Ao lado de lideranças globais, em Paris, pesquisadora do Politeia apresenta práticas brasileiras em governança para contratações públicas sustentáveis

Giselle (ao centro) apresentando pesquisa na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), em Paris, na Franca, esta semana.

A doutoranda do programa de Doutorado Profissional em Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do grupo Politeia, Giselle Floriano Coelho, participou nesta segunda-feira, 8, como painelista  no “Fórum de Compras Públicas Sustentáveis dos Líderes de Contratações de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento”, realizado em Paris, na França. Giselle é também servidora pública e atua como Coordenadora de Projetos na Diretoria de Estratégias em Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, vinculada à Secretaria de Gestão e Inovação do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. 

O evento ocorreu na sede do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB) e reuniu representantes de diferentes países para apresentação de práticas e projetos na área de contratações públicas sustentáveis. Durante o fórum, Giselle apresentou o trabalho“Designing an Integrated Governance Model for Sustainable Public Procurement: Lessons from Brazil’s National Strategy (ENCP)” ou em portugues “Concebendo um Modelo de Governança Integrada para Compras Públicas Sustentáveis: Lições da Estratégia Nacional do Brasil”.  

No trabalho, a autora mostrou experiências e dados do cenário brasileiro em formato de policy brief, um modelo de produção científica produzido para subsidiar decisões de gestores públicos. Segundo ela, que já retornou ao Brasil, a participação no fórum permitiu acompanhar discussões internacionais sobre temas de ponta na área das compras públicas verdes, dialogar com lideranças de contratações públicas de outros países e submeter aspectos de pesquisa a contribuições de especialistas estrangeiros.

O trabalho foi selecionado pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis (SusPP Resource Hub) na área temática de governança, junto a outros cinco policy briefs de autoras e autores da Espanha, Índia, Uganda, Itália e Reino Unido.

O que foi debatido no fórum 

Segundo a painelista, o fórum teve programação integralmente dedicada à temática das compras públicas, com pesquisadores e gestores de diferentes países e instituições de representação multilateral. Dentre elas, representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Mundial, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), do Banco Europeu de Investimento (EIB) e do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD). 

Pesquisadora e servidora pública, Giselle destacou que o principal ponto do Fórum foi estabelecer planejamento e políticas para médio e longo prazo na mitigação da crise climática e suas consequências a todos os povos e nações

Na mesa temática, Giselle teve a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

Para a doutoranda, a qualidade e relevância dos temas globais debatidos e as medidas estabelecidas como urgentes são um chamado para ação em rede, com financiamento e planejamento a médio e longo prazos para temas de agora, em múltiplas políticas para mitigação dos efeitos da crise climática. 

“Foi um evento de muita maturidade e com profissionais extremamente experientes, destinado a compartilhar boas práticas sobre o que de melhor é feito em cada país e iniciativas. Discutimos problemas comuns para projetos de sustentabilidade não de curto prazo. O recado do evento é que os países é esse: abandonar a versão de curto prazo e entender que para promover a sustentabilidade precisamos ter um custo a ser partilhado. E é com toda sociedade, caso contrário viveremos problemas ainda mais sérios pela frente”, alertou Giselle. 

Trabalhos serão publicados

Na mesa temática, Giselle teve a oportunidade de acompanhar e debater sobre relatos e experiências de seis países que conectam políticas, desafios e temas de pesquisa dentro de processos e projetos de descarbonização, inclusão social e financiamento climático às contratações públicas sustentáveis.

Após a apresentação, o trabalho recebeu a contribuição dos participantes do Fórum e de revisores da Argentina, Suíça e Dinamarca. Logo em seguida, com os eventuais ajustes e edição concluídos, os policy briefs serão publicados pelo Centro de Recursos em Compras Públicas Sustentáveis do SusPP Resource Hub e pelas demais plataformas parceiras. 

Novas pontes e internacionalização na pesquisa e na gestão pública 
Evento internacional permitiu estabelecer contatos com pesquisadoras que são referência no tema de Giselle aqui grupo Politeia

Entre as vivências resultantes dos debates, trocas e conversas, a pesquisadora do Politeia destacou novas pontes e contatos para futuras colaborações na temática de compras públicas, em especial com a professora Ximena Lazo Vitoria, que coordena o grupo de Investigação de Compras Verdes na Universidade de Alcalá de Henares, na Espanha, e a pesquisadora e professora, Sabrina Comotto, da Universidade Austral, da Argentina. 

Segundo a professora e orientadora de Giselle, Paula Chies Schommer, a participação da doutoranda nesse Fórum traz boas perspectivas de diálogo e colaboração internacional com outras universidades, governos e instituições especialistas em temas  de pesquisa que interessam ao Politeia e ao Programa de Pós-Graduação da Udesc Esag, fortalecendo a pesquisa científica e sua conexão com a atuação da acadêmica como servidora pública. 

“Com essa participação de caráter tanto profissional como científico, Giselle pôde apresentar e debater a pesquisa e sua experiência como servidora pública, já que atua na área da temática do fórum global, em um ministério brasileiro. Na França, a acadêmica esteve lado a lado com especialistas e gestores de vários países e s organizações globais, compartilhando avanços, desafios e aprendizagens que vem sendo construídas no Brasil na área de compras públicas sustentáveis. São novas conexões em rede que abrem e se formam, outras possibilidades de cooperação e melhorias em compras públicas sustentáveis, em várias partes do mundo. É pesquisa e prática como estimulamos aqui no doutorado profissional da Udesc Esag”, reforça Paula Schommer.  

Giselle iniciou o doutorado no segundo semestre de 2025 para desenvolver sua tese sobre o uso do poder de compra estatal na promoção de impactos sociais, ambientais e econômicos sustentáveis, tendo como um dos focos a construção da Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Nacional Sustentável. A Estratégia é liderada pelo Ministério da Gestão e Inovação do Governo Federal brasileiro, envolvendo diversos órgãos e níveis de governo e parceiros nos setores público, privado e na sociedade civil.

