Premiação do ENECAP conta com artigo de bolsista do Politeia sobre accountability

Durante os dias 6,7 e 8 de Setembro de 2019, Brasília foi palco do Encontro Nacional de Estudantes do Campo de Públicas. O evento além de incluir programações científicas com palestras, mesas e rodas de debate, contou com o Prêmio Lice, no qual duas estudantes de administração pública da UDESC ESAG concorreram ao prêmio.

A estudante Amanda Nunes conquistou o primeiro lugar na categoria A com o artigo: “Práticas de ensino inovadoras e a formação em Administração Pública”, que fala sobre observatórios de inovação social de Florianópolis e arenas públicas da cidade.

O tema de accountability e transparência foi levantado pela bolsista do Politeia, Isabela Troyo com o artigo: Instituições eficazes e a promoção de transparência e accountability: uma análise da experiência da Prefeitura de Londrina.

No artigo a aluna relacionou o tema central da categoria PNUD sobre o ODS 16 da agenda 2030 da ONU, com accountability. A estudante verificou através do caso de sucesso da Prefeitura Municipal de Londrina, que é possível uma instituição tornar-se eficaz aplicando accountability e transparência para se tornar mais democrática e participativa.

O caso da prefeitura de Londrina foi descoberto pela aluna em uma palestra da UDESC ESAG promovida em parceria pelo grupo de Pesquisa Politeia, no qual foram divulgadas as estratégias utilizadas pela gestão para alcançar o primeiro lugar no ranking da CGU, todas elas baseadas nos critérios de avaliação fornecidos pela Escala Brasil Transparente.

Confira aqui o post sobre o caso da Prefeitura Municipal de Londrina

Legislativo, Transparência e Governança Colaborativa

O Grupo de Pesquisa Politeia Udesc/Esag e a Escola de Eficiência e Gestão Legislativa –EGEL da Câmara de Vereadores de Florianópolis promoveu dois dias de encontros, oficinas e palestras em torno do tema “controle na gestão pública”.
No dia 10/04, na Esag, foi realizada a “Oficina para Construção Colaborativa de um Programa de Capacitação em Controle”, a ser desenvolvido nos próximos anos em Santa Catarina. Um momento inicial de planejamento e definição de objetivos, estratégias e metodologias, engajando parceiros e convidados, estaduais, nacionais e internacionais, que estarão colaborando com esse trabalho conjunto. A ideia do programa é articular o que já é feito, experiências prévias em capacitação e o que se deseja fazer de novo e em parceria.


O encontro contou com a participação de 20 pessoas de diferentes instituições, estudantes e professores, em um trabalho concentrado, sob a mediação da consultora e pesquisadora Florencia Guerzovich e a professora Paula Chies Schommer.

No dia 11/04, o evento aberto ao público “Legislativo, Transparência e Governança Colaborativa: como o cidadão participa com o legislativo no controle da gestão pública?” foi realizado na Câmara Municipal dos Vereadores de Florianópolis.


A programação contatou com a palestra “Sociedade civil, órgãos de controle e legislativo: experiências colaborativas nacionais e internacionais na capacitação para o controle da gestão pública”, ministrada pelos painelistas Carlos Renato Araujo Braga (Tribunal de Contas da União, TCU – Brasil) e Renzo Lavin (Associación Civil por la Igualdad y la Justicia, ACIJ – Argentina);


Em seguida foram realizadas entrevistas sobre a Rede de Controle em Gestão Pública de Santa Catarina – com Rodrigo De Bona da Silva e sobre Educação e controle com Isabel Mattos, professora da Rede Municipal de Educação Anita Garibaldi.


A cidade de Londrina foi apresentada como um case de sucesso nas discussões de transparência, servindo de exemplo para a cidade de Florianópolis. No painel intitulado “A trajetória de Londrina em transparência, controle social e gestão pública” Fábio Cavazotti, Secretário Municipal de Gestão Pública de Londrina, expôs a experiência do município que saltou 548 posições no ranking de transparência da CGU, entre os anos de 2016 e 2018.

O caso pode ser acessado nos links:

Por fim, o painel “Transparência, cidadania e controle da gestão pública: jornalismo, comunicação e mídias”, contou com a participação de Isadora Faber, criadora do “Diário de Classe”; Caê Martins, jornalista e vereador no município de São José; Lúcio Lambranho, jornalista investigativo e Vanessa Aguiarfundadora do Social Good Brasil e comunicadora pública.

