Blog do Grupo de Pesquisa Politeia – Coprodução do Bem Público: Accountability e Gestão, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas – UDESC/ESAG
Mais do que saciar a fome, comer é um ato carregado sentimentos, histórias, afetos e identidades que conectam as pessoas aos seus territórios. Foi com essa ideia que a Udesc Esag realizou, nesta quinta-feira (22), a 2ª edição do “Café Decolonial”, atividade da disciplina “Desenvolvimento Territorial Sustentável”, organizada pela professora Maria Letícia Xavier, pesquisadora do grupo Politeia, com apoio da Direção de Extensão (DEX/Esag) e do Programa de Extensão Assessorem.
A alimentação, reforça a docente, é muito mais do que uma necessidade biológica: carrega signos e modos de vida de pertencimento, senso de comunidade e permite sociabilidades comunitárias. Segundo a docente, o objetivo pedagógico da atividade foi valorizar esse rico patrimônio alimentar como expressão e extensão da cultura e como recurso para o desenvolvimento e produção de memória dos territórios.
Na prática, o convite pedia para que cada aluno e aluna participassem do momento de partilha com um prato afetivo que remetesse às origens territoriais, memórias da infância, tradições familiares e à experiência significativa de trajetória pessoal com aquele alimento-símbolo. “Mais do que compartilhar, a ideia foi estimular relações culturais e alimentares, sociais e territoriais”, sintetizou a docente.
Ao todo, 23 alunos e alunas e trouxeram seus pratos, entre eles: 1) bolo de macaxeira, tradicional de Sergipe, região de origem da aluna Maria Isabel; 2) caldo-de-cana para representar a cultura sucro alcooleira do interior paulista, trazido pelo estudante Pedro Brossi, natural de Piracicaba e 3) até o chimarrão tão tradicional da cultura gaúcha.
Não faltou também o clássico doce de brigadeiro, paçoca e os tradicionais refrigerantes regionais como Guaraná Pureza, Cini e Laranjinha da marca catarinense Água da Serra, fundada em Braço do Norte, em 1943.
No cardápio, o café, bebida tradicional nas casas brasileiras foi especial: para esta edição, a bebida foi preparada pelo paí da aluna Vitória, repetindo o gesto que ele realizada todo dia: passar o café no bule antes de todo mundo acordar.
Completando os pratos, o salame remeteu à forte presença dos planteis de suíno do Sul de Santa Catarina e as cucas de banana e goiabada fizeram referência à presença germânica no estado.
Debate sobre segurança alimentar e nutricional
Para ampliar a reflexão, após o café, a turma também assistiu ao documentário Muito Além do Peso[veja aqui]. Em seguida, o grupo fez um debate sobre alimentação, consumo, indústria alimentar, desigualdades e os desafios para a construção de sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e justos.
“Queremos que o Café Decolonial seja um espaço de encontro, diálogo e aprendizagem coletiva, no qual nossas experiências cotidianas se conectam às discussões sobre patrimônio alimentar e cultural, desenvolvimento territorial e segurança alimentar e nutricional. Pensar o desenvolvimento dos territórios também é reconhecer as histórias que cabem em um prato e os saberes que se compartilham ao redor de uma boa, farta e democrática mesa”, detalhou a professora da disciplina.
Diversidade alimentar para reconhecer territórios
Para o aluno Michel Orival, a aula de sobre patrimônio alimentar surpreendeu. “Foi experiência maravilhosa. Aceitei a proposta da professora Maria Letícia de falar sobre o prato de oferenda que é dado a orixá Yemanjá divindade da umbanda. Foi muito bom compartilhar essa experiência criada pela nossa professora”, comentou o participante.
Já para a acadêmica Sabrina Louise, a aula, os sabores e as trocas sociais durante o “Café Decolonial” proporcionaram conhecer um pouco da cultura dos colegas e ampliar repertórios, paladares e percepções cultuais.
