Cidadania e transparência em foco na oficina “De Olho na LAI”

A oficina De Olho na LAI reuniu, no dia 19 de agosto, na Udesc Esag, 62 participantes entre estudantes, servidores públicos, jornalistas, representantes da sociedade civil e demais interessados em conhecer e utilizar a Lei nº 12.527, de 18 de Novembro de 2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação (LAI).

Todos nós temos o direito de perguntar e o Estado tem o dever de responder”, destacou a jornalista Taís Seibt, diretora de estratégia da agência independente de dados Fiquem Sabendo e ministrante da oficina. A organização foi parceira do evento.

Promovida por professores, estudantes e pesquisadores do Departamento de Administração Pública da Udesc Esag, a atividade gratuita e aberta teve como objetivo principal incentivar o uso da LAI. A ideia surgiu a partir das disciplinas do sexto semestre do curso de Administração Pública. Esta edição foi coordenada pelos acadêmicos Josileia Alves e Maicon Estevam, da turma 2025/1 da disciplina Sistemas de Accountability, ministrada pela professora Paula Schommer.

A programação foi dividida em etapas. Na primeira, os 62 participantes receberam conteúdos introdutórios sobre o direito de acesso à informação, transparência pública e participação social. Taís mostrou como organizações da sociedade civil e agentes públicos se mobilizaram para a elaboração da LAI e sua implementação. Apresentou, ainda, vários exemplos de como o exercício do direito de acesso pelos cidadãos, via pedidos de informação, permitiu o acesso a outros direitos e gerou melhorias em serviços públicos. Na segunda etapa, 38 pessoas exploraram ferramentas disponíveis no Brasil para solicitar informações públicas. A terceira etapa será realizada online, nas próximas semanas, quando os participantes compartilharão os resultados de suas buscas.

A iniciativa procura capacitar cidadãos no uso da LAI como instrumento de diálogo entre governos e sociedade, além de reforçar o engajamento cívico, a cultura da transparência e o controle social. Também consolida a Udesc Esag como referência na formação de gestores comprometidos com a ética e a integridade pública.

Ficamos animados  com o interesse pelo tema e com a oportunidade de aproximar a academia, a sociedade civil e o serviço público. A oficina mostrou que a universidade pode promover diálogo entre diferentes segmentos sociais, construindo de forma colaborativa o conhecimento sobre os nossos direitos enquanto cidadãos e as nossas responsabilidades como servidores públicos”, afirmou a professora Paula Schommer, orientadora da atividade.

A oficina De Olho na LAI foi organizada pelo Departamento de Administração Pública da Udesc Esag/Prapeg e pelo grupo de Pesquisa Politeia, com apoio do Núcleo de Inovações Sociais na Esfera Pública (NISP), Observatório de Inovação Social de Florianópolis e organização Fiquem Sabendo.

Para ter acesso à apresentação da jornalista Taís e às fotos do evento, acesse o site https://politeiacoproducao.com.br/deolhonalai/.

Estudo aponta como o Tribunal de Contas  pode contribuir para o aprimoramento do saneamento básico em Santa Catarina

Após dois anos de pesquisa, a mestranda Paula Antunes Dal Pont concluiu que o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) pode ampliar sua função orientativa aos municípios, acompanhando os planos municipais de  saneamento básico e os investimentos necessários para sua realização, estimulando a atuação das agências reguladoras e fortalecendo o controle social.

A defesa da dissertação será na próxima quarta-feira, 13 de agosto, às 14h30, na Sala 110 da UDESC ESAG. A sessão é pública e aberta a todos os interessados, com transmissão online pelo link: https://tinyurl.com/DefesaMPPaulaPont.

Orientado pela professora Paula Schommer, o trabalho “A atuação do Tribunal de Contas de Santa Catarina para a universalização de coleta e tratamento de esgoto nos municípios catarinenses” será avaliado pelos professores Fabiano Maury Raupp (UDESC) e Marco Antonio Carvalho Teixeira (Fundação Getúlio Vargas – SP).