Os painéis e entrevistas contaram com a mediação de especialistas nos temas: Florescencia Guerzovith, consultora e pesquisadora colaboradora do Grupo de Pesquisa Politeia; Pedrão Silvestre, vereador de Florianópolis e Guilherme Longo Triches, jornalista e administrador público.

A professora Paula Chies Schommer líder do Grupo Politeia apresentou a temática geral do evento.

O evento no dia 11/04 foi concluído com a oficina “Como promover transparência em Florianópolis?”, conduzida pela professora Vera Suguihiro, da Universidade Estadual de Londrina, UEL e pelo vereador Pedrão pela EGEL. O objetivo era de indicar uma estratégia, parceiros e definir metas para o tema. Todos os presentes participaram com ideias práticas para consecução deste objetivo no município de Florianópolis. 

O evento foi transmitido ao vivo e pode ser acessado através do vídeo disponível no youtube

O curso de capacitação em Controle, que começou a ser desenhado na oficina inicial do dia 10/04, terá suas próximas etapas realizadas em conjunto com os atores participantes a partir da troca de experiências interinstitucionais e intermunicipais.



Seminário: Abraçando o Controle Social

Data de realização: 26 de março de 2019

Local: Auditório do CRCSC – Florianópolis (SC) – Endereço: Av. Osvaldo Rodrigues Cabral, 1900 – Centro – Florianópolis (SC)

Inscrições: http://www.cfc.org.br/eventos

www.cfc.org.br/eventos
Poogramação

Maiores Informações: Departamento de Eventos do CFC

Telefone: + 55 61 3314-9633

Email: eventos@cfc.org.br

Controle Governamental, Accountability e Coprodução é tema de chamada da Revista Sociedade, Contabilidade e Gestão

Um dos coeditores é o Professor Arlindo Carvalho Rocha, do grupo de pesquisa Politeia.

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Revista Sociedade, Contabilidade e Gestão
Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis (PPGCC)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Editora: Fernanda Sauerbronn (FACC/UFRJ)
ISSN 1982-7342

Chamada de Trabalhos
Número temático em
Controle Governamental, Accountability e Coprodução

Coeditores: André Carlos Busanelli de Aquino (FEA-RP/USP), Arlindo Carvalho Rocha
(ESAG/UDESC), Cecília Olivieri (EACH/USP), e José Antonio Gomes de Pinho (EA/UFBA).

O amadurecimento da democracia no Brasil tem levado ao aperfeiçoamento continuo do processo
de gestão financeira das organizações públicas, incluindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei de
Acesso à Informação, novas propostas de leis contra corrupção, a Nova Contabilidade Pública,
entre outras. Consequentemente, as instituições de controle, a exemplo dos Tribunais de Contas,
Ministério Público, Polícia Federal, órgãos de Controle Interno, e redes de controle nos estados,
têm sido instadas a desempenhar um papel crescente e relevante no monitoramento e na
fiscalização da utilização dos recursos públicos. Assim como as universidades no seu papel de
reflexão social. Neste contexto, além de aperfeiçoar as verificações de conformidade e legalidade
com a melhor organização de suas equipes e aplicação de tecnologia em seus processos internos,
são impulsionadas a buscar novas formas de envolver a sociedade civil na atividade de controle
(coprodução). Assim, a efetiva promoção da accountability e a uso da coprodução para
engajamento do cidadão e aperfeiçoamento do próprio controle são temas relevantes que merecem
atenção.

Considerando tais tendências, a SGC propõe esta edição temática abrindo espaço para trabalhos
nas áreas de gestão pública, contabilidade pública e estudos organizacionais que tratem dos temas
controle governamental, accountability e coprodução. Adicionalmente, a edição procura estimular
a produção de evidências que promovam a evolução dos processos de controle governamental
como instrumentos efetivos de accountability ou como mecanismos de coprodução e envolvimento
da sociedade e do cidadão nesses processos.

Convidamos trabalhos (de natureza científica e relatos técnicos) que tratem as questões:

Eficiência operacional e efetividade dos processos de controle. Qual o atual nível de eficiência operacional e efetividade dos processos de controle? Como a amplitude e profundidade dos trabalhos de auditoria em governos, e o uso das auditorias nas etapas seguintes do processo de controle, estão associados à efetividade de todo processo?