“Conheci meus amigos por meio da comida. Também pude compartilhar um pouco da minha história assim. Como nordestina, o cuscuz representa nossa identidade e herança familiar, além de ter um papel importante no sustento de muitas famílias. Poder compartilhar isso com a turma e ver tantas pessoas experimentando e gostando do cuscuz foi muito gratificante”.
A arte gráfica do convite foi criada pelos acadêmicos Felipe Solonca e Amanda Garcia.
Evento gratuito e sem necessidade de inscrição, das 14h30 às 17h30, antecede a programação do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), na Udesc Esag
Na próxima terça-feira, 27, a Udesc Esag sedia a Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”, que ocorre das 14h30 às 17h30, no auditório do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis. A atividade é gratuita, aberta ao público e não precisa inscrição. Saiba mais aqui, na página do evento.
Promovido pelo grupo de pesquisa Politeia e parceiros acadêmicos de diversas universidades e grupos de pesquisa, o painel integra a programação de abertura do VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre também na Udesc Esag, de 27 a 29 de outubro, com a participação de pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e de outros países lusófonos.
Acadêmicos de várias gerações e escolas debaterão a obra de Guerreiro Ramos
a) Programação da 1ª parte: painelistas, 14h30min às 16h
Ana Paula Paes de Paula (UFMG);
Genauto França Filho (UFBA);
Fernando Tenório (UFSC, UFT e UFFRJ);
Francisco Salgado Arteaga (Universidad del Azuay, Equador), convidado internacional, por vídeo;
Laís Silveira Santos, mediadora do painel (Udesc Esag)
b) Apresentação sobre o projeto e o significado desta sessão especial
Ariston Azevedo (UFRGS)
Paula Schommer (Udesc Esag e Politeia)
c) Programação da 2ª parte: comentários sobre Alberto Guerreiro Ramos e sua teorização, das 16h às 17h30min
Ariston Azevedo (UFRGS);
Coletivo Negro Guerreiro Ramos;
Elaine Cristina de Oliveira Menezes (Udesc Esag e pesquisadora do Politeia);
Francisco Gabriel Heidemann (Docente aposentado da Udesc e da UFSC, fundador dos grupos Politeia e Callipolis):
José Francisco Salm (Docente aposentado da Udesc e da UFSC, fundador do Politeia);
A contemporaneidade do pensamento de Guerreiro Ramos
A sessão reunirá especialistas para discutir a atualidade da obra do sociólogo Alberto Guerreiro Ramos diante dos desafios da administração pública, da gestão social, da economia solidária e da coprodução do bem público. O encontro é inédito e propõe uma reflexão sobre o momento atual da sociedade brasileira, seus desafios antigos e atuais.
Para a professora e pesquisadora do Politeia, Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, o evento ocupa lugar especial no percurso de pesquisas e debates do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na realidade (saiba mais aqui). “Guerreiro Ramos é um pensador que nos inspira e instiga. Suas ideias são fundamento de pesquisas, cursos e disciplinas de pós-graduação e graduação em administração pública na Udesc Esag e em diversas instituições”, afirma.
Mediadora do painel, a professora Laís Silveira Santos, da Udesc Esag, afirma que a sessão buscará relacionar as ideias de Guerreiro Ramos aos desafios atuais da gestão de e com pessoas nos países lusófonos. “Mais do que discutirmos as obras de Guerreiro, iremos refletir sobre seus desdobramentos nos dias de hoje”, declara.
Projeto e parcerias ampliam impacto das teorias do autor
A sessão integra o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade, idealizado pelo professor José Francisco Salm. A iniciativa resulta de parceria entre os grupos de pesquisa Politeia (Udesc Esag), Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (ORD/UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). O projeto promove a divulgação científica das ideias do sociólogo por meio de uma série temática de vídeos no YouTube.
