Blog do Grupo de Pesquisa Politeia – Coprodução do Bem Público: Accountability e Gestão, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas – UDESC/ESAG
Fundada em 1992, a Sociedade Internacional para Pesquisa do Terceiro Setor (ISTR) é uma associação de pesquisadores e centros acadêmicos de todo o mundo.
Promovendo pesquisa e educação em torno de temáticas sobre Sociedade Civil e Terceiro Setor, o ISTR promove a cada dois anos a Conferência Regional da América Latina e Caribe com o objetivo de expor trabalhos acadêmicos e de pesquisas nesta área, promover debates, trocas de experiências e oportunidades de diálogo e soluções em torno de problemáticas da região.
Este ano, a décima segunda edição do evento será realizada em Medellín, na Colômbia, entre os dias 03 e 05 de julho de 2019, sob a temática geral: Co-responsabilidade na construção do bem público na América Latina e no Caribe.
A organização está sob responsabilidade da Universidade EAFIT.
Os temas específicos abrangidos pela Conferência são:
Democratização, cidadania e responsabilidade
Filantropia e Voluntariado
Parcerias intersetoriais, colaborações e interações
Governança e Gestão de Organizações Sem Fins Lucrativos
SDGS: Pobreza, Desigualdade e Sustentabilidade
Responsabilidade Social Corporativa e Empreendimento Social
Inovação Social
Áreas Emergentes de Teoria e Prática, Pesquisa e Ensino
Mais informações sobre a Conferência latino-americana podem ser obtidas no site do evento: http://www.istrlac.org/
Além das conferências regionais a ISTR promove a cada dois anos encontros internacionais. Em 2020 a Conferência Internacional será realizada em Montreal, no Canadá e já está com submissões de trabalhos aberta até 26 de outubro. Mais informações podem ser obtidas no site do evento: https://www.istr.org/page/Montreal
Atualmente o tema corrupção está presente em diversas denúncias e discussões, na terça feira 16 de Abril no auditório da ESAG será debatido estratégias para o combate à corrupção, prática de irregularidades e ilicitudes, como por exemplo Compliance e Whistleblowing.
Trata-se de uma aula aberta para o público, da disciplina Sistemas de Accountability, sob a realização da DAP/ Disciplina Sistemas de Accountability, organização de acadêmicos e apoio do projeto Comunidade de Práticas (PRAPEG).
COMBATE À CORRUPÇÃO: O FUTURO É AGORA
Dia: 15 de Abril; Terça – Feira
Av. Me. Benvenuta, 2007 – Santa Monica, Florianópolis – SC
O Legislativo tem um papel fundamental na sociedade que exige qualificação e transparência de suas ações. Seu papel de fiscalizador da gestão pública conta com a participação e colaboração, não apenas de órgãos de controle, mas da sociedade como um todo.
O evento é uma iniciativa da Escola de Gestão e Eficiência Legislativa – EGEL em parceria com o Grupo de Pesquisa Politeia da Esag Udesc e contará com a participação de diversas instituições e sociedade civil.
A iniciativa parte de uma agenda de discussões e ações em torno de temas como coprodução do controle, transparência e accountability com o objetivo de construir pontes entre administração pública, universidade e sociedade.
LEGISLATIVO, TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA COLABORATIVA: como o cidadão participa com o legislativo no controle da gestão pública?
Por Rodolfo Macedo do Prado, Débora Cristina Machado Regio e Raphael Mendonça Barros Silva *
O whistleblowing, um instrumento de combate à corrupção que estimula o cumprimento da lei, promove a participação direta do cidadão no auxílio aos órgãos de controle interno e externo, especialmente na descoberta de ilícitos. O mesmo visa receber denúncias feitas por cidadãos comuns, protegendo-os e recompensando-os por isso. (Saiba mais sobre o Whistleblowing)
No
Brasil, especialmente depois da deflagração da denominada “Operação Lava Jato”,
nunca se falou tanto em combate à corrupção e na utilização de mecanismos e
instrumentos jurídicos para tanto.