Sessão Especial Pré-CLAG, em outubro na Udesc, destaca a obra de Guerreiro Ramos e as pessoas no contexto da administração pública

O auditório do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas, Esag, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) será palco, no dia 27 de outubro, da Sessão Especial “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública”. 

O evento, gratuito e aberto ao público, será das 14h30 às 17h30, como atividade pré VIII Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública (CLAG), que ocorre na Udesc Esag de 27 a 29 de outubro (confira a programação), com a presença de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros e de outros países lusófonos.

O painel integra o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade, que tem o objetivo de promover o diálogo sobre conceitos e categorias da obra de Alberto Guerreiro Ramos que servem de base para a ação na atualidade. O projeto, idealizado pelo Professor José Francisco Salm, é resultado de uma parceria entre os grupos de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento, ORD, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

A iniciativa promove difusão e divulgação científica das ideias de Guerreiro Ramos por meio da Série Temática de Vídeos no YouTube. Conta com financiamento da Fapesc e da Udesc, no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa, PAP.  A sessão especial Pré-CLAG conta, também, com o apoio do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (PRAPEG) da Udesc Esag e o Coletivo Negro Guerreiro Ramos. 

Ideias de Guerreiro Ramos em debate 

O evento reunirá diversos pesquisadores para discutir a contemporaneidade do pensamento de Guerreiro Ramos para os desafios da administração pública atual, da gestão social, da economia solidária e da coprodução do bem público. Trata-se de um encontro inédito que debate o atual momento da sociedade brasileira e os seus desafios, antigos e novos.

Para a professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag, o encontro será um momento especial dentro de um percurso de pesquisas e debates que vêm ocorrendo no projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, realizado pelo grupo Politeia e parceiros pesquisadores da UFRGS e UFSC

“Guerreiro Ramos é um pensador que nos inspira e instiga. Suas ideias são fundamento de pesquisas, cursos e disciplinas de pós-graduação e graduação em administração pública na Udesc Esag e em diversas instituições e disciplinas. Será uma honra para nós sediarmos esse debate, reunindo em Florianópolis colegas de várias partes, dedicados a compreender e desenvolver ideias e categorias de análise desse grande intelectual e cientista brasileiro, o qual segue iluminando nossas reflexões e ações diante dos desafios da atualidade”, comenta Paula.  

O professor Ariston Azevedo, da UFRGS, também envolvido no projeto e na organização da sessão especial, está animado com a realização do encontro. 

“Estou com excelentes expectativas – e até um pouco ansioso, confesso – quanto à realização desse Painel. Dele participarão alguns dos pesquisadores mais reconhecidos quando o assunto são as ideias de Guerreiro Ramos. Será uma oportunidade ímpar de ouvi-los, pois, desde 2015, quando comemoramos, em um evento no Rio de Janeiro, o centenário de nascimento daquele sociólogo, Ana Paula Paes, Genauto França, Fernando Tenório e Francisco Salgado não se reúnem para abordar a influência de Guerreiro Ramos em suas trajetórias acadêmicas e em suas construções teóricas. Será imperdível”, declara o pesquisador e colaborador do projeto. 

Mediadora do painel, a professora da Udesc Esag, Laís Silveira Santos, a Sessão Especial Pré-CLAG será um momento especial para reunir pesquisadores, estudantes, praticantes e gestores para discutir as pessoas, no contexto da administração pública, sob a lente da obra de Alberto Guerreiro Ramos. 

“Vamos aproveitar a presença de um público qualificado e comprometido em discutir e melhorar o contexto nas pessoas na Administração Pública para realizar uma Sessão Especial ‘Diálogos sobre Guerreiro Ramos’, unindo as teorias e aplicações dos ensinamentos de Guerreiro ao evento internacional “Congresso Lusófono de Gestão de Recursos Humanos e Administração Pública”. Mais do que discutirmos as obras de Guerreiros, iremos refletir sobre seus desdobramentos nos dias de hoje e como podemos, por meio das pessoas e das práticas de gestão de e com pessoas, lidar com os desafios que a sociedade e as organizações impõem nos países lusófonos. Acredito que será um painel muito rico e sairemos com ainda mais inquietações”, convida Laís. 

Painelistas da Sessão Especial

Ana Paula Paes de Paula (UFMG) I Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem produção acadêmica voltada à teoria das organizações, gestão social e abordagens críticas na administração pública, fundamentadas também no referencial epistemológico de Guerreiro Ramos. Conheça mais sobre a convidada aqui

Genauto França Filho (UFBA) I Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Pesquisador especialista em economia solidária, gestão social e desenvolvimento territorial, mobilizando categorias analíticas de Guerreiro Ramos para o exame de enclaves socioeconômicos periféricos. Leia sobre a produção do convidado aqui. 

Fernando Tenório (FGV EBAPE) – Professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE). É um dos principais precursores do debate sobre cidadania deliberativa e gestão social no Brasil, com extensa trajetória dedicada à releitura crítica e à difusão da sociologia e da obra de Guerreiro Ramos. Conheça mais sobre o convidado aqui

Mediadora I Laís Silveira Santos (Udesc Esag) I Professora do Departamento de Administração Pública da Udesc Esag e pesquisadora do Grupo Politeia. Atua na coordenação de frentes de pesquisa do grupo aplicadas ao contexto governamental catarinense. Conheça o trabalho e a trajetória aqui

Ariston Azevêdo – Professor Titular da Escola de Administração da UFRGS. Graduado em Engenharia Mecânica e doutor em Sociologia Política pela UFSC, destaca-se como um dos principais especialistas da obra de Alberto Guerreiro Ramos. O convidado investiga temas como o Pensamento Social Brasileiro, Filosofia da Administração, Ética e Teoria das Organizações. Conheça a produção e ideias do convidado aqui. 

Coletivo Negro Guerreiro Ramos – Fundado em 2022, o Coletivo Negro Guerreiro Ramos é uma iniciativa de luta e articulação de estudantes da Udesc Esag. Oferece um espaço de diálogo, reflexão, desenvolvimento educacional e acolhimento dos discentes da universidade e da comunidade em geral, especialmente dos estudantes pretos e pardos. Leia mais aqui

CONVIDADO INTERNACIONAL (participação em vídeo) – Francisco Salgado Arteaga I Professor, reitor e pesquisador da Universidade de Azuay, no Equador. Ele vai apresentar suas conexões teóricas, o pensamento andino (Sumaq Kawsay) e as possibilidades de cocriação teórica com a redução sociológica de Guerreiro Ramos. Leia mais sobre ele neste link. 