O projeto conta com financiamento da Fapesc e da Udesc, por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (PAP). A sessão especial pré-Clag também tem o apoio do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (Prapeg) da Udesc Esag e do Coletivo Negro Guerreiro Ramos.
VIII CLAG: congresso terá dez eixos temáticos em três dias
Com foco nos desafios contemporâneos do setor público no espaço lusófono, o congresso ocorre de 27 a 29 de outubro de 2026, no campus da Udesc Esag, no bairro Itacorubi (baixe a programação completa aqui). A conferência de abertura será na noite do dia 27, logo após a sessão especial sobre Guerreiro Ramos, com a professora Maria Alexandra Cunha (FGV EAESP) e a presença dos professores Ricardo Ramos Pinto (ISCSP), Leonardo Secchi (diretor-geral da Esag) e da professora Ivoneti da Silva Ramos, presidenta da comissão organizadora e professora Elaine Menezes, presidenta da comissão científica do VIII GLAG.
O congresso terá mesas e apresentações de trabalhos em dez eixos temáticos: liderança e gestão de pessoas; governança e reformas das instituições do Estado; inovação, tecnologia e inteligência artificial; desafios da governança e finanças públicas; accountability, coprodução e transparência; desafios do desenvolvimento sustentável; processos colaborativos e novos arranjos organizacionais e institucionais; políticas públicas; Estado, administração pública e direito; e temas emergentes.
Agende-se!
Evento: Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública” Data e horário: terça-feira, 27 de outubro, das 14h30 às 17h30 Local: auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis), bairro Itacorubi Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição Programação completa:página oficial do evento aqui
Evento ofereceu variada programação voltada às metodologias, resultados e divulgação da produção científica da universidade, da graduação à pós-graduação, junto ao Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências da Administração e Socioeconômicas (V SPPG 2026)
Cientistas de iniciação científica do Politeia apresentaram pesquisas em curso sobre comunicação independente, injustiça ambiental e tecnologias sociais para mobilização comunitária
Depois de três dias de apresentação de trabalhos científicos, oficinas e debates, chegou ao fim, na última sexta-feira, 11, dois eventos de debates sobre pesquisas em curso e difusão e divulgação científica da Udesc Esag: o V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) e o 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC), encontros que incluíram a apresentação de resumos expandidos pelos estudantes e mediação crítica de professores, professoras e convidados externos.
Do grupo de pesquisa Politeia, na quinta-feira, 10, participaram da 36ª SIC e apresentaram trabalho científico os graduandos e graduandos de administração pública da Udesc Esag, Davi da Rosa Pizzolatti, Caroline Fraga Leimann e Maria Clara Borges Alegri, sob orientação da professora Paula Chies Schommer, acompanhados pela professora Karin Vieira da Silva, e Gustavo Schiphorst, coorientado pelo professor da Felipe César Marques.
Temas e problemáticas dos trabalhos de IC apresentados
Davi Pizzolatti apresentou a pesquisa “Justiça Climática e Tecnologias Sociais no Recife: a Comunidade Como Protagonista”.
RESUMO – No texto, o pesquisador em iniciação científica apresenta como a crise climática afeta diferentes grupos populacionais de maneira desigual e como grupos e organizações comunitárias desenvolvem tecnologias sociais para lidar com os desafios e construir soluções.
Na Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, o cenário é agravado pela localização no litoral e pela frequência de eventos extremos. Em áreas vulneráveis, como a bacia do Rio Beberibe, na qual a maioria da população é negra, problemas históricos de falta de moradia digna e infraestrutura precária (saneamento, mobilidade, segurança pública) deixam os moradores expostos aos efeitos de alagamentos, enchentes e desmoronamentos, configurando quadros de injustiça ambiental.