O
instrumento aqui apresentado ainda não é utilizado no Brasil, o que nos faz
refletir: será que apenas a repressão à corrupção já instalada e
institucionalizada é capaz de resolver ou amenizar o desvio de verbas públicas
e o interesse privado em detrimento do público? Seria hora de investirmos mais em
instrumentos de prevenção dentro da gestão pública?
O controle da Administração Pública, por meio de mecanismos próprios, que podem envolver órgãos públicos ou privados, a fim de garantir mais transparência, melhor gestão, mais responsabilidade e responsividade dos agentes públicos, está carente de instrumentos jurídicos para seu auxílio.
Se, de
um lado, a Administração Pública busca, através de mecanismos de accountability, trazer mais
transparência, responsabilidade, responsividade e melhor gestão da coisa
pública, trazendo consigo o cidadão na coprodução de controle, o Direito busca
a tutela de princípios constitucionais como a legalidade, a impessoalidade, a
moralidade, a publicidade e a eficiência.
Juntos,
possibilitam o combate à corrupção endêmica e institucionalizada que percebemos
após a deflagração de uma série de megaoperações policiais que escandalizaram o
país, derrubaram Presidentes da República e expuseram o que há de pior dos
agentes públicos.
Quanto
ao combate à corrupção, sem a participação do cidadão (o agente de mudança), não
haverá chance de vitória ou mesmo de diminuir a alarmante sensação de
impunidade que se apresenta hoje no Brasil. Um dos grandes instrumentos para
expor tal situação é o whistleblowing,
um instituto anglo-saxão semelhante à colaboração premiada, mas voltado ao
cidadão que nada tem de relação com a prática de crimes. É, ainda, garantida
uma recompensa em dinheiro e um extenso rol de garantias de ordem pessoal –
como a integridade física, psicológica, laboral e financeira -, auxilia os
órgãos de controle, denunciando a prática de ilícitos e apresentando provas.
Nos Estados Unidos, onde já foram recuperados mais de 26 bilhões de dólares outrora desviados e/ou recebidos de forma ilícita, os cidadãos já se utilizam do sistema de forma ampla e irrestrita, o que foi possível por 7 fatores principais: 1 • a mudança na burocracia governamental; 2 • leis encorajando as denúncias; 3 • leis que protegem os denunciantes; 4 • a mídia e os novos suportes organizacionais, como entidades não governamentais; 5 • existência institucional dos pesos e contrapesos; 6 • valores culturais do povo norte-americano; 7 • o “onze de setembro”.
O
Direito, pura e simplesmente, não dá conta do combate apenas pelos meios e
instrumentos triviais. A Administração Pública, por seu turno, também não
consegue, por si só, “estancar a sangria”.
A
solução aqui apresentada é o diálogo entre a transparência, responsabilidade,
coprodução de controle e os instrumentos jurídicos de combate à corrupção
(delação premiada, acordo de leniência, whistleblowing,
perda alargada, compliance anticorrupção,
etc.), para que se previna e se puna no
âmbito da Administração Pública e, caso necessário, se reprima através de
instrumentos jurídicos pertinentes no campo do Direito.
Em
recentes manifestações, os Ministros de Estado da Casa Civil, Economia e
Justiça defenderam a regulamentação do whistleblowing
no Brasil, o que pode indicar que se está próximo da importação do instituto
(para mais informações, veja em https://consultorpenal.com.br/sobre-moro-onyx-guedes-e-o-whistleblowing-no-brasil/). Aliás,
o Ministro Sérgio Moro incluiu a regulamentação do whistleblowing em seu “Projeto de Lei Anticrime”, mas que ainda
peca muito na técnica legislativa.
Muito se faz para combater a corrupção, mas será que é o suficiente? Será que a administração pública sozinha consegue dar conta de solucionar tal problema?
Sem o cidadão capacitado e amparado pela lei, o combate à corrupção está fadado ao fracasso. Para que tais mudanças ocorram, é necessário que a Administração Pública, o Direito e a Cidadania caminhem lado a lado, a fim de promover o bem-estar de todos e garantir que o certo prevaleça.
