Blog do Grupo de Pesquisa Politeia – Coprodução do Bem Público: Accountability e Gestão, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas – UDESC/ESAG
Natalia Milack Colombo apresentou estudo desenvolvido no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, que pode ser utilizado em diversos órgãos públicos para aprimorar a gestão de contratações
A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) apresenta nível de maturidade de baixo a médio em accountabilitye controle das contratações públicas. Esta é uma das conclusões da dissertação de mestrado defendida dia 25 de setembro, pela pesquisadora do Politeia, agora mestra em Administração pela Esag Udesc, Natalia Milack Colombo.
Defesa ocorreu dia 25 de setembro, com a presença de familiares, amigos e servidores da Alesc | Fotos: Marcelo Barcelos – Politeia
Entre os achados da pesquisa, o estudo mostra as possibilidades para a instituição adotar critérios mais abrangentes de transparência, fiscalização, participação social, integridade e gestão de riscos. Esta é a 315ª defesa na história da Esag Udesc e a 8ª do Grupo Politeia ao longo deste 2025.
“É um momento de apresentação, debate e aprendizagem sobre o trabalho realizado nesses anos de pesquisa e muita dedicação, dos encontros e suporte dos professores e colegas do mestrado, do grupo de pesquisa e da orientadora professora Paula Schommer. E, ainda, da irrestrita parceria dos colegas de Alesc. Sem essa turma durante a fase de coleta de dados e entrevistas, essa pesquisa não teria sido concluída de forma tão abrangente ”, agradeceu, emocionada, a nova mestra do Politeia e da Esag Udesc.
A pesquisa conduzida por Natalia, sob orientação da professora Paula Chies Schommer, foi intitulada “Contratações Públicas e Accountability na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina”. A proposta apresentou um modelo inovador de avaliação de maturidade em accountability que pode ser adaptado e replicado em outros órgãos da administração pública.
“Com base na literatura acadêmica e técnica, normas atuais e dados da realidade da Alesc, foi desenvolvido um instrumento que permitiu analisar o grau de maturidade da Alesc em accountability e controle nas contratações. Os resultados mostram que há oportunidades para aprimoramento em diferentes instâncias do processo de gestão de contratos, verificação de idoneidade, checagem de requisitos e conferência das etapas dos entregáveis”, detalhou Natalia.
Pesquisa adotou multimétodos para avançar em temas como responsividade e controle das contratações públicas
A defesa pública da dissertação ocorreu na quinta-feira, 25 de setembro, na sala 07 da Udesc Esag, e contou com a presença de colegas, familiares e integrantes do grupo de pesquisa Politeia. O trabalho teve como avaliadores ‘os professores Fabiano Maury Raupp, da Udesc Esag, e Caio César de Medeiros Costa, da Universidade de Brasília (UnB).
O estudo, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, foi realizado entre 2024 e 2025. Combinou levantamento documental e bibliográfico com observação participante e entrevistas com servidores e gestores da Alesc, onde Natalia é servidora concursada.
A pesquisadora partiu do pressuposto de que os processos de compras governamentais são complexos e estratégicos, influenciando diretamente os resultados da administração pública e exigindo transparência, responsividade e controle.
Estudo analisou maturidade em contratações e accountability
Para aprofundar a análise, foi elaborado um protocolo de verificação de editais e contratos, baseado em normas jurídicas e técnicas, que revelou lacunas nos processos de contratação da Alesc. A observação, análise de documentos e as entrevistas com servidores foram cruciais para compreender as percepções dos atores envolvidos e identificar desafios institucionais.
Como resultado, foram desenvolvidos dois modelos de avaliação de maturidade — um detalhado e outro sintético. Juntos, formam uma matriz que aborda temas como participação social, transparência, capacitação de servidores, fiscalização de contratos, integridade, gestão de riscos e due diligence.
Imagem junto à orientadora, Paula Schommer, mostra momento em que a pesquisadora do Politeia se torna mestra em administração da Esag Udesc
O estudo conclui com recomendações específicas para ampliar a accountability e o controle nas contratações da Alesc, visando tanto o aprimoramento da gestão pública quanto o enriquecimento do debate acadêmico sobre o tema.
A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAN), por meio do projeto Parlamento Aberto – Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores Catarinenses, está realizando um levantamento para mapear iniciativas ligadas a Governo Aberto e Parlamento Aberto em municípios de Santa Catarina. Nesta primeira etapa, o projeto é desenvolvido pela Udesc em parceria com a Escola do Legislativo da Alesc nas regiões do Vale do Itapocu e no Oeste de Santa Catarina.