Diante da falta de apoio público e dos riscos ambientais severos, diversas organizações e grupos comunitários de Recife e região têm desenvolvido tecnologias sociais – formas singulares de se organizar, comunicar, engajar, demandar ação e informação do poder público e de se proteger contra desastres. A partir desse tipo de iniciativa, grupos e coletivos resistem e combatem o racismo ambiental, além de conscientizar os moradores e fortalecer a resistência dos territórios.
Caroline Fraga Leimann compartilhou a pesquisa “Meios de Comunicação para Mobilização Social: o caso do Coletivo Redes do Beberibe”.
RESUMO – A estudante contextualiza o fato de que a internet se consolidou como a principal ferramenta para conectar pessoas em rede. No Brasil, as conexões alcançam 88% da população. Hoje, estima-se que 70% dos brasileiros usam ativamente redes sociais como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. Nesse cenário, as plataformas digitais se tornaram o canal principal para a troca de informações, mobilização digital e a interação social por meio de plataformas de comunicação.
É dentro dessa dinâmica digital que atua o Redes do Beberibe, um coletivo de mídia independente do Recife, Pernambuco. O grupo adota a comunicação popular para visibilizar informações e demandas dos moradores da Bacia do Rio Beberibe, em pautas que denunciam moradia em risco, problemas ambientais e o descaso do poder público na região. A partir desta atuação, o estudo analisa a experiência do coletivo para compreender como as mídias independentes e a produção comunitária ajudam a promover engajamento em causas públicas e sociais hiperlocais.
A acadêmica Maria Clara Borges Alegri partilhou o trabalho “Ocupação Urbana, Infraestrutura e Injustiça Ambiental em Recife e Olinda”.
RESUMO – O trabalho apresenta dados sobre a história da ocupação urbana e a infraestrutura na bacia do Rio Beberibe, em Recife e Olinda, sob a ótica da justiça ambiental. Embora o Rio tenha relevância histórica para Pernambuco, o crescimento urbano no seu entorno escancara desigualdades sociais: sem opções de moradia, famílias pobres e majoritariamente negras passaram a ocupar e residir em áreas de risco.
A falta de planejamento urbano adequado expõe essas populações a desastres ambientais frequentes e evitáveis. O trabalho aponta que a omissão do poder público e a demora na aplicação de políticas sociais perpetuam o sofrimento de quem vive na beira do rio, ao mesmo tempo em que destaca a força das mobilizações comunitárias na busca por mudanças.
O acadêmico Gustavo Schiphorst desenvolveu a pesquisa “Finanças Públicas Municipais: Uma Análise da Autonomia Fiscal das Capitais Brasileiras”.
RESUMO – Schiphorst e Marques partem do princípio que a autonomia financeira dos municípios é um dos pilares do modelo político brasileiro. É este sistema que confere às cidades o poder de arrecadar impostos próprios, a exemplo do IPTU, ISS e ITBI. No entanto, na prática, a maior parte do dinheiro arrecadado no país continua concentrada no governo federal.
Com isso, os repasses de recursos vindos da União e dos estados, a exemplo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), tornaram-se a principal fonte de renda para o funcionamento e operação das cidades. Para entender o cenário, os pesquisadores analisaram até que ponto as 26 capitais do Brasil dependem dessas verbas externas para financiar serviços e obras públicas. A investigação científica acompanhou a evolução das finanças municipais ao longo de uma década, entre os anos de 2015 e 2024, para checar se essa dependência diminuiu ou aumentou com o passar do tempo.
36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)
O SIC é a primeira experiência de muitos estudantes na construção do conhecimento acadêmico por meio de comunicações orais e apresentação de trabalhos científicos. A programação contou com a presença de avaliadores externos, medida que amplia a visibilidade dos trabalhos desenvolvidos na Udesc Esag e possibilita debates que contribuem para o aprimoramento das pesquisas.