A seguir, entrevista sobre o tema com o advogado e estudante de administração pública Rodolfo Macedo do Prado, especialista em Direito Penal Econômico.
*Texto elaborado pelos acadêmicos de administração pública Rodolfo Macedo do Prado (rodolfoprado91@gmail.com), Débora Cristina Machado Regio e Raphael Mendonça Barros Silva, no âmbito da disciplina Sistemas de Accountability, da Udesc Esag, ministrada pela Professora Paula Chies Schommer, no segundo semestre de 2018.
O caso do
governador Pezão mostra também que os detentores de
poder ainda estão buscando manter o status
quo:
Pezão é acusado de manter a organização criminosa antes liderada por seu antecessor, Sérgio Cabral, o que inclui o pagamento de propina para servidores públicos que ocupam cargos em órgãos de controle, entre outros ilícitos. Conforme observa o professor Mauricio Santoro: cada um dos governadores eleitos entre 1998 e 2014, cada um dos presidentes da Assembleia Legislativa entre 1995 e 2017, 10 dos 70 legisladores do estado, 5 dos 6 conselheiros do Tribunal de Contas e da Procuradoria Geral do Estado já estiveram ou ainda estão presos. A maioria deles do mesmo partido, o MDB.
Em 2017, o presidente do Brasil, Michel Temer (MDB), concedeu indulto de Natal que livraria vários de seus aliados da cadeia (um instrumento usado em outros contextos com propósitos similares). O Supremo Tribunal Federal estava justamente discutindo a constitucionalidade desse indulto no dia em que Pezão foi preso.
Dois anos antes, uma de nós morava no Rio de Janeiro e estava na cidade no dia em que o governador do estado Sérgio Cabral (MDB) foi preso (ele segue preso e foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção várias vezes desde então). Naquela manhã de 2016, em um ônibus urbano, o motorista buzinava e gritava para os pedestres: Cabral está preso! O motorista também comentava sobre a péssima situação dos serviços públicos e da segurança no estado. A situação fiscal do Rio de Janeiro era realmente terrível, como se pode poder ver no gráfico a seguir, na comparação com outros estados brasileiros, também em dificuldades.
Na mesma manhã, em uma academia na cidade do Rio, em típico espírito carioca, a música era alta e animada, enquanto um grupo de aposentados celebrava e comentava sobre a prisão de Cabral. Eles também falavam sobre a falta de recursos básicos, como papel e combustível, para a polícia trabalhar na segurança pública, a crise na educação e a falta de medicamentos no sistema pública de saúde. Na previsão de @shannongsims, a cena se repetiria três anos depois.
O Juiz
da Suprema Corte Luis Alberto Barroso argumentou contra o indulto concedido por
Temer dizendo que a
corrupção é um “crime violento”. “Corrupção mata. Mata na fila do SUS, na falta
de leitos, na falta de medicamentos. Mata nas estradas que não tem manutenção
adequada.” “A corrupção destrói vidas que não são adequadamente educadas pela
falta de escolas”. Usando linguagem do desenvolvimento, pode-se observar que
Barroso fez a conexão entre corrupção e capital humano
(#investinpeople). Ele se dirigia a seus colegas na Corte, a promotores que tem
avançado no combate à corrupção em meio a dificuldades, e à sociedade que vem
dando apoio às mudanças relativas ao combate à corrupção.