Aumento da accountability pelas/das auditorias dos Tribunais de Contas. Em que grau as auditorias dos Tribunais de Contas geram o efeito de accountability desejado no processo orçamentário? Quais fatores que poderiam reduzir a accountability? Qual papel dos diversos atores no processo (controle interno, auditores dos Tribunais, conselheiros, legislativo)?

Reformas fiscais, Novas Normas de Contabilidade e os impactos nos processos de controle. Como as novas normas de contabilidade estão afetando os processos de controle? Como o Controle Interno têm atuado? Controle Interno, Tribunais de Contas e outras organizações de controle têm sido afetadas com as diversas reformas orçamentárias, contábeis, anti-corrupção, em curso no país? Como? Como estão respondendo a elas?

Uso da tecnologia (softwares, bases de dados, big data, aplicativos móveis) e Inovações organizacionais na eficiência e na efetividade do controle. Quais inovações organizacionais estão sendo propostas para aumentar a eficiência e a efetividade do controle? Como a tecnologia têm alterado a rotina do Controle Interno e da Auditoria de Contas nos Tribunais? Como tem sido organizadas as áreas de Controle Interno, de Contabilidade e como isso afeta a independência dos auditores internos, e a relação com os Tribunais de Contas?

Complementaridade do controle de conformidade com o controle de resultados. O controle de conformidade está sendo complementado pelo controle de resultados? Em que medida os Tribunais de Contas, Controle Interno e outras organizações de controle têm feito tal migração de orientação de controle? Como as competências das equipes de fiscalização e auditoria estão sendo tratadas? Estas competências estão sendo fator limitante? Em que condições e como isso ocorre?

Cooperação entre organizações de controle (operacional, troca de informações etc). Como as relações entre as instituições de controle (cooperação operacional, de informações, etc.) estão sendo utilizadas para ganhos de eficiência e efetividade no controle? Quais práticas de cooperação estão emergindo? Em que situações essas práticas emergem e com quais resultados?

Práticas de coprodução no Controle: iniciativas, resistências e resultados. Existem práticas de coprodução do controle (interno ou externo) emergindo? Em que situações e com quais resultados? Quais os principais obstáculos enfrentados pelas organizações de controle para a articulação dos diversos atores em processos de coprodução do controle? Essa articulação está, de fato, na agenda dessas organizações?

Interação das organizações de controle com cidadãos e entidades da sociedade civil. Como as organizações de controle vêm a participação de cidadãos e entidades da sociedade civil nas suas atividades? Tais organizações têm alterado as formas de gerar e divulgar informações por influência de cidadãos e entidades da sociedade civil?

O número temático publicará trabalhos científicos e relatos técnicos inéditos e que não estejam em
processo de avaliação em outro periódico, em português. Trabalhos científicos devem observar
rigor teórico e metodológico, podendo ser desenvolvidos sob qualquer abordagem. Relatos técnicos
devem descrever, interpretar e discutir novas experiências em curso. Trabalhos publicados em
anais de eventos nacionais e internacionais poderão ser submetidos, desde que tenham sido
aprimorados.

Autores são encorajados a discutir suas propostas de trabalho (científico e relatos técnicos) para
esta chamada em Seminário, com coeditores e especialistas, a ser realizado em Santa Catarina em
Julho/2017.

As propostas (descritas em duas páginas) devem ser enviadas até 01/junho/2017. As
propostas selecionadas para as discussões, assim como todos os demais trabalhos que não
passaram pelo seminário deve ser submetidos até a data final da chamada, para entrada na
avaliação por pares (blind review). A discussão da proposta no Seminário é opcional, e não
substitui a avaliação por pares.

Tanto as propostas para o Seminário (prazo: 01/junho/2017), quanto os trabalhos finais (prazo:
15/Agosto/2017) deverão ser submetidos para o email da revista – scg.chamada.especial@facc.ufrj.br, indicando no assunto “Chamada Especial – Controle Governamental”. A edição está prevista para dezembro de 2017.

Datas importantes:
-Submissão de propostas (2 páginas) para Seminário com co-editores – 1 de junho de 2017
-Resposta da aprovação da proposta e convite ao Seminário – 20 de Junho de 2017
-Seminário com co-editores em Santa Catarina (opcional) – Julho de 2017
-Término do prazo de submissão ao número temático – 15 de Agosto de 2017
-Previsão da publicação do número: Dezembro de 2017
Chamada completa, clique aqui.
Site da Revista Sociedade, Contabilidade e Gestão, clique aqui.