O objetivo é identificar programas, projetos e ações que promovam inovação, transparência, participação cidadã, prestação de contas e integridade/combate à corrupção. Esses princípios norteiam práticas que aproximam a gestão pública e os parlamentares da sociedade e ajudam a melhorar os serviços públicos.
Qualquer pessoa que trabalhe em prefeituras e câmaras de vereadores pode responder ao questionário, que aceita mais de uma iniciativa por município. Os dados coletados serão usados para fins acadêmicos e para sistematizar e divulgar boas práticas em relatórios, artigos e eventos, sempre preservando a identidade dos participantes.
O mapeamento conta com a parceria de câmaras de vereadores, parlamentares e associações regionais como a AVEVI e a ACAMOSC.
A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) pode avançar no controle das contratações públicas ao adotar critérios mais robustos de transparência, fiscalização, participação social, integridade e gestão de riscos. A conclusão é da mestranda Natalia Milack Colombo, do Programa de Pós-Graduação em Administração da Udesc Esag, que defenderá sua dissertação na próxima quinta-feira, 25 de setembro.
A pesquisa resultou na elaboração de um modelo de avaliação de maturidade em accountability e controle das contratações com base em referenciais teóricos, normativos e técnicos, considerando a realidade da instituição estudada, que pode ser adaptado e aplicado em outros órgãos da administração pública.
“Nós analisamos o grau de maturidade da Alesc em accountability e controle nas contratações. Os resultados mostram que a instituição apresenta nível baixo a médio de maturidade e que há oportunidades para aprimoramento”, explica a pesquisadora.
A dissertação tem como título “Contratações Públicas e Accountability na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina”. A defesa é pública e poderá ser acompanhada presencialmente, às 16h do dia 25, na sala 07 da Udesc Esag, ou de forma remota pelo Teams, no link: https://l1nk.dev/XLMsr. O trabalho foi orientado pela professora Paula Chies Schommer e terá como avaliadores, além da professora Paula, os professores Fabiano Maury Raupp, da Udesc Esag, e Caio César de Medeiros Costa, da Universidade de Brasília (UnB).
O estudo parte do reconhecimento de que os processos de compras governamentais são complexos e estratégicos, influenciando diretamente os resultados da administração pública e exigindo transparência, responsividade e controle. A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, foi realizada entre 2024 e 2025 e combinou levantamento documental e bibliográfico com observação participante e entrevistas com servidores e gestores da instituição.
Para alcançar os objetivos, foi elaborado um protocolo de verificação de editais e contratos, baseado em normas jurídicas e técnicas, que revelou lacunas nos processos de contratação da Alesc. Entrevistas com servidores ajudaram a compreender as percepções dos atores envolvidos e identificar desafios institucionais.
Como resultado, foram desenvolvidos dois modelos de avaliação de maturidade em accountability e controle de contratações públicas — um detalhado e outro sintético – em matriz que aborda temas como participação social, transparência, capacitação de servidores, fiscalização de contratos, integridade, gestão de riscos e due diligence. Ao final, o estudo apresenta recomendações para ampliar a accountability e o controle nas contratações da Alesc, contribuindo tanto para o aprimoramento da gestão pública quanto para o debate acadêmico sobre o tema.
Professora da Esag Udesc, Paula Chies Schommer, comentou iniciativas e práticas que evitam desperdício de recursos e melhoram a qualidade de obras públicas
Reprodução Globoplay / NSC Notícias
O papel do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC) na execução de ações práticas e inovadoras de accountability e controle público foi pauta de abertura da edição de sexta-feira, 12, do telejornal NSC Notícias, na NSCTV/afiliada Rede Globo. Na reportagem (assista aqui), a professora da Udesc Esag e pesquisadora do grupo Politeia, Paula Chies Schommer, foi uma das fontes jornalísticas entrevistadas.
Ela ajudou a explicar como as práticas de gestão e controle podem promover a qualidade de obras públicas e o cumprimento do que está estabelecido nos contratos. Isso vem ocorrendo, por exemplo, por meio do Laboratório de Obras do TCE-SC, que busca validações por fases nos empreendimentos públicos, como tematizou o repórter André Lux, responsável pela matéria.
Para Paula Schommer, a temática do controle proativo e voltado a aprimorar os serviços públicos e obras públicas tem se tornado mais presente para órgãos de controle, gestores públicos e cidadãos. Cabe fortalecer os sistemas de controle, que incluem a colaboração entre os controles externo, interno e social, bem como capacitar e valorizar o trabalho dos fiscais e gestores de contratos.