“Foi muito interessante ter apresentado o trabalho pela primeira vez, sobretudo para avaliadores que nos dão feedback contributivo ali na hora, entre comentários, devolutivas e colaborações. Outra questão valiosa foi a oportunidade de integração que tivemos, já que nosso trio de pesquisa apresentou três recortes temáticos de pesquisa a partir de um objeto: justiça climática e tecnologia social, ocupação urbana e infraestrutura e comunicação”, sintetizou o pesquisador de IC e bolsista do Politeia, Davi da Rosa Pizzolatti.
Os estudos apresentados pelos estudantes são parte de pesquisas em curso no âmbito do curso de administração pública da Udesc Esag e do grupo de pesquisa Politeia. Cada estudante focalizou no evento um aspecto específico, conforme seu interesse e buscando contribuir para o conhecimento mais amplo sobre o tema, de diferentes perspectivas.
V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG)
Integração acadêmica e divulgação da produção científica – O V Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (V SPPG) da Udesc Esag encerrou sua programação na sexta-feira, 11, reunindo estudantes, professores e pesquisadores. O evento promoveu a integração e a visibilidade da produção acadêmica por meio de palestras, oficinas, debates e apresentações de trabalhos. Haverá publicação nos anais do evento, com possibilidade de fast track para revistas científicas.
Com o tema “Ciência para a Sociedade: pesquisas em Administração, Administração Pública e Economia”, a edição tratou de debater transformações institucionais, avanços tecnológicos e novas formas de governança. Como em outros anos, a proposta do encontro é promover a disseminação de conhecimento prático e teórico voltado à resolução dos desafios atuais das organizações e da comunidade.
36º Seminário de Iniciação Científica (SIC)
Apresentação dos resultados de pesquisas acadêmicas – O 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC) reúne alunos e professores dos cursos de Administração, Administração Pública e Ciências Econômicas para expor os resultados de seus projetos. O evento serve como vitrine para a produção científica da instituição, promovendo a troca de experiências entre bolsistas, orientadores e órgãos financiadores.
Compartilhar resultados das pesquisas do Politeia e de parceiros de ação é uma principais das formas de circular conhecimento novo produzido por pesquisadoras e pesquisadores do grupo, ampliar redes e parcerias e estimular a coprodução de soluções inovadoras para a gestão pública.
Evento durou três dias e reuniu legisladores, pesquisadores e sociedade civil (fotos: Assessoria da Câmara de Itajaí)
Foi com esse propósito que a pesquisa aplicada Parlamento Aberto foi apresentada durante a Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação, de 10 e 12 de agosto, na sede da Câmara de Vereadores de Itajaí.
Professora e pesquisadora Karin Vieira da Silva, uma das líderes do Politeia, trouxe bastidores da pesquisa e detalhou relevância do tema para pensar o futuro do legislativo
Promovido pela Escola do Legislativo da cidade, Maria Rosa Heleno Schulte, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPGPP) da Univali, o evento acadêmico teve palestras e sessões temáticas para presentação de artigos, além da apresentação estudos de casos. Assista aqui às apresentações dos artigos e cases no último dia de evento, dia 12, quarta-feira.
Pesquisadores e servidores da Alesc e da Escola do Legislativo em parceria no evento
O evento reuniu agentes públicos, políticos, pesquisadores e estudantes da Região da Foz do Rio Itajaí, com o objetivo de fomentar a discussão sobre políticas públicas e promover espaços de diálogo e construção coletiva entre prefeituras, acadêmicos, câmaras de vereadores e sociedade civil.
O grupo de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, esteve presente no evento por meio da professora Karin Vieira da Silva, uma das lideranças do grupo. Em parceria com o Politeia, foi apresentado o trabalho “Educação legislativa, políticas públicas e parlamento aberto: a experiência da Escola do Legislativo da Alesc em Câmaras Municipais Catarinenses”, de autoria de Laura Josani Andrade Correa, da Escola do Legislativo da Alesc.