AGENDE-SE 

O quê: Sessão Especial Pré-CLAG “Diálogos sobre Guerreiro Ramos: as pessoas no contexto da Administração Pública” 

Acesso: livre e gratuito, sem necessidade de inscrição 

Quando: terça-feira, 27 de outubro, das 14h30 às 17h30min

Onde: Auditório da Udesc Esag (campus Florianópolis) – bairro Itacorubi

Informações: https://www.udesc.br/esag/clag/programa%C3%A7%C3%A3o  

Aprendendo em conjunto entre Tribunais de Contas e sociedade civil para um controle público mais efetivo

Síntese de webinário #6, realizado em 18 de agosto de 2026

Por Marcos Mendiburu, Fernando Maccari e Paula Chies Schommer

Organizado pelo grupo de pesquisa Politeia da Universidade do Estado de Santa Catarina, Udesc, em conjunto com o Tribunal de Contas da União, TCU, e o Instituto Serzedello Corrêa, ISC, neste último webinário de uma série de seis, refletiu-se sobre as aprendizagens e mensagens-chave (take-aways) que mais ressoaram nesse ciclo de debates. Além disso, foram identificados temas que requerem atenção no futuro, de modo a continuar gerando conhecimento e promovendo aprendizagem sobre participação cidadã em Entidades Fiscalizadoras Superiores, EFS, ou Tribunais de Contas, TCs, no Brasil, envolvendo as diferentes partes interessadas, incluindo a academia. 

Com moderação da Professora Paula Chies Schommer, da Udesc, buscou-se promover um diálogo interativo entre os painelistas, em vez de realizar apresentações individuais. O painel foi composto por Aurelio Toaldo Neto, auditor do TCU e chefe do serviço de participação cidadã na Secretaria de Relações Institucionais do TCU, Luiz Gustavo Gomes Andrioli, auditor sênior do TCU e que liderou a elaboração do Referencial de Participação Cidadã do TCU, Roni Enara, diretora executiva do Observatório Social do Brasil, e Marcos Mendiburu, especialista em participação cidadã em controle público e transparência.

Na primeira parte do webinário, foram destacados aspectos abordados nos cinco primeiros debates da série. Marcos Mendiburu destacou que os painelistas do webinário #1 reconheceram a importância da participação cidadã como um componente estratégico da fiscalização externa; ainda que, paradoxalmente, falte – na maioria dos Tribunais de Contas ou EFS – uma estratégia específica sobre participação cidadã, em formato escrito, que estabeleça o horizonte para onde se deseja orientar os esforços no curto, médio e longo prazo. A elaboração dessa estratégia é destacada na recente publicação “Strengthening Public Oversight: Good Practices for Partnerships between Civil Society and Supreme Audit Institutions”, da Transparência Internacional e do IDI da INTOSAI (2026), bem como na publicação “Engagement with Civil Society. A Framework for SAIs”, do INTOSAI Capacity Building Committee (2021). 

Além disso, ressaltou-se a importância de que essa estratégia seja co-criada entre atores da sociedade civil e a EFS, e esteja disponível ao público no site institucional, para depois ser monitorada e avaliada conjuntamente. Ademais, Marcos comentou que essa estratégia contribuiria para que os diversos servidores de um TC que promovem a participação cidadã compartilhem uma mesma visão sobre onde direcionar seus esforços. Essa estratégia precisa conter indicadores e metas e determinar qual será a evidência para demonstrar os resultados alcançados. Essa é uma tarefa pendente na maioria das EFS em nível global. Por sua vez, Aurelio Toaldo Neto reconheceu que, embora o TCU esteja implementando diversas atividades de participação cidadã, elas não estão sendo guiadas por uma estratégia específica. No entanto, o TCU possui um plano de trabalho para o biênio 2025-2026 com objetivos e metas quantificáveis sobre participação cidadã em ações de controle do TCU.

Posteriormente, Luiz Gustavo Gomes Andrioli ressaltou que esse ciclo de webinários foi um convite da academia ao TCU, enfatizando que a iniciativa partiu de fora do Tribunal, e contou com o patrocínio da alta gestão do TCU para cooperar com a Udesc nesses debates. Além disso, Luiz Gustavo sublinhou que é importante que o trabalho de um TC para/em direção à sociedade seja realizado com essa mesma sociedade. Nesse sentido, lembrou que foi realizado um painel com a sociedade civil durante a elaboração do Referencial de Participação Cidadã do TCU e uma consulta pública on-line para receber comentários da cidadania. Luiz Gustavo também mencionou o trabalho em torno da diretriz “Cidadão no Foco” na atuação do TCU e levantou o questionamento sobre qual seria a perspectiva externa sobre o trabalho do TCU em relação à participação cidadã e ao cidadão no foco. 

A esse respeito, Roni Enara reconheceu a abertura do TCU nos últimos tempos, percebendo-se avanços para promover uma maior aproximação com a cidadania. Nesse sentido, apontou que o TCU se posicionou na liderança na promoção da participação cidadã entre os TCs, mas ainda é preciso construir uma cultura de participação cidadã. Nesse sentido, observou que é necessário tempo e que é preciso entender isso como um caminho sem volta. Até o momento, segundo Roni, esse tema é percebido como uma ação relevante em alguns momentos, em alguns Tribunais, incluindo o TCU. Roni também destacou a existência de uma equipe específica sobre participação cidadã na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) para facilitar esse trabalho, mas essa temática precisa permear as diversas unidades da instituição, como, por exemplo, a área de comunicação, e como isso se reflete nas organizações parceiras no trabalho conjunto com os TCs.

