

Continuidade dos estudos e implementação das práticas de Parlamento Aberto

Embora o projeto tenha sido formalmente concluído, as atividades de pesquisa e as ações no âmbito de Parlamento Aberto e Governo Aberto continuam em andamento. Atualmente, o grupo realiza um mapeamento de práticas de Parlamento e Governo Aberto em diferentes contextos institucionais, com o objetivo de identificar experiências, metodologias e resultados. O formulário para participação nesse mapeamento também está disponível no portal do projeto.

A iniciativa entra agora em uma nova etapa, voltada à consolidação e à implementação prática das propostas desenvolvidas ao longo do projeto. Em cada região, a continuidade das ações deverá ocorrer sob a liderança da Acamosc e da Avevi, fortalecendo o compromisso institucional com a transparência, a participação cidadã e a inovação no âmbito legislativo.

Além da implementação regional, há também a possibilidade de replicação da metodologia e das práticas em outras regiões do estado e do país, ampliando o alcance da proposta e contribuindo para a disseminação de uma cultura de Parlamento Aberto.

A expectativa é ampliar a rede de colaboração, sistematizar experiências e consolidar diretrizes capazes de fortalecer práticas participativas e inovadoras tanto no âmbito legislativo quanto na gestão pública.

Em 2025, o projeto Parlamento Aberto foi apresentado na sala de aula da Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), em evento destinado a vereadores e representantes de associações de Câmaras Municipais. Na ocasião, a ACANOR – Associação de Câmaras Municipais do Noroeste de Santa Catarina – manifestou interesse na iniciativa, reforçando o engajamento da comunidade catarinense em ações pautadas pela transparência e pelo fortalecimento democrático.

Acesse e conheça o projeto Parlamento Aberto, com vídeos, relatórios, registros fotográficos e conteúdos exclusivos disponíveis no portal institucional: https://www.udesc.br/esag/parlamentoaberto.

Galeria de fotos

Pesquisadores do Politeia trabalham em rede para promover o desenvolvimento territorial sustentável em Santa Catarina

Em uma iniciativa que integra universidade, governo e sociedade, professores da Udesc Esag, por meio do grupo de pesquisa Politeia, e da UFSC estão construindo uma rede de cooperação voltada ao desenvolvimento territorial sustentável. O foco do projeto é identificar e valorizar os chamados “ativos territoriais” — produtos e serviços únicos que possuem o DNA de suas regiões — para gerar renda e preservar a identidade cultural catarinense.

O professor Valério Alécio Turnes, da Udesc Esag, um dos principais articuladores dessa rede, destaca que o desenvolvimento não deve ser visto apenas sob a ótica dos grandes centros industriais, mas também a partir da riqueza oculta nas pequenas propriedades e comunidades rurais. Segundo o pesquisador, Santa Catarina possui uma diversidade de produtos com potencial de diferenciação no mercado global.

O projeto foi destaque no programa “Vamos Conversar”, da TVAL (Assembleia Legislativa de Santa Catarina – Alesc). Além da participação do professor Valério, o programa contou também com os professores Ademir Antônio Cazella e Paola Rebollar, da UFSC, e com a professora Ivoneti da Silva Ramos, da Udesc Esag. A temática dialoga com a linha de pesquisa Planejamento e Gestão Territorial, do Grupo de Pesquisa Politeia, do qual fazem parte os dois professores da Udesc envolvidos na iniciativa, reforçando a articulação entre investigação acadêmica e ações voltadas ao desenvolvimento territorial.

Cesta de Bens e Serviços Territoriais

A metodologia defendida pelo professor Valério e sua equipe baseia-se no conceito de “cesta de bens e serviços territoriais”. “Não se trata apenas de vender um produto, como um queijo ou um artesanato, mas de oferecer o território como um todo. Quando o consumidor adquire um produto local, ele está levando consigo a história, a paisagem e o modo de vida daquela região”, explica o professor.

O projeto busca sensibilizar gestores públicos e comunidades para que reconheçam esses ativos. A dificuldade em calcular o valor exato dessa “renda subterrânea” — aquela gerada em pequenos espaços de comercialização — muitas vezes leva à sua subestimação. Para o professor da Udesc, porém, ela é a chave para fixar o jovem no campo e garantir a sustentabilidade econômica de municípios que não teriam outro caminho no mundo globalizado.

