Controle externo pode contribuir para a universalização do saneamento básico

O fortalecimento do controle externo — com uma atuação mais propositiva, colaborativa e voltada a resultados — é condição para que Santa Catarina avance na universalização da coleta e do tratamento de esgoto. Essa é uma das conclusões do relatório técnico “A atuação do Tribunal de Contas de Santa Catarina para a universalização de coleta e tratamento de esgoto nos municípios catarinenses: fundamentos e recomendações”, elaborado a partir de uma pesquisa de mestrado desenvolvida por Paula Antunes Dal Pont, na Udesc Esag.

Os resultados da pesquisa foram organizados em formato de relatório técnico com o objetivo de facilitar a disseminação do conhecimento científico e promover sua aplicação prática. A escolha desse formato busca aproximar o conteúdo acadêmico das necessidades reais do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC), traduzindo as evidências e recomendações da dissertação em linguagem acessível e orientada à ação. Ao mesmo tempo, o relatório amplia o alcance do estudo para a sociedade em geral, estimulando o debate público sobre o papel do controle externo na efetivação das políticas de saneamento e contribuindo para uma gestão pública mais transparente, integrada e voltada a resultados.

A dissertação de mestrado analisou o papel do Tribunal na promoção do saneamento básico nos municípios catarinenses e foi defendida em agosto de 2025 pela pesquisadora Paula Antunes Dal Pont, sob orientação da professora Paula Chies Schommer, da Udesc Esag e do grupo de pesquisa Politeia. A banca examinadora contou com os professores Fabiano Maury Raupp (Udesc Esag Politeia) e Marco Antonio Carvalho Teixeira (FGV-Eaesp). A íntegra da dissertação está disponível no repositório institucional da UDESC.

Desafios e lacunas identificados

A pesquisa parte das metas estabelecidas pela Lei Federal nº 14.026/2020, que atualizou o marco legal do saneamento básico no país. Cumprir essas metas exige coordenação entre diferentes atores institucionais, entre eles os órgãos de controle externo.

A análise identificou quatro grupos de lacunas que dificultam o avanço do esgotamento sanitário no estado:

  • Normativas: ausência ou desatualização de regulamentos;
  • Estruturais: limitações técnicas e operacionais nos municípios;
  • Financeiras: dificuldade de garantir fontes estáveis de financiamento;
  • De governança: fragilidades na articulação entre órgãos públicos, concessionárias e entidades reguladoras.

Embora o TCE-SC já tenha iniciativas voltadas ao tema, sua atuação ainda se concentra na verificação de conformidade formal, com menor ênfase em aspectos estruturantes da política pública.

Oportunidades de aprimoramento

O relatório aponta oportunidades concretas de fortalecimento da atuação do Tribunal, como:

  • ampliar a abordagem preventiva das fiscalizações;
  • fortalecer a integração entre diretorias internas;
  • usar de forma estratégica a diversidade técnica do corpo funcional;
  • fomentar a transparência e a qualidade das informações prestadas pelas concessionárias;
  • qualificar a análise de viabilidade e sustentabilidade de projetos e concessões.

Entre as proposições apresentadas estão o fortalecimento da função orientativa do Tribunal, o acompanhamento sistemático dos Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSBs) e o estímulo à atuação das entidades reguladoras e das instâncias de controle social.

Um novo olhar para o papel do controle externo

A principal contribuição do estudo é mostrar que, mesmo sem competência para executar investimentos diretamente, o TCE-SC pode desempenhar um papel decisivo ao apontar falhas, incentivar boas práticas e promover a integração entre os atores do sistema de saneamento.O desafio, portanto, é avançar de um modelo centrado na conformidade para uma atuação que gere aprendizagem, induza melhorias e contribua efetivamente para os resultados das políticas públicas, incluindo a prioridade aos grupos populacionais que têm mais dificuldade de acesso aos serviços públicos e sofrem mais as consequências de não contar com tratamento de esgoto. Esse modelo de atuação reflete uma abordagem relacional de accountability, que complementa a abordagem normativa e formal, muito presente na literatura acadêmica e nas práticas da administração pública, mas insuficiente para resolver diversos problemas, considerando as características de cada realidade.