No plenário do STF, em fala transmitida ao vivo em redes nacionais de TV e internet, e multiplicada em mídias sociais e tradicionais milhares de vezes, Barroso mencionou que alguns grupos talvez não estivessem dispostos a ouvir sua mensagem: a) parte dos progressistas brasileiros que pensam que os fins justificam os meios e que a corrupção é apenas uma nota de rodapé na história do Brasil; b) parte dos conservadores que pensam não tem problema quando a corrupção é praticada por um de seus colegas; c) aqueles que não querem ser punidos, os que não querem ser honestos ou que não haja avanços, preferindo que tudo permaneça como sempre foi. Conforme observou Roberto Gargarella, um acadêmico da área de direito constitucional, para além de seus efeitos diretos, a Lava Jato está gerando uma oportunidade sem precedentes para comunicar e promover o reconhecimento público dos mecanismos que permeiam a vida pública. De fato, observamos que nos últimos anos, no Brasil, os operadores do sistema judiciário tem mudado suas práticas de comunicação nesse sentido.
Quatro avalições que desafiam os grupos que
trabalham contra a corrupção a repensar suas estratégias
Um conjunto de avaliações do trabalho de advocacy da Transparency International, TI, em diferentes contextos argumenta que os grupos da sociedade civil também precisam desenvolver novos tipos de campanhas, uma vez que os cidadãos em geral e as elites estão (cada vez mais) conscientes sobre os efeitos da corrupção. Uma avaliação da “Unmask the Corrupt Campaign” concluiu que a campanha foi capaz de promover expectativas de ação e resultados (justiça) com rapidez. Entretanto, não foi capaz de atender a essas expectativas, o que levou a campanha a gerar desilusão e desengajamento, afinal.
Flores e co-autores apresentam “um modelo em três níveis que considera fatores micro, meso e macro que afetam a tomada de decisão individual, incluindo a sequência de passos que os indivíduos seguem para processar informação e, subsequentemente, avaliar e reavaliar se farão algo ou não para buscar enfrentar a corrupção”. Eles argumentam que esse modelo pode ajudar atores em cada país a experimentar, refletir e adaptar suas estratégias para estimular o engajamento cidadão, de modo sistemático; aos atores que atuam no cenário internacional, o modelo pode contribuir para apoiar esses processos de modo mais adequado. Para Flores e seus colegas, ativistas que trabalham em contextos repletos de desilusão enfrentam uma batalha diferente, mais difícil do que aqueles que atuam em contextos de apatia ou otimismo.
Uma avaliação de 2018
da TI’s global advocacy argumenta que “cabe celebrar o sucesso no
estabelecimento de agendas, compromissos e instituições anticorrupção. Ao mesmo
tempo, é importante considerar questões relativas ao progresso coletivo e os
pressupostos que guiam o trabalho anticorrupção, considerando a continuidade da
extensão da corrupção e sua impunidade … é tempo de reorientação em torno de um
pequeno grupo de prioridades globais de advocacy em torno das quais o Movimento
possa fazer uma pressão sustentada para a mudança. Isso dependerá de abordagens
de advocacy mais afiadas e de avanços em direção a estratégias mais efetivas em
termos de equipes e recursos.”
Em 2012, uma
avaliação do trabalho de advocacy da TI na América Latina chegou a
um diagnóstico e a uma prescrição similares: “o ambiente de elaboração de
políticas públicas anticorrupção na região mudou em um ritmo mais rápido do que
as campanhas da sociedade civil. No início dos 1990, os ativistas eram capazes
de falar em um vácuo de políticas públicas na arena anticorrupção … nos anos 2000,
ilhas baseadas em projetos de integridade produziram alguns resultados
adicionais … os anos 2010 mostram um desafio diferente.” A essência desse
desafio está no foco estratégico em esforços colaborativos envolvendo diversos stakeholders
em torno de mudanças políticas concretas e efetivas que se ajustem e
transformem os sistemas anticorrupção na região.
Como promover
campanhas que considerem os aposentados do Rio de Janeiro, as batalhas
judiciais em Brasília e o que estamos aprendendo coletivamente enquanto campo?
Uma oportunidade para aprender sobre a próxima
geração de práticas de advocacy
A Transparência
Internacional no Brasil, TI-Brasil, vem seguindo essas pistas. Em 2018, a organização
lançou, em parceria com a FGV Direito, uma campanha inovadora, focalizando a
ação política voltada a cidadãos e elites cientes das consequências negativas
da corrupção: a campanha Unidos
contra a Corrupção – 70 novas medidas contra a corrupção.