Por sua vez, Marcos Mendiburu lembrou que alguns painelistas em webinários anteriores fizeram alusão a uma falta de cultura de participação cidadã no Brasil, o que chamou sua atenção, pois o Brasil é reconhecido mundialmente como uma referência em participação cidadã, por exemplo, por meio do orçamento participativo, embora não tanto pela participação cidadã em TCs. Por isso, Marcos enfatizou que é fundamental que os TCs realizem um diagnóstico inicial sobre a participação cidadã, examinando forças e fraquezas, bem como oportunidades e desafios, tanto dentro quanto fora de um Tribunal. 

Nesse sentido, Marcos colocou que talvez aqui se evidencie a necessidade de fortalecer a capacitação de servidores dos TCs, pois a falta de participação cidadã diante de uma convocatória de um TC pode se dever a diversas razões: 1) planejamento e convite para participar frágeis, incluindo falta de objetivos claros; 2) divergência de expectativas entre as partes sobre os benefícios dessa participação; 3) falta de credibilidade da população na instituição que convoca a participar, por essa instituição não possuir autonomia suficiente; 4) redução do espaço cívico que desestimula a participação social; 5) os recursos limitados das OSC, que, devido aos recentes cortes financeiros da cooperação internacional, obrigam a estabelecer prioridades, entre outros. Mais especificamente, Marcos questionou qual seria a reação de um TC diante de um cenário hipotético em que uma atividade de participação social gerasse certo “ruído”: reagiria colocando a culpa na população e afirmando que não se deveria realizar participação cidadã naquele TC, ou buscaria realizar uma autorreflexão para ver o que não funcionou bem e se foi feito um diagnóstico e um planejamento adequados? 

Nesses casos, pode ser mais fácil colocar a responsabilidade no outro, mas é preciso olhar para dentro e ver o que deve ser corrigido e melhorado. E o diagnóstico é fundamental para ver quais são as capacidades dos TC para promover a participação cidadã. Uma forma de fortalecer as capacidades poderia ser por meio de capacitação, mas Marcos ressaltou que não se trata apenas de aprender questões técnicas vinculadas à participação cidadã, mas também de adquirir as chamadas “habilidades interpessoais”, por exemplo, mais empatia com a população por parte dos servidores dos TCs.

Em relação ao comentário de que a comunicação mudou drasticamente no mundo e, portanto, as instituições públicas precisam se adaptar a essas mudanças para interagir com seus públicos, Roni Enara lembrou uma frase que diz “A cidade que escuta é uma cidade que aprende”. Isso vale para cidades, para qualquer instituição pública e para o setor privado. Roni acrescentou que essa escuta deve ser ativa e receber retorno sobre como as contribuições foram ou não consideradas, e o que vai ser devolvido para aquela comunidade. Além disso, apontou que é importante compreender o perfil dos potenciais participantes, o contexto em que estão inseridos e suas potenciais contribuições no momento de participar. Roni ilustrou esse ponto em mais detalhes por meio de um exemplo: quando se consulta um cidadão individualmente, essa pessoa costuma pensar em suas próprias necessidades, por exemplo, uma mãe vai precisar de uma vaga para os filhos. Porém, se essa mesma mãe, que ao mesmo tempo faz parte de um conselho municipal ou associação de bairro, for consultada, ela possui uma perspectiva mais coletiva ou geral, e poderia responder considerando as necessidades desse grupo ou coletivo. Ainda, se ela fizesse parte de uma organização voltada ao controle social, ela teria uma visão ainda mais abrangente, e responderia considerando a luta por uma causa que beneficie um grupo ainda maior de pessoas. Assim, é fundamental que a instituição pública que convoca a participação compreenda o público que vai envolver.

Em seguida, Luiz Gustavo Gomes Andrioli reagiu a observações compartilhadas anteriormente. Luiz Gustavo compartilhou outra frase que se aplicaria ao TCU: “servir para ser visto”. Ou seja, como instituição, o TCU deve aprender a servir à cidadania e, assim, naturalmente será visto e reconhecido. Por outro lado, Gustavo reconheceu o trabalho da equipe de comunicação do TCU durante a gestão atual no uso das redes sociais para se comunicar com o público. Sobre isso, Aurelio acrescentou, como exemplo, o concurso de vídeos sobre controle social pelo TikTok lançado pelo TCU. 

Luiz Gustavo relembrou outra frase, dita pela ouvidora de Brumadinho em um evento: “Ouvir sem transformar é uma forma silenciosa de ignorar”. Além disso, retomando a questão da capacitação, Gustavo concordou com Marcos sobre a importância de capacitar os servidores. Embora seja importante capacitar o público externo, é ainda mais importante capacitar internamente os servidores dos TCs, além das capacitações sobre controle social que já são oferecidas por universidades e OSC para a cidadania.

Posteriormente, dado o alcance das competências do TCU e dada a dimensão ou tamanho do estado federal no Brasil, Aurelio Toaldo Neto perguntou se seria pertinente priorizar ações de participação cidadã em torno de temas específicos e conforme quais critérios. Nessa linha, Marcos Mendiburu concordou com a necessidade de priorizar a participação cidadã em torno de certas ações de um Tribunal, por diversas razões, entre elas: 1) é necessário trabalho para planejar e implementar iniciativas de participação cidadã; e 2) as pessoas não estão disponíveis para participar de todas as atividades para as quais são convocadas. Por isso, Marcos enfatizou que não se trata de mais participação cidadã, e sim de melhor participação cidadã; ou seja, que as iniciativas atuais de participação cidadã sejam mais efetivas. Quanto maior o alcance, a participação tende a ser menos profunda. Por isso, Marcos reiterou que é fundamental elaborar uma estratégia para um período de 3 a 5 anos e um plano de trabalho anual que especifiquem quais níveis ou graus de participação e em que momento e a quem se busca envolver.

Em resposta a uma pergunta de um participante do webinário, feita pelo chat do YouTube, sobre se o Brasil deveria realizar mais pesquisas científicas sobre participação cidadã em fiscalização ou auditorias, Marcos Mendiburu destacou que existe uma extensa pesquisa acadêmica sobre participação cidadã no Brasil, embora não necessariamente voltada aos TC, o que chama a atenção. Aqui cabe perguntar aos Tribunais e à academia por que isso ocorre. No entanto, existe um interesse crescente nessa temática, e ele citou como exemplos uma dissertação de mestrado sobre esse tema na Universidade de Brasília, do início de 2026, e o trabalho acadêmico de um doutorando da Udesc que está em curso e estará disponível futuramente. 