Artigo sobre uso de IA no Gov.br é premiado em conferência internacional

O artigo Collective Intelligence with Large Language Models for the Review of Public Service Descriptions on Gov.br recebeu menção honrosa (Honorable Mention) na categoria Best Industrial Paper Award na conferência internacional WEBIST 2025 – International Conference on Web Information Systems and Technologies, realizada de 21 a 23 de outubro em Marbella, na Espanha. Entre os autores do trabalho está o professor José Francisco Salm Júnior, integrante do grupo de pesquisa Politeia, da Udesc Esag, que tem se dedicado a pesquisas voltadas a soluções baseadas em IA para aprimorar a comunicação e a gestão de serviços públicos digitais, especialmente no Gov.br.

Além do professor Salm, o trabalho premiado conta com o trabalho coletivo de uma equipe interdisciplinar de pesquisadores e profissionais da Udesc, da UNB e de outras instituições públicas no Brasil e no exterior.

O artigo apresenta um sistema inteligente multiagente projetado para aprimorar a clareza, acessibilidade e conformidade legal das descrições de serviços disponíveis na plataforma Gov.br. Utilizando modelos de linguagem de grande escala (LLMs), como o GPT-4, o sistema simula deliberação coletiva entre agentes especializados que avaliam e reescrevem textos com base em dez critérios linguísticos e sete critérios legais. A arquitetura, implementada como um Mixture of Experts (MoE), permite escalar o processo de revisão textual, garantindo qualidade técnica e simplicidade de linguagem.

Os resultados mostram que a abordagem produz descrições mais claras e consistentes, promovendo o acesso do cidadão à informação pública e fortalecendo práticas de comunicação em linguagem simples no governo. O estudo é apontado como uma das primeiras aplicações de IA generativa para padronização institucional de textos administrativos no Gov.br, estabelecendo um marco de inovação na transformação digital do setor público brasileiro.

O reconhecimento na WEBIST 2025 reforça a relevância do projeto e a presença crescente de pesquisas brasileiras na fronteira do uso ético e responsável da inteligência artificial em governos.

Projeto de pesquisa aplicada Parlamento Aberto é destaque na edição desta sexta do programa Conversas Cruzadas, na Rádio CBN Floripa 

Na próxima semana, integrantes do Politeia viajam para a região de atuação da Associação das Câmaras Municipais do Oeste de Santa Catarina, a Acamosc, que congrega mais de 30 municípios da região oeste catarinense

Assista ao programa Conversas Cruzadas completo, gravado durante transmissão ao vivo na tarde desta sexta-feira, 24, na CBN Diário Florianópolis

Ao longo de dois blocos ao vivo, na tarde desta sexta, 24, a professora da Udesc Esag e pesquisadora do Politeia, Paula Chies Schommer e o diretor da Escola do Legislativo da Alesc, Alexandre Lencina Fagundes responderam perguntas e explicaram a natureza, as fases, os objetivos e os resultados parciais do projeto de pesquisa aplicado “Parlamento Aberto – Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores ” durante entrevista para o jornalista e apresentador Renato Igor, em edição do programa Conversas Cruzadas, da Rádio CBN Florianópolis, do Grupo NSC. 

Rodada de perguntas tratou de transparência, participação social, controle externo e comunicação da ciência e da inovação em pesquisa em torno do projeto Parlamento Aberto | Foto – Marcelo Barcelos

Além dos entrevistados em estúdio,  participou remotamente o vereador Gilberto Azevedo, do município São João do Itaperiú e presidente da Associação das Câmaras e Vereadores do Vale do Itapocu (Avevi). Veja notícia sobre a Oficina de encaminhamentos do projeto Parlamento Aberto na região da AVEVI. Foi nesta região que o projeto realizou sua etapa piloto, em pesquisa colaborativa junto às Câmaras, Prefeituras e organizações parceiras em Barra Velha, Corupá, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Massaranduba, São João do Itaperiú e Schroeder. Além do vereador, também integrou o debate o jornalista e pesquisador do Politeia, Marcelo Barcelos, bolsista Fapesc/Udesc.