Entre Janeiro e Fevereiro de 2019, conduziremos um exercício reflexivo com a TI-Brasil para aprender mais sobre as decisões, dilemas, oportunidades, desafios e lições a partir dessa articulação de um amplo conjunto de atores em torno de uma campanha contra a corrupção, em um contexto de polarização política. O objetivo é prover inspiração e insumo para a reflexão de grupos no Brasil que desejem realizar iniciativas similares às 70 Medidas em seus estados e municípios. O trabalho pode interessar também a grupos em outros países que desejem inspirar-se na campanha e adaptar algumas de suas estratégias em suas próprias realidades – o que responde ao apetite demonstrado em dois recentes eventos em Washington (detalhes aqui e aqui).
Se você é parte
de um desses grupos: O que você gostaria de saber sobre a construção de uma
nova geração de advocacy anticorrupção? Quais aspectos do design, da
implementação e da avaliação dessa nova geração de campanhas anticorrupção lhe tiram
o sono?! Envie-nos suas questões e comentários twitting @guerzovich & @ChiesSchommer
com a hashtag #nextgenACadvocacy.
The Pezão case is
also a reminder that power holders are still trying to sustain the status quo:
Pezão was
allegedly sustaining the criminal organization formerly led by his predecessor
Sergio Cabral, which included among other illicit, bribes for public officials
in state control bodies. As Professor Mauricio
Santoro noted: Every governor elected from 1998 to 2014, every
president of the state’s legislative assembly (1995 to 2017), 10 out of 70
state legislators, 5 out of 6 counselors in the state’s Court of Accounts and
the Attorney General of the state have been jailed. Please note, this crowd
largely belongs to MDB Party – rather
than Luis Inacio Lula Da Silva’s Worker Party.
Michel
Temer (MDB), outgoing president of Brazil, has issued a pardon that would let
many of his allies out of jail (a
tool used in other contexts for similar purposes). The Brazilian
Supreme Court was discussing the constitutionality of the pardon on the day Pezão
went to jail.
Two years before, one of us was living in Rio de Janeiro on the day the previous state’s governor Sergio Cabral (MDB) went to jail in 2016 (he has been found guilty of money laundering and corruption multiple times since then). That morning on a public bus, the driver yelled and honked to the newspaper guy in the corner: Cabral is in jail! The driver referred to the dire situation of public services and security in the state. Rio de Janeiro’s fiscal situation was and is dire, even in comparison with other Brazilian states (see graph below).
That morning in a
Rio de Janeiro gym, in true Carioca spirit, music was loud and fun. A group of
pensioners were at once celebrating and pining over the news about Cabral’s
imprisonment. They also talked about the police’s lack of basic resources (paper
and gas) to provide security, the crisis of public education, and the lack of
medicines in the public health system. For @shannongsims the scene
would be repeated three years later.
Supreme
Court Judge Luis Alberto Barroso argued against Temer’s pardon stating that corruption is a “violent crime”.
Corruption “kills in the queue of the Unified Health System, kills through the
lack of beds in hospitals, kills in the absence of medicines, kills roads
without proper maintenance. Corruption destroys lives that are not adequately
educated due to the absence of schools.” Using development language, Barroso
made the link between corruption and human capital
(#investinpeople). Barroso was speaking to his Brazilian audience – his
colleagues in the Court, prosecutors that advance against all odds, and society
that is supporting anticorruption change.
Barroso’s argument
in the Supreme Court’s plenary was cast in national TV and multiplied in social and traditional media
1000s of times. He mentioned that there
are three groups who will not hear his message: a) “part of progressivism
in Brazil thinks that the ends justify the means and corruption is a footnote
in the history of Brazil;” b) “part of the conservatives think that
corruption, if it is of the conservative colleagues, there are no problems,” c)
“there is the ones that do not want to be punished ….there’s a worse lot
in Brazil: it’s the ones that do not want to be honest even moving forward, and
they want everything to be as it always has been.” As Constitutional scholar Roberto Gargarella
has argued,
thinking beyond retribution, Car Wash is
providing an unprecedented opportunity to communicate and enable public
acknowledgement of the mechanisms that underlie public life. In Brazil,
we have noted that judicial operators seem to be changing their communication
practices accordingly.