“A participação em espaços como a Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação é uma oportunidade importante para aproximar a produção acadêmica das experiências concretas da gestão pública. No caso do Parlamento Aberto, esse diálogo permite compartilhar resultados de pesquisa, conhecer diferentes realidades e construir coletivamente alternativas para fortalecer a participação, a transparência e a inovação nas instituições públicas”, comentou a pesquisadora do Politeia e professora da Esag.
Pesquisadora e servidora da Escola do Legislativo, Laura Josani Andrade Correa
De cultura da inovação a projetos territoriais
No primeiro dia, segunda-feira (10), a programação trouxe experiências de integração municipal, com apresentações da AMFRI e do CIM-AMFRI, além de palestras sobre mobilidade urbana regional e sobre a integração dos poderes legislativos, com participação da Federação das Câmaras de Vereadores de Santa Catarina (UVESC).
Público pôde interagir com autores e autoras sobre as produções científicas em debate
No dia seguinte, as discussões tiveram foco em debates técnicos sobre captação de recursos para projetos territoriais, estratégicas na gestão de pessoas e formas de promover a cultura de inovação no setor público, incluindo temas especiais como reflexos de decisões do STF na legislação municipal.
O último dia foi dedicado às pesquisas científicas, com abertura dos trabalhos a partir da palestra “Políticas Públicas e Ciência” e a apresentação dos 17 cases e artigos científicos aprovados.
Evento online que ocorre na terça-feira, 18, às 15h, discutirá aprendizados, principais desafios e novas perspectivas de atuação social e participativa junto aos tribunais de contas no Brasil
Estão abertas as inscrições para o 6º e último webinário da série “Participação Cidadã e Controle”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em parceria com Udesc e o Grupo de Pesquisa Politeia e Instituto Instituto Serzedello Corrêa (ISC).
O evento de fechamento de ciclo terá o tema “Aprendendo conjuntamente entre Tribunais de Contas e Sociedade Civil para um controle público mais efetivo” e será realizado no dia 18 de agosto, próxima terça-feira, às 15h. Clique aqui para se inscrever.
O webinário debaterá as principais ações apresentadas ao longo dos eventos anteriores, incluindo casos, diagnósticos e projetos especiais. Haverá, ainda, discussão sobre os desafios organizacionais dessa abertura institucional nos tribunais de contas do país.
Entre os painelistas estão Aurelio Toaldo, auditor federal de Controle Externo do TCU e Chefe do Serviço de Participação Cidadã da Secretaria de Relações Institucionais (SRI); Luiz Gustavo Andrioli, auditor e especialista sênior do TCU. Ele colaborou na elaboração do “Referencial de Participação Cidadã”, do “Guia fiscalizando com o Cidadão no Foco” e “Orientações para formalização de um Compromisso Cidadão”; Marcos Mendiburu, especialista em participação cidadã no controle público e em transparência e Roni Enara, diretora-executiva do Observatório Social do Brasil (OSB).
Segundo Andrioli, o 6º webinário Participação e Cidadã e Controle encerrará a série sobre participação cidadã com uma reflexão sobre os principais aprendizados, desafios e perspectivas para fortalecer essa agenda no campo dos tribunais de contas do Brasil.
“Debateremos como consolidar o cidadão no centro do controle, ampliar a cooperação com a academia e a sociedade e transformar experiências em práticas institucionais permanentes”, explicou.
A mediação será feita novamente pela professora Paula Chies Schommer, docente do curso de Administração Pública Udesc Esag e uma das líderes do grupo de pesquisa Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade.
“Essa série de eventos foi um marco. Ela trouxe ao público a perspectiva das variadas práticas de participação cidadã que são realizadas junto aos tribunais de contas, mostrou como se faz, os resultados já alcançados e o que ainda pode ser melhorado e ampliado”, finalizou Paula.