Trecho em que o vererador Gilberto Azevedo, do município São João do Itaperiú e presidente da Associação das Câmaras e Vereadores do Vale do Itapocu (Avevi) relata a experiência concreta de crocriar soluções de transparência entre academia, câmaras, sociedade civil e parceiros | Arquivo Pessoal.

Nos próximos dias, o Politeia publica o Relatório Técnico “Dados em Educação | Transparência no acesso e gestão de vagas na educação infantil/filas de creches”, que é fruto de oficinas, reuniões de trabalho, entrevistas, aplicação de formulários e formação de parcerias para promover a abertura do legislativo municipal e sua colaboração com cidadãos, prefeituras e parceiros.

Este foi um dos tantos assuntos abordados na entrevista de mais de 30 minutos, também transmitida pelo YouTube (veja programa na íntegra abaixo e neste link).  

O projeto 

O projeto Parlamento Aberto: Inovação e colaboração nas Câmaras de Vereadores catarinenses é realizado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc Esag), sob coordenação do Grupo de Pesquisa Politeia, e pela Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), por meio da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira. Conta, ainda, com a participação da organização da sociedade civil  Act4Delivery e do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Controladoria-Geral do Estado (CGE-SC) e da Secretaria do Estado do Planejamento (Seplan-SC).

A iniciativa promove inovação na prática ao implementar e sistematizar metodologia de formação-pesquisa-ação, coproduzidos em parceria com os legislativos municipais. O foco está em problemas públicos locais concretos, transformando desafios reais em oportunidades de melhoria na transparência e participação cidadã.

Já na semana que vem, no dia 28 de outubro, o projeto Parlamento Aberto chega a sua segunda e última fase de campo, quando acontece oficina na região de atuação da Associação das Câmaras Municipais do Oeste de Santa Catarina, Acamosc, que congrega mais de 30 municípios da região oeste catarinense. A oficina de cocriação com vereadores e servidores de Câmaras acontecerá na sede da Acamosc, em Chapecó, das 8:30h às 12:30h.

Leia mais sobre o projeto aqui >>>

Politeia marca presença no 36º Encontro Nacional dos Cursos de Graduação em Administração, Fortaleza (CE)

36º ENANGRAD tem palestras, sessões científicas e visitas técnicas de terça até esta sexta-feira, 24, na Universidade de Fortaleza (Unifor)

Pesquisadora do Politeia coordenou sessão científica

Com o tema Transformações Disruptivas: Implicações para a Administração, encerra nesta sexta o 36º Encontro Nacional dos Cursos de Graduação em Administração, o ENANGRAD, realizado desde terça-feira, 21, na Universidade de Fortaleza (UNIFOR), em Fortaleza – CE. O Grupo Politeia também participa do maior evento científico em Administração do país, representado pela professora da Udesc Esag Karin Vieira da Silva e por alunos e alunas de graduação da Esag Udesc. 

Parte da comitiva Udesc Esag que participa do evento: na foto (esq. p/ dir): Marlon, professora Karin, Kaiane e Emily

A docente e pesquisadora do Politeia coordenou, ontem, 22, a sessão temática “Sustentabilidade e ODS”, dentro do eixo Administração Pública, Governo e Terceiro Setor. Seis acadêmicos (foto) de diferentes universidades e regiões do país apresentaram trabalhos com recortes que tratam de contratações públicas, estudos de caso para cogestão de parques públicos por OSCs, arrecadação de tributos durante a pandemia, emendas parlamentares de Santa Catarina e adminstração de apostas em contexto brasileiro, a respeito das regulamentações das bets

Participar do Enangrad é sempre uma excelente oportunidade de aprender e conhecer estudos interessantes na área de administração pública de diferentes pesquisadores do país. Esse ano foi ainda mais especial, pois coordenei uma sessão científica onde dois alunos da Esag apresentaram trabalhos. Foi gratificante ver o crescimento deles enquanto pesquisadores”.

