Grupo Gestor da Rede de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Rio do Sul é referência na atuação em rede

* Por Gláucia da Cunha, John Lenon Teodoro e Roberto Silveira Fleischmann

O Município de Rio do Sul destaca-se no atendimento de crianças e adolescentes pela sua atuação em rede, envolvendo várias áreas, como judiciário, saúde, educação e assistência social, de forma simplificada, célere e eficiente. 
Para isso, foi constituído o Grupo Gestor da Rede de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Rio do Sul, cujo objetivo principal é garantir o princípio da prioridade absoluta da criança e do adolescente.

Em 2007, o Juiz da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Rio do Sul, que compreende cinco municípios, formou um grupo com a Assistente Social e Psicóloga da Vara, uma voluntária e profissionais que trabalham nos serviços de atendimento aos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas destes municípios. O intuito foi pensar uma maneira diferente de efetuar a abordagem e o atendimento destes adolescentes à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente, realizando estudos e pesquisas de projetos que estavam sendo desenvolvidos em outras regiões do Estado ou do País.

Logo no primeiro ano, criou-se a Rede de Medidas Socioeducativas, que identificou a sobreposição de atividades de atendimento a crianças e adolescentes do Município de Rio do Sul e a falta de articulação entre os órgãos e entidades que realizavam estes serviços.

Posteriormente, em 2009, a comunidade escolar dirigiu-se ao Poder Judiciário pedindo auxílio para resolver as frequentes depredações realizadas por menores em uma escola do município. Então, o Dr. Edison Zimmer (Juiz) e o Dr. Marcelo Mengarda (Promotor de Justiça) convidaram o Prefeito Municipal para discutir uma solução para esse ato infracional e a rede de atendimento. A partir daí, criou-se o Grupo Gestor da Rede de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Rio do Sul, assegurando os pressupostos básicos de governança.

A formalização do Grupo Gestor ocorreu em 2013, com o advento da Resolução nº 14 do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Rio do Sul, que dispôs sobre a regulamentação e o seu funcionamento, bem como a identificação das instituições, órgãos, entidades e serviços que atuam direta ou indiretamente com o atendimento deste público no município. O objetivo do Grupo Gestor é a articulação e a integração da rede de atendimento através da criação de protocolos e fluxogramas com o intuito de organizar, priorizar e mapear os serviços de referência.

Os integrantes da Rede são a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (UNIDAVI), o Conselho Tutelar (CT), o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), a 12ª Gerência Regional de Educação (GERED), a Fundação Cultural, a Guarda Municipal, o Ministério Público (MPSC), o Poder Judiciário (PJ), a Polícia Civil, a ​Polícia Militar (PMSC) e as Secretarias Municipais de Educação (SME), de Saúde (SMS) e de Assistência Social e de Habitação (SMASH).

A atuação da Rede envolve várias ações, com destaque para a apuração de ato infracional realizado por adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos. A articulação dos atores em rede adotada em Rio do Sul permite a apuração dos atos infracionais de forma mais célere, fazendo com que o adolescente perceba a relação causa-efeito dos seus atos, além de ser mais eficiente e econômica para o Estado.

A desburocratização realizada com a adoção de uma agenda comum, em que Promotor de Justiça e Juiz fazem as audiências dos atos infracionais nos mesmos dias e horários, e a cessão da agenda do serviço municipal de atendimento socioeducativo ao Poder Judiciário, permitindo com que a intimação do adolescente e seu responsável para comparecimento ao serviço ocorra logo ao término da audiência (evitando trabalhos cartorários e saída de oficial de justiça para intimação), são exemplos de como a articulação dos atores depende muito mais da sua boa vontade do que de soluções complexas.

Outra boa prática identificada foi a criação de documentos de encaminhamento de uma instituição para outra (referência) e o documento de resposta do atendimento do usuário encaminhado para o órgão ou entidade originária (contrarreferência). Ainda, observa-se uma preocupação com o fluxograma que os documentos devem seguir, o correto preenchimento das informações, a especificação do histórico do usuário, os procedimentos realizados, a data e a confidencialidade dos dados.

A partir da observação da atuação da rede e dos fundamentos teóricos sobre governança e redes de coprodução, algumas oportunidades de melhoria foram identificadas, como: a inclusão de usuários e novos segmentos da sociedade civil, a criação de indicadores de desempenho, em especial quanto à apuração dos atos infracionais (tempo do processo e efetividade da medida socioeducativa) e o desenvolvimento de sistema informatizado para facilitar a gestão do conhecimento entre os diferentes atores da rede.