Veja, abaixo, como foram edições anteriores em vídeo e texto de cada webinário:
Evento:6º Webinário Participação Cidadã e Inovação no Controle “Aprendendo conjuntamente entre Tribunais de Contas e Sociedade Civil para um controle público mais efetivo”
Publicação referencial foi produzida pelo pesquisador do Politeia José Francisco Salm e pelas pesquisadoras Paula Chies Schommer, Elaine Cristina de Oliveira Menezes e Vanessa Marie Salm
A revista científica Organizações & Sociedade (O&S), da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), publicou esta semana o artigo intitulado “Modelos para a Coprodução do Bem Público a partir de Tipologias de Participação” (leia ou baixe o paperaqui), assinado pelos pesquisadores José Francisco Salm, Paula Chies Schommer, Elaine Cristina de Oliveira Menezes e Vanessa Marie Salm.
O trabalho tem como objetivo propor modelos heurísticos para a coprodução dos serviços públicos, a partir das tipologias de participação desenvolvidas por Arnstein (1969), Pretty (1995) e White (1996), autores clássicos e referenciados no campo da participação cidadã.
Para isso, os pesquisadores conceituam, no âmbito da administração pública, noções como coprodução dos serviços públicos, empoderamento, accountability, participação, esfera pública e modelos heurísticos, e discutem uma visão geral da participação do cidadão na esfera pública e as tipologias de participação propostas por cada um dos três autores.
Assista ao vídeo de divulgação do artigo, apresentado pelo professor Francisco José Salm, nesta gravação especial exclusiva para a revista Organização & Sociedade (O&S).
Discussão proposta
A partir da comparação entre as três tipologias de participação e por meio da Redução Sociológica proposta por Guerreiro Ramos (1996), os autores elaboram uma síntese dessas tipologias, identificando-as como: participação nominal ou manipulativa; participação simbólica; participação funcional; participação representativa com sustentabilidade e participação com automobilização da comunidade. Em seguida, articulam essa síntese com a literatura sobre coprodução acumulada ao longo do tempo, relacionando os autores sobre coprodução com cada uma das tipologias contidas na síntese sobre participação.
No artigo, evidencia-se que a administração pública recorre a diferentes estratégias para produzir serviços à população, passando por órgãos burocráticos públicos e privados, organizações do terceiro setor, associações comunitárias, grupos informais e os próprios cidadãos. É a partir desse cenário, cada vez mais complexo e organizado em rede, que o artigo dos pesquisadores do Politeia se torna útil e atual, contribuindo para uma nova perspectiva conceitual ao tema e ao campo da administração pública.
Autoras e autor comemoraram a nova publicação, dada sua relevância e ineditismo conceitual
Assim, para as autoras e o autor do artigo, a coprodução é um fenômeno complexo que exige elaboração conceitual permanente, pois pode estar associado tanto à eficiência e à redução de custos quanto à participação mais ampla do cidadão na administração e na esfera pública. É justamente essa conexão, entre a participação política do cidadão e a produção de serviços públicos (inclusive quando mediada por tecnologia) que, segundo o artigo, abre uma nova perspectiva para a área.
A abordagem, destacam os pesquisadores, amplia o debate para além da tradicional dicotomia entre o tecnicismo da burocracia e a política, ou entre a eficiência governamental e os aspectos sociopolíticos da administração pública. Abre espaço para novos estudos sobre participação, tomada de decisão, accountability, empoderamento e articulação comunitária.
Contribuição acadêmica
Segundo os autores, esses modelos podem ser referência para os profissionais de administração pública que necessitam de orientação para o desenvolvimento e o aprimoramento de sistemas de coprodução dos serviços públicos e para aqueles que se dedicam ao trabalho acadêmico no campo da administração pública, incluindo possibilidades de estudos futuros.
O projeto de pesquisa aplicada “Parlamento Aberto: Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores Catarinenses”, concluído em dezembro de 2025, sob coordenação do Grupo de Pesquisa Politeia (Udesc Esag), também resultou em diversos produtos científicos, para além dos debates, devolutivas e implementações no legislativo municipal de Santa Catarinense. É o que fica disponibilizado e reunido neste post, para os leitores e leitoras do blog.