Parceria Udesc e UFSC

O trabalho em rede de professores da Udesc Esag e da UFSC integra esforços de ensino e extensão para aplicar essas teorias na prática da política territorial catarinense. A parceria reforça o papel das universidades públicas como motores de inovação social, conectando o conhecimento científico às necessidades reais dos territórios rurais.

Para o futuro, a meta é que essa conscientização territorial seja incorporada permanentemente às políticas públicas, transformando regiões administrativas em territórios de desenvolvimento sustentável, onde a preservação ambiental e a valorização cultural caminhem juntas com o crescimento econômico.

O Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples: acesso à justiça e Justiça Aberta

Por Edgar Maturana, advogado e Assessor Jurídico da Procuradoria-Geral de Contagem1.

Em dezembro de 2023, o então Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso, anunciou o “Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples”, convocando todos os tribunais brasileiros a aderirem à iniciativa. O Pacto tem como objetivo estimular o uso de uma linguagem direta e compreensível tanto na produção das decisões judiciais quanto na comunicação institucional do Judiciário com a sociedade.

Segundo o ministro, a adoção de uma linguagem mais clara busca tornar a Justiça mais acessível à população e fortalecer o exercício da democracia. O desafio, nesse contexto, consiste em conciliar o rigor da técnica jurídica com uma comunicação simples, breve e inteligível.

Este texto tem como objetivo analisar o fenômeno da linguagem no Poder Judiciário, demonstrar que a preocupação com a linguagem simples é uma agenda presente em diversos países e apresentar o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, avaliando sua aderência a padrões internacionais e sua relação com os princípios da justiça aberta.

A linguagem jurídica tradicional é marcada por forte tecnicismo e por uma cultura institucional que privilegia termos herméticos e estruturas frasais complexas. Esse modelo cria barreiras ao acesso à justiça e contribui para a concentração do poder decisório. Uma breve consulta ao site de teses de repercussão geral do STF revela expressões como “responsabilidade solidária”, “litisconsorte passivo necessário”, “precatório”, “direito subjetivo” e “ganhos habituais do empregado”. O problema não está apenas no vocabulário técnico, mas também na forma como as frases são estruturadas, frequentemente incompreensíveis não só para pessoas leigas, mas até para quem domina profundamente o jargão jurídico.

No Brasil, o movimento por uma linguagem mais simples no sistema de justiça não é recente. Em 2005, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançou a “Campanha Nacional pela Simplificação da Linguagem Jurídica”, com o objetivo de estimular magistrados e servidores a aprimorar a comunicação judicial, democratizar o Judiciário e ampliar o acesso à justiça. Em 2006, o Congresso Nacional também se debruçou sobre o tema por meio do Projeto de Lei nº 7.448/2006, de autoria da deputada federal Maria do Rosário, que propunha a tradução das sentenças judiciais em linguagem mais acessível às partes do processo.

A discussão também ocorre em âmbito internacional. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que a ampliação do acesso à justiça exige uma transformação na forma como os serviços judiciais são concebidos e prestados, incluindo o uso de linguagem simples. Nos Estados Unidos, a Lei nº 111-274, de 2010, conhecida como Plain Writing Act, determina que órgãos federais utilizem comunicações claras, compreensíveis e úteis ao público, com base em diretrizes específicas de linguagem simples.

A Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership – OGP) também impulsiona esse movimento ao reconhecer a linguagem simples como ferramenta essencial para promover transparência, participação, inclusão e responsabilização. Diversos países e governos locais já assumiram compromissos formais relacionados ao uso de linguagem simples em suas políticas públicas.

A Associação Internacional pela Linguagem Simples define que um texto está em linguagem simples quando sua redação, estrutura e design permitem que o público-alvo encontre facilmente a informação, compreenda seu conteúdo e consiga utilizá-lo. A Federação Internacional pela Linguagem Simples reforça essa definição ao destacar que escrever em linguagem simples é, antes de tudo, uma postura voltada ao leitor. O foco deve estar no que a pessoa precisa saber ou fazer, e não na forma como o autor deseja se apresentar.

Segundo a Federação, a linguagem simples se fundamenta em quatro princípios: encontrar, compreender, usar e precisar. Por isso, um documento claro é aquele que apresenta informações relevantes, organizadas de modo acessível, compreensíveis e úteis para alcançar o objetivo pretendido.