Além disso, Marcos destacou que a pesquisa acadêmica é fundamental para avançar o debate e a prática sobre participação cidadã na fiscalização externa e evitar ficar girando em círculos, nos quais são realizados mapeamentos básicos de experiências que depois são identificadas como boas práticas pelas próprias instituições que as implementam, sem nenhuma análise ou revisão externa. Nesse sentido, a professora Paula Chies Schommer mencionou um projeto do grupo de pesquisa Politeia, na Udesc, que estabelece um repositório de materiais sobre esse tema que estará disponível ao público on-line futuramente, e para o qual será importante contar com a cooperação de associações e redes envolvendo TCs, como a Atricon e a Rede Integrar ou grupos de pesquisa do Instituto Serzedello Corrêa, e pesquisadores de diversas universidades. 

Nesse sentido, Marcos Mendiburu mencionou que é fundamental a cooperação dos TC e da sociedade civil com a academia para documentar o trabalho realizado por ambos em torno desse tema. No entanto, há um desafio para realizar pesquisa acadêmica sobre participação cidadã: a limitada documentação e publicação de materiais a respeito por parte das EFS. Outro desafio é preservar a independência dos pesquisadores acadêmicos que documentam o trabalho sobre participação cidadã nos TCs, para que não sejam influenciados por estes últimos. A esse respeito, Roni Enara mencionou que o site do OSB possui mais de 20 trabalhos de conclusão de curso ou dissertações que consideraram a experiência dos observatórios e que, embora não tenham sido suficientemente aproveitados até o momento, estão à disposição para serem incorporados ao repositório mencionado pela Profa. Schommer. Por outro lado, Roni comentou sobre a necessidade de divulgar as gravações desses webinários para além do site do TCU, em diferentes formatos. Por sua vez, devido à proximidade do último semestre para o encerramento desta gestão no TCU, Aurelio Toaldo Neto compartilhou que está realizando um levantamento de dados internamente para elaborar um relatório de gestão com indicadores vinculados à participação cidadã, e antecipou que já foram registradas mais de 100 ações de controle no TCU que incorporaram a participação cidadã de alguma forma. Além disso, Aurelio afirmou que é necessário fazer um balanço, identificar lições aprendidas e ver o que poderia ser melhorado no futuro.

Em seguida, o diálogo entre os painelistas se concentrou em oportunidades a serem exploradas no futuro em torno desse tema. Nessa linha, Marcos Mendiburu ressaltou a importância de examinar a utilidade social da informação gerada pelos TCs — quem, para quê e como essa informação é utilizada externamente. Com o propósito de que o relacionamento entre os TCs e a sociedade civil seja mais equilibrado, Marcos frisou que é preciso reconsiderar a abordagem atual predominante em diversas EFS e partir de como o TC pode ajudar a sociedade civil, e não apenas como a sociedade pode apoiar o Tribunal de Contas. Isso é fundamental para explorar como as pessoas e organizações da sociedade civil, OSCs, que realizam incidência em políticas públicas podem utilizar e aproveitar a informação gerada pelos Tribunais de Contas — pois são uma das instituições que mais possuem dados e informações sobre o funcionamento do Estado — para seu próprio trabalho. 

Isso, por sua vez, é fundamental para buscar medir os impactos (outcomes) do trabalho de fiscalização externa, ou seja, as mudanças na vida das pessoas a partir da implementação das recomendações para a melhoria dos serviços públicos ou programas de governo. Este é um tema pendente que precisa ser examinado com mais detalhes no futuro. Além disso, como exemplo de outra área de oportunidade a ser aprofundada futuramente pelos Tribunais de Contas, Marcos mencionou a necessidade de gerar conhecimento, ao mesmo tempo em que se promove aprendizagem interna e com parceiros externos sobre esse tema. Esses conceitos estão vinculados, mas não são sinônimos. E, para isso, é preciso realizar e divulgar avaliações sobre o trabalho de participação cidadã. Por fim, Marcos destacou a necessidade de reconsiderar a abordagem para a capacitação sobre esse tema, pois não se aprende apenas lendo livros e/ou fazendo cursos, aprende-se participando, com as práticas.

Por sua vez, Roni Enara relembrou a Conferência Nacional de Transparência e Controle Social, Consocial, de 2012, e a importância de dar um retorno aos participantes sobre como suas contribuições foram ou não aproveitadas e por quê, mesmo quando não haja uma resposta para solucionar imediatamente o problema apresentado. Em seguida, Aurelio Toaldo Neto esclareceu que um desafio para esse retorno dos TC à cidadania é o tempo necessário se considerarmos o ciclo de uma auditoria, pois, desde o início até a aprovação do acórdão pelos Ministros do TCU, pode levar entre 6 e 12 meses. Por isso, a cidadania pode se sentir frustrada por não receber nenhum retorno durante esse período. Além disso, Aurelio ressaltou a importância de promover a avaliação do trabalho sobre participação cidadã não apenas para demonstrar os resultados à sociedade, mas também internamente para os Ministros e o corpo técnico.

Por fim, Luiz Gustavo Gomes Andrioli concordou com Marcos que a abordagem predominante nos TC tem sido como a sociedade civil e a cidadania podem ajudar o TCU a realizar o controle externo. Para isso, é necessário que a população conheça o mandato dos Tribunais, o que nem sempre é o caso, mas isso vem mudando gradualmente. Como parte da iniciativa Cidadão no Foco do TCU, Gustavo compartilhou a iniciativa de compromisso cidadão, na qual o TCU, os gestores públicos responsáveis por implementar uma determinada política pública e a cidadania dialogam para realizar um diagnóstico conjunto, identificar soluções e estabelecer compromissos que serão monitorados conjuntamente.

O debate foi encerrado com agradecimentos pelas aprendizagens compartilhadas nesse ciclo de webinários e a expectativa de seguirmos em interação, aprofundando os pontos levantados até aqui e abertos a novas aprendizagens associadas a nossas práticas, parcerias e reflexões compartilhadas.