Professora Karin após a sessão “Sustentabilidade e ODS”, no eixo Administração Pública, Governo e Terceiro Setor, na companhia especial dos estudantes da Udesc Esag Marlon e Kaiane.

A programação 36º ENANGRAD segue até esta sexta-feira, 24. Por lá, todos os dias, ocorrem paineis temáticos e palestras com especialistas nacionais e internacionais, oficinas, sessões científicas tanto no formato presencial quanto virtual, além de visitas técnicas a importantes instituições da região. 

O encontro reuniu com sucesso professores, pesquisadores, estudantes e profissionais da área, proporcionando um espaço de debate fundamental sobre as transformações e os desafios contemporâneos no ensino e na prática da Administração no Brasil

Em Brasília, líder do Politeia atua na cocriação da Agenda de Ação COP30 durante Fórum Interconselhos 

Pesquisadora da Esag Udesc, Karin Vieira da Silva, esteve na capital do país para integrar o Fórum Interconselhos do Governo Federal. Do encontro, saiu a redação de um documento com sugestões para a Agenda de Ação do Brasil para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes – COP30).

Professora Esag Udesc e pesquisadora do Politeia, Karin Vieira da Silva | Foto Arquivo Pessoal.

Terminou na última sexta, 17, em Brasília, na UnB, a mobilização de conselheiros de todo país e a redação de documento final com soluções e propostas para Agenda de Ação COP30, construído com ampla participação social, de olho na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30. O evento contou também com a participação dos membros do Fórum de Participação Social na Amazônia Legal. A professora da Udesc Esag e conselheira Karin Vieira da Silva, uma das líderes do grupo Politeia, foi uma das participantes.  

Ela integrou o Fórum Interconselhos, que juntou durante dois dias representantes de mais de 60 conselhos da sociedade civil que atuam junto ao governo federal. A pesquisadora do Politeia foi convidada para o evento como conselheira representante do Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção – CTICC, órgão consultivo vinculado à estrutura da Controladoria-Geral da União, cuja agenda trabalho nos dois dias foram destinadas à construção de propostas para a Agenda de Ação da COP30

“Uma das maiores contribuições do fórum interconselhos é criar um espaço de diálogo e deliberação coletiva com representantes das mais diversas aéreas e regiões do país. É uma importante consolidação dos espaços de participação social no Brasil, pauta cara à agenda de pesquisa do grupo Politeia”, descreveu Karin, que ressaltou a produção de um documento final que reúne as proposições selecionadas e cocriadas nestes dias.

Outras universidades públicas brasileiras, além da Udesc Esag, também compõem o CTICC: 1) Universidade de Brasília (UnB), 2) Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Veja a lista completa de membros aqui.

Diálogos e abertura para avançar nas ODS 

Segundo o governo federal, a participação social está no centro da construção da Agenda de Ação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). No encontro, os conselheiros refletiram, debateram e cocriaram ações em seis eixos principais da Agenda de Ação: Energia, Indústria e Transporte; Florestas, Oceanos e Biodiversidade; Agricultura e Sistemas Alimentares; Cidades, Infraestrutura e Água; Desenvolvimento Humano e Social; e Catalisadores, que precisam acelerar financiamento, tecnologia e capacitação, segundo a organização do fórum.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou durante a cerimônia de abertura da COP que o governo brasileiro está comprometido com a transição justa e com o combate à crise climática. Ela destacou que o objetivo é que a conferência resulte em ações concretas, isto é, uma espécie de “COP da implementação”. Marina também disse torcer para que esta edição seja marcada pela “participação social qualificada”. 

Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marina Silva na conferência de abertura | Foto – Secom/UnB

Para a presidência do Fórum Interconselhos, o encontro foi um marco na articulação de mais de 60 conselhos nacionais de participação social, reunindo cerca de 280 movimentos sociais, redes e organizações da sociedade civil.