A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em análise documental, observação participante e entrevistas semiestruturadas com profissionais de órgãos de controle, agências reguladoras, prestadores de serviços e entidades do setor.

O estudo aborda conceitos de saneamento básico, legislação, planejamento, capacidades estatais, regulação, papel do controle externo na administração pública e sua relação com accountability. Esses fundamentos embasam a análise da atuação do TCE/SC, destacando como a instituição pode contribuir para o fortalecimento dessa política pública.

Os resultados evidenciam ações que  o TCE/SC já realiza iniciativas voltadas ao saneamento básico e detalham caminhos para que sua atuação  seja mais articulada.

Inscrições abertas para oficina sobre a Lei de Acesso à Informação e a relação entre Estado e sociedade

Estão abertas as inscrições para a oficina De Olho na LAI, agendada para o dia 19 de agosto, das 8h20 às 11h, na Udesc Esag, em Florianópolis. A atividade é gratuita e tem como foco explorar o uso da Lei de Acesso à Informação (LAI) como ferramenta de transparência e participação cidadã, controle social e diálogo entre Estado e sociedade. As inscrições podem ser feitas em https://politeiacoproducao.com.br/deolhonalai/

A oficina será conduzida pela organização Fiquem Sabendo, agência de dados independente que atua nacionalmente para promover o acesso à informação pública no Brasil. A jornalista e professora Taís Seibt, diretora de estratégia da entidade e especialista no uso da LAI, será a responsável por compartilhar experiências, casos reais e estratégias práticas com os participantes.

Criada por professores, estudantes e pesquisadores do Departamento de Administração Pública da Udesc Esag, a iniciativa De Olho na LAI busca promover o uso da LAI. A Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), resultado da colaboração entre governo e sociedade civil, marcou um avanço na democracia e na administração pública ao garantir o direito à informação. Sua entrada em vigor em 2012 representa um divisor de águas. Pode-se dizer que existe “o antes e o depois da LAI”.

A edição de agosto da iniciativa De Olho na LAI é coordenada pelos acadêmicos Josileia Alves e Maicon Estevam, da turma 2025/1 da disciplina Sistemas de Accountability, ministrada pela professora Paula Schommer. Além de integrar os conteúdos das disciplinas de graduação e pós-graduação, a atividade visa engajar estudantes, pesquisadores, servidores públicos, jornalistas, integrantes de organizações da sociedade civil e demais interessados no uso estratégico da LAI como instrumento de diálogo com governos e promoção da transparência. 

A iniciativa é organizada pelo Departamento de Administração Pública da Udesc Esag/Prapeg e pelo grupo de Pesquisa Politeia, com apoio do Núcleo de Inovações Sociais na Esfera Pública (NISP)Observatório de Inovação Social de Florianópolis e organização Fiquem Sabendo.

O quê: Oficina “De Olho na LAI”

Quando: terça-feira, 19 de agosto de 2025

Hora: das 8:20 às 11hLocal: Sala Espine e Laboratório 2 de Informática na Udesc Esag. Avenida Madre Benvenuta, 2037, bairro Itacorubi, Florianópolis.

Inscrições: https://politeiacoproducao.com.br/deolhonalai/

Públicos-alvo da iniciativa: estudantes, pesquisadores, servidores públicos, jornalistas,  integrantes de organizações da sociedade civil e demais interessados

Mais informações: Josileia (WhatsApp: 48 99958‑8158‬)

Pesquisadoras do Politeia lançam livro com ferramentas para narrar mudanças em sistemas complexos

A pesquisadora e consultora Florencia Guerzovich, que atua em organizações internacionais e é colaboradora do grupo de pesquisa Politeia, e a professora de administração pública da Udesc e líder do Politeia, Paula Chies Schommer, lançam o livro Change-making Story Maps: Feasible and Fun Tools and Tips to Systematically Map, Learn & Storytell HOW Change-Making Happens in Complex Systems.