We know little
about why and how people mobilize against corruption once they acknowledge the
state of affairs. A forthcoming
paper by Francis Fukuyama and Francesca Recanatini argues that anticorruption
initiatives, mainly focused on
measurement, have basically failed. Corruption is
essentially political – a challenge for judicial operators who have to be
and appear to be non-partisan in the game. Anticorruption advocacy campaigns are often designed
without
clear understanding of whether the assumptions we make are relevant,
overly ambitious or counterproductive.
Four evaluations challenging anticorruption groups to rethink advocacy
A group of evaluations
of Transparency International’s advocacy in different contexts argue
that civil society groups need to develop new types of advocacy campaigns.
Campaigns that are relevant for citizens and elites (increasingly) aware about corruption’s
effects. An evaluation of the “Unmask the Corrupt Campaign” found
that the campaign was able to builds expectations of actions & results
(justice) early on. However, it didn’t deliver on the promise, meaning the
campaign ultimately breeds disillusionment and disengagement.
Flores and
co-authors present “a three-level model that captures the micro, meso, and macro factors
that affect individual decision-making, including the sequence in which
individuals process information and —subsequently — evaluate and re-evaluate
whether to take action against corruption”.
They argue that the model can help domestic actors systematically try
out, reflecting on, and adapting their strategies for stimulating citizen
engagement. It can help international actors provide more adequate backing for
these processes. For the authors, activists working in disillusioned contexts
face a different, often uphill battle than those that work in apathetic or
optimistic ones.
A 2018
evaluation of TI’s global advocacy
argues that “it is worth celebrating success in establishing anticorruption
agendas, commitments and institutions. At the same time, it’s important to
consider questions about collective progress and the assumptions driving
anti-corruption work considering the continuing extent of corruption and
impunity … it is time to reorient around a small number of global advocacy
priorities on which the Movement can make a sustained push for change. This
will be dependent on sharpening advocacy approaches and moving towards more
effective staffing and resourcing.”
In 2012, an
evaluation of TI Latin America’s advocacy work made a related
diagnostic and prescription “the anticorruption policymaking environment in the
region has changed at a faster pace than advocacy. In the early 1990s,
advocates were able to speak of a public policy vacuum in the anticorruption
arena … In the 2000s, project-based islands of integrity produced some
additional results … the 2010s pose a different challenge.” At the heart of the
challenge is strategically focusing on multi-stakeholder collaborative efforts
bringing about concrete and effective policy changes that fit and transform the
anticorruption environment in the region.
How to design
campaigns that are cognizant of the pensioners in Rio de Janeiro, the judicial
struggles in Brasilia, and what we are learning as a field?
An opportunity to learn about doing next generation advocacy
Transparency
International Brazil has acted on these cues. In 2018-TI-BR, in partnership
with FGV’s Law School, have implemented an
innovative anticorruption campaign focused on policy action and targeted at citizens
and elites that are aware about the negative consequences of corruption: the
United against Corruption or 70 measures against corruption campaign.
In January and February
2019, we will carry out a reflective exercise TI-BR to learn more about the
decisions, trade-offs, opportunities and challenges, and lessons of putting
together a broad multi-stakeholder anticorruption campaign in a polarized
environment. The goal is to provide food for thought to help groups in Brazil
who are interested taking the 70 measures to their state and local-level work.
We will also be working on guidance for groups in other countries who might be
interested in figuring out whether and how to adapt the campaign to their own
realities – responding to appetite at two recent events in Washington (here
and here).
So, if you are part
of one of these groups: What would you like to know about doing next generation
anticorruption advocacy? What aspects of designing, implementing or evaluating
a next gen anticorruption campaign keep you awake at night? Send us your
questions by twitting us @guerzovich & @ChiesSchommer with the hashtag
#nextgenACadvocacy.