O controle social, realizado por cidadãos, organizações da sociedade civil, conselhos, imprensa e academia, monitora se as expectativas da cidadania estão sendo atendidas pelos gestores públicos e contribui para encontrar soluções para os problemas públicos.
O controle externo, como o realizado pelo Tribunal de Contas, pode identificar problemas enquanto ainda é possível corrigi-los, evitando o desperdício de recursos e a corrupção. Pode também orientar e capacitar gestores públicos, fiscais de contratos e controladores internos dos próprios órgãos, como busca fazer o programa TCE Parceiro.
A pesquisadora recorda que na Esag e no Politeia o tema do controle da administração pública abrange uma série de pesquisas de mestrado e doutorado, tanto já defendidas quanto em andamento.
Neste mês de agosto, a equipe do grupo Politeia e seus parceiros concluíram uma etapa importante do projeto de pesquisa aplicada “Parlamento Aberto: Inovação e Colaboração nas Câmaras de Vereadores Catarinenses”.
Iniciado em novembro de 2023, o estudo foi dividido em dois grandes grupos, envolvendo os sete municípios ligados à Associação de Câmaras e Vereadores do Vale do Itapocu (Avevi) e os 35 municípios que integram a Associação das Câmaras Municipais do Oeste de Santa Catarina (Amosc).
Nos últimos dois anos, os pesquisadores vêm atuando nessas regiões em parceria com a Escola do Legislativo/Alesc, a organização Act4Delivery e com o governo de Santa Catarina, por meio da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), bem como a Avevi e a Acamosc . O objetivo é implementar uma metodologia de formação-pesquisa-ação que permita coproduzir aprendizagem e inovação a partir de problemas concretos de atores locais, contribuindo para fortalecer a cultura de governo aberto em Santa Catarina por meio das câmaras municipais.
No dia 15 de agosto, foi realizada em Barra Velha a oficina de encerramento do grupo Avevi. Após meses de debates, entrevistas, reuniões e oficinas, servidores públicos, gestores das câmaras e das prefeituras, além de representantes da sociedade civil do Vale do Itapocu, decidiram de forma colaborativa que o desafio a ser enfrentado com princípios de governo aberto seria a transparência nos critérios de seleção e na lista de espera das vagas para creches.
Os pesquisadores da UdescEsag trabalharam junto aos parceiros e agentes locais para buscar uma solução colaborativa, orientada pelos princípios da transparência e do governo aberto. A partir de agora, os resultados serão documentados em diferentes formatos para serem compartilhados com os participantes diretos, mas também com acadêmicos, gestores públicos, parlamentares e a sociedade em geral.
“A região do Vale do Itapocu tem crescido em população e atividade econômica, o que aumenta a demanda por serviços públicos, como a educação infantil. A colaboração entre câmaras e prefeituras da região, o diálogo com os cidadãos que utilizam os serviços e o apoio de parceiros locais e externos permite ampliar o leque de soluções, acelerar melhorias e otimizar o uso de recursos tecnológicos e financeiros. Assim, todos podem ter acesso a bons serviços públicos, além de entender os critérios e as limitações. A transparência, o diálogo e a colaboração permite que parlamentares, servidores, cidadãos e parceiros inovem para responder a problemas concretos e também acompanhem os investimentos públicos que contribuem para o desenvolvimento da região”, explica a professora Paula Schommer, coordenadora do projeto.
O projeto também realiza o mapeamento de práticas de governo aberto nas regiões participantes e a sistematização de formas de abordar o tema em linguagem simples e contextualizada.
As próximas atividades estão previstas para setembro e outubro, na região Oeste. Conforme o cronograma, o projeto será encerrado em outubro e os relatórios finais devem estar prontos até o fim do ano.
O pesquisador e professor Christian Lynch, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), estará em Florianópolis no dia 8 de agosto para uma intensa programação na UDESC ESAG. Além de participar da gravação de mais um episódio do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, Lynch lançará seu mais recente livro e integrará o debate público “Sobre fundações: Guerreiro Ramos e o pensamento político brasileiro”.
