Novo artigo publicado propõe modelos para a coprodução de serviços públicos a partir das tipologias de participação social 

Publicação referencial foi produzida pelo pesquisador do Politeia José Francisco Salm e pelas pesquisadoras Paula Chies Schommer, Elaine Cristina de Oliveira Menezes e Vanessa Marie Salm

A revista científica Organizações & Sociedade (O&S), da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), publicou esta semana o artigo intitulado “Modelos para a Coprodução do Bem Público a partir de Tipologias de Participação” (leia ou baixe o paper aqui), assinado pelos pesquisadores José Francisco Salm, Paula Chies Schommer, Elaine Cristina de Oliveira Menezes e Vanessa Marie Salm. 

O trabalho tem como objetivo propor modelos heurísticos para a coprodução dos serviços públicos, a partir das tipologias de participação desenvolvidas por Arnstein (1969), Pretty (1995) e White (1996), autores clássicos e referenciados no campo da participação cidadã.

Para isso, os pesquisadores conceituam, no âmbito da administração pública, noções como coprodução dos serviços públicos, empoderamento, accountability, participação, esfera pública e modelos heurísticos, e discutem uma visão geral da participação do cidadão na esfera pública e as tipologias de participação propostas por cada um dos três autores.

Assista ao vídeo de divulgação do artigo, apresentado pelo professor Francisco José Salm, nesta gravação especial exclusiva para a revista Organização & Sociedade (O&S).

Discussão proposta

A partir da comparação entre as três tipologias de participação e por meio da Redução Sociológica proposta por Guerreiro Ramos (1996), os autores elaboram uma síntese dessas tipologias, identificando-as como: participação nominal ou manipulativa; participação simbólica; participação funcional; participação representativa com sustentabilidade e participação com automobilização da comunidade. Em seguida, articulam essa síntese com a literatura sobre coprodução acumulada ao longo do tempo, relacionando os autores sobre coprodução com cada uma das tipologias contidas na síntese sobre participação. 

No artigo, evidencia-se que a administração pública recorre a diferentes estratégias para produzir serviços à população, passando por órgãos burocráticos públicos e privados, organizações do terceiro setor, associações comunitárias, grupos informais e os próprios cidadãos. É a partir desse cenário, cada vez mais complexo e organizado em rede, que o artigo dos pesquisadores do Politeia se torna útil e atual, contribuindo para uma nova perspectiva conceitual ao tema e ao campo da administração pública.

Autoras e autor comemoraram a nova publicação, dada sua relevância e ineditismo conceitual

Assim, para as autoras e o autor do artigo, a coprodução é um fenômeno complexo que exige elaboração conceitual permanente, pois pode estar associado tanto à eficiência e à redução de custos quanto à participação mais ampla do cidadão na administração e na esfera pública. É justamente essa conexão, entre a participação política do cidadão e a produção de serviços públicos (inclusive quando mediada por tecnologia) que, segundo o artigo, abre uma nova perspectiva para a área.

A abordagem, destacam os pesquisadores, amplia o debate para além da tradicional dicotomia entre o tecnicismo da burocracia e a política, ou entre a eficiência governamental e os aspectos sociopolíticos da administração pública. Abre espaço para novos estudos sobre participação, tomada de decisão, accountability, empoderamento e articulação comunitária.

Contribuição acadêmica 

Segundo os autores, esses modelos podem ser referência para os profissionais de administração pública que necessitam de orientação para o desenvolvimento e o aprimoramento de sistemas de coprodução dos serviços públicos e para aqueles que se dedicam ao trabalho acadêmico no campo da administração pública, incluindo possibilidades de estudos futuros. 

Christian Lynch em Florianópolis para debate e lançamento de livro na UDESC

O pesquisador e professor Christian Lynch, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), estará em Florianópolis no dia 8 de agosto para uma intensa programação na UDESC ESAG. Além de participar da gravação de mais um episódio do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, Lynch lançará seu mais recente livro e integrará o debate público “Sobre fundações: Guerreiro Ramos e o pensamento político brasileiro”. 

O lançamento do livro e o debate serão realizados no Plenarinho da UDESC ESAG, das 15h às 17h, com entrada gratuita e abertos ao público. Já a gravação do vídeo ocorrerá pela manhã, nas dependências da universidade, com a equipe do Diálogos sobre Guerreiro Ramos — projeto que tem ganhado projeção no YouTube e que propõe discutir desafios contemporâneos da administração pública à luz da obra de Guerreiro Ramos, em vídeos, com linguagem acessível e caráter formativo. 