Para acessar a gravação em vídeo do #6 webinário, clique aqui

Para ver as sínteses dos primeiros webinários, clique #1 aqui, #2 aqui, #3 aqui. e #4 aqui, #5 aqui

As gravações dos webinários, também permanecem disponíveis ao público, para acessá-las clique #1 aqui, #2 aqui, #3 aqui, #4 aqui e #5 aqui



Pesquisa “Parlamento Aberto” em debate na Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação, em Itajaí

Compartilhar resultados das pesquisas do Politeia e de parceiros de ação é uma principais das formas de circular conhecimento novo produzido por pesquisadoras e pesquisadores do grupo, ampliar redes e parcerias e estimular a coprodução de soluções inovadoras para a gestão pública. 

Evento durou três dias e reuniu legisladores, pesquisadores e sociedade civil (fotos: Assessoria da Câmara de Itajaí)

Foi com esse propósito que a pesquisa aplicada Parlamento Aberto foi apresentada durante a Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação, de 10 e 12 de agosto, na sede da Câmara de Vereadores de Itajaí.  

Professora e pesquisadora Karin Vieira da Silva, uma das líderes do Politeia, trouxe bastidores da pesquisa e detalhou relevância do tema para pensar o futuro do legislativo

Promovido pela Escola do Legislativo da cidade, Maria Rosa Heleno Schulte, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPGPP) da Univali, o evento acadêmico teve palestras e sessões temáticas para presentação de artigos, além da apresentação estudos de casos. Assista aqui às apresentações dos artigos e cases no último dia de evento, dia 12, quarta-feira. 

Pesquisadores e servidores da Alesc e da Escola do Legislativo em parceria no evento

O evento reuniu agentes públicos, políticos, pesquisadores e estudantes da Região da Foz do Rio Itajaí, com o objetivo de fomentar a discussão sobre políticas públicas e promover espaços de diálogo e construção coletiva entre prefeituras, acadêmicos, câmaras de vereadores e sociedade civil. 

O grupo de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, esteve presente no evento por meio da professora Karin Vieira da Silva, uma das lideranças do grupo. Em parceria com o Politeia, foi apresentado o trabalho “Educação legislativa, políticas públicas e parlamento aberto: a experiência da Escola do Legislativo da Alesc em Câmaras Municipais Catarinenses”, de autoria de Laura Josani Andrade Correa, da Escola do Legislativo da Alesc.

“A participação em espaços como a Semana Regional de Políticas Públicas e Inovação é uma oportunidade importante para aproximar a produção acadêmica das experiências concretas da gestão pública. No caso do Parlamento Aberto, esse diálogo permite compartilhar resultados de pesquisa, conhecer diferentes realidades e construir coletivamente alternativas para fortalecer a participação, a transparência e a inovação nas instituições públicas”, comentou a pesquisadora do Politeia e professora da Esag.

Pesquisadora e servidora da Escola do Legislativo, Laura Josani Andrade Correa

De cultura da inovação a projetos territoriais 

No primeiro dia, segunda-feira (10), a programação trouxe experiências de integração municipal, com apresentações da AMFRI e do CIM-AMFRI, além de palestras sobre mobilidade urbana regional e sobre a integração dos poderes legislativos, com participação da Federação das Câmaras de Vereadores de Santa Catarina (UVESC).

Público pôde interagir com autores e autoras sobre as produções científicas em debate

No dia seguinte, as discussões tiveram foco em debates técnicos sobre captação de recursos para projetos territoriais, estratégicas na gestão de pessoas e formas de promover a cultura de inovação no setor público, incluindo temas especiais como reflexos de decisões do STF na legislação municipal.

O último dia foi dedicado às pesquisas científicas, com abertura dos trabalhos a partir da palestra “Políticas Públicas e Ciência” e a apresentação dos 17 cases e artigos científicos aprovados. 


Palestra em universidade da Indonésia integra a estratégia de internacionalização da pesquisa no Politeia

Evento online foi assistido por cerca de 200 pessoas da Diponegoro University (UNDIP), em Semarang, na Indonésia

O ano de 2026 é significativo para a construção da agenda de internacionalização de práticas, produção científica e cooperação global do Politeia, com foco em temas de pesquisas compartilhados pelas pesquisadoras e pesquisadores do grupo e colegas de  universidades e redes no exterior. Na construção dessas pontes, a professora e pesquisadora Paula Chies Schommer palestrou esta semana a convite do Undip Global Classroom Program, da Diponegoro University (UNDIP), em Semarang, na Indonésia, no Sudeste da Ásia. 

O evento ocorreu  na manhã de terça-feira, 5 de maio (6h – horário de Brasília), e reuniu mais de 200 participantes online, entre professores, estudantes de mestrado e doutorado e gestores acadêmicos da UNDIP. Paula apresentou temas das pesquisas desenvolvidas no Politeia e seus parceiros, iniciando com um panorama das similaridades entre Brasil e Indonésia em aspectos sociopolíticos, econômicos, culturais e de biodiversidade. Entre as temáticas, tiveram destaque conceitos e práticas de accountability, coprodução e equidade em serviços públicos.

Dentre os textos que basearam a apresentação, estão produções do Politeia que abordam definições de accountability e sua abordagem sociopolítica, relacional, prática e sistêmica (Schommer e Guerzovich, 2025), as relações entre accountability, equidade em serviços públicos e governo aberto (Schommer e Hernandez, 2023), e a proposta de um modo de governo voltado à redução de desigualdades, aberto por padrão e voltado à equidade por desenho (Cruz-Rubio e Schommer, 2024).

O  debate foi qualificado e engajado. Durante o encontro, os professores debatedores da UNDIP e participantes relacionaram os conteúdos apresentados a questões contemporâneas da administração pública, como gestão de riscos, centralização e descentralização de serviços públicos, participação cidadã, accountability e uso de inteligência artificial e os desafios da coprodução em contextos de conflito.