O lançamento do livro e o debate serão realizados no Plenarinho da UDESC ESAG, das 15h às 17h, com entrada gratuita e abertos ao público. Já a gravação do vídeo ocorrerá pela manhã, nas dependências da universidade, com a equipe do Diálogos sobre Guerreiro Ramos — projeto que tem ganhado projeção no YouTube e que propõe discutir desafios contemporâneos da administração pública à luz da obra de Guerreiro Ramos, em vídeos, com linguagem acessível e caráter formativo.
Doutor em Ciência Política pelo antigo IUPERJ (atual IESP-UERJ), Lynch é professor de Pensamento Político Brasileiro na mesma instituição e autor do livro Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil(Topbooks, 2024), que será lançado na ocasião. Após o debate, o público poderá participar de uma sessão de autógrafos com o autor. O livro estará à venda no local.
A mesa será mediada pela professora Paula Schommer (Udesc Esag Politeia) e o debate contará com a presença dos demais pesquisadores participantes do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: Ariston Azevedo (UFRGS e NEPP/UFSC), Sergio Boeira (UFSC/ORD), José Francisco Salm (UDESC), Francisco G. Heidemann (UDESC) e Elaine Menezes (UDESC). O debate ocorrerá das 15h às 16h30, seguido do lançamento do livro.
No centro da obra está a tese de Lynch de que o pensamento político brasileiro não é uma mera imitação do modelo europeu, mas uma formulação original — fruto de uma revolução monárquica travestida de revolução oligárquica. Ao analisar a formação do Estado em países como Inglaterra, França e Portugal, o autor argumenta que o Brasil, situado na periferia do mundo iluminista, apropriou-se do republicanismo francês para sustentar os privilégios da nobreza colonial e bloquear a constituição de um Estado democrático. Trata-se, segundo Lynch, de uma inversão do projeto europeu original.
Esse espaço de debate resgatará, também, o projeto de teorização do Brasil realizado pelo autor brasileiro Alberto Guerreiro Ramos, desde os anos de 1950. De 1950 até sua morte, nos anos de 1980, Guerreiro Ramos traz uma interpretação original sobre a tradição do pensamento social e político brasileiro, bem como um quadro analítico da sociedade brasileira por meio de grandes categorias explicativas. Tais reflexões sugerem indagar como Guerreiro Ramos pensaria o Brasil hoje, por meio dessas grandes categorias.
Sobre o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos
Criado há três anos, o Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade tem tratado de temas teóricos, categorias de análise e suas aplicações de forma clara e acessível, por meio de vídeos no YouTube. O projeto é resultado da colaboração entre três grupos de pesquisa: Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade (Udesc Esag), ORD – Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). Atualmente, conta com sete vídeos publicados e diversos materiais complementares, além de um projeto piloto de podcast em desenvolvimento. O projeto tem apoio da Fapesc.
A gravação do episódio com Christian Lynch está prevista para a manhã de 8 de agosto, na UDESC ESAG.
Serviço
O quê: Debate “Sobre fundações: Guerreiro Ramos e o pensamento político brasileiro” e lançamento do livro Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil, de Christian Lynch Quando: 8 de agosto de 2025 (sexta-feira), das 15h às 17h Onde: Plenarinho da UDESC – Avenida Madre Benvenuta, 2007, Florianópolis – SC Quanto: Evento gratuito e aberto ao público
Extras: Sessão de autógrafos com o autor após o debate
Gravação: Pela manhã, será gravado novo episódio do programa Diálogos sobre Guerreiro Ramos, com Christian Lynch como convidado especial
Christian Lynch é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ (2007), atual IESP-UERJ. Professor e pesquisador do IESP-UERJ e da Fundação Casa de Rui Barbosa, leciona também no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Veiga de Almeida (UVA). É Jovem Cientista do Estado (FAPERJ), bolsista de produtividade do CNPq e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o Grupo de Trabalho em Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro da ANPOCS e a área temática correspondente na ABCP. Integra a diretoria do Instituto Brasileiro de História do Direito (IBHD) e é editor da Revista Insight Inteligência.
Foi pesquisador visitante no Centro Raymond Aron (EHESS, Paris) e na Fundação Casa de Rui Barbosa, além de lecionar nas Universidades Agostinho Neto (Angola) e Nacional de Cuyo (Argentina). Atuou como professor adjunto na UFF e na UNIRIO. É autor de Da Monarquia à Oligarquia: história institucional e pensamento político brasileiro (1822–1930) (Alameda, 2014) e Monarquia sem Despotismo e Liberdade sem Anarquia: o pensamento político do Marquês de Caravelas (UFMG).
