Blog do Grupo de Pesquisa Politeia – Coprodução do Bem Público: Accountability e Gestão, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas – UDESC/ESAG
A Controladoria Geral do Estado de Santa Catarina – CGE, promove um Ciclo de Palestras sobre controle da administração pública, combate à corrupção, governo aberto e transparência em tempos de pandemia.
A transparência internacional divulgou o o ranking de transparência do combate à COVID 19, relacionado às contratações emergenciais. Para realizar a medição, foram avaliadas as informações sobre contratações emergenciais nos portais de 26 governos estaduais, do Distrito Federal e de 26 capitais. Apenas 4 estados e 2 capitais atingiram o nível máximo de transparência.
O Estado de Santa Catarina apresentou uma boa posição na avaliação, graças ao Portal Corona Vírus SC. O site conta com notícias atualizadas, notas técnicas e um destaque sobre transparência com 7 abas:
Muitas das abas direcionam o usuário para outros sites que o governo estadual já utilizava para dispor suas informações de transparência. Como o Portal de Dados Abertos do Estado de SC, que agora conta com uma seção para o corona vírus, e o Portal de Transparência do Poder Executivo de SC, que agora dentro da seção “despesas”, apresenta indicadores sobre o combate ao corona vírus.
Umas das ações realizadas no período de enfrentamento ao corona vírus, que facilitou a transparência do governo estadual, foi a adoção de um guia de procedimentos de contratações no período de pandemia. O documento foi realizado pela CGE – Controladoria Geral do Estado de Santa Catarina. Para acessar o documento clique aqui.
Na aba painel, o usuário pode acessar dois painéis de BI. Um para acompanhar os números de leitos de UTI do Estado de Santa Catarina. Nele há diversos filtros para realizar uma pesquisa mais detalhada, como a escolha da macrorregião ou do nome do hospital.
No outro painel, é possível acompanhar de forma detalhada os números de casos de COVID 19 no Estado de Santa Catarina ou por suas macrorregiões. Além dos números, há gráficos e comparações entre a estatística semanal com a semana anterior.
Diferente do portal detalhado do Estado, a capital Florianópolis não apresenta muitos detalhes sobre os gastos, soluções para efetividade e transparência em compras emergenciais durante a pandemia e acompanhamento das estatísticas do COVID 19 na cidade.
O mais interessante até agora foi a criação do Covidômetro em seu portal oficial, no qual dispõe alguns números de casos de COVID 19 e leitos de UTI da cidade.
A única informação que está disponível no site sobre a gestão emergencial é a aba “Contratos Emergenciais”, que direciona o cidadão para Secretária Municipal de Administração. No site esta disponibilizado quarenta arquivos de segurança pública, COMCAP, saúde e assistência social.
Confira aqui um exemplo desses documentos. Na página 110 esta disponibilizado os Decretos Municipais referente as ações de combate ao COVID 19, trata-se de uma cópia do Diário Oficial. Nota-se que é muito mais difícil de encontrar algum dado comparado com o portal do Estado. O site não informa por exemplo, qual dos quarenta arquivos disponibiliza os decretos municipais. Para encontra-los é necessário baixar os documentos e ler cada um para encontrar a informação desejada.
Se o site disponibilizasse um índice com os assuntos dos documentos, facilitaria o acesso às informações. A melhor experiência para o usuário, seria semelhante ao portal do Estado de SC, que apresenta as informações organizadas em diversas abas na seção transparência.
A Open Government Partnership – OGP, uma parceria entre governo e sociedade civil, promove uma campanha com espaço de diálogo em torno da promoção da transparência e confiança em tempos de crise.
A proposta baseia-se na ideia de que as respostas, especialmente sobre serviços de saúde, precisam ser abertas para que os resultados sejam efetivos. E essas respostas podem ser dadas através do trabalho colaborativo entre comunidades e governo.
Como parte da campanha, a OGP realizará no dia 06/05/2020, às 10 horas, um Webinar sobre o tema.
O objetivo é compartilhar práticas e respostas co-produzidas na área de saúde em decorrência do COVID-19 em nível nacional e local, além de discutir o papel, sinergias e desafios de fazer com que governos, sociedade civil, setor privado e outros atores moldem, entreguem e monitorem serviços públicos juntos em tempos de emergência.