Doutor em Ciência Política pelo antigo IUPERJ (atual IESP-UERJ), Lynch é professor de Pensamento Político Brasileiro na mesma instituição e autor do livro Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil (Topbooks, 2024), que será lançado na ocasião. Após o debate, o público poderá participar de uma sessão de autógrafos com o autor. O livro estará à venda no local. 

A mesa será mediada pela professora Paula Schommer (Udesc Esag Politeia) e o debate contará com a presença dos demais pesquisadores participantes do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: Ariston Azevedo (UFRGS e  NEPP/UFSC), Sergio Boeira (UFSC/ORD), José Francisco Salm (UDESC), Francisco G. Heidemann (UDESC) e Elaine Menezes (UDESC). O debate ocorrerá das 15h às 16h30, seguido do lançamento do livro.

No centro da obra está a tese de Lynch de que o pensamento político brasileiro não é uma mera imitação do modelo europeu, mas uma formulação original — fruto de uma revolução monárquica travestida de revolução oligárquica. Ao analisar a formação do Estado em países como Inglaterra, França e Portugal, o autor argumenta que o Brasil, situado na periferia do mundo iluminista, apropriou-se do republicanismo francês para sustentar os privilégios da nobreza colonial e bloquear a constituição de um Estado democrático. Trata-se, segundo Lynch, de uma inversão do projeto europeu original.

Esse espaço de debate resgatará, também, o projeto de teorização do Brasil realizado pelo autor brasileiro Alberto Guerreiro Ramos, desde os anos de 1950. De 1950 até sua morte, nos anos de 1980, Guerreiro Ramos traz uma interpretação original sobre a tradição do pensamento social e político brasileiro, bem como um quadro analítico da sociedade brasileira por meio de grandes categorias explicativas. Tais reflexões sugerem indagar como Guerreiro Ramos pensaria o Brasil hoje, por meio dessas grandes categorias.

Sobre o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos

Criado há três anos, o Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade tem tratado de temas teóricos, categorias de análise e suas aplicações  de forma clara e acessível, por meio de vídeos no YouTube. O projeto é resultado da colaboração entre três grupos de pesquisa: Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade (Udesc Esag), ORD – Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). Atualmente, conta com sete vídeos publicados e diversos materiais complementares, além de um projeto piloto de podcast em desenvolvimento. O projeto tem apoio da Fapesc.

A gravação do episódio com Christian Lynch está prevista para a manhã de 8 de agosto, na UDESC ESAG.


Serviço

O quê: Debate “Sobre fundações: Guerreiro Ramos e o pensamento político brasileiro” e lançamento do livro Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil, de Christian Lynch
Quando: 8 de agosto de 2025 (sexta-feira), das 15h às 17h
Onde: Plenarinho da UDESC – Avenida Madre Benvenuta, 2007, Florianópolis – SC
Quanto: Evento gratuito e aberto ao público

Extras: Sessão de autógrafos com o autor após o debate

Gravação: Pela manhã, será gravado novo episódio do programa Diálogos sobre Guerreiro Ramos, com Christian Lynch como convidado especial


Sobre Christian Lynch

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5709-9388

Christian Lynch é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ (2007), atual IESP-UERJ. Professor e pesquisador do IESP-UERJ e da Fundação Casa de Rui Barbosa, leciona  também no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Veiga de Almeida (UVA). É Jovem Cientista do Estado (FAPERJ), bolsista de produtividade do CNPq e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o Grupo de Trabalho em Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro da ANPOCS e a área temática correspondente na ABCP. Integra a diretoria do Instituto Brasileiro de História do Direito (IBHD) e é editor da Revista Insight Inteligência.

Foi pesquisador visitante no Centro Raymond Aron (EHESS, Paris) e na Fundação Casa de Rui Barbosa, além de lecionar nas Universidades Agostinho Neto (Angola) e Nacional de Cuyo (Argentina). Atuou como professor adjunto na UFF e na UNIRIO. É autor de Da Monarquia à Oligarquia: história institucional e pensamento político brasileiro (1822–1930) (Alameda, 2014) e Monarquia sem Despotismo e Liberdade sem Anarquia: o pensamento político do Marquês de Caravelas (UFMG).

Produções recentes do Prof. Lynch sobre Guerreiro Ramos:

LYNCH. C. Guerreiro Ramos, leitor de Eric Voegelin: teoria pós-colonial e alternativas à modernidade liberal. REVISTA DO LIVRO DA BIBLIOTECA NACIONAL, v. 20, p. 36-51, 2022.

LYNCH; C. MARRECA, P. P. Teoria pós-colonial e pensamento brasileiro na obra de Guerreiro Ramos: o pensamento político (1955-1958). REVISTA SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA, v. 11, p. 1025-1049, 2021.