Produções recentes do Prof. Lynch sobre Guerreiro Ramos:
LYNCH. C. Guerreiro Ramos, leitor de Eric Voegelin: teoria pós-colonial e alternativas à modernidade liberal. REVISTA DO LIVRO DA BIBLIOTECA NACIONAL, v. 20, p. 36-51, 2022.
LYNCH; C. MARRECA, P. P. Teoria pós-colonial e pensamento brasileiro na obra de Guerreiro Ramos: o pensamento político (1955-1958). REVISTA SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA, v. 11, p. 1025-1049, 2021.
Imagem gerada via Inteligência Artificial (Google Gemini) sobre os “políticos influencers”
A formulação de políticas públicas é parte de uma ciência. Como tal, requer uma metodologia própria e fundamentos em dados e conhecimentos. Ainda que, por se tratar de uma área que está absolutamente envolvida com fatores políticos, há uma tendência de que os métodos científicos acabem ficando de lado, por uma série de fatores. Isso ocorre não apenas do contexto brasileiro, mas de uma grande parte das democracias liberais do mundo, onde há alternância de poder e diferentes forças políticas nas esferas decisórias.
Para dar mais contexto, é preciso fazer um breve resgate histórico. É possível afirmar que no contexto que se abre após a Constituição Brasileira de 1988, com uma sociedade lambendo as feridas da ditadura militar e, ao mesmo tempo, celebrando a Carta Magna mais democrática da história brasileira, enfim a sociedade começou a se sentir prestigiada e participante ativa das decisões da esfera política. Menciono, ainda, a participação de pessoas com algum grau de notório conhecimento nas causas a serem debatidas. Isso, no contexto de formulação das políticas públicas, poderia dar-se por meio de conselhos, de secretarias, de colegiados, etc.
Há que se dizer, todavia, que estávamos acostumados, até meados de 2010, a um determinado modo “republicano” de se fazer política e que ele, gostemos ou não, está morto. O peso político da sociedade civil e da academia na construção das políticas públicas hoje parece ser irrelevante. Em seu lugar, mídias digitais sensacionalistas, que procuram substituir a arena da discussão de um lugar técnico, científico e com participação das pessoas que vivenciam os problemas públicos, para arenas de debate raso e infundado, inflando medos, preconceitos e desinformação.
Em um primeiro momento, isso não foi necessariamente impulsionado pelos líderes políticos. Os “memes”, que circulavam em redes sociais e logo foram impulsionados pelos aplicativos de mensagens instantâneas, eram criados e distribuídos por usuários “revoltados com a política”. Estes, ainda que se apresentassem como ‘apolíticos’, se mostravam despolitizados ou politizados com o intuito de se apresentar como oposição ao governo vigente. No momento em que o fenômeno acima se mostrou praticamente irreversível. Entretanto, líderes políticos começaram gradativamente a não apenas aderir à moda, como também a criar esse tipo de conteúdo.
Todo este preâmbulo foi necessário para explicar um fenômeno que hoje praticamente dispensa apresentação: a transformação da arena política, a partir de seus líderes, de um espaço de debates minimamente frutíferos e que contribuem para a formulação de políticas públicas com bons resultados para um espaço no qual a preocupação é apenas com métricas de engajamento nas redes sociais – curtidas, comentários, compartilhamentos. Isso se dá porque hoje é o engajamento que leva a mensagem mais longe. Com a mensagem indo mais longe, o sujeito que fez a publicação se torna mais conhecido e tem mais chances de arranjar um nicho dentro de um eleitorado sedento por algum perfil que, de forma sensacionalista, diga que irá resolver problemas complexos da maneira mais simples possível.
No contexto de Florianópolis, surge um exemplo explícito. A nomeação, em janeiro de 2025, do agora ex-secretário municipal de assistência social Bruno Souza (demitido em junho de 2025), ex-deputado estadual pelo Partido Novo e atualmente filiado ao Partido Liberal, foi questionada no momento em que ocorreu. Souza nunca antes em sua trajetória pessoal, política ou profissional havia atuado com a área da assistência social. Um fato no mínimo curioso, entretanto, chama a atenção. Em um vídeo publicado no Instagram do ex-deputado, exatos dois meses antes de sua posse, Souza aparece fazendo uma atuação na qual finge comprar uma fralda para uma pessoa em situação de rua e depois explica que isso é supostamente um golpe em que pessoas adictas trocariam as fraldas por drogas. Na legenda da publicação, escreveu: “sua consciência pode até ficar leve ao ajudar, mas sua ação só alimenta um ciclo de dependência que mantém essas pessoas nas ruas”.
