Mais do que saciar a fome, comer é um ato carregado sentimentos, histórias, afetos e identidades que conectam as pessoas aos seus territórios. Foi com essa ideia que a Udesc Esag realizou, nesta quinta-feira (22), a 2ª edição do “Café Decolonial”, atividade da disciplina “Desenvolvimento Territorial Sustentável”, organizada pela professora Maria Letícia Xavier, pesquisadora do grupo Politeia, com apoio da Direção de Extensão (DEX/Esag) e do Programa de Extensão Assessorem.

A alimentação, reforça a docente, é muito mais do que uma necessidade biológica: carrega signos e modos de vida de pertencimento, senso de comunidade e permite sociabilidades comunitárias. Segundo a docente, o objetivo pedagógico da atividade foi valorizar esse rico patrimônio alimentar como expressão e extensão da cultura e como recurso para o desenvolvimento e produção de memória dos territórios.

Na prática, o convite pedia para que cada aluno e aluna participassem do momento de partilha com um prato afetivo que remetesse às origens territoriais, memórias da infância, tradições familiares e à experiência significativa de trajetória pessoal com aquele alimento-símbolo. “Mais do que compartilhar, a ideia foi estimular relações culturais e alimentares, sociais e territoriais”, sintetizou a docente.

Ao todo, 23 alunos e alunas e trouxeram seus pratos, entre eles: 1) bolo de macaxeira, tradicional de Sergipe, região de origem da aluna Maria Isabel; 2) caldo-de-cana para representar a cultura sucro alcooleira do interior paulista, trazido pelo estudante Pedro Brossi, natural de Piracicaba e 3) até o chimarrão tão tradicional da cultura gaúcha.
Não faltou também o clássico doce de brigadeiro, paçoca e os tradicionais refrigerantes regionais como Guaraná Pureza, Cini e Laranjinha da marca catarinense Água da Serra, fundada em Braço do Norte, em 1943.

No cardápio, o café, bebida tradicional nas casas brasileiras foi especial: para esta edição, a bebida foi preparada pelo paí da aluna Vitória, repetindo o gesto que ele realizada todo dia: passar o café no bule antes de todo mundo acordar.
Completando os pratos, o salame remeteu à forte presença dos planteis de suíno do Sul de Santa Catarina e as cucas de banana e goiabada fizeram referência à presença germânica no estado.
Debate sobre segurança alimentar e nutricional
Para ampliar a reflexão, após o café, a turma também assistiu ao documentário Muito Além do Peso [veja aqui]. Em seguida, o grupo fez um debate sobre alimentação, consumo, indústria alimentar, desigualdades e os desafios para a construção de sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e justos.

“Queremos que o Café Decolonial seja um espaço de encontro, diálogo e aprendizagem coletiva, no qual nossas experiências cotidianas se conectam às discussões sobre patrimônio alimentar e cultural, desenvolvimento territorial e segurança alimentar e nutricional. Pensar o desenvolvimento dos territórios também é reconhecer as histórias que cabem em um prato e os saberes que se compartilham ao redor de uma boa, farta e democrática mesa”, detalhou a professora da disciplina.

Diversidade alimentar para reconhecer territórios
Para o aluno Michel Orival, a aula de sobre patrimônio alimentar surpreendeu. “Foi experiência maravilhosa. Aceitei a proposta da professora Maria Letícia de falar sobre o prato de oferenda que é dado a orixá Yemanjá divindade da umbanda. Foi muito bom compartilhar essa experiência criada pela nossa professora”, comentou o participante.
Já para a acadêmica Sabrina Louise, a aula, os sabores e as trocas sociais durante o “Café Decolonial” proporcionaram conhecer um pouco da cultura dos colegas e ampliar repertórios, paladares e percepções cultuais.

“Conheci meus amigos por meio da comida. Também pude compartilhar um pouco da minha história assim. Como nordestina, o cuscuz representa nossa identidade e herança familiar, além de ter um papel importante no sustento de muitas famílias. Poder compartilhar isso com a turma e ver tantas pessoas experimentando e gostando do cuscuz foi muito gratificante”.
A arte gráfica do convite foi criada pelos acadêmicos Felipe Solonca e Amanda Garcia.
Até a próxima!