Em tradução livre, o título seria: Mapas de Histórias de Transformação: Ferramentas e Dicas Viáveis e Divertidas para Mapear, Aprender e Narrar Sistematicamente COMO a Mudança Acontece em Sistemas Complexos.

A obra, escrita em inglês, foi publicada em formato digital pela Editora Imaginar o Brasil e está disponível para compra na plataforma Google Livros.

Voltado a pesquisadores, avaliadores, gestores públicos e integrantes da sociedade civil, o livro oferece ferramentas acessíveis para compreender, documentar e comunicar como a mudança de fato ocorre em sistemas sociais complexos. As autoras mostram como combinar  entrevistas em profundidade, mapeamento visual e metáforas causais para construir narrativas robustas e impactantes — especialmente a partir da experiência de quem está na linha de frente da transformação.

As entrevistas em profundidade permitem  mapear  aprendizagens  e narrar como as transformações acontecem em sistemas complexos. Elas são uma das ferramentas que exploramos neste livro. Nosso objetivo é apresentar usos e dicas práticas para pesquisadores e gestores”, explica a professora Paula.

As reflexões presentes no livro também dialogam com discussões recentes promovidas em espaços internacionais de troca, como o bate-papo #Glocal25 sobre entrevistas em avaliações de portfólios complexos. No encontro, que reuniu especialistas de diferentes países, Florencia Guerzovich compartilhou experiências sobre o uso de entrevistas como ferramenta crítica para compreender dinâmicas sociais complexas e produzir insights significativos. Entre os temas debatidos, destacaram-se a importância da reflexividade, da escuta ativa e da adaptação durante as entrevistas — princípios que permeiam a abordagem metodológica apresentada na obra.

Reunimos um conjunto de ferramentas e truques para usar entrevistas na construção de narrativas de mudança. Começamos a testá-las como forma de refletir sobre nossa prática, alinhar nossas equipes e apoiar outras pessoas nesse trabalho — da América do Sul à Ásia”, completa Florencia.

Além de conteúdo técnico e metodológico, o livro inova ao ser estruturado como uma narrativa visual, com ilustrações e mapas que funcionam como guias para quem precisa identificar e comunicar trajetórias de mudança em contextos incertos e complexos.


  • Livro Change-making Story Maps: Feasible and Fun Tools and Tips to Systematically Map, Learn & Storytell HOW Change-Making Happens in Complex Systems
  • Autoras: Paula Chies Schommer e Florencia Guerzovich
  • Onde: Plataforma Google Livros
  • Editora: Imaginar o Brasil

UDESC ESAG abre processo seletivo para bolsistas de pós-doutorado

Estão abertas, até o dia 13 de agosto, as inscrições para concorrer a até quatro  bolsas de Pós-Doutorado/UDESC, para o período de setembro de 2025 a agosto de 2026, sendo: duas bolsas para o Programa Acadêmico e duas bolsas para o Programa Profissional, com valor mensal de R$ 5.200,00 cada bolsa.

As inscrições deverão ser encaminhadas pelo candidato pelo formulário eletrônico de inscrição no endereço eletrônico: https://www.udesc.br/esag/pos/posdoutorado. Deverá ser indicado um professor supervisor e um Programa, Acadêmico ou Profissional, para vínculo do bolsista. A lista dos docentes está disponível no edital 022/2025

Christian Lynch em Florianópolis para debate e lançamento de livro na UDESC

O pesquisador e professor Christian Lynch, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), estará em Florianópolis no dia 8 de agosto para uma intensa programação na UDESC ESAG. Além de participar da gravação de mais um episódio do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos, Lynch lançará seu mais recente livro e integrará o debate público “Sobre fundações: Guerreiro Ramos e o pensamento político brasileiro”. 