Por Ana Paula Campos, Bruna Dédalo Gorjão, Bruna Cristina Sanches e Mara Fritsche*
Santinhos espalhados pelo chão, 45
minutos seguidos de propaganda eleitoral, cavaletes e outdoors anunciando os
candidatos políticos, carros de som às 9 horas da manhã de um domingo. Isso
tudo soa como eleição? Não mais.
Consideradas por muitos
especialistas como atípicas, as eleições de 2018 chegaram transformando o cenário
brasileiro por suas características singulares de polarização e a propagação de
ideias em meios inusitados de divulgação. Fatores que sinalizam para episódios
inéditos no cenário político brasileiro.
O clássico marqueteiro político não
é mais suficiente. Mídias tradicionais, como a TV, não conseguem atingir a
mesma quantidade de eleitores de antes. Uma pesquisa executada pelo IdeiaBigData com eleitores
brasileiros constatou que ao menos 70% dos entrevistados tinham a intenção de
acompanhar os seus candidatos pela internet, enquanto 52% preferiam pela
televisão. O marketing político digital, por outro lado, ganha força. Seu baixo
custo de investimento, combinado aos 139 milhões de brasileiros (IBGE) que
estão nas mídias sociais, parece gerar um fator decisivo para os resultados.
Em sintonia com essas mudanças,
vê-se a candidatura e eleição de pessoas que há pouco se mostravam
desconhecidos pela população, enquanto rostos já conhecidos não conseguiram
obter votos suficientes para alcançar o almejado cargo político.
Em Santa Catarina, apenas seis
candidatos conseguiram ser reeleitos para uma posição entre os 16 deputados do
estado na Câmara Federal, em Brasília. Em âmbito nacional, 51 políticos que
buscavam a reeleição e estavam sendo investigados na Operação Lava Jato, alguns
deles tradicionais no cenário político brasileiro, foram derrotados nas urnas.
No próximo ano, poderão ser investigados de forma regular, pois não terão mais
o foro privilegiado.
A pesquisa do IdeiaBigData confirma
que há forte descrença da população com os políticos brasileiros. O levantamento aponta que ao menos
95% dos entrevistados avaliam que os atuais políticos não são transparentes e
89% acreditam que os políticos não se preparam para desempenhar bem seu mandato
– números estes que impactam diretamente nas decisões eleitorais.
Se antes era natural a imperícia do
saber político e a tomada de decisão sem o conhecimento da população, hoje,
ações políticas desfavoráveis à opinião pública promovem impactos sem
precedentes.
Durante o processo eleitoral, muitos
indivíduos utilizaram os canais de comunicação digitais para exigir explicações
em assuntos relevantes, tais como as propostas e trajetória dos políticos, bem
como motivos e valores de ações que antes se mantinham fora da alçada da
sociedade. Além da prestação de contas mais célere e descomplicada nos meios
digitais, houve possibilidade de interação bilateral entre campanhas e
eleitores.
O
marketing digital eleitoral, por um lado, carrega em si a transparência e a
accountability direta na relação entre candidatos e eleitores. Isso facilita o
controle das ações dos políticos no uso dos recursos públicos e permite monitorar
as doações para as campanhas, por exemplo. Em parte, isso aconteceu, mas não
foi só isso. Há também possibilidade de explorar a desinformação e as brechas
da lei.
Os tribunais eleitorais, TREs e TSE,
receberam diversas denúncias sobre esquemas de impulsionamento ilegal de
mensagens via Whatsapp. Segundo Marcelo Vitorino, consultor de marketing digital da campanha de Geraldo
Alckmin, do PSDB, foram apresentadas mais de 20 propostas de empresas que
ofereciam o serviço ilegal. Vitorino também disse que, em 2017, foram feitas
denúncias aos órgãos de controle, mas estes ignoram a dimensão do problema.