No campo da justiça aberta, a linguagem simples assume papel central. A justiça aberta é uma metodologia de atuação do sistema de justiça orientada pelos valores da transparência, participação, colaboração, inclusão e responsabilidade. Nesse contexto, a linguagem clara não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas uma condição para que a sociedade compreenda, participe e fiscalize o funcionamento das instituições judiciais. Debates promovidos pela Rede Internacional de Justiça Aberta (RIJA), especialmente no grupo de Participação e Acesso à Justiça, reforçam que a linguagem clara é um requisito indispensável para a concretização da justiça aberta.

De acordo com cartilha publicada pelo CNJ em 2023, o “Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples” consiste na adoção de ações, iniciativas e projetos voltados à utilização de linguagem simples, direta e compreensível na produção das decisões judiciais e na comunicação com a sociedade. Trata-se, portanto, de uma política institucional voltada especificamente ao Poder Judiciário, por meio da implementação de projetos e práticas internas.

O CNJ justifica a iniciativa ao reconhecer que a linguagem simples contribui para remover obstáculos à compreensão das decisões judiciais, elemento essencial do direito fundamental de acesso à justiça. Garantir acesso à justiça significa não apenas permitir que o cidadão ingresse em juízo, mas também assegurar que ele compreenda as decisões que afetam seus direitos e deveres.

Ao aderirem ao Pacto, os tribunais brasileiros assumem o compromisso de incentivar magistrados, magistradas e servidores a:

a) eliminar termos excessivamente formais e dispensáveis à compreensão do conteúdo;
b) adotar linguagem direta e concisa em documentos judiciais e administrativos;
c) explicar os impactos das decisões na vida das pessoas e da sociedade;
d) utilizar versões resumidas dos votos nas sessões de julgamento, com possibilidade de acesso à versão completa nos autos;
e) promover comunicações objetivas e breves em eventos institucionais;
f) reduzir formalidades excessivas em protocolos e cerimônias;
g)  utilizar linguagem acessível às pessoas com deficiência, respeitando a dignidade de toda a sociedade.

Para operacionalizar esses compromissos, o Pacto está estruturado em cinco eixos de trabalho:

Eixo 1 – simplificação da linguagem nos documentos judiciais e criação de glossários de termos técnicos indispensáveis;
Eixo 2 – brevidade na comunicação, com incentivo a versões resumidas de votos e revisão de protocolos formais;
Eixo 3 – educação, conscientização e capacitação sobre linguagem simples na formação inicial e continuada;
Eixo 4 – uso da tecnologia da informação para facilitar a comunicação e traduzir conteúdos jurídicos;
Eixo 5 – articulação interinstitucional e social, promovendo a colaboração entre Judiciário, sociedade civil e academia.

O Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples constitui um avanço institucional relevante ao reconhecer que a linguagem é um obstáculo concreto ao acesso à justiça. No entanto, uma análise mais crítica revela que seu alcance ainda é limitado. Ao concentrar-se predominantemente em mudanças formais e comunicacionais no âmbito do Poder Judiciário, o Pacto corre o risco de tratar a linguagem simples como um ajuste periférico, e não como uma transformação estrutural da forma como a Justiça se relaciona com a sociedade.

Sob a perspectiva da justiça aberta, e portanto, de acesso à justiça, a linguagem simples não pode ser reduzida a uma técnica redacional ou a um conjunto de boas práticas isoladas. Ela é condição essencial para a transparência substantiva, para a participação informada e para a responsabilização institucional. Sem compreensão, não há participação; sem participação, não há controle social; e, sem controle social, a Justiça permanece distante, opaca e concentradora de poder.

Nesse sentido, embora o Pacto dialogue com padrões e recomendações internacionais, ele ainda deixa em aberto questões centrais para a agenda de justiça aberta. Entre elas, destacam-se a ausência de mecanismos claros de monitoramento e avaliação dos impactos da linguagem simples, a limitação da iniciativa ao Judiciário — sem articulação efetiva com os demais atores do sistema de justiça — e a pouca participação da sociedade civil e da academia na definição, implementação e avaliação das práticas adotadas.

A consolidação da linguagem simples como direito de acesso à justiça exige mais do que adesão institucional. Requer mudança cultural, formação crítica, produção de conhecimento empírico e espaços permanentes de escuta e colaboração. É nesse ponto que o papel da universidade se torna central e grupos de pesquisa como o POLITEIA contribuem para qualificar o debate ao analisar criticamente políticas institucionais, produzir evidências, formular indicadores e tensionar práticas que, embora bem-intencionadas, podem se esvaziar sem acompanhamento e participação social.