O lançamento do livro e o debate serão realizados no Plenarinho da UDESC ESAG, das 15h às 17h, com entrada gratuita e abertos ao público. Já a gravação do vídeo ocorrerá pela manhã, nas dependências da universidade, com a equipe do Diálogos sobre Guerreiro Ramos — projeto que tem ganhado projeção no YouTube e que propõe discutir desafios contemporâneos da administração pública à luz da obra de Guerreiro Ramos, em vídeos, com linguagem acessível e caráter formativo. 

Doutor em Ciência Política pelo antigo IUPERJ (atual IESP-UERJ), Lynch é professor de Pensamento Político Brasileiro na mesma instituição e autor do livro Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil (Topbooks, 2024), que será lançado na ocasião. Após o debate, o público poderá participar de uma sessão de autógrafos com o autor. O livro estará à venda no local. 

A mesa será mediada pela professora Paula Schommer (Udesc Esag Politeia) e o debate contará com a presença dos demais pesquisadores participantes do projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos: Ariston Azevedo (UFRGS e  NEPP/UFSC), Sergio Boeira (UFSC/ORD), José Francisco Salm (UDESC), Francisco G. Heidemann (UDESC) e Elaine Menezes (UDESC). O debate ocorrerá das 15h às 16h30, seguido do lançamento do livro.

No centro da obra está a tese de Lynch de que o pensamento político brasileiro não é uma mera imitação do modelo europeu, mas uma formulação original — fruto de uma revolução monárquica travestida de revolução oligárquica. Ao analisar a formação do Estado em países como Inglaterra, França e Portugal, o autor argumenta que o Brasil, situado na periferia do mundo iluminista, apropriou-se do republicanismo francês para sustentar os privilégios da nobreza colonial e bloquear a constituição de um Estado democrático. Trata-se, segundo Lynch, de uma inversão do projeto europeu original.

Esse espaço de debate resgatará, também, o projeto de teorização do Brasil realizado pelo autor brasileiro Alberto Guerreiro Ramos, desde os anos de 1950. De 1950 até sua morte, nos anos de 1980, Guerreiro Ramos traz uma interpretação original sobre a tradição do pensamento social e político brasileiro, bem como um quadro analítico da sociedade brasileira por meio de grandes categorias explicativas. Tais reflexões sugerem indagar como Guerreiro Ramos pensaria o Brasil hoje, por meio dessas grandes categorias.

Sobre o projeto Diálogos sobre Guerreiro Ramos

Criado há três anos, o Diálogos sobre Guerreiro Ramos: contribuições para a ação na atualidade tem tratado de temas teóricos, categorias de análise e suas aplicações  de forma clara e acessível, por meio de vídeos no YouTube. O projeto é resultado da colaboração entre três grupos de pesquisa: Politeia – Coprodução do Bem Público, Accountability, Inovação e Sustentabilidade (Udesc Esag), ORD – Organizações, Racionalidade e Desenvolvimento (UFSC) e Pluralismo Jurídico e Interculturalidade nos Estados Latino-americanos (UFRGS). Atualmente, conta com sete vídeos publicados e diversos materiais complementares, além de um projeto piloto de podcast em desenvolvimento. O projeto tem apoio da Fapesc.

A gravação do episódio com Christian Lynch está prevista para a manhã de 8 de agosto, na UDESC ESAG.


Serviço

O quê: Debate “Sobre fundações: Guerreiro Ramos e o pensamento político brasileiro” e lançamento do livro Fundações do pensamento político brasileiro: a construção intelectual do Estado no Brasil, de Christian Lynch
Quando: 8 de agosto de 2025 (sexta-feira), das 15h às 17h
Onde: Plenarinho da UDESC – Avenida Madre Benvenuta, 2007, Florianópolis – SC
Quanto: Evento gratuito e aberto ao público

Extras: Sessão de autógrafos com o autor após o debate

Gravação: Pela manhã, será gravado novo episódio do programa Diálogos sobre Guerreiro Ramos, com Christian Lynch como convidado especial


Sobre Christian Lynch

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5709-9388

Christian Lynch é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ (2007), atual IESP-UERJ. Professor e pesquisador do IESP-UERJ e da Fundação Casa de Rui Barbosa, leciona  também no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Veiga de Almeida (UVA). É Jovem Cientista do Estado (FAPERJ), bolsista de produtividade do CNPq e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o Grupo de Trabalho em Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro da ANPOCS e a área temática correspondente na ABCP. Integra a diretoria do Instituto Brasileiro de História do Direito (IBHD) e é editor da Revista Insight Inteligência.