De 7º para 19º lugar no ITGP: desempenho do governo catarinense cai 12 posições no Índice de Transparência e Governança Pública 2025  

Lançado este mês, indicador da Transparência Internacional – Brasil alerta que o estado de SC retrocedeu em práticas de participação social e dados abertos

Foram 106 critérios avaliados em oito dimensões de análise, que ajudaram a formar um retrato dos governos de todo país no novo ranking nacional do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) – edição de 2025. O desempenho médio do estado de Santa Catarina em transparência e governança caiu de 7º lugar, em 2022, para 19ª posição na classificação geral entre os estados brasileiros, neste ano. O governo estadual catarinense figura no penúltimo posto da lista dentro do nível “Bom”, com nota 63,01, na média das oito dimensões avaliadas, de um total de 100 pontos. 

De acordo com o levantamento da Transparência Internacional – Brasil nas dimensões 1) Plataformas, 2) Transformação Digital, 3) Dados, 4) Administração e Governança, 5) Legal, 6) Transparência Financeira e Orçamentária, 7) Obras e 8) Participação, o ponto mais crítico do governo catarinense está nas dimensões “Legal” e “Participação Social”, ambas com nota 35,0 de 100. 

Estudo de 2025 aponta onde SC precisa melhorar: dados e participação cidadã – Foto | Reprodução Site Tranparência Internacional Brasil

Conforme o ITGP, as baixas notas nestas duas dimensões, em específico, recomendam a necessidade de aprimoramento em pilares  de governança, como o monitoramento das normativas regulatórias, fatores que comprometem a integridade e a clareza da gestão pública. 

O item 4, “Administração e Governança” também foi mal-avaliado, com nota 56,3. A falta de regulamentações específicas sobre dados abertos, conflitos de interesses e vedação ao nepotismo indica uma base legal que precisa ser fortalecida para a prevenção de práticas inadequadas e aumento de oferta na promoção da abertura do estado. 

No campo da “Participação social” do ITGP, são considerados desde atos de governo, debates sobre orçamento, participação em diferentes níveis governamentais e de políticas públicas, e abertura para a população interagir, opinar e cocriar o bem público. Os resultados neste quesito (baixa pontuação) refletem um sistema de participação pública que se encontra em parte inativo ou subutilizado. 

O que pode explicar a nova posição de SC 

Entre as razões para esse desempenho no ITGP 2025, estão, por exemplo, a inativação do Conselho de Usuários dos Serviços Públicos e a inexistência de um Conselho de Transparência e/ou de Combate à Corrupção ativo. Essa condição sinaliza um déficit na accountability social e na escuta ativa das demandas cidadãs. Outra explicação para a nova posição é o fato de que outros governos estaduais melhoraram seu desempenho no ITGP. Além disso, novos critérios de análise foram implementados de uma edição para outra, o que exige atenção constante às novas tendências em transparência e governança pública. 

A restrição de oportunidades para participação da população na discussão do orçamento estadual é outro critério que representa um obstáculo à governança participativa. 

Onde SC se saiu bem no ITGP 

Os critérios em que Santa Catarina apresentou bom desempenho refletem uma posição de modernização do serviço público, novas plataformas do governo e de seus serviços, e uso e gestão de dados para promover a gestão pública. 

“Transformação Digital” foi a dimensão com maior nota: 92,3, seguida de “Dados” com 78,6 e em terceiro aparece “Plataformas” com pontuação de 78,3, revelando que o governo aposta e realiza iniciativas de digitalização, governo digital/e-gov, atendimento digital e uso e acesso a serviços por aplicativos e sites públicos de governo. Outra percepção revelada pelos dados é o investimento como política pública no âmbito da cultura de inovação e promoção de dados abertos. 

Análise do Politeia: ideias e perspectivas 

Para o professor e pesquisador do Politeia, Dr. Rodrigo De Bona da Silva, autor de tese sobre políticas de integridade pública, o resultado do ITPG pode ser explicado de forma multifatorial. Na avaliação do pesquisador, é preciso dar tempo ao novo Controlador-Geral para implementação das melhorias, mas ao mesmo tempo é preciso cobrá-lo para que a Transparência, a Governança e a Integridade sejam prioridades. “Porque o corpo técnico da CGE é altamente qualificado e tem potencial para levar o Estado ao topo dos rankings”, declara.  