O que:
Webinar: Open Response + Open Recovery: Open Service Delivery in Health – Communities and Governments Working Together Quando: 06/05/2020 – 10 horas (09:00 AM in Eastern Time US and Canada)
No dia 11 de março das 9h às 18h no Auditório do Sebrae de Vitória – ES, irá ocorrer o 1º Seminário Controle Interno para uma Governança Anticorrupção. O objetivo do evento será abordar as três seguintes áreas: auditoria, combate à corrupção e transparência.
5 temas do seminário já foram confirmados:
Globotics e Sociedade 5.0: Auditoria na era da Inteligência Artificial
A experiência federal em acordos de leniência
OGP: O Papel do Brasil no Governo Aberto
Projeto Integridade nos Estados Brasileiros
Os impactos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na Administração Pública
A organização do evento está sendo realizada pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) e pela Secretaria de Controle e Transparência (Secont)
As inscrições são gratuitas e limitadas. Realize a sua inscrição através desse link.
A Comissão Especial pela transparência foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Florianópolis no dia 12 de Novembro de 2019. Os próximos passos após a aprovação consistem nas definições de linhas de ação, metodologias, estratégias de comunicação e a montagem de um cronograma.
A primeira reunião oficial da comissão ocorreu na última terça-feira, dia 17 de Dezembro de 2019.
A reunião contou a presença de vereadores, representantes de diferentes instituições como o Ministério Público Federal, Tribunal de Contas, Observatório Municipal de Florianópolis, Politize, além de pesquisadores, professores, estudantes de Administração Pública e outros interessados.
No início da reunião ocorreu uma breve apresentação dos participantes e histórico da Comissão.
A Comissão surgiu a partir de um evento realizado em abril de 2019, na Câmara de Vereadores, denominado “Legislativo, Transparência e Governança Colaborativa”. Após a constituição da proposta de comissão, a mesma foi votada, em agosto de 2019, em plenário, tendo um primeiro resultado negativo para sua aprovação. Em novembro a proposta retornou como pauta e foi novamente votada sendo finalmente aprovada.
O objetivo da primeira reunião, realizada em dezembro de 2019, foi definir a presidência, relator e Sub-Relator da Comissão, os quais serão: verador Pedrão (Presidente); vereador Gabrielzinho (Relator) e vereador Celso Sandrini (Sub-relator). Além disso, a reunião teve como objetivo definir a metodologia a ser adotada, cronograma, comunicação e eixos de trabalho.
Foi acordado que a organização do projeto se dará com base em eixos, que ainda serão estruturados e definidos. Além disso, prazos e tarefas foram delimitados, contando com uma pesquisa diagnóstica acerca da legislação vigente sobre transparência, que afeta o município de Florianópolis.
Uma segunda reunião está programada para o dia 14/01, na Câmara Municipal de Florianópolis e contará com a participação da comissão e interessados.
O objetivo da Comissão é contribuir, através de uma proposta colaborativa, para a promoção da transparência no município de Florianópolis e tornar o município referência nacional sobre o tema. A comunidade está convidada a participar e contribuir para este projeto.
Para entrar em contato, a comissão conta com o e-mail: cpetransparencia@gmail.com
Por Douglas Oliveira, Luana Andrade, Rinaldo
Marcon e Thiago Nunes*
Quando pensamos nas características
do Brasil, algumas das primeiras coisas que vêm à mente são o futebol e a política. Ambas talvez nos façam lembrar de
corrupção. O futebol é uma atividade que movimenta paixões e muito dinheiro. É
um setor que pode ser relevante na economia, chamando a atenção de pessoas, organizações
poderosas e possíveis patrocinadoras. Ao mesmo tempo que cresce o olhar dos
investidores e associados sobre o futebol, esses também se deparam com a
carência de informações, dados e transparência. Veem a necessidade de implantar
ferramentas de governança que passem uma visão mais clara a respeito das
finanças e da gestão dos clubes.
Um caso marcante associando futebol
e corrupção teve como marco o dia 27 de maio de 2015, quando o Federal
Bureau of Investigations, FBI, com a chancela do
Departamento de Justiça dos Estados Unidos, comandou uma operação-surpresa
em um hotel luxuoso de Zurique, Suíça. Lá estavam os principais dirigentes da Federação
Internacional de Futebol, FIFA. Catorze deles foram
presos, entres eles José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira
de Futebol, CBF.
Os dirigentes eram acusados
de corrupção por meio de fraude e lavagem de
dinheiro em acordos de marketing e direitos televisivos de transmissão,
passando também pela decisão das sedes da Copa do Mundo. O suborno chegou a
ultrapassar os 100 milhões de dólares. A partir disso, a primeira medida
tomada pelo FBI foi extraditar os detidos para os Estados Unidos.