Foi pesquisador visitante no Centro Raymond Aron (EHESS, Paris) e na Fundação Casa de Rui Barbosa, além de lecionar nas Universidades Agostinho Neto (Angola) e Nacional de Cuyo (Argentina). Atuou como professor adjunto na UFF e na UNIRIO. É autor de Da Monarquia à Oligarquia: história institucional e pensamento político brasileiro (1822–1930) (Alameda, 2014) e Monarquia sem Despotismo e Liberdade sem Anarquia: o pensamento político do Marquês de Caravelas (UFMG).

Produções recentes do Prof. Lynch sobre Guerreiro Ramos:

LYNCH. C. Guerreiro Ramos, leitor de Eric Voegelin: teoria pós-colonial e alternativas à modernidade liberal. REVISTA DO LIVRO DA BIBLIOTECA NACIONAL, v. 20, p. 36-51, 2022.

LYNCH; C. MARRECA, P. P. Teoria pós-colonial e pensamento brasileiro na obra de Guerreiro Ramos: o pensamento político (1955-1958). REVISTA SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA, v. 11, p. 1025-1049, 2021.

Entre a ciência e o like: políticas públicas na era da espetacularização digital

Por Guilherme Luiz Weiler*

Imagem gerada via Inteligência Artificial (Google Gemini) sobre os “políticos influencers”

A formulação de políticas públicas é parte de uma ciência. Como tal, requer uma metodologia própria e fundamentos em dados e conhecimentos. Ainda que, por se tratar de uma área que está absolutamente envolvida com fatores políticos, há uma tendência de que os métodos científicos acabem ficando de lado, por uma série de fatores. Isso ocorre não apenas do contexto brasileiro, mas de uma grande parte das democracias liberais do mundo, onde há alternância de poder e diferentes forças políticas nas esferas decisórias.

Para dar mais contexto, é preciso fazer um breve resgate histórico. É possível afirmar que no contexto que se abre após a Constituição Brasileira de 1988, com uma sociedade lambendo as feridas da ditadura militar e, ao mesmo tempo, celebrando a Carta Magna mais democrática da história brasileira, enfim a sociedade começou a se sentir prestigiada e participante ativa das decisões da esfera política. Menciono, ainda, a participação de pessoas com algum grau de notório conhecimento nas causas a serem debatidas. Isso, no contexto de formulação das políticas públicas, poderia dar-se por meio de conselhos, de secretarias, de colegiados, etc.

Há que se dizer, todavia, que estávamos acostumados, até meados de 2010, a um determinado modo “republicano” de se fazer política e que ele, gostemos ou não, está morto. O peso político da sociedade civil e da academia na construção das políticas públicas hoje parece ser irrelevante. Em seu lugar, mídias digitais sensacionalistas, que procuram substituir a arena da discussão de um lugar técnico, científico e com participação das pessoas que vivenciam os problemas públicos, para arenas de debate  raso e infundado, inflando medos, preconceitos e desinformação.

Em um primeiro momento, isso não foi necessariamente impulsionado pelos líderes políticos. Os “memes”, que circulavam em redes sociais e logo foram impulsionados pelos aplicativos de mensagens instantâneas, eram criados e distribuídos por usuários “revoltados com a política”. Estes, ainda que se apresentassem como ‘apolíticos’, se mostravam despolitizados ou politizados com o intuito de se apresentar como oposição ao governo vigente. No momento em que o fenômeno acima se mostrou praticamente irreversível. Entretanto, líderes políticos começaram gradativamente a não apenas aderir à moda, como também a criar esse tipo de conteúdo.