World Development Report 2017: Governance and the Law

O Banco Mundial lançou nesta 2a feira, dia 29 de Janeiro, seu relatório anual de 2017 sobre desenvolvimento, focalizando o tema Governance and the Law (Governança e a Lei).

O relatório contempla discussão conceitual e mostra áreas de aplicação e exemplos de como os marcos legais, institucionais e o comprometimento, a coordenação e a cooperação podem contribuir para o desenvolvimento. Entre os temas/exemplos, estão o combate à corrupção, a melhoria da qualidade de serviços em saúde e educação, as parcerias público-privadas e a transição da transparência à accountability por meio do engajamento cidadão.

Acesso ao relatório completo: http://www.worldbank.org/en/publication/wdr2017

Como estabelecer os limites da transparência? Análise de Fabiano Angélico publicada no Estadão

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Como estabelecer os limites da transparência?

O princípio consagrado internacionalmente de que a publicidade deve ser a regra embute uma dificuldade prática

Por Fabiano Angélico*
O Estado de São Paulo
31 de Janeiro de 2017
05h00

(link para o texto original: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,analise-como-estabelecer-os-limites-da-transparencia,70001647243)

Em termos de transparência, a publicidade deve ser a regra, enquanto o sigilo deve ser a exceção. Esse princípio, consagrado internacionalmente, embute uma dificuldade prática: como estabelecer os limites da transparência? Até que ponto e em que situações concretas a restrição ao acesso à informação é mais benéfico do que deletério para o conjunto da sociedade?

Nenhuma legislação no mundo consegue especificar os limites da transparência de maneira precisa. O que se busca, de forma a contornar essa dificuldade, é o estabelecimento de procedimentos ex post, deflagrados a partir de demandas por acesso a informações específicas. Alguns países, por exemplo, criaram “provas de dano e de interesse público” em suas leis de acesso à informação, de modo a estabelecer procedimentos para avaliações a partir de casos concretos.

É sob esse prisma que deve ser analisado o estabelecimento de sigilos referentes a dois casos de enorme repercussão e impacto, que desperta interesse tanto no Brasil como no exterior: as investigações do acidente que levou ao súbito desaparecimento de Teori Zavascki e os depoimentos que compõem o acordo de delação premiada de executivos da Odebrecht.

Em tese, informações relativas a investigações em andamento devem ser mantidas em sigilo. Para se obedecer ao princípio da máxima publicidade, porém, é preciso analisar a gigantesca demanda por acesso a informações em relação a esses dois casos específicos e o legítimo interesse público em torno deles – interesse, aliás, que está alinhado com a atuação dos profissionais do Estado que trabalham de maneira íntegra: salvaguardar as investigações, para garantir que elas tenham um desfecho favorável ao bem comum. 

Assim, é razoável considerar mecanismos que ao mesmo tempo protejam a investigação e promovam a segurança de que os fatos estão sendo devidamente apurados. Nessa linha pode-se cogitar ao menos três propostas: a divulgação, na íntegra, de documentos relevantes, com o cuidado de se proteger informações sensíveis (com tarjas pretas, por exemplo); criação de uma dinâmica em que haja relatórios parciais com divulgação periódica (cuja periodicidade seja pré-definida), de modo que qualquer pessoa possa acompanhar de perto os desdobramentos das investigações; e a criação de uma comissão independente, que poderá acompanhar as investigações e fazer relatos públicos a respeito do andamento delas.

Há diversas evidências que há interesses poderosos buscando frear a Operação Lava Jato. Num contexto em que o valor da informação é altíssimo, o sigilo absoluto, além de proteger aqueles que querem sabotar investigações, pode levar a vazamentos seletivos, estimulando rumores e fortalecendo teorias da conspiração. A transparência poderia ajudar a separa o que é rumor e o que é baseado em fatos e evidências.

O desafio, portanto, é buscar a máxima transparência possível, de modo a garantir o adequado andamento e desfecho das investigações.

* Fabiano Angélico é consultor e pesquisador pós-graduado em transparência e combate à corrupção pela Faculdade de Direito da Universidade do Chile