Ao articular justiça aberta, linguagem simples e acesso à justiça, a atuação acadêmica não apenas observa a realidade, mas intervém nela. O desafio que se coloca, portanto, é transformar iniciativas como o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples em políticas efetivamente abertas, participativas e avaliáveis. Somente assim a linguagem deixará de ser um instrumento de exclusão e passará a cumprir seu papel democrático: tornar a Justiça compreensível, acessível e, sobretudo, controlável pela sociedade.

Referências

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QUEIROZ Júnior, Geraldo. O Fenômeno da Linguagem no Contexto Jurídico: Epistemologia e facticidade. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Direito da Universidade Federal do Paraná. Curitiba. 2007.

ROQUE, Nathaly Campitelli. O Direito Fundamental ao Acesso à Justiça: muito além da celeridade processual. Revista Pensamento Jurídico, São Paulo, vol. 15, no. 01, 2021. Disponível no sítio https://share.google/UBMiFNFHbaUtTsOii.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples. Gestão da Justiça, Acessibilidade e Inclusão, Brasília, Novembro de 2023. Disponível em Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples – Portal CNJ. Acesso em: 23/12/2025.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Presidente do STF e do CNJ lança Pacto Nacional pela Linguagem Simples no Judiciário. Notícia STF, Brasília, 05/12/2023. Disponível em Supremo Tribunal Federal. Acesso em: 23/12/2025.

U.S DEPARTMENT OF JUSTICE. Plain Writing Act of 2010. Disponível em Open Government | Plain Writing. Acesso em: 23/12/2025.

Membro do Grupo de Trabalho Local do Município de Contagem na Open Government Partnership (OGP). Especialista em Direito Administrativo e Tributário – PUC-MG. Membro da Rede Internacional de Justiça Aberta (RIJA) e da Rede Brasileira de Governo Aberto (RBGA). Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Espaço e do Tempo (NEPSESTE) da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Instituto Prunart – Instituto de Apoio às Atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão do PRUNART/UFMG
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Aula aberta sobre o Índice de Transparência e Governança Pública dos Estados, com a Transparência Internacional – Brasil, é na próxima segunda, 3

Convidadas vão apresentar os bastidores da produção do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) 2025 e os desafios para governos no próximo ano 

Na próxima segunda, 3 de novembro, a partir das 10h30min, estudantes do curso de administração pública da Udesc Esag, da disciplina “Sistemas de Accountability”, terão uma a oportunidade de aprender mais sobre o tema com dupla de convidadas da organização Transparência Brasil Internacional. Elas participam de uma Aula Aberta para explicar e discutir os resultados do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) 2025, anunciado em setembro deste ano. 

De forma remota, a coordenadora de Integridade e Governança Pública, Amanda Faria Lima, e a colega pesquisadora e analista de Integridade e Governança Pública, Manuella Caputo, apresentam o painel “Avaliando a transparência e a governança dos estados com o ITGP”, quando vão detalhar o que representa cada indicador examinado, a metodologia usada, avanços e retrocessos no desempenho dos governos estaduais na edição deste ano. 

Para participar não é necessário inscrição. Presencialmente, para quem não for da turma, basta chegar até o horário de início (10h30) na sala de aula 106 da Udesc Esag. Remotamente, ao vivo, é só acessar a sala virtual da Plataforma Teams aqui. 

O ITGP em 2025

O blog do Politeia publicou reportagem analítica e interpretativa do ITGP 2025 (leia aqui) para repercutir os dados catarinenses com professores e pesquisadores do grupo. E também para prospectar novos cenários, ampliação de acesso a dados públicos e mais participação popular nas decisões de governo. 

Em um ano, o estado de Santa Catarina saiu da 7ª posição no ranking nacional do ITGP a 19ª posição. Com nota média de 63,01 em um total de 100 pontos nas oito dimensões avaliadas, o governo estadual de Santa Catarina agora figura no penúltimo posto da lista dentro do nível “Bom”. Os pontos mais críticos que precisam ser melhorados, segundo o relatório, são nas dimensões “Legal” e “Participação Social”, ambos com nota 35,0 em 100.