O que explicaria a nomeação de um sujeito que não apenas é “forasteiro” diante da área de atuação da pasta, como se apresenta como um quase showman nas redes sociais, num tom provocador às pessoas em situação de vulnerabilidade social, como é o caso de pessoas adictas e em situação de rua?
A hipótese que se apresenta diante dos fatos é que o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, ao nomear Bruno Souza, o faz por entender que a pauta de assistência social – que antes já não estava nas mãos de alguém da área, e sim de um sujeito ligado à segurança pública – não será resolvida com a formulação de políticas públicas a partir de uma análise técnica e ampla, mas sim que pode servir como uma pauta de espetacularização. Ou seja, as ações tomadas por Souza e Neto no contexto decisório ficariam em segundo plano. O que assume o protagonismo de fato são as polêmicas ditas em vídeos, imagens e outras mídias no plano digital. Então, o que passa a nortear a política pública é a busca incessante pelo engajamento.
Harold Laswell, 2025, em seu artigo ‘A Orientação do Conhecimento para a Política’, sugere que “todos os recursos da nossa ciência social em expansão precisam ser orientados para os conflitos básicos presentes em nossa civilização” (pg. xx). A esses conflitos, suponho, podemos dar outro nome: problemas públicos. Então, nesse sentido, cabe enfatizar o papel que a ciência precisa ocupar – ainda que tenha ficado em segundo, terceiro ou quarto planos – nas decisões que se propõem a compreender e solucionar problemas públicos. Afinal, a que servem as políticas públicas se não para servir as pessoas resolvendo problemas que se revelam comuns perante a sociedade?
Não é possível, a esse ponto, afirmar se em algum momento poderemos voltar a uma etapa social na qual as políticas públicas eram formuladas com base científica – ainda que em diferentes graus, também com base na posição política do gestor de ocasião – e com participação concreta da sociedade civil. Também não é possível prever quais papéis ocuparão no futuro as plataformas de redes sociais, em um mundo hoje refém das chamadas big techs. O que se pode afirmar é que é preciso combater o modo autoritário e performático de se fazer política, sob risco de enormes retrocessos à gestão pública e, por isso, às pessoas de modo geral, nas mais diversas áreas da sociedade.
É preciso, por parte da sociedade civil, das instituições e órgãos públicos e dos agentes públicos que têm compromisso com a ciência, os direitos humanos e a efetividade das políticas públicas, que haja mobilização permanente de monitoramento da atuação dos gestores públicos. Para que assim haja correlação entre o que vira foco de publicações e campanhas de redes sociais e o que efetivamente se produz enquanto trabalho de gestão pública. Sem esta cobrança, receio que viveremos longos anos em que a verdade se torna o que se posta, e não o que se faz. Na administração pública, o resultado disso é que pessoas podem ser lesadas e terem seus direitos furtados por conta do fenômeno da espetacularização da política e, no fundo, pelo algoritmo de alguma rede social.
*Texto elaborado por Guilherme Luiz Weiler, estudante de graduação em administração pública da Universidade do Estado de Santa Catarina, Udesc Esag, no âmbito da disciplina Tópicos Especiais III – Política e Políticas Públicos, ministrada por Paula Chies Schommer, no primeiro semestre de 2025.
Referências
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PINHEIRO, Lívia Ventura. SILVEIRA, Maysa Klausen. A interdependência entre Política, Ciência e Políticas Públicas: caminhos para a efetividade democrática. Politeia, 2025. Disponível em: <https://politeiacoproducao.com.br/a-interdependencia-entre-politica-ciencia-e-politicas-publicas-caminhos-para-a-efetividade-democratica/>. Acesso em: 10 jul. 2025.
SUNYE, Marcos. Reféns das Big Techs: Ameaça sob a Ciência e a Tecnologia. Disponível em: <https://movimentoufpr.com.br/refens-das-big-techs-ameaca-sob-a-ciencia-e-a-tecnologia/#:~:text=Nos%20%C3%BAltimos%20anos%2C%20as%20grandes,em%20pa%C3%ADses%20como%20o%20Brasil>. Acesso em: 30 jun. 2025.
Topázio Neto explica nomeação de Bruno Souza para Secretaria de Assistência Social. SCTODODIA. 2025. Disponível em: <https://sctd.com.br/cotidiano/topazio-neto-explica-nomeacao-de-bruno-souza-para-secretaria-de-assistencia-social/>. Acesso em: 20 jun. 2025.