Perspectivas para parcerias institucionais 

A Diponegoro University é referência em administração pública na Indonésia, contando com bacharelado, mestrado e doutorado em administração pública e outros cursos como ciência de governo, relações internacionais, ciências sociais e ciência política, no âmbito da Faculty of Social and Political Sciences. O campus  está localizado em Semarang, integrante da Open Government Partnership (OGP) Local – iniciativa internacional voltada à promoção de governos mais transparentes, participativos e responsivos aos cidadãos. Semarang é um dos casos estudados no âmbito do projeto de pesquisa Equigov, coordenado pelo Politeia  e que envolve pesquisadores de Brasil, Colômbia, Espanha e Indonésia. “Em conjunto com colegas da Politeknik STIA LAN Jakarta, da Indonésia, conhecemos o caso de Semarang, que se destaca entre diversos governos locais estudados, ao incluir compromissos relativos à equidade na participação cidadã e no acesso a serviços públicos em seu primeiro plano de governo aberto”, comenta Paula.

Além da troca acadêmica, o encontro abriu perspectivas para futuras parcerias institucionais, incluindo cooperação em pesquisa e intercâmbios entre docentes e estudantes e visitas técnicas. Uma das possibilidades discutidas é a realização de uma visita à Indonésia em 2027, aproveitando a realização do OGP Global Summit nas Filipinas, bem como a vinda de representantes da UNDIP ao Brasil.

Segundo a professora, a experiência reforça o potencial de internacionalização das pesquisas desenvolvidas na Udesc Esag e amplia as conexões com instituições de excelência em diferentes regiões do mundo. “O Sudeste da Ásia, em particular, é uma região com a qual podemos aprender muito. Há similaridades tanto nos desafios sociopolíticos como nas aprendizagens em gestão pública e nas relações entre governos e cidadãos, em países como Brasil, Colômbia, Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã. Tomara que sejamos capazes de consolidar e ampliar os intercâmbios”.

Referências

Cruz-Rubio, C. N.; Schommer, P. C. (2024). Toward an open government that reduces inequalities: open by default and based on equity by design. Position Paper EQUIGOV 2024.

Schommer, P.C., Guerzovich, F. (2025). Accountability: From Definitions to Systemic Practice. In: List, R.A., Anheier, H.K., Toepler, S. (eds) International Encyclopedia of Civil Society. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-319-99675-2_9707-1

Schommer, P. C., & Quiñonez, A. H. (2024). Accountability, equitable public services, and open government in Brazil and Colombia. Revista De Administração Pública, 58(5), e2024–0008. https://doi.org/10.1590/0034-761220240008

Doutor em Administração pela Udesc Esag, pesquisador do Politeia cumpre agenda em eventos nacionais para compartilhar dados da sua tese sobre controle aberto 

Egresso Udesc Esag e integrante do Politeia palestrou em Brasília, na Maratona Temática sobre Transparência Pública, promovida pela Escola de Contas (Escon) do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF)

Em menos de 15 dias, o recém-doutor Renato Costa, pesquisador do Politeia, (egresso Udesc Esag e auditor de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC), foi palestrante em dois eventos da área, ambos de alcance nacional. Nos encontros, ele apresentou o modelo conceitual da pesquisa e as soluções resultantes da tese de doutorado em Administração na Udesc Esag, sobre o tema do controle externo dos tribunais de contas brasileiros. O trabalho pode ser consultado e baixado aqui, em acesso aberto. 

A participação mais recente ocorreu em Brasília, no Distrito Federal, dia 31 de março, durante a Maratona Temática sobre Transparência Pública, iniciativa promovida pela Escola de Contas (Escon) do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Ao longo de dois dias, o evento debateu o papel das instâncias de controle na manutenção e consolidação da democracia, as práticas de dados abertos e os caminhos para o direito à informação em seu pleno acesso.

Na capital do país, Costa participou do Painel 5 (leia sobre a cobertura do evento aqui), de encerramento da maratona, chamado  “Sociedade e Tribunais de Contas como Co-guardadores da Democracia”. Ele dividiu o palco com a também painelista, Juliana Sakai, diretora executiva da Transparência Brasil. A mediação ficou a cargo de Tarcísio Neves. 

Pesquisador do Politeia, Renato Costa, em palestra

Costa tratou do tema “Transparência em Movimento: Coprodução Democrática e o papel dos Tribunais de Contas no Controle Aberto”. Ele argumentou em sua exposição que “a transparência não pode ser compreendida como um fim em si. Ela precisa ser apropriada, interpretada e utilizada pela sociedade para que produza efeitos concretos. Quando isso acontece, deixamos de falar apenas em acesso à informação e passamos a tratar de participação qualificada e coprodução do controle público. Esse é o caminho para que os Tribunais de Contas avancem de uma atuação predominantemente reativa para um papel mais indutor de governança, aprendizagem institucional e fortalecimento democrático”, destacou o pesquisador e auditor. 

Dia Nacional do Ouvidor

Dias antes, ocorreu o primeiro evento, em 19 de março, para marcar o Dia Nacional do Ouvidor, celebrado dia 16 daquele mês, anualmente. Com o tema “Ouvidoria: onde a Gestão se Transforma por meio da Participação”, o encontro teve alcance nacional, foi realizado no auditório do TCE/SC e coordenado pelo Instituto Rui Barbosa (IRB). As convidadas e convidados destacaram a função prática e estratégica das ouvidorias, seja na escuta, no fortalecimento da governança, nas ações de transparência e na promoção da participação social, além de repercutir e compartilhar experiências, pesquisas e práticas voltadas à melhoria da gestão pública.

Evento em Florianópolis, no TCE/SC, debateu governança nas ouvidorias, mais ações de transparência e estímulo à participação social nos tribunais

Costa abordou o tema “Os Tribunais de Contas e a Participação Cidadã: Caminhos para um Controle Aberto e Responsivo”. Para ele, é possível ampliar a participação social e fortalecer o controle cidadão. No entanto, ressalta que as instituições precisam criar condições efetivas de acesso e compreensão por parte da sociedade. No caso dos Tribunais de Contas, entre os principais obstáculos, apontou a linguagem excessivamente técnica, o desconhecimento sobre seu papel institucional, a fragilidade na cultura participativa e uma comunicação pública ainda limitada e pouco acessível.

