Pesquisadores do Politeia trabalham em rede para promover o desenvolvimento territorial sustentável em Santa Catarina

Em uma iniciativa que integra universidade, governo e sociedade, professores da Udesc Esag, por meio do grupo de pesquisa Politeia, e da UFSC estão construindo uma rede de cooperação voltada ao desenvolvimento territorial sustentável. O foco do projeto é identificar e valorizar os chamados “ativos territoriais” — produtos e serviços únicos que possuem o DNA de suas regiões — para gerar renda e preservar a identidade cultural catarinense.

O professor Valério Alécio Turnes, da Udesc Esag, um dos principais articuladores dessa rede, destaca que o desenvolvimento não deve ser visto apenas sob a ótica dos grandes centros industriais, mas também a partir da riqueza oculta nas pequenas propriedades e comunidades rurais. Segundo o pesquisador, Santa Catarina possui uma diversidade de produtos com potencial de diferenciação no mercado global.

O projeto foi destaque no programa “Vamos Conversar”, da TVAL (Assembleia Legislativa de Santa Catarina – Alesc). Além da participação do professor Valério, o programa contou também com os professores Ademir Antônio Cazella e Paola Rebollar, da UFSC, e com a professora Ivoneti da Silva Ramos, da Udesc Esag. A temática dialoga com a linha de pesquisa Planejamento e Gestão Territorial, do Grupo de Pesquisa Politeia, do qual fazem parte os dois professores da Udesc envolvidos na iniciativa, reforçando a articulação entre investigação acadêmica e ações voltadas ao desenvolvimento territorial.

Cesta de Bens e Serviços Territoriais

A metodologia defendida pelo professor Valério e sua equipe baseia-se no conceito de “cesta de bens e serviços territoriais”. “Não se trata apenas de vender um produto, como um queijo ou um artesanato, mas de oferecer o território como um todo. Quando o consumidor adquire um produto local, ele está levando consigo a história, a paisagem e o modo de vida daquela região”, explica o professor.

O projeto busca sensibilizar gestores públicos e comunidades para que reconheçam esses ativos. A dificuldade em calcular o valor exato dessa “renda subterrânea” — aquela gerada em pequenos espaços de comercialização — muitas vezes leva à sua subestimação. Para o professor da Udesc, porém, ela é a chave para fixar o jovem no campo e garantir a sustentabilidade econômica de municípios que não teriam outro caminho no mundo globalizado.

Parceria Udesc e UFSC

O trabalho em rede de professores da Udesc Esag e da UFSC integra esforços de ensino e extensão para aplicar essas teorias na prática da política territorial catarinense. A parceria reforça o papel das universidades públicas como motores de inovação social, conectando o conhecimento científico às necessidades reais dos territórios rurais.

Para o futuro, a meta é que essa conscientização territorial seja incorporada permanentemente às políticas públicas, transformando regiões administrativas em territórios de desenvolvimento sustentável, onde a preservação ambiental e a valorização cultural caminhem juntas com o crescimento econômico.

Em Brasília, líder do Politeia atua na cocriação da Agenda de Ação COP30 durante Fórum Interconselhos 

Pesquisadora da Esag Udesc, Karin Vieira da Silva, esteve na capital do país para integrar o Fórum Interconselhos do Governo Federal. Do encontro, saiu a redação de um documento com sugestões para a Agenda de Ação do Brasil para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes – COP30).

Professora Esag Udesc e pesquisadora do Politeia, Karin Vieira da Silva | Foto Arquivo Pessoal.

Terminou na última sexta, 17, em Brasília, na UnB, a mobilização de conselheiros de todo país e a redação de documento final com soluções e propostas para Agenda de Ação COP30, construído com ampla participação social, de olho na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30. O evento contou também com a participação dos membros do Fórum de Participação Social na Amazônia Legal. A professora da Udesc Esag e conselheira Karin Vieira da Silva, uma das líderes do grupo Politeia, foi uma das participantes.  

Ela integrou o Fórum Interconselhos, que juntou durante dois dias representantes de mais de 60 conselhos da sociedade civil que atuam junto ao governo federal. A pesquisadora do Politeia foi convidada para o evento como conselheira representante do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção – CTICC, órgão consultivo vinculado à estrutura da Controladoria-Geral da União, cuja agenda trabalho nos dois dias foram destinadas à construção de propostas para a Agenda de Ação da COP30

“Uma das maiores contribuições do fórum interconselhos é criar um espaço de diálogo e deliberação coletiva com representantes das mais diversas aéreas e regiões do país. É uma importante consolidação dos espaços de participação social no Brasil, pauta cara à agenda de pesquisa do grupo Politeia”, descreveu Karin, que ressaltou a produção de um documento final que reúne as proposições selecionadas e cocriadas nestes dias.

Outras universidades públicas brasileiras, além da Udesc Esag, também compõem o CTICC: 1) Universidade de Brasília (UnB), 2) Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Veja a lista completa de membros aqui.

Diálogos e abertura para avançar nas ODS 

Segundo o governo federal, a participação social está no centro da construção da Agenda de Ação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). No encontro, os conselheiros refletiram, debateram e cocriaram ações em seis eixos principais da Agenda de Ação: Energia, Indústria e Transporte; Florestas, Oceanos e Biodiversidade; Agricultura e Sistemas Alimentares; Cidades, Infraestrutura e Água; Desenvolvimento Humano e Social; e Catalisadores, que precisam acelerar financiamento, tecnologia e capacitação, segundo a organização do fórum.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou durante a cerimônia de abertura da COP que o governo brasileiro está comprometido com a transição justa e com o combate à crise climática. Ela destacou que o objetivo é que a conferência resulte em ações concretas, isto é, uma espécie de “COP da implementação”. Marina também disse torcer para que esta edição seja marcada pela “participação social qualificada”. 

Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marina Silva na conferência de abertura | Foto – Secom/UnB

Para a presidência do Fórum Interconselhos, o encontro foi um marco na articulação de mais de 60 conselhos nacionais de participação social, reunindo cerca de 280 movimentos sociais, redes e organizações da sociedade civil.