“Acredito que a falta de avanço do Estado seja reflexo, em grande medida, das sucessivas trocas de chefia na Controladoria-Geral do Estado, que atrasam a regulamentação legal do órgão”, pondera o professor De Bona. 

Segundo Victoria Araujo, mestranda em Administração e pesquisadora de temas relacionados à transparência pública, accountability, participação e controle social no grupo de Pesquisa Politeia, o resultado de Santa Catarina no ITGP de 2025 evidencia desafios relevantes. O Estado obteve sua pior avaliação nas dimensões legal e de participação social. A regulamentação é geralmente o primeiro passo para que políticas e ações se concretizem na administração pública, e avançar nessa frente depende, entre outros fatores, de vontade política. 

Para a mestranda Victoria Araújo é preciso amplicar o acesso a canais de participação popular | Foto Arquivo Pessoal

Para ela, esse processo de regulamentação pode ser fortalecido quando ocorre em diálogo com a sociedade, garantindo legitimidade e efetividade às regras criadas. É justamente nesse ponto que a regulamentação se conecta à segunda dimensão em que o Estado foi mal avaliado: a participação social. O desafio não é apenas assegurar os canais previstos em legislações federais, mas ampliar as formas de escuta e engajamento da população. Com marcos legais mais claros e atualizados, Santa Catarina pode criar condições para práticas mais efetivas de diálogo com a sociedade, transformando fragilidades em avanços concretos em governança e transparência. 

O professor do curso de Administração Empresarial e pesquisador do Politeia, da Esag Udesc e especialista no tema, Dr. Fabiano Maury Raupp, destaca que a organização responsável pelo estudo coleta, analisa  e divulga dados variados, apresentando, além da classificação geral, recortes que permitem comparação e análise por estado e projeções sobre as principais fragilidades e pontos positivos. Quanto ao desempenho de Santa Catarina no ITGP 2025, ele destaca:

“Sair de 7ª posição na edição publicada, em, 2022 para 19ª agora, revela que o Estado retrocedeu em termos de construção do exercício da transparência e governança pública”, pondera o professor. É preciso avançar, seguir avançando na constituição de normas sobre dados abertos, conflitos de interesses e de vedação ao nepotismo e também discutir a ausência de Conselho de Transparência e/ou de Combate à Corrupção ativo e ausência de Conselho de Usuários dos Serviços Públicos ativo. Faltam oportunidades de participação da população na discussão do orçamento”.

Professor do curso de Administração Empresarial da Udesc Esag e pesquisador do Politeia, professor Dr. Fabiano Maury Raupp normas sobre dados abertos, conflitos de interesses e de vedação ao nepotismo. Foto Arquivo Pessoal

Para o docente, é importante compreender que a queda nessa nota média dentro da classificação geral, não necessariamente, representa uma piora geral de desempenho. “O Estado de SC tem avançado, embora sejam visíveis as pedras no caminho de um efetivo exercício da transparência e da governança pública tanto na perspectiva legal quanto em termos de valor fundamental”, conclui Raupp. 

SOBRE O ÍNDICE 

O Índice de Transparência e Governança Pública foi desenvolvido pela organização da sociedade civil Transparência Internacional – Brasil para ser uma ferramenta regular de avaliação da transparência dos governos brasileiros.

A cada atualização do índice, é possível comparar a evolução dos entes avaliados e estimular melhorias contínuas da transparência pública. O ITGP classifica os atores avaliados em formato de ranking. As notas vão de 0 a 100 pontos e quanto maior a nota, melhores os níveis de transparência e governança daquele órgão/entidade/governo. Nesta edição de 2025, a boa notícia é que nenhum Estado foi classificado como “Ruim” ou “Péssimo”.