Todo este preâmbulo foi necessário para explicar um fenômeno que hoje praticamente dispensa apresentação: a transformação da arena política, a partir de seus líderes, de um espaço de debates minimamente frutíferos e que contribuem  para a formulação de políticas públicas com bons resultados para um espaço no qual a preocupação é  apenas com métricas de engajamento nas redes sociais – curtidas, comentários, compartilhamentos. Isso se dá porque hoje é o engajamento que leva a mensagem mais longe. Com a mensagem indo mais longe, o sujeito que fez a publicação se torna mais conhecido e tem mais chances de arranjar um nicho dentro de um eleitorado sedento por algum perfil que, de forma sensacionalista, diga que irá resolver problemas complexos da maneira mais simples possível.

No contexto de Florianópolis, surge um exemplo explícito. A nomeação, em janeiro de 2025, do agora ex-secretário municipal de assistência social Bruno Souza (demitido em junho de 2025), ex-deputado estadual pelo Partido Novo e atualmente filiado ao Partido Liberal, foi questionada no momento em que ocorreu. Souza nunca antes em sua trajetória pessoal, política ou profissional havia atuado com a área da assistência social. Um fato no mínimo curioso, entretanto, chama a atenção. Em um vídeo publicado no Instagram do ex-deputado, exatos dois meses antes de sua posse, Souza aparece fazendo uma atuação na qual finge comprar uma fralda para uma pessoa em situação de rua e depois explica que isso é supostamente um golpe em que pessoas adictas trocariam as fraldas por drogas. Na legenda da publicação, escreveu: “sua consciência pode até ficar leve ao ajudar, mas sua ação só alimenta um ciclo de dependência que mantém essas pessoas nas ruas”.

O que explicaria a nomeação de um sujeito que não apenas é “forasteiro” diante da área de atuação da pasta, como se apresenta como um quase showman nas redes sociais, num tom provocador às pessoas em situação de vulnerabilidade social, como é o caso de pessoas adictas e em situação de rua?

A hipótese que se apresenta diante dos fatos é que o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, ao nomear Bruno Souza, o faz por entender que a pauta de assistência social – que antes já não estava nas mãos de alguém da área, e sim de um sujeito ligado à segurança pública – não será resolvida com a formulação de políticas públicas a partir de uma análise técnica e ampla, mas sim que pode servir como uma pauta de espetacularização. Ou seja,  as ações tomadas por Souza e Neto no contexto decisório ficariam em segundo plano. O que assume o protagonismo de fato são as polêmicas ditas em vídeos, imagens e outras mídias no plano digital. Então, o que passa a nortear a política pública é a busca incessante pelo engajamento.

Harold Laswell, 2025, em seu artigo ‘A Orientação do Conhecimento para a Política’, sugere que “todos os recursos da nossa ciência social em expansão precisam ser orientados para os conflitos básicos presentes em nossa civilização” (pg. xx). A esses conflitos, suponho, podemos dar outro nome: problemas públicos. Então, nesse sentido, cabe enfatizar o papel que a ciência  precisa ocupar – ainda que tenha ficado em segundo, terceiro ou quarto planos – nas decisões que se propõem a compreender e solucionar problemas públicos. Afinal, a que servem as políticas públicas se não para servir as pessoas resolvendo problemas que se revelam comuns perante a sociedade?

Não é possível, a esse ponto, afirmar se em algum momento poderemos voltar a uma etapa social na qual as políticas públicas eram formuladas com base científica – ainda que em diferentes graus, também com base na posição política do gestor de ocasião – e com participação concreta da sociedade civil. Também não é possível prever quais papéis ocuparão no futuro as plataformas de redes sociais, em um mundo hoje refém das chamadas big techs. O que se pode afirmar é que é preciso combater o modo autoritário e performático de se fazer política, sob risco de enormes retrocessos à gestão pública e, por isso, às pessoas de modo geral, nas mais diversas áreas da sociedade. 