Por fim, a Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente de Rio do Sul destaca-se pelas soluções simples que adotou para sua atuação, em especial para a apuração dos atos infracionais. Mesmo sendo soluções simples, esta não é uma prática comum em outros municípios e, por este motivo, Rio do Sul é tido como exemplo de atuação em rede e tem sido procurado, tanto por municípios do Estado quanto por outros entes da Federação.

Além disso, os mecanismos de accountability desenvolvidos, como a formalização da Rede por meio de resolução do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, em que define regras de participação, garantem o engajamento dos atores e a sua sustentabilidade; bem como os meios de divulgação das atividades desenvolvidas pelo Grupo Gestor permitem a prestação de contas das ações à sociedade.

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Para saber mais sobre as políticas voltadas a crianças e adolescentes e sobre o Grupo Gestor da Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente de Rio do Sul, consulte:

  • http://grupogestor.wix.com/site
  • Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990)
  • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE (Lei nº 12.594/2012)

*Gláucia da Cunha é mestranda em administração na Udesc/Esag, possui especialização em Auditoria de Gestão Empresarial pela Faculdade Estácio de Sá e graduação em Ciências Contábeis pela UFSC.  É auditora fiscal de controle externo do Tribunal de Contas, atuando em auditorias operacionais, que visam a avaliação de políticas públicas e programas de governo. 
* John Lenon Teodoro é graduado em Administração Pública pela Udesc/Esag, especialista em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC e atualmente é Secretário Municipal de Assistência Social em Camboriú. 
* Roberto Silveira Fleischmann é mestrando em administração na Udesc/Esag, possui especialização em Auditoria Pública pela Fundação de Pesquisas Socioeconômicas (Fepese) e graduação em Administração pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). É auditor fiscal de controle externo do TCE/SC e atualmente ocupa o cargo de diretor de Atividades Especiais (DAE). 

** Este texto foi desenvolvido no âmbito da disciplina Governança e Redes de Coprodução do Bem Público, ministrada pela Profa. Paula Chies Schommer, no Mestrado Profissional em Administração da Udesc/Esag.

“Governance and the Law” é tema de Fórum Virtual promovido pelo Banco Mundial para elaboração de seu Relatório 2017

A participação de pesquisadores brasileiros é importante para os debates, para compartilharmos nossas experiências e também conhecermos a perspectiva de vários outros países.

GPSA Knowledge Platform – Upcoming E-Forum
Engaging with Citizen Voices and Experiences: The 2017 World Development Report on Governance and the Law
With Stephen Commins, Carolina Cornejo,Lucia Nass, Joy Aceron and Janet Oropeza
About the E-Forum
This 3-week E-forum will be held on the GPSA Knowledge Platform and will consist of an online discussion where multiple stakeholders are expected to share their views, knowledge and experiences in the field of governance and the law, including ways in which different practitioners seek to promote governance reforms and strengthen the responsiveness of legal systems.
The World Development Report 2017 on Governance and the Law seeks to understand how governance interventions can be more effective in generating sustainable welfare improvements in the long term, and self-reinforcing dynamics of inclusion. Typically, policy discussions and technical advice consider issues such as coverage and quality of education, provision of health services, investment climate, etc. to explain development performance. However, interventions to improve these abovementioned factors can fail if the underlying determinants, which constrain sustainable progress, are not first addressed. This refers to the way in which institutions are shaped, legitimized and equipped to deliver on such goals. Our understanding of policy options to address these underlying determinants, which are crucial for countries to achieve key development outcomes like growth, equity, and security, is lacking. In this context, the Report seeks to unpack the complex interactions between state institutions, power, social norms, and development outcomes to (i) explain cross-country (and within-country) heterogeneity and (ii) investigate processes of institutional change. By understanding better these interactions and these underlying factors, governance reforms may yield better outcomes.   
The WDR 2017 team will utilize e-forum participants’ contributions as follows: (a) to have a reality-check on the WDR’s framework and main concepts; and (b) to identify specific country/case experiences that can be used to illustrate content of the Report.
This e-forum is one means through which the WDR 2017 will engage with external stakeholders working on governance issues. Over three weeks (from October 19 to November 6), this e-forum will aim to:

·         Identify daily experiences and challenges of citizens with governance and the law;
·         Reflect on the various factors that influence the quality of governance and the law in specific situations;
·         Share good practices of engagement between civil society organizations and governmental agencies and ways to promote reforms in governance.
About the Facilitators
Stephen Commins is Associate Director, Global Public Affairs and Lecturer in Regional and International Development, at the Luskin School of Public Affairs, UCLA.  He works with the WDR2017 team on external consultations and has written extensively on accountability and basic service delivery.
foto Carolina Cornejo 2015
Carolina Cornejo is Project Coordinator on Oversight Institutions at the Civil Association for Equality and Justice (ACIJ), a non-profit organization aimed at defending disadvantaged groups and strengthening democracy in Argentina.
Lucia for GPSA
Lucia Nass is an independent consultant specialising in empowering local governance processes. She has gained over 25 years of experience in a variety of sectors, including agriculture, water and sanitation, rural energy, rural roads and pro-poor tourism. She is committed to gender mainstreaming.
Janet Oropeza is the Knowledge Management Coordinator at Fundar, a civil society organization aiming to advance substantive democracy in Mexico. Janet has conducted research on governance, citizen participation, accountability, gender and human rights. Her areas of expertise also include knowledge exchange and online facilitation.
Joy
Joy Aceron is Program Director at School of Government-Ateneo de Manila University directing Political Democracy and Reforms (PODER) and Government Watch (G-Watch). She has been involved in grassroots citizen monitoring of service delivery, procurement and program implementation of the government since 2004.
In order to participate in the E-forum, you will need to be registered to the GPSA Knowledge Platform and logged in. Create your account here.
A link to the discussion thread will be provided here on October 18, 2015.
http://esap2.org.et/wp-content/themes/esapp/images/esapp_logo.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c9/ATENEO-SEAL.png

Até 26 de Outubro de 2015 – Submissão de Trabalhos para a 12a Conferência Internacional da ISTR – The Third Sector in Transition: Accountability, Transparency and Social Innovation

O evento acontecerá em Estocolmo, na Suécia, de 28 de Junho a 01 de Julho de 2016


12th International ISTR Conference

Ersta Skondal University College Stockholm, Sweden
June 28 to July 1, 2016 
CALL FOR CONTRIBUTIONS
Deadline for Submissions – 26 October 2015

The Third Sector in Transition: 

Accountability, Transparency, and Social Innovation

Entre os eixos temáticos:
  • The Third Sector and the Welfare state 
  • Civil society and Democracy
  • NGOs and Globalization
  • Accountability and Transparency
  • Social Innovation and Social Enterprise
  • Advocacy and Public Policy
  • Philanthropy and Foundations
  • Volunteerism and Co-production
  • Managing Third Sector Organizations
  • Emerging Areas of Theory and Practice

Para acessar a chamada completa, clique aqui.

Observação: o limite de 500 palavras não inclui as referências.

Para saber mais sobre a ISTR, clique aqui.

Seminário Finanças Sociais: Tendências Globais e Recomendações para o Brasil

O grupo Politeia estará presente!!

seminario-financas-sociais

14 de Novembro de 2015 | Instituto Tomie Ohtake



O Evento

Seminário Finanças Sociais: Tendências Globais e Recomendações para o Brasil será um espaço para debater, compartilhar e identificar oportunidades e desafios na busca de mudanças sistêmicas para atrair mais capital para geração de impacto social. Reunirá representantes de organizações sociais, academia, setor privado, governo e  todos aqueles que buscam novas conexões e conhecimento aprofundado sobre as perspectivas para o avanço dos Negócios de Impacto e Finanças Sociais no Brasil. Será também uma oportunidade para que você conheça as recomendações da Força Tarefa de Finanças Sociais para alavancar o crescimento deste campo no Brasil.


Mudanças Sistêmicas para alavancar mais capital

Há pouco mais de um ano,  a Força Tarefa de Finanças Sociais vem encarando o desafio de buscar soluções sistêmicas para atrair mais capital para financiar inovações com impacto social e sustentabilidade financeira. Nesse período priorizou temas críticos, desenvolveu estudos, consultou a sociedade, o mercado e ongs e trabalhou em parceria pesquisadores para compreender quais mudanças poderiam contribuir de forma mais significativa para o campo. O resultado desse trabalho é um conjunto de recomendações para o avanço do campo de Finanças Sociais no Brasil, que serão apresentadas durante o evento.