Esse e outros recentes escândalos envolvendo a FIFA, CBF e o Comitê Olímpico Brasileiro levantaram questões para a gestão
esportiva: estamos acompanhando a gestão
dos clubes esportivos? Existe transparência e accountability nos clubes brasileiros? O que tem avançado
e o que ainda é frágil em governança de organizações esportivas?
O
esporte brasileiro vive um momento único. Para além da preocupação com investigações e
punições, torcedores e dirigentes esportivos começam a perceber que as vitórias
não são importantes apenas dentro de campo. Elas precisam de planejamento,
preparação e transparência na gestão dos clubes, um novo esquema tático, com
uma tabela entre o cidadão e diretoria administrativa do clube, mantendo as
contas sob controle, com sinergia.
O processo de transparência nos
clubes, porém, ainda ocorre de forma assimétrica. Alguns enxergam vantagens em
ser transparentes com seus parceiros, já outros permanecem com uma postura mais
fechada quando se trata de transparência, fazendo com que se tenha pouca
credibilidade.
Nessa
questão, seria possível fazer um paralelo entre futebol e política. Você
acompanha a gestão do seu clube? E a gestão feita pelos políticos eleitos?
Quando pensamos em transparência e prestação de contas, seria plausível vermos
esses dois contextos por meio da mesma lente?
Alguns
clubes esportivos vêm adotando uma postura mais transparente com seus
associados e patrocinadores, conforme tivemos a oportunidade de verificar no
caso do Avaí Futebol
Clube. Por meio do website (http://www.avai.com.br/novo/#), na aba “Clube –
Transparência”, é possível encontrar o balanço patrimonial, orçamento,
estatuto e certidões negativas do clube.
Tivemos
também a oportunidade de conversar com o membro do Conselho Fiscal do Avaí,
Gilson Kremer, sobre as iniciativas de transparência e melhorias na governança
do Clube. De acordo com Gilson, “A
transparência e participação dos torcedores nos clubes de futebol é
importantíssima, não pode existir uma boa gestão se não existir transparência”.
E ele faz o paralelo disso com a participação dos cidadãos na gestão pública e
na vida política do país. Somente demandando transparência e informações e
participando ativamente dos debates e decisões, teremos uma gestão mais
responsável e sustentável, tanto nos clubes de futebol quanto no país, de modo
geral.
Fique
por dentro de tudo que rolou no nosso bate papo com Gilson Kremer, no Programa
Nas Entrelinhas, na Rádio Udesc, acessando o link Entrevista Rádio.
*Texto elaborado pelos acadêmicos Douglas Oliveira, Luana Andrade, Rinaldo Marcon e Thiago Nunes, no âmbito da disciplina sistemas de accountability, da graduação em administração pública da Udesc Esag, ministrada pela professora Paula Chies Schommer, no segundo semestre de 2019.
Por Paloma
Pietra Guerra, Gabriel Mendonça de Faria, João Victor Hoffmann e Matheus
Pimentel*
Segundo a ONG Contas
Abertas, o uso de carros oficiais custa em média R$ 1,6 bilhão por ano aos cofres públicos
federais no Brasil. Em setembro de 2019, por meio de auditoria interna
encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, foram identificados
gastos na casa dos R$39 milhões com gasolina e com manutenção de
veículos inutilizados do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio).
Os gastos com veículos são
necessários para a realização das atividades públicas, como o custeio de
viagens rodoviárias, passagens, manutenção de veículos e imprevistos
suscetíveis a órgãos que mantém sua própria frota de veículos. Mas será que esses
gastos estão sendo gerenciados da melhor forma?
Esse foi o tema abordado na aula
de accountability e compras públicas, na disciplina de Sistemas de Accountability,
ministrada pela Prof. Paula Schommer no curso de graduação em administração
pública da Udesc Esag. Nesse encontro, os convidados Everton Rosa de Jesus e
Daniel Luiz de Maman apresentaram a inovação e a tecnologia como formas de
melhorar a gestão e fiscalização dos gastos públicos relacionados a frotas das
entidades públicas.
Estudos e práticas recentes no
Brasil mostram que, para muitas atividades, não é vantajoso ao serviço público
manter seus carros próprios, arcando com a depreciação desses ao longo do
tempo, custos com “documentação”, manutenção mensal e, ainda, custos com
motoristas e combustível.