Durante o período em que Bruno Souza foi secretário, por exemplo, o município de Florianópolis deixou de servir aproximadamente 300 mil refeições por conta do fechamento do Restaurante Popular de Florianópolis, anunciado em fevereiro deste ano. São duas mil refeições a menos todos os dias em uma cidade que possui, segundo dados do CadÚnico, mais de 30 mil famílias recebendo até um salário mínimo por mês.

É preciso, por parte da sociedade civil, das instituições e órgãos públicos e dos agentes públicos que têm compromisso com a ciência, os direitos humanos e a efetividade  das políticas públicas, que haja mobilização permanente de monitoramento da atuação dos gestores públicos. Para que assim  haja  correlação entre o que vira foco de publicações e campanhas de redes sociais e o que efetivamente se produz enquanto trabalho de gestão pública. Sem esta cobrança, receio que viveremos longos anos em que a verdade se torna o que se posta, e não o que se faz. Na administração pública, o resultado disso é que pessoas podem ser lesadas e terem seus direitos furtados por conta do fenômeno da espetacularização da política e, no fundo, pelo algoritmo de alguma rede social.

*Texto elaborado por Guilherme Luiz Weiler, estudante de graduação em administração pública da Universidade do Estado de Santa Catarina, Udesc Esag, no âmbito da disciplina Tópicos Especiais III – Política e Políticas Públicos, ministrada por Paula Chies Schommer, no primeiro semestre de 2025.

Referências

BORGES, Caroline. Restaurante Popular de Florianópolis fecha as portas. 2025. Disponível em: <https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2025/02/24/restaurante-popular-de-florianopolis-fecha-as-portas.ghtml>. Acesso em: 10 jul. 2025.

CECAD. Painel do CECAD. Disponível em: <https://cecad.cidadania.gov.br/painel03.php#>. Acesso em: 10 jul. 2025.

FREITAS, Ana. Qual o papel dos memes na discussão política. 2016. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/05/14/qual-o-papel-dos-memes-na-discussao-politica>. Acesso em: 30 jun. 2025.

IGOR, Renato. O motivo da saída de Bruno Souza da prefeitura de Florianópolis. Disponível em: <https://www.nsctotal.com.br/colunistas/renato-igor/bruno-souza-deixa-prefeitura-de-florianopolis>. Acesso em: 30 jun. 2025.

LASSWELL, H. D.; HEIDEMANN, F. G. A orientação política do conhecimento. Revista do Serviço Público, [S. l.], v. 76, n. 2, p. 179-197, 2025. DOI: 10.21874/rsp.v76i2.11259. Disponível em: <https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/11259>. Acesso em: 10 jul. 2025.

PINHEIRO, Lívia Ventura. SILVEIRA, Maysa Klausen. A interdependência entre Política, Ciência e Políticas Públicas: caminhos para a efetividade democrática. Politeia, 2025. Disponível em: <https://politeiacoproducao.com.br/a-interdependencia-entre-politica-ciencia-e-politicas-publicas-caminhos-para-a-efetividade-democratica/>. Acesso em: 10 jul. 2025.

SUNYE, Marcos. Reféns das Big Techs: Ameaça sob a Ciência e a Tecnologia. Disponível em: <https://movimentoufpr.com.br/refens-das-big-techs-ameaca-sob-a-ciencia-e-a-tecnologia/#:~:text=Nos%20%C3%BAltimos%20anos%2C%20as%20grandes,em%20pa%C3%ADses%20como%20o%20Brasil>. Acesso em: 30 jun. 2025.

Topázio Neto explica nomeação de Bruno Souza para Secretaria de Assistência Social. SCTODODIA. 2025. Disponível em: <https://sctd.com.br/cotidiano/topazio-neto-explica-nomeacao-de-bruno-souza-para-secretaria-de-assistencia-social/>. Acesso em: 20 jun. 2025.