Neste post, disponibilizamos os três relatórios do projeto, sendo: 1) “Cozinhando Juntos: Metodologia de Coprodução Legislativa”; 2) Dados em Educação: Transparência no acesso e gestão de vagas na educação infantil (filas de creches) e 3) “Sistematização de trabalho de pesquisa aplicada na região da Acamosc”.
Entenda o projeto
Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o projeto Parlamento Aberto testou uma metodologia de formação-pesquisa-ação em duas regiões catarinenses: a Associação de Câmaras e Vereadores do Vale do Itapocu (Avevi) e a Associação das Câmaras Municipais do Oeste de Santa Catarina (Acamosc), com o propósito objetivo de fortalecer participação social, transparência e práticas de parlamento aberto nas Câmaras Municipais. O trabalho já rendeu reconhecimento nacional, como finalista do Prêmio ABEL, e apresentações em eventos internacionais, incluindo a Cúpula Global da Parceria para Governo Aberto, na Espanha.
O relatório técnico “Cozinhando Juntos: Metodologia de Coprodução Legislativa” é um dos produtos da pesquisa aplicada Parlamento Aberto: Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores de Santa Catarina. Trata-se de um guia prático que propõe uma metáfora gastronômica para explicar como cidadãos e parlamentares podem “cozinhar” leis de forma colaborativa.A ideia central é que a elaboração de leis não deve acontecer a portas fechadas, mas sim em uma “cozinha aberta”, onde a sociedade civil ajuda a escolher os ingredientes e a testar a receita.
No relatório técnico da Acamosc, nomeado “Relatório Técnico Sistematização de trabalho de pesquisa aplicada na região da Associação das Câmaras Municipais do Oeste de Santa Catarina (Acamosc)” os pesquisadores e pesquisadoras relatam como foi sistematizar a metodologia de formação-pesquisa-ação voltada à coprodução de soluções de parlamento aberto nas Câmaras Municipais, a partir de problemas reais indicados pelos próprios vereadores. O trabalho foi estruturado em cinco etapas: na primeira, a equipe definiu critérios para a escolha do tema a ser trabalhado, como regionalidade, relação com a atuação legislativa municipal e viabilidade de execução. Em seguida, foi realizada, em maio de 2025, uma oficina de cocriação com vereadores e servidores das Câmaras associadas, que resultou no mapeamento de problemas distribuídos em seis categorias como saúde, infraestrutura e funcionamento das casas legislativas. Diante desse diagnóstico, a equipe definiu como foco prioritário o papel do vereador como “articulador” das demandas da população.
O Relatório Técnico “Dados em Educação: Transparência no acesso e gestão de vagas na educação infantil (filas de creches) apresenta a fase piloto do projeto “Parlamento Aberto”, realizada entre novembro de 2023 e outubro de 2025, nesta fase na região Associação de Câmaras e Vereadores do Vale do Itapocu (Avevi), que reúne os municípios de Jaraguá do Sul, Massaranduba, Barra Velha, São João do Itaperiú, Corupá, Schroeder e Guaramirim. O projeto foi conduzido em seis etapas: definição do foco em dados de educação, entrevistas com atores-chave da região, oficina de alinhamento em Jaraguá do Sul, fase de pesquisa sobre experiências de referência (como o “Vaga na Creche” de São Paulo e sistemas da SED/SC, Blumenau e Palhoça), oficina de cocriação em Chapecó e Jaraguá do Sul, e reunião final de encerramento.
O estudo apontou que o acesso a vagas em creches na região é um problema complexo, intensificado pelo crescimento demográfico e pela falta de integração entre os sistemas municipais, que hoje variam entre plataformas comerciais e planilhas simples, com diferentes níveis de transparência, interoperabilidade e acesso transparente.