Pesquisadora do Politeia apresenta pesquisas em eventos globais na Espanha esta semana

Professora da Esag Udesc, Karin Vieira da Silva participa de três sessões de debates, a partir de estudos sobre Estado aberto, governança democrática e equidade nos serviços públicos, em parcerias com outros pesquisadores e pesquisadoras 

Termina nesta sexta, 10, a intensa agenda de debates, apresentação de pesquisas e produção científica que a pesquisadora e uma das líderes do Politeia, professora da Esag Udesc, Karin Vieira da Silva, cumpre no País Basco, na Espanha, na cidade de Vitoria-Gasteiz, desde a segunda-feira, 6. 

Professora Karin Vieira da Silva na chegada ao OGP Global Summit 2025 | Foto – Arquivo Pessoal

Ela participa da IX Cúpula Global da Parceria para Governo Aberto | OGP Global Summit 2025, que reúne cerca de duas mil pessoas, entre representantes de governos,  organizações da sociedade civil, academia e organismos internacionais.  Promovida pela organização internacional “Parceria para Governo Aberto” (em inglês Open Government PartnershipOGP) e o governo da Espanha, a Cúpula global se concentrou, neste ano, em práticas para o fortalecimento da democracia, aumento da transparência pública e novas formas de participação cidadã em todos os Poderes e níveis de governo. E também para debater práticas de governo, parlamento e justiça abertas, direitos digitais, governança, liberdade de expressão e cidadania digital. 

O texto da Declaração de Vitoria-Gasteiz, redação que apresenta propósitos e compromissos dos promotores do evento, está aberta para adesão e pode ser acessado em https://www.opengovpartnership.org/vitoria-gasteiz-declaration/ 

Documento trará compromissos, desafios e ações em governo aberto no futuro | Foto- Reprodução Site

Comitiva Brasileira

A professora Karin, além de participar como pesquisadora do tema, integra a comitiva brasileira no evento, pois o grupo de pesquisa Politeia é membro do Conselho Nacional de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção, CTICC, junto à Controladoria-Geral da União, participando do comitê que acompanha o 6o Plano de Ação Brasileiro de Governo Aberto. A comitiva é composta pelo Ministro da CGU, Vinicius Marques Carvalho, pela Secretária Nacional de Transparência e Acesso à Informação, Livia Sobota, e outros integrantes da CGU e ministérios do Executivo Federal, além de membros do Legislativo e do Judiciário.

Pesquisadora do Politeia integra a comitiva brasileira na IX Cúpula Global da Parceria para Governo Aberto – OGP | Foto – Arquivo Pessoal

Participam, ainda, organizações da sociedade civil integrantes do CTICC, acadêmicos e representantes de governos locais brasileiros que integram o programa OGP Local. De Santa Catarina, estão presentes no evento o Deputado Estadual e presidente da Escola do Legislativo da Alesc, Mauro de Nadal, o diretor da Escola do Legislativo, Alexandre Fagundes e o professor Luiz Felipe Reinecke, da Udesc Cesfi.

Pesquisadora do Politeia, professora Karin e o colega de Udesc, professor Luiz Felipe Reinecke, da Udesc Cesfi – Foto Arquivo Pessoal.

Esta edição da Cúpula da OGP marca o início da co-presidência brasileira no comitê diretivo da OGP.

Justiça Aberta

Na quarta-feira, 8, a professora e pesquisadora do Politeia integrou a sessão/painel Justiça Aberta: Passos para a Abertura do Sistema de Justiça Local, ou em inglês Open Justice: Steps Toward Opening Up the Local Justice System, ao lado de parceiros de pesquisa como a Procuradoria-Geral do Município de Contagem (Minas Gerais), Rede Internacional Justiça Aberta (RIJA), Tribunal Superior de Justiça da Cidade Autônoma de Buenos Aires, Civic Tech Field Guide e Colaboratório de Desenvolvimento e Participação (Colab-USP), grupo de pesquisa interdisciplinar da Universidade de São Paulo (USP).  