A partir da tecnologia que temos
hoje e a inovação compreendida em aplicativos de viagem como Uber, 99 POP,
Cabify e TaxiGov, parece ser hora de repensar a forma
do governo gastar com seus veículos. O TaxiGov, por exemplo, está disponível
para o uso de servidores públicos federais desde 2017 e já trouxe uma economia estimada de 22 milhões de reais aos cofres públicos.
Considerando esse cenário, os
excessivos gastos com as frotas dos órgãos públicos e suas implicações podem
ser vistos como um problema público que merece atenção. A tecnologia parece um bom
meio para ajudar o serviço público a lidar com essa questão.
Entende-se a tecnologia como meio
para uma melhor gestão e para a fiscalização. Assim, contribuindo para o bom planejamento
dos gastos com transparência. Dentre os tipos de tecnologia, vislumbra-se em
aplicativos e sistemas de gestão de frota uma saída inovadora para os desafios
de gerenciamento de frotas públicas.
Conforme apresentado no programa
“Nas Entrelinhas”, da Rádio Udesc, atualmente, no estado de Santa Catarina, 27
prefeituras contam com o GAX – Sistema de Gerenciamento de Frotas, incluindo a
de Florianópolis. Desenvolvido pela 3ia.com, o sistema compreende, em uma única
interface, todo o gerenciamento de gastos com os veículos de uma mesma frota, permitindo o
planejamento de todas as viagens relacionadas à frota.
Ilustração do GAX Sistema de Gestão de Frotas: Dados disponíveis para o gestor Fonte: 3ia.com. 2019.
Atualmente, as informações
advindas do sistema ficam somente disponíveis aos gestores das frotas. Em Santa
Catarina, o município de São Miguel
do Oeste já torna essas informações transparentes à população, algo que
pode ser seguido pelas demais, uma vez que haja demanda e interesse da
cidadania e dos gestores para que isso aconteça.
Assim, a tecnologia proporciona
uma tomada de decisão mais precisa e transparente pelo gestor público, o qual é
provocado por uma accountability (relacionada
à responsabilidade subjetiva (Pinho e Sacramento, 2009; Trosa, 2001), isto é,
uma cobrança que este exerce sobre si mesmo quanto à necessidade de prestar
contas da maneira correta diante das informações que lhe são colocadas em mãos.
Ao mesmo tempo, a cidadania pode demandar e utilizar informações precisas e
confiáveis para também controlar a gestão pública e contribuir para o
aprimoramento das decisões.
Sob a lógica apresentada, pode-se
concluir que a tecnologia e a inovação que permeiam a nova dinâmica social
podem ser utilizadas como mecanismos para a diminuição dos gastos públicos e a
criação ou aumento da transparência e do controle sobre os gastos com a gestão
da frota de veículos na administração pública. Tais premissas são corroboradas
pela abordagem de orientação proposta por Amitai Etzioni (2009) para a accountability ou responsabilização, na
qual se destaca a importância de coalizão, neste caso entre governos, empresas
e cidadãos, para a formulação de alternativas inovadoras para resolução de
problemas públicas.
Nesse sentido, pode-se discutir a
respeito do papel do mercado junto ao setor público. A iniciativa privada pode desenvolver
de maneira mais eficiente soluções inteligentes, enquanto isso o governo pode
atuar como financiador, parceiro ou investidor, como defende Mazzucato (2014),
na busca por integração de soluções privadas com o setor público, visando sua
atualização e trazendo novas oportunidades a serem exploradas.
*Texto elaborado pelos acadêmicos
de Administração Pública Paloma Pietra Guerra, Gabriel Mendonça de Faria, João
Victor Hoffmann e Matheus Pimentel, na disciplina Sistemas de Accountability, da
Udesc Esag, ministrada pela Professora Paula Chies Schommer, no segundo
semestre de 2019.
Referências
ETZIONI, A. Concepções
alternativas de accountability: o exemplo da gestão da saúde. In: HEIDEMANN,
F.G.; SALM, J.F. (orgs.). Políticas
públicas e desenvolvimento: bases epistemológicas e modelos de análise.
Brasília: UnB, 2009. p. 287-301
MAZZUCATO,
Mariana. O Estado Empreendedor: desmascarando
o mito do setor público vs. setor privado. Portfolio-Penguin, 2014.
PINHO, J.A.G.; SACRAMENTO,
A.R.S. Accountability: já podemos traduzi-la para o português? Revista da Administração Pública, v.
43, n. 6: 1343-68, nov./dez. 2009.
TROSA, Sylvie. Gestão pública por resultados: quando o
Estado se compromete. Brasília: Enap, 2001.