Em meio a uma avalanche de mensagens difundidas via Twitter,
Whatsapp e Facebook, o Tribunal Superior Eleitoral depara-se com lacunas
na lei e até mesmo no entendimento do fenômeno. Além da quantidade de
mensagens, boa parte delas continha informações falsas, as famosas fake news. Trata-se de um problema
crescente, uma poderosa ferramenta que pode influenciar os resultados
eleitorais.
Esse cenário tem relação com o de
outros países. Ao longo da campanha política para a presidência americana,
Donald Trump gastou cerca de US$ 70 milhões para exibir cerca de 50 mil posts patrocinados por dia, não apenas
para promover sua candidatura, mas também para atacar sua concorrente, Hillary
Clinton, buscando diminuir a quantidade de votos que ela receberia.
Os candidatos brasileiros não
atingiram o mesmo patamar de gastos que o presidente americano. Apesar de não
existir um limite específico para gastos com posts patrocinados, houve um teto máximo de recursos investidos nas
campanhas, de acordo com o cargo. Isso busca prevenir o excesso de informações
políticas nas mídias sociais e garantir certo equilíbrio de presença entre os
candidatos. Entretanto, houve difusão de mensagens sob patrocínio de
indivíduos, supostamente sem o conhecimento dos partidos e candidatos.
Embora
tenham havido iniciativas pontuais de controle, não foi articulada uma ação
eficiente sobre o que se postou nas plataformas, não houve capacidade de prever
ou monitorar o que se tornou essa avalanche de informações, tanto reais quanto fake. Os partidos políticos também
falharam ao não monitorar o ambiente virtual dos debates. Portanto, a
legislação nova evidenciou falhas, os Tribunais Eleitorais e a sociedade
tiveram pouca capacidade para compreender e conter o incontrolável que se
tornou o ambiente virtual.
De um lado, temos a liberdade de
expressão das pessoas e dos meios de comunicação, algo essencial para a
democracia. De outro, cidadãos que recebem uma enxurrada de informações e não
tem experiência e conhecimento para buscar sua validação, o que dificulta a
formação de um processo eleitoral justo que consiga levar à responsabilização
dos políticos que não correspondem às necessidades da população.
Nosso
país se encontra em meio a profundas
mudanças no processo
eleitoral. As expectativas da sociedade e modos de expressá-las e os meios de
responsabilização democrática dos candidatos políticos também estão mudando. Se
não forem compreendidos e monitorados, o clima de desconfiança pode aumentar,
fazendo crescer ainda mais o descontentamento político pelo qual nossa nação
está passando.
O interesse político de parte da população, o clima de incerteza e desconfiança no país, combinado à disponibilização de meios digitais para as grandes massas, fez com que as eleições de 2018 gerassem um processo quase inédito no Brasil. As lições desse processo ainda estão sendo compreendidas. Portanto, perguntamos: diante das surpresas das eleições em 2018, como isso afetará o exercício dos mandatos daqui para a frente? E como os órgãos de controle e fiscalização, partidos políticos, candidatos e cidadãos vão se preparar para as próximas eleições?
Para saber mais sobre o tema, entrevistamos o jornalista e empresário Cícero Mendes, que por meio de sua empresa “Em Pauta” comandou campanhas digitais de políticos em todo o país nas últimas eleições. Ouça aqui :
Referências
FOLHA UOL. Redes são o novo normal na
política. Disponível em:
TI Inside Online. Mais de 30% dos brasileiros ainda não tem acesso à Internet Disponível em:
<http://tiinside.com.br/tiinside/home/internet/21/05/2018/mais-de-30-dos-brasileiros-ainda-nao-tem-acesso-a-internet/> Acesso em 31 out. 2018.
*Texto elaborado por Ana Paula Campos, Bruna Dédalo Gorjão, Bruna Cristina
Sanches e Mara Fritsche, no segundo semestre de 2018, no âmbito da disciplina
Sistemas de Accountability, da graduação em administração pública da Udesc Esag,
ministrada pela professora Paula Chies Schommer.