II Congresso Internacional sobre Estado Aberto e Governança da RAGA   

Nesta sexta, 10, a professora Karin participa do II Congresso Internacional sobre Estado Aberto e Governança, evento promovido pela Rede Acadêmica de Governo Aberto Internacional (RAGA Internacional). No evento, a pesquisadora apresenta o artigo, em coautoria com a também professora da Esag Udesc e pesquisadora do Politeia, Maria Letícia Barbosa Xavier, “Como os Planos de Governos Abertos do Brasil, Colômbia, Indonésia e Espanha reconhecem e buscam reduzir as iniquidades entre grupos populacionais no acesso aos bens e serviços públicos”, dentro da sessão Desafios globais e regionais para a governança democrática. O artigo decorre do projeto de pesquisa Equigov, do grupo Politeia.

Pesquisadora participa de duas apresentações de pesquisa nesta sexta, 10 | Foto – Arquivo Pessoal

Ao final do dia (17h45 horário da Espanha), ocorre a última sessão com participação da pesquisadora do Politeia, denominada “Equigov: Equidade nos serviços públicos por meio do governo aberto”. Nela, será abordado  o tema “As agendas de governo aberto estão ameaçadas? Retrocesso democrático e agendas de governo aberto na América Latina”, pela pesquisadora Karin Vieira da Silva e pelo professor e pesquisador César Cruz-Rubio, da Universidade Carlos III, da Espanha. 

Pesquisas que conectam o local ao nacional e internacional

Segundo projeta a professora e pesquisadora, a participação do grupo de pesquisa Politeia no Summit Global OGP, em Vitoria-Gasteiz, Espanha, representa uma oportunidade de aprofundar as investigações no campo da accountability, equidade em serviços públicos, governança colaborativa e governo aberto. 

Palco principal do OGP Global Summit 2025 – Open Government, em Vitoria-Gasteiz,

Ela destaca que o intercâmbio de conhecimentos e práticas, em escala global, tem permitido, nesta semana de imersão nos temas, uma compreensão aprofundada das possibilidades e dos desafios contemporâneos sobre abertura de governo, transparência, participação cidadã e integridade. “São temáticas  importantes para o avanço da administração pública em nosso país e fortalecimento do espaço cívico e da democracia”, comenta. Karin arremata ao mencionar o potencial de ações de internacionalização em rede como esta.

Compartilhamento de pesquisas locais e globais e boas práticas em diferentes culturas aceleram a formação de novas redes e pesquisas internacionais | Foto – Arquivo Pessoal.

“A interação com pares internacionais permite a articulação com potenciais parceiros para projetos de pesquisa, a formação e fortalecimento de redes de colaboração e a internacionalização das atividades do grupo Politeia e da Udesc como um todo”, conclui, já com novos projetos e contatos para o Politeia ampliar suas ações, parcerias e impacto.

Deputado Mauro De Nadal (à esq) destacou projetos como o das Bancadas Regionais e o Alesc Itinerante | Fotos – Divulgação Alesc

No Congresso da Raga, o Deputado Mauro De Nadal e o Diretor da Escola do Legislativo da Alesc, Alexandre Lencina Fagundes, apresentam, também, resultados do projeto Parlamento Aberto: Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores Catarinenses.

Deputado Mauro de Nadal – Foto Divulgação Alesc

O projeto de pesquisa aplicada é realizado em parceria entre o grupo de pesquisa Politeia Udesc Esag e a Escola do Legislativo da Alesc e diversas organizações, com recursos da Fapesc, da Udesc e da Alesc. Confira aqui, nesta outra reportagem, um resumo da apresentação do Deputado Mauro De Nadal durante a Cúpula Global da Parceria para Governo Aberto (OGP).

O Congresso da Raga também sedia, paralelamente, a 1ª Conferência Internacional sobre Governança, Tecnologia e Direitos Digitais. O objetivo é promover a criação de redes de colaboração multissetoriais entre acadêmicos, profissionais de diversas disciplinas e outras partes interessadas que ajudem a avançar no campo da governança tecnológica e da proteção dos direitos digitais nas sociedades ibero-americanas e europeias, a partir de uma perspectiva inclusiva e sustentável.