Resultado de sua tese de doutorado em Administração pela Udesc Esag, desenvolvida no âmbito do grupo de pesquisa Politeia, sob orientação da professora e pesquisadora Paula Chies Schommer, Costa apresentou a proposta conceitual (leia a minuta da apresentação aqui) do estudo voltada à implementação do controle aberto nos Tribunais de Contas brasileiros.

Segundo ele, o modelo prevê um controle preventivo, colaborativo, pedagógico, transparente e acessível, orientado à geração de valor público. “Não se trata de deixar para trás o papel fiscalizador, mas de complementá-lo e aproximá-lo da sociedade”, destacou.

  • Com informações do TCDF e do TCE/SC 

TCU e Udesc promovem série de webinários sobre participação cidadã como estratégia de controle externo

Realizado pelo Tribunal de Contas da União, Instituto Serzedello Corrêa (ISC) e grupo de pesquisa Politeia, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), o evento virtual é aberto ao público e reunirá auditores, pesquisadores e sociedade civil discutindo práticas e caminhos para o envolvimento da sociedade na fiscalização pública, dia 17 de março, remoto, das 15h às 16h15

O Tribunal de Contas da União (TCU), o Instituto Serzedello Corrêa (ISC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Grupo de Pesquisa Politeia, realizam no próximo dia 17 de março, das 15h às 16h15, o webinário “A participação cidadã como dimensão estratégica do controle externo”. 

O evento objetiva fortalecer o diálogo entre instituições de controle, sociedade civil e academia, compartilhando experiências e estratégias para consolidar a escuta pública e o engajamento cidadão como práticas que  aprimoram as auditorias e a gestão pública.O encontro virtual (acesse página oficial do evento aqui) ocorre, segundo o TCU, em um momento de amadurecimento institucional. Para se inscrever, basta acessar o link acima e se logar com a conta pessoal na página do gov.br

Após a publicação do Referencial sobre Participação Cidadã em 2024 (baixe o livro aqui) e o desenvolvimento de guias práticos em 2025, o foco agora é ampliar o debate, mobilizar a sociedade e implementar processos e ações permanentes de controle social no dia a dia dos Tribunais de Contas de todo o país.

Ciência e Inovação no Controle Social |O webinário abordará questões práticas: desde os cuidados na implementação de canais de escuta até a integração da participação social no planejamento das fiscalizações. A parceria com a academia, representada pelo Grupo Politeia (Udesc), destaca o papel da pesquisa científica na formação e no apoio técnico à participação cidadã no controle.

Para o auditor do TCU e especialista no tema, Luiz Gustavo Gomes Andrioli, a iniciativa de juntar sociedade civil, academia e órgãos de controle para debater e construir novas formas de participação social é fundamental para atualizar as instituições em torno de boas práticas e processos.

“Vamos nos encontrar para ampliar ações e discutir como podemos melhorar nossos canais de comunicação com o cidadão. Particularmente, para mim, esse encontro significa a realização de um sonho! Sem mecanismos adequados de escuta do cidadão, não será viável melhorar os serviços públicos prestados pelo estado brasileiro; por isso, a participação cidadã é tema dos mais relevantes da nossa democracia, justamente quando as prioridades da fiscalização refletem as reais necessidades da sociedade”, afirma Andrioli, que é um dos mediadores do webinar.


Já para a professora e pesquisadora do Politeia, Paula Chies Schommer, a ênfase na participação social abre muitas oportunidades de criar mecanismos e ações de coprodução do controle. “A interação entre cidadãos e profissionais que atuam no controle público tende a democratizar e aprimorar os serviços públicos e o próprio controle. A universidade pode contribuir para isso por meio de pesquisas, formação e apoio técnico, revelando aprendizagens e ampliando o alcance das práticas”, destaca Paula Schommer. 

Um exemplo disso é a tese de doutorado de Renato Costa, defendida em dezembro de 2025, na Udesc Esag Politeia, que abordou o Controle Aberto. A participação cidadã é um dos pilares do controle aberto, o que será debatido em um dos próximos webinars desta série realizada pelo TCU e Politeia. A tese pode ser acessada neste link. 

Evento gratuito e aberto: veja como participar on-line

O evento é aberto, direcionado a auditores e servidores de Tribunais de Contas e organizações de articulação e representação, como ATRICON, Instituto Rui Barbosa, Rede Integrar, membros da Controladoria-Geral da União e Controladorias-Gerais de Estados e Municípios, organizações da sociedade civil, observatórios sociais, além de estudantes,  pesquisadores e demais interessados em em controle, participação cidadã e gestão pública. 


  1. Webinário “A participação cidadã como dimensão estratégica do controle externo”
  2. Data: 17 de março de 2026, terça-feira
  3. Horário: 15h às 16h15 (Horário de Brasília)
  4. Realização: TCU, Instituto Serzedello Corrêa e Udesc Politeia
  5. Inscrição: faça inscrição aqui

Abertura | Manoel Moreira de Souza – Secretário da Secretaria de Relacionamento Institucional do TCU 

Moderação | Paula Chies Schommer – Professora de administração pública na Udesc, Grupo de Pesquisa Politeia e Luiz Gustavo Gomes Andrioli – Auditor e especialista Sênior do TCU; autor de referenciais e guias práticos sobre participação cidadã e fiscalização focada no cidadão.

Painelistas 

Adriana Figueirêdo Arantes – Diretora de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE)

Aurélio Toaldo Neto – Auditor Federal de Controle Externo do TCU e Chefe do Serviço de Participação Cidadã da Secretaria de Relações Institucionais

Luiz Henrique Xavier – Auditor de Controle Externo e Coordenador de Controle Social do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR)

Victor Moura – Jornalista e Coordenador do coletivo Redes do Beberibe, projeto de comunicação independente.


Encerramento  

15h50 – 16h10 | Espaço Aberto: Momento de perguntas e respostas com interação do público.

16h10 – 16h15 | Considerações Finais: Encerramento oficial e anúncio dos temas